O último disco da banda Metallica, lançado em 2008, chama-se Death Magnetic (algo como “morte magnética”). A capa e as artes no interior do encarte, retratam uma sepultura atraindo tudo à sua volta como se fosse um grande ímã. Parece que a banda está tentando nos lembrar a realidade da morte não apenas próxima, mas como algo que está atraindo lentamente a nossa vida. Em sua primeira carta aos cristãos de Corinto, no capítulo 15, Paulo chama esta realidade de nossa mortalidade e corruptibilidade.
Num ensaio escrito para o livro What God Knows (O que Deus Sabe), entitulado Meeting the Cosmic God in the Existential Now (Encontrando o Deus Cósmico no Agora Existencial), o sociólogo cristão Tony Campolo trata da relação com um Deus que transcende o tempo. Abaixo estão alguns trechos do texto de Campolo:
Ao refletir sobre como o tempo é relativo ao movimento, quero declarar que acredito que Deus é capaz de experimentar o tempo na velocidade da luz. Para Deus, todo o tempo pode ser comprimido no que o teólogo Emil Brunner chamou de “o eterno agora.” Todas as coisas acontecem “agora” com Deus. Com Deus, mil anos são como um dia, e um dia é como mil anos (Salmo 90.4). O próprio nome de Deus implica esta realidade. O nome de Deus é “Eu Sou.” Deus nunca “era”, e Deus nunca “será”. Deus é sempre “agora”.
Jesus não foi apenas um homem que viveu, morreu e ressuscitou historicamente; Ele também é o Deus para quem todas as coisas estão no momento presente. É por isso que ele podia dizer aos fariseus: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8.58). Jesus não estava usando uma gramática pobre quando falou assim. Em vez disso, ele estava declarando sua divindade. Ele estava dizendo que o tempo antes que houvesse um Abraão é tempo presente para ele. Por causa de sua divindade, ele experimenta todos os eventos no tempo e na história, como se estivessem acontecendo para ele no presente.
Quando Jesus foi pendurado na cruz do Calvário cerca de dois mil anos atrás, sendo Deus, ele estava – e está – simultaneamente comigo aqui e agora. Agora mesmo, sou pego em seu eterno agora. Os séculos que me separam do sofrimento de Jesus no Gólgota são comprimidos, como se à velocidade da luz, de modo que do ponto de vista dele, ele está comigo neste exato momento. Isso significa que, agora, no sentido que Deus tem do tempo, enquanto ele está pendurado na cruz, ele é capaz de ter empatia por mim, e por meio de uma espécie de osmose espiritual, absorver em si todo o pecado e escuridão da minha vida.
Na cruz há dois mil anos, ele levou o castigo pelo meu pecado, mas agora mesmo, no seu eterno agora, ele é capaz de me alcançar daquela velha rude cruz. Como um ímã, ele pode tirar de mim todo o mal que faz parte do minha humanidade, como se fosse algumas limalhas de ferro.
Jesus, sendo Deus, pode purificar-nos hoje, porque ele é, nas palavras do teólogo existencialista dinamarquês, Søren Kierkegaard,”o eternamente crucificado.”
Toda vez que eu peco, naquele mesmo instante Jesus geme em agonia no Calvário. Mesmo enquanto peco hoje, ele experimenta a agonia de ingerir o meu pecado em si mesmo no seu eterno agora, pendurado com os braços abertos lá no madeiro. É por isso que diz em Hebreus 6.6 que, quando pecamos, estamos crucificando-o novamente. Em certo sentido, quando pecamos, o crucificamos agora mesmo.
Eu estava em uma faculdade cristã, que é uma das nossas cidadelas de pureza evangélica, conversando com um aluno que estava um pouco preocupado com o fato de que ele era evangélico, mas estava transando com duas garotas. Disse a ele: “Como você concilia tudo isso com ser cristão? “Ele disse:” Bem, eu acredito que Jesus cuidou de tudo isso há muito tempo e bem longe “. Eu disse: “A próxima vez que você estiver cometendo fornicação, espero que você possa ouvir Jesus gritando de dor no fundo. Porque naquele exato momento ele está simultaneamente com você, absorvendo em seu próprio corpo, o pecado que você está cometendo”.
Não é à toa que Paulo diz que não ousemos pecar para que a graça abunde (Romanos 6.1) pois, enquanto pecamos, dois mil anos atrás na cruz, Jesus atravessa o tempo e o espaço, e atrai os pecados em seu próprio corpo perfeito, como se fossem limalhas de ferro e ele um ímã.
Em 1 João 1.9 nos diz o seguinte: se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo. Ele perdoará os nossos pecados e nos purificará. A teologia Reformada baseia o perdão sobre o que ele fez lá atrás, no Calvário. Mas alguma coisa tem que acontecer agora! Você tem que se render na quietude de Cristo na cruz e deixar que ele o purifique. E não venha me dizer que você não precisa ser purificado.
A resposta para o magnetismo da morte é o magnetismo da cruz. A resposta para a sensação de presença e atração da morte, é a certeza da presença atrativa de Jesus. A resposta para a mortalidade e corruptibilidade de nosso corpo é a ressurreição.
A morte é mesmo um inimigo mortal de todos nós. Todavia mesmo a morte não tem a palavra final diante de Jesus, aquele que venceu a morte com sua ressurreição. Como expressou Tony Campolo, sendo Deus, Jesus não é apenas alguém que viveu no passado, mas que vive no eterno agora e que pode ser encontrado por todos o que o buscam hoje. Ele disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá.”