Archive for January, 2008
2008
Tattoo
Abaixo estão dois pics da tattoo do Ganso Selvagem que estou fazendo. Vai demorar mais umas 2-3 horas de trabalho para colorir. Tinha esse desenho comigo há anos, esperando o momento certo para fazer. Aproveitei também para cobrir uma tatuagem que fiz em 1988 e que estava bem ”caída”.

2008
Vivendo como um radical comum
Um dos livros que estou lendo agora chama-se “The Irresistible Revolution: Living As An Ordinary Radical” de Shane Claiborne. Estava na minha lista de leitura desde que foi publicado em 2005, mas somente este início de ano foi que eu peguei para ler. É um relato cativante da jornada de Shane, saindo de uma família metodista conservadora no Tennessee, passando pelas experiências da faculdade onde cursou sociologia sob a orientação de Tony Campolo, aprendendo a ver a vida pelos olhos de famílias sem-teto numa catedral abandonada em Filadélfia, indo de experiências tão distantes como do trabalho com Madre Teresa em Calcutá a um estágio numa mega igreja em Chicago, e por aí vai. Atualmente Shane é uma figura central no movimento ainda pouco conhecido por aqui chamado New Monasticism (Novo Monasticismo). Na página 103, Shane diz: “Nós admiramos e adoramos Jesus sem fazer o que ele fez. Podemos aplaudir o que ele pregou e defendeu sem se importar pelas mesmas coisas. Podemos adorar sua cruz sem levar a nossa. Eu tive que ver que a maior tragédia na igreja não é que cristãos ricos não se importam com os pobres, mas que cristãos ricos não conhecem os pobres.” Shane e uns amigos formaram uma comunidade monástica na Filadélfia chamada The Simple Way dedicada aos pobres e oprimidos. Seu novo livro, escrito em parceria com amigos, chama-se “Jesus For President”.
2008
Darfur Now

Todo mundo que eu conheço que assistiu os filmes “Hotel Ruanda” e “Tiros em Ruanda” (Shooting Dogs) ficou chocado e, ao mesmo tempo, se perguntando por que não tomou conhecimento disso antes. Não dá para fazer nada pelas vítimas do genocídio de 1994, mas há outro genocídio acontecendo hoje e creio que podemos fazer algo. Além de orar pela situação caótica e contribuir com projetos missionários para a região, quem gosta de música (como eu) pode ajudar adquirindo o CD Instant Karma que a Amnesty International lançou no ano passado com músicas do John Lennon gravadas por pelo menos duas dúzias de artistas (U2, R.E.M., Green Day, Ben Harper, dentre outros). Ainda sem lançamento no Brasil, o documentário Darfur Now com a participação de Don Cheadle (ator dos filmes Clash, Hotel Ruanda, Reine Sobre Mim) é um excelente material para elevar a consciência da Igreja para a crise que já custou a vida de mais de 200 mil pessoas e dois milhões de refugiados. Vale a pena ficar atento ao lançamento e reunir um grupo para assistir e discutir possibilidades de envolvimento. Para quem deseja maiores informações, não precisa esperar pelo filme; tem o excelente site em português por Darfur! com várias maneiras de se envolver, inclusive com um CD de artistas portugueses cuja renda também é destinada às crianças refugiadas de Darfur.
2008
De missões para missional
A igreja em que abracei a fé em Cristo era Pentecostal tradicional e extremamente legalista nos usos e costumes. Foi lá que ouvi falar de missões pela primeira vez, por ocasião da conferência Operação Mundo 82, organizada pela OM (Operação Mobilização) e Missão Antioquia. Foi lá que fui desafiado a pensar em termos de contextualização e cultura, quando me mostraram o filme Hudson Taylor. Foi naquela igreja que comecei a sentir a vocação ministerial, saindo para evangelizar pessoas sem-teto no Centro de São Paulo, visitando presos no Carandirú e pregando meus primeiros sermões nas reuniões de jovens (ou “cultos da mocidade”, como a gente chamava naqueles dias). Voltando no tempo, acho interessante que naquela época, muito embora houvesse um esforço para que tivéssemos consciência da vocação missionária, essa vocação não era da Igreja, mas de apenas alguns poucos vocacionados. Havia uma diferença entre evangelismo (pregar o Evangelho para nossa gente) e missões (levar o Evangelho para outros povos, geralmente em lugares distantes de nossa terra natal). Talvez seja por isso que na cabeça dos líderes era cabível (ainda que a contra gosto) que Hudson Taylor tivesse deixado crescer o cabelo e feito uma enorme trança para alcançar os chineses. Ele era missionário, pregando em terra distante. Mas se algum jovem da igreja começasse a deixar o cabelo crescer para se aproximar dos que estavam ouvindo heavy metal (em plena ascensão no início dos anos 80) e se reunindo no Anhangabaú em frente à Woodstock Discos (a meca dos metaleiros antes da Galeria do Rock) a fim de evangelizá-los, seria disciplinado rigidamente por essa mesma liderança. Isso não fazia sentido, mas ninguém questionava. E se questionasse, a resposta provavelmente seria algo assim: “Hudson Taylor foi missionário na China, você não é missionário e não está na China.” Além disso, era muito usado o argumento do “escândalo”. Qualquer coisa que não se enquadrava no padrão legalista da igreja poderia levar um irmão a se escandalizar. O pior é que vinte e tantos anos depois, é bem provável que muitos continuem pensando da mesma maneira. Eu porém mudei. Minha mudança começou quando fui para o seminário teológico. Depois durante os anos trabalhando com a OM na Europa e à bordo do navio Logos II pela África Ocidental. O contato com cristãos de diferentes tradições e povos de culturas diversas me fez enxergar mais longe, quebrou quaisquer preconceitos que tivessem resistido o tempo de seminário e me tornou um “liberal desviad0″ (emprestando o termo de Martyn Joseph em sua canção Liberal Backslider) para muitos que me conheceram nos primeiros anos com Cristo. Foi como “liberal na metologia” que comecei o Refúgio do Rock, em 1993, abrindo os portões da igreja todas as sextas-feiras para as dezenas de roqueiros ouvirem bandas de rock pesado e uma breve mensagem do Evangelho. Embora muitos pudessem duvidar, havia em mim e nos que estavam ao meu lado um compromisso real com Cristo e com o Evangelho e estávamos dispostos a quebrar barreiras para levar esse Evangelho àqueles que não estavam sendo alcançados pela igreja com seus métodos convencionais. De repente, não havia mais aquela distinção entre evangelismo e missões. O campo missionário tinha vindo até nós. Mesmo sem pensar, nós estávamos percebendo que a vocação missionária era para toda a igreja e que todo cristão era chamado para viver essa vocação onde quer que estivesse. Muito tempo antes de reflexões sobre a Missio Dei e comunidade missional fazerem parte de minha vida, de algum modo, eu já estava começando pensar de maneira missional. Antes das reflexões sobre a natureza da igreja e sua missão num mundo pós-moderno se tornarem no que é conhecido como igreja Emergente, em minha vida um novo entendimento sobre a Igreja e fé cristã estava emergindo, muito embora eu não tinha idéia disso e nem para onde isso me levaria… (to be continued)
2008
igreja Emergente
Já faz algum tempo que tenho recebido e-mails e sido abordado por pessoas que me questionam sobre igreja Emergente. Tenho amigos que estão no centro do diálogo lá nos EUA e participei de um evento voltado para o tema, em 2005 na Califórnia. A comunidade Projeto 242 onde sirvo como pastor tem sido chamada de “emergente” e já recebeu elogios e também críticas por causa disso. Um artigo sobre igreja Emergente em um blog que eu acompanho (e respeito) citou ou Projeto 242 de maneira a sustentar aspectos negativos do “movimento”. Confesso que fiquei chateado quando li o artigo, principalmente porque o “argumento” partiu de uma frase extraída de um texto em nosso site e a pessoa que o escreveu nem sequer nos conhece, nunca falou com nenhum de nós para saber o que realmente acreditamos e entender nossa proposta de ser igreja e seguir Jesus. Portanto, devo começar a postar aqui uma série de reflexões sobre igreja Emergente e, principalmente, sobre o que eu creio em relação a Igreja (e, inevitavelmente, o que creio acaba refletindo bastante no que é o Projeto 242). Pelo menos, quando nos criticarem novamente, poderão fazer com um pouco mais de “fundamento” (apesar de que eu gostaria de dar um conselho para os críticos de plantão: procure andar com uma pessoa antes de dizer algo negativo sobre ela). Para início de conversa sou evangélico, mas não sou Evangélico; sou pentecostal, mas não sou Pentecostal; sou cristão, mas não sou Cristão; sou apostólico, mas não sou Apostólico; sou católico, mas não sou Católico; sou protestante, mas não sou Protestante; sou calvinista, mas não sou Calvinista; sou arminiano, mas não sou Arminiano; sou liberal, mas não sou Liberal; sou conservador, mas não sou Conservador; sou fundamentalista, mas não sou Fundamentalista; e, sou emergente, mas não sou Emergente. Antes de me acusarem de esquizofrenia espiritual ou de usarem a confissão acima como prova de que estou seguindo a tendência pós-moderna de pluralismo e relativismo, o que quero dizer com tudo isso é simplesmente que estou numa fase da vida que não estou muito ligado a Etiquetas e Rótulos. Etiquetas e rótulos podem ser falsificados. Etiquetas e rótulos não dizem toda a verdade. Etiquetas e rótulos geram competição. Não me parece sábio julgar uma pessoa apenas pela etiqueta que ela usa. Da mesma maneira, se você apenas ler o rótulo da embalagem e não provar o que está no interior, não saberá jamais qual é o sabor. Afinal de contas, não foi um profeta quem certa vez disse: “Deus não vê como o homem; o homem vê a aparência, mas Deus vê o coração”? Então eu vou falar sobre Igreja Emergente, mas não pretendo ficar preso a rótulos e etiquetas e espero que você também não.
2008
Sexo é coisa séria
No domingo, o Hudson e eu gravamos uma entrevista com o Jota para nosso primeiro podcast que deverá estar disponível nesse final de semana. Um pouco antes da entrevista, enquanto o Hudson preparava o equipamento, o Jota disse-nos que esteve em uma igreja em São Paulo em que o pastor estava proibindo os membros de acessarem o site Sexxxchurch. Eu fiquei imaginando que isso só pode ser por falta de informação ou (pior) preconceito. Afinal de contas, sexo é coisa séria e a Igreja deveria falar mais sobre isso. A omissão da Igreja faz com que as pessoas recebam sua educação sexual através de conversas sujas com amigos no vestiário da escola, filmes, revistas e sites pornográficos, e por aí vai. E isso é uma má educação sexual que gera problemas na vida sexual e muita infelicidade nas relações (ao contrário do que se divulga e se pensa). A pornografia se tornou algo epidêmico e, infelizmente, os cristãos não estão livres dela. É triste pensar que, enquanto esse pastor está proibindo seus membros de acessarem um site que se propõe a combater a pornografia e ajudar aqueles que estão presos por ela, é bem provável que alguns deles estejam acessando outros sites impróprios… Um dos grandes problemas da pornografia é que ela mente. Como diz a canção do Living Colour: “No! I’ll never be satisfied until it end in tears”. Essa frase descreve exatamente a condição de alguém que se deixa prender pela pornografia. Não há satisfação no final, só remorso e lágrimas. Por isso a pornografia se torna um espiral descendente, levando a pessoa do softcore para o hardcore e cada vez mais profundo. Ao contrário da pornografia, o sexo é uma bênção, uma dádiva de Deus. É incrível que muita gente se esquece que o sexo foi criado por Deus, foi idéia dEle. A Bíblia tem dezenas de referências sobre sexo e relações sexuais. Não há nada de errado com sexo, quando praticado dentro do contexto da aliança de casamento (afinal de contas, se você realmente ama uma pessoa, por que não casar com ela?). Sexo não é pecado. Sexo torna-se pecado quando é praticado fora do contexto de casamento. Essa é a mensagem da Bíblia. Imagine um mundo sem adultérios, estupros e crimes sexuais. Imagine um mundo sem lares desfeitos, sem lágrimas derramadas por causa de traições, sem filhos abandonados por pais que não tiveram a hombridade de assumir a responsabilidade de criá-los. Esse seria o mundo em que as pessoas seguissem as diretrizes de Deus sobre o sexo. Imagine novamente. Esse pode ser o seu mundo.
2008
Passion em São Paulo
Acabei de receber um e-mail dos organizadores confirmando oficialmente a realização de dois shows da turnê mundial de Passion 2008 em São Paulo. Marque as datas: Maio 23-24, no Via Funchal. A única coisa que vai desapontar muita gente que gostaria de ver e ouvir de perto David Crowder Band, Chris Tomlin, Charlie Hall e outros, é que o Passion é um evento somente para estudantes universitários entre 18 e 28 anos de idade. E não vale falsificar documento para entrar… Se você se enquadra nesse perfil, faça de tudo para estar lá. É simplesmente imperdível! Falow.
2008
O ganso selvagem
Ontem fui ao Osmar Tattoo para mais uma sessão. Agora só faltam mais umas duas horas para terminar a tatuagem do Wild Goose (Ganso Selvagem).
Muitas pessoas me perguntam porque eu escolhi esse desenho para uma tatuagem. Teve gente na igreja que ironizou e chamou o desenho de galinha de angola (que Deus os perdoe pela quase blasfêmia…). Há alguns anos descobri o Cristianismo Celta. Estudando a história da Igreja no seminário, confesso nunca dei atenção a isso (passou-me totalmente despercebido até anos recentes). A única coisa Celta que eu conhecia e gostava muito era a música de Iona e alguns trabalhos de Jeff Johnson. Ainda assim, quando comecei a ouvir essa música, alguns suspeitaram que eu estava mergulhando na Nova Era. Foi em 2003 quando eu estava em Maui para um treinamento de liderança que, rato de biblioteca que sou, descobri o livro “The Celtic Way of Evangelism”, de George Hunter III, professor emérito de crescimento de igreja do Asbury Theological Seminary. A leitura me chamou muito a atenção. Depois li a biografia de São Patrício (Saint Patrick of Ireland de Philip Freeman) e ao participar de um evento sobre igreja emergente em Ventura, Califórnia, ouvi sobre os ritmos sagrados da espiritualidade celta por Christine Sine do Mustard Seed. Bom, eu já tinha a imagem do Wild Goose guardada e ai pensei que era a melhor imagem para deixar gravada em meu corpo. A explicação para isso se encontra abaixo (uma síntese de um texto que achei na internet). Na tradição celta, o Espírito Santo é representado por um pássaro, mas não é pela pomba mansa e serena que pousou sobre Jesus no seu batismo. Os cristãos celtas escolheram para simbolizar o Espírito Santo o Ganso Selvagem (an Geadh-Glas). Por que o Ganso Selvagem? Porque o ganso selvagem é incontrolável. Você não pode prender nem domar uma ganso selvagem. Eles são barulhentos e, diferente do arrulho calmo da pomba, os gansos selvagens emitem som forte, desafiador, estridente e até mesmo assustador. Quando os cristãos celtas pensavam no Espírito Santo, a imagem do ganso selvagem era o que melhor lhes transmitia a natureza e o mover do Espírito. Ao tatuar o Ganso Selvagem em meu braço, desejo deixar selado em mim, a minha mais profunda aspiração espiritual que é ser guiado pelo Espírito Santo que não me deixar prender, domesticar, politizar, domar. O Espírito Santo que é como fogo, vento, barulho, que abala, transforma, guia, instrui e renova.
2008
10 Paradoxos Que Governarão o Futuro
O Next-Wave Ezine deste mês traz um artigo do Leonard Sweet chamado “The Top 10 Paradoxes That Will Rule The Future”. Para quem não o conhece,
Leonard Sweet é um ministro metodista e professor de Evangelismo na Universidade Drew, que se tornou uma espécie de futurólogo cristão (alguns diriam visionário ou mesmo profeta) e escreveu livros antecipando tendências ao redor do mundo que afetariam a Igreja. É interessante ler alguns de seus livros como “11 Genetic Gateways to Spiritual Awakening”, “Soul Tsunami” e “Carpe Mañana”, e ver o quão certo ele estava em muitas de suas previsões. Abaixo estão os 10 mais paradoxos que governarão o futuro segundo Leonard Sweet:
1) Faça pouco grande.
2) Para subir, desça.
3) Aprenda a falhar para que possa ser bem sucedido.
4) Seu único controle está em estar fora de controle.
5) É mais importante saber o que você não sabe do que o que você sabe.
6) Quanto mais você pensa de forma criativa, mais você precisa de formas bem feitas para pensar.
7) Um globo ficando cinza requer mais verde.
Somente alguém que valoriza o que é local pode globalizar.
9) Quando o rápido substitui o vasto, vá devagar com o santo.
10) A Lei de Moore torna a Lei de Murphy ainda mais relevante.
2008
Blogosfera cristã
Hoje rolou o encontro da Blogosfera Cristã no Projeto 242. Apareci lá para ver a galera e participei um pouco da reunião antes de ter que sair de fininho para levar minha filha ao cinema. Foi legal ver a iniciativa e como pessoas estão sendo inspiradas, desafiadas e edificadas por um grande número de blog e blogueiros cristãos espalhados pelo Brasil afora. Agora que voltei a blogar, decidi me unir a comunidade e creio que também serei abençoado pelos relacionamentos. Se você ainda não conhece, dê uma olhada no site e considere a possibilidade se unir também.
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