Archive for February, 2008
2008
Cair da graça
Acordei com as primeiras palavras da canção Like Someone You Know do Further Seems Forever tocando em minha cabeça: “Watch somebody fall from grace.” (Observe alguém cair da graça). Por incrível que pareça eu fiquei a manhã inteira tentando afugentar esse mantra com outras canções e melodias, mas de repente, ele voltava. No final das contas decidi refletir um pouquinho sobre isso: cair da graça. Primeiramente, por mais “emergente” que eu seja, quero deixar claro que eu creio na velha e gasta doutrina da Soberania de Deus. Creio também que Deus é maior que qualquer doutrina ou concepção teológica que qualquer pessoa, por mais brilhante que seja, possa fazer sobre Ele. Creio ainda que há mais mistérios e perguntas não respondidas sobre Deus do que a maioria de nós gostaria de admitir. Sendo assim, creio que, em última instância, só “o Senhor conhece os que lhe pertencem“. Ou seja, eu posso pensar que alguém está com Deus, e esta pessoa no final demonstrar que nunca esteve. Posso também me surpreender com relação a outras pessoas que eu não acredito estarem com Deus. Por isso, minha reflexão sobre “cair da graça” diz respeito unicamente ao meu ponto de vista limitado. Tendo estabelecido isso, infelizmente em minha jornada espiritual, tenho presenciado muitas pessoas caírem da graça. Poucas coisas me causam mais tristeza do que isto. Ver pessoas que caminharam lado-a-lado, de repente, desistirem do combate, abandonarem a corrida e perderem a fé. Quase todas elas começam dizendo que isso não está acontecendo, que elas só estão “dando um tempo”, que apesar de não estarem mais congregando em lugar nenhum, elas ainda continuam crendo em Deus, etc. Com o passar do tempo, seus corações ficam tão frios que parece quase impossível reaquecê-los novamente. Nos últimos anos, tem havido um revival da doutrina da graça no cenário evangélico. Começando com o livro O Despertar da Graça de Charles Swindoll (1989), seguido por livros como Nas Garras da Graça e Maravilhosa Graça de Max Lucado e Philip Yancey respectivamente. Mais recentemente, o cristão evangélico brasileiro descobriu os textos do franciscano Brennan Manning, onde a graça é superabundante. Sem dúvida, há outros textos que falam sobre a graça, mas estes talvez sejam os mais populares. Eu acho muito bom, pois como diz o Glenn Kaiser: Grace never ceases to be Amazing. Eu acredito na graça, me agarro a ela todos os dias da minha vida. O que penso, no entanto, é que não podemos esquecer que a Graça que para nós é de graça, custou muito caro para Deus. E se quisermos realmente experimentar essa Graça, irá custar-nos nada menos que nossa própria vida. “É morrendo que se nasce para vida eterna”, disse S. Francisco. Morrendo para o nosso ego, para nosso orgulho, para nossas tentativas e esforços, para nossa auto-justiça e rendendo-nos completa e irremediavelmente a Deus em reconhecimento de que nada somos e nada podemos, que dependemos total e exclusivamente dEle. É esse o verdadeiro Caminho da Graça. Esquecer isso é correr o sério risco de tornar a graça barata. Outra coisa importante sobre a graça, é que embora ela seja abundante justamente na mais densa escuridão e pecado, uma vez que nossos olhos são abertos para ela, não podemos continuar vivendo do mesmo modo. No Projeto 242 costumo dizer que a graça nos recebe como somos – e faz de nós pessoas que jamais poderíamos ser por nós mesmos. Antes de ver a Graça, eu podia simplesmente fechar os olhos para o meu pecado e fazer de conta que estava tudo bem. Mas depois que sua luz brilhou, não posso mais ignorar meus pecados. A graça me conduz ao arrependimento. Continuar pecando sem nenhum quebrantamento é pisar na graça. Alguém me perguntou outro dia se eu fico decepcionado quando seguidores do Caminho pecam. Não, isso não me decepciona. Todos pecamos (quem disser o contrário engana-se a si mesmo). O que me decepcionada mesmo, é quando esses seguidores pecam e não se arrependem do seu pecado. Isso para mim é cair da graça.
2008
De ganhar almas para missão integral
Devo confessar que durante muitos anos após minha conversão, eu não sabia o que era amar as pessoas realmente. Eu pregava o Evangelho, queria ganhar almas, visitava presos e sem-tetos, mas parecia apenas uma obrigação, algo para ver-me livre do senso de culpa que eu teria caso não fizesse isso. Naquela época, eu não dava valor algum para obras sociais. Pelo contrário, eu pensava que além de ser perda de tempo, envolver-se com projetos sociais representava também o risco de cair em “heresias” como as da Teologia da Libertação. O que importava mesmo era “ganhar almas” para Cristo. A experiência de ver as pessoas como pessoas (e não como almas a serem salvas para aumentar o galardão no céu) foi um processo lento que começou quando eu estava no seminário. Fui enviado com uma pequena equipe para fazer um estágio em uma cidade mineira e implantar lá uma igreja evangélica. Após seis meses, havíamos feitos muitos amigos e uma pequena comunidade de discípulos de Jesus estava se formando, quando fomos chamados a retornar para o seminário. Lembro-me da indignação que eu e meus companheiros sentimos ao ter que deixar aquelas pessoas com lágrimas nos olhos, quase como órfãos espirituais. De alguma forma, nosso sentimento era de que nós as havíamos usado como laboratório ministerial. Mas elas eram pessoas, gente, seres humanos com necessidades reais, com capacidade de amar e se ferir. Não eram almas para serem salvas, mas pessoas que aprendemos a amar no processo de compartilhar o amor de Deus a elas. Anos mais tarde, morando em Amsterdam, comecei a freqüentar reuniões de terças-feiras à noite no The Cleft (a fenda), um dos ministérios da JOCUM bem no coração do Red Light District (distrito da luz vermelha). Andando pelas ruelas cercado de prostitutas nas vitrines e dezenas de sex shops com material explícito à vista, eu caminhava de cabeça baixa. Não me sentia à vontade fazendo o caminhada até o local, mas como havia sido chamado lá para interpretar os estudos bíblicos para uma prostituta brasileira chamada Isabel, eu fazia o esforço de ir até lá. Ao começar a interpretar para Isabel, de repente, comecei a vê-la não como uma prostituta, um produto, mas como um ser humano, frágil, com medo, perdida. Percebi que ela era tão carente de Deus quanto eu mesmo. Foi a primeira vez que olhei para uma prostituta como ser humano. Com o tempo, entendi que eu estivera sofrendo como resultado da dicotomia entre alma e espírito que valoriza um em detrimento do outro. Compreendi que o ser humano é um todo complexo de corpo material e alma imaterial, e que, portanto, o chamado de Deus é para amar a pessoa por inteiro e não apenas se interessar por sua alma. Minha missiologia passou a ser um pouco mais holística, assim como diz o Manifesto de Manila: “Todo o Evangelho para a pessoa por inteiro em todo mundo.” Minha visão deixou de ser de apenas salvar almas, para amar e servir seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus. Já não estou interessado em estatísticas de conversão tanto quanto estou em ver pessoas sendo abraçadas pelo amor sem medidas do Pai, através de Seu Corpo na terra, a Igreja. Afinal de contas, Jesus disse que o amor seria a marca de seus seguidores. O apóstolo João expandiu isso dizendo que é praticamente impossível amar a Deus sem amar o próximo – e se o próximo estiver em necessidade e eu tiver recursos e não fizer nada por ele, como ouso dizer que amo a Deus? Ganhar almas é relativamente fácil; difícil é amar pessoas, pois exige a crucificação do eu. Se a Igreja é uma comunidade de irmãos e irmås, uma família espiritual, ela precisa ver as pessoas como pessoas, e não meras almas penadas entre o céu e o inferno. Por isso não dizemos: “Eu amo sua alma”, mas “Eu amo você.”
2008
Durma com um barulho desses
“Quando as pessoas começam a ir além da caridade em direção à justiça e solidariedade com o pobre e oprimido, como Jesus fez, elas encontram problemas. Uma vez que nos tornamos amigos de verdade de pessoas oprimidas, começamos a perguntar porque as pessoas são pobres, algo que não é tão popular como doar para caridade. Um de meus amigos tem uma camiseta com as palavras do finado bispo católico Dom Helder Camara: ‘Quando eu alimentei os famintos, eles me chamaram de santo. Quando eu perguntei porque as pessoas estavam passando fome, eles me chamaram de comunista.’ Fazer caridade conquista aplausos e medalhas, mas unir-se aos pobres faz você ser morto. Pessoas não são crucificadas por fazer caridade. Pessoas são crucificadas por viver um amor que rompe com a ordem social, invocando um novo mundo. Pessoas não são crucificadas por ajudar os pobres. Pessoas são crucificadas por se unir a eles.” Shane Claiborne, The Irresistible Revolution.
2008
Tenha bom ânimo Igreja
Essas reflexões sobre Igreja e igrejas me fizeram lembrar de duas canções cujas letras são bem interessantes. A primeira delas é Cheer up, Church, de Charlie Peacock. A segunda é Jesus Loves the Church, com letra de Sheila Walsh e foi gravada por Phil Keaggy no seu album homônimo de 1998. Alguns trechos de Cheer up, Church que me desafiam, exortam e consolam são: “Tenha bom ânimo Igreja, você é pior do que você pensa / Tenha bom ânimo igreja, você está a beira do abismo / Não se desespere, não temas, a Graça perto está.” Em Jesus Loves the Church, Phil Keaggy canta que “Nós crucificamos uns aos outros / Deixando uma noiva machucada e ferida / Mas Jesus ama a Igreja / Então andamos pelo corredor da história / Em direção a uma festa de casamento / Pois Jesus ama a Igreja / E quando Ele estava pendurado sofrendo nú / sangrando por nossos crimes / Ele viu nossos corações inconstantes e clamou / Eu amo você.” Eu gosto de lembrar que o maior problema da Igreja é que ela é feita de seres humanos falhos, de pecadores como eu e você. A glória da Igreja não está nas pessoas, nem mesmo em suas grandes conquistas, mas no simples fato de que Cristo entregou sua vida por ela. Se existe alguma coisa especial sobre a Igreja, é o fato dela ser amada por Aquele cujo amor não tem medidas. Cheer up, Church!
2008
De denominação para Reino
Como muitos novos convertidos, eu pensava que a minha igreja local era, se não a única verdadeira, a melhor de todas. Afinal de contas, foi lá que encontrei Cristo e me rendi a Ele. Lá estava minha nova família espiritual, gente estranha que, de repente, havia se tornado meus irmãos e irmãs. Sem dúvida, a pregação que eu escutava lá era a melhor de todas. Católicos estavam todos perdidos na idolatria. Presbiterianos, batistas e metoditas eram todos frios, não tinha o Espírito Santo e provavelmente estavam perdidos também. Outras igrejas pentecostais eram liberais demais, legalistas demais ou então seitas heréticas. A minha era perfeita. Lá estava a revelação, a unção, a presença de Deus. Assim eu pensava. Até que circunstâncias diversas me forçaram a sair do casulo e começar a conviver com pessoas de outras igrejas e denominações. De repente, comecei a observar que muitos daqueles que eu pensava serem frios, na verdade, eram mais quentes do que eu. Havia neles mais paixão autêntica pelo Evangelho do que eu percebia em minha própria vida. Meu pastor havia me dito que os “tradicionais” não eram chegados à oração. Pois foi com muitos deles (Brethren) que aprendi a orar de verdade. Me falaram que presbiterianos não acreditavam em evangelismo, mas alguns dos mais apaixonados pela proclamação do Evangelho que conheci eram presbiterianos. Falaram que os batistas não tinham a unção do Espírito Santo e, portanto, não entendiam de missões, mas foi em conferências missionárias onde a maioria eram batistas que a chama de missões queimou mais forte em meu peito. Em Dresden, na recém-unificada Alemanha, senti a vibração e amor de Cristo na juventude luterana. Em São Petersburgo, vi Jesus nos olhos de cristãos ortodoxos que suportaram anos de perseguição sem perder a fé. Dancei como Davi com todas as minhas forças (e muito suor escorrendo no calor caribenho) com pentecostais jamaicanos. Cantei até quase perder a voz com cristãos gitanos na Espanha. Aprendi sobre reverência e silêncio com católicos poloneses. Enfim, quanto mais viajei pelo mundo e conheci igrejas de culturas e tradições diferentes, mais eu vi que a Igreja é maior do que eu pensava. E isso porque eu ainda não vi quase nada. Hoje sirvo como pastor sob uma denominação presente em quase todo o mundo. Esse elo denominacional me serve como uma ponte para relacionamentos abençoadores e também como uma forma de me manter humilde, submisso e prestando contas. Mas já não sou mais tolo de pensar que a Igreja, o Reino de Deus, está confinado aos limites de minha comunidade local ou denominacional. Além disso, tenho aprendido a apreciar as diferentes tradições e aprender delas como uma expressão da multiforme sabedoria de Deus. O que percebi é que – em minha humilde opinião – denominações servem um propósito quando elas existem para servir as igrejas locais. No momento que esse relacionamento se inverte – as igrejas passam a existir para manter a denominação – então a instituição perdeu o sentido e está fadada a morrer. A grande ênfase de minha vida passou a ser a igreja local, seus membros e o cumprimento da Missio Dei dentro de seu contexto comunitário. Por isso mesmo, não consigo aceitar as franquias do reino (reino minúsculo mesmo, pois tem pouco a ver com o Reino de Deus e muito mais a ver com impérios humanos), comunidades que franquiam sua marca, sua fachada, seus métodos, suas pregações, suas canções como se fosse um McDonald’s da fé. Esse tipo de relacionamento denominacional é exatamente o tipo que eu descrevi acima – onde a instituição se tornou mais importante que o indivíduo e está fadada a morrer num mundo pós-moderno.
2008
Cartaz provocativo

“Construa mega igrejas de milhões de dólares.” (Jesus) Espere um pouco! Não foi isso que Jesus disse! É hora de nos familiarizarmos de novo com os ensinamentos de Cristo.
2008
Ser cristão agora

Ser cristão agora significa ter coragem de pregar o verdadeiro ensino de Cristo e não temer, não silenciar com medo
pregando algo fácil que não nos cause problemas. Ser cristão nesta hora significa ter coragem que o Espírito Santo nos dá no sacramento da confirmação para ser soldados valentes de Cristo o Rei, para fazer Seus ensinamentos prevalecer, para alcançar corações e proclamar a eles a coragem que deve-se ter para defender a lei de Deus. - Oscar Romero, 5/12/1977
2008
De templo para Corpo
Quando eu mergulhei na experiência com o Refúgio do Rock em 1993 e tive que responder às críticas que começaram a surgir (de profanar o espaço sagrado), comecei a fortalecer o conceito neo-testamentário de Corpo. É intessante como há uma diferença entre o VT e o NT quando se trata de local de adoração, santuário, templo, etc. No VT, haviam locais fixos e apropriados para se adorar e prestar culto a Deus. Esse inclusive foi um dos temas da conversa entre a mulher samaritana e Jesus em João 4. Ela acreditava que Deus devia ser adorado em um local geográfico definido. Jesus disse que Deus poderia ser adorado em qualquer lugar, desde que essa adoração fosse sincera e verdadeira. No NT, o cristão é o templo, o santuário, o lugar onde Deus habita. A Igreja é chamada de Corpo de Cristo. E Igreja são pessoas, e não um edifício, uma construção. Por meio de pessoas que renderam suas vidas ao Seu Senhorio, Cristo continua vivo e presente no mundo hoje. Onde quer que essas pessoas vão em nome de Cristo, lá Ele está. Isso tem implicações imensas em nossas vidas. Se Cristo vive em mim (para isso eu preciso tomar a cruz diariamente e morrer para mim mesmo), então Ele está presente através de mim (meu corpo é seu santuário) e toca as pessoas por meio de minhas mãos, abraça-as com meu abraço, ouve-as com meus ouvidos, fala com elas por minha boca… Quanta responsabilidade é dizer-se cristão! Hoje eu estava lendo as palavras do Arcebispo Oscar Romero, de sua homília de 27 de janeiro de 1980, dois meses antes de ter sido assassinado:
“Eu repito o que já disse a vocês antes quando temíamos perder nossa estação de rádio: o melhor microfone de Deus é Cristo, e o melhor microfone de Cristo é a igreja, e a igreja são todos vocês. Que cada um de vocês, em seu próprio trabalho, em sua vocação (…), cada um em seu próprio lugar viva a fé intensamente e sinta que em seu ambiente você é um verdadeiro microfone de Deus nosso Senhor.” A igreja são todos vocês. Essa convicção é ensinada e vivida no Projeto 242 hoje, ainda que de uma forma bem aquém do que sonhamos. É por isso que transformamos o espaço onde nos reunimos para ser um local que nada lembra um templo ou igreja. Porque o templo é nosso corpo e a igreja somos nós, as pessoas, que se reunem naquele local. É por isso que recebemos artistas não cristãos para apresentar seu trabalho em nosso espaço, sem medo de “profanar o altar”. Porque o altar são nossas vidas e corações rendidos ao Senhor. Isso não tem nada a ver com querer ser emergente; tem tudo a ver com querer viver como discípulos de Cristo, chamados para carregar a cruz, morrendo diariamente para o ego e permitindo que Jesus viva através de nossas vidas.
2008
Pensamentos de alguém que amava a igreja

“Para Rich [Mullins], mesmo uma hora em uma má igreja era melhor do que não ir a nenhuma igreja.” Jimmy Abegg
2008
Penso, logo creio.
Esse final de semana ouvi o CD “É Proíbido Pensar” do João Alexandre. Com a voz e a simplicidade que o consagrou como um dos mais interessantes compositores cristãos do Brasil, João Alexandre canta músicas que falam de Deus (Na Tua Presença, Pai Nosso), da fé (Credo Apostólico, Que Segurança) e da vida (Feirante, Paz e Comunhão, Trabalho/Esperança). Ouvindo Pai Nosso, voltei no tempo, quando o ouvi cantar essa canção pela primeira vez junto ao Milad, no ginásio do Ibirapuera, após um pregação do Caio Fábio, em algum ano da década de 80 que eu não consigo lembrar (seria 85 ou 86?). Mas a canção mais “polêmica” do CD é a faixa título com a letra que denuncia a atitude antiintelectualista do movimento evangélico neo-pentecostal no Brasil.
“Estar de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela q
ue ainda guio o meu viver!
Reconstruindo o que Jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei, pisando na graça
Negociando com Deus!
No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquez universal
Se apossando do céus!
Estão distantes do trono, caçadores de Deus
Ao som de um shofar…”
Ouvir a canção de João Alexandre me fez pensar no ensaio que escrevi em 1997 e que foi publicado no final do ano passado pela Editora Fôlego, Intelectualidade Cristã em Crise: A Síndrome da Ignorância. O tempo passa, e parece que as coisas estão ainda pior do que quando eu escrevi este texto. Eu fico impressionado quando vejo pessoas que no dia-a-dia fazem uso pleno da razão e quando adentram um local de culto, param de pensar. É quase como se à porta de algumas igrejas houvesse um container com a seguinte inscrição: “Deixe aqui o seu cérebro.”
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