Neste Carnaval estive compartilhando em um acampamento em Curitiba. O tema era guerra espiritual e pensei bastante no que eu iria falar, pois não queria dizer algo que não acredito e, ao mesmo tempo, não queria ofender as pessoas com quaisquer idéias ou conceitos que soassem céticos. Decidi enfocar aspectos da batalha que geralmente são ignorados (ou deixados de lado) pela maioria das pessoas que que eu conheço que ministram sobre esse tema hoje em dia. Esses aspectos são a carne e o mundo. Se nossa luta fosse somente contra demônios e espíritos caídos, seria mais fácil, pois bastava repreendê-los em nome de Jesus e a batalha estaria vencida (lembra como os discípulos foram advertidos por Jesus quando se alegraram com o poder que tinham sobre os demônios?). Mas a luta contra a carne e contra o mundo (sistema caído cujos valores contrários à Palavra de Deus são transmitidos a nós como se fossem verdade) é muito mais punk, se posso dizer assim. É fácil alguém fazer algo contra a Palavra de Deus e colocar a culpa no demônio. Tem crente demais fazendo isso por aí (desculpa tão velha quanto a história do Éden e da Queda). Difícil mesmo é admitir a responsabilidade pelo pecado (confissão) e se arrepender (mudar de atitude). No entanto, quase todo mundo que está ensinando sobre guerra espiritual (principalmente no circuito pentecostal e neo-pentecostal) fala somente sobre espíritos, potestades, mapeamento espiritual, estratégia de guerra, etc. Parece até que alguns caíram naquele erro que C.S. Lewis mencionou no prefácio de seu clássico Screwtape Letters (“Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz”, Editora Martins Fontes, 2005), e passaram a nutrir um interesse excessivo e doentio em relação ao diabo. Ouvindo e lendo alguns livros, até parece que o diabo é mais poderoso que Deus e que Jesus não é Senhor de nada (qualquer coisa fora do normal e essas pessoas vão logo dizendo: “É o diabo! Tem um pacto! É maldição!…”). Em meio a tanta ênfase no mal e em esquemas complicados (e nada ortodoxos) de batalha, elas se esquecem da realidade do que foi dito por Samuel Chadwick: “O diabo ri de nosso labor,  zomba de nossa sabedoria, mas treme quando oramos.” Acredito que se gastássemos menos tempo falando sobre guerra espiritual e mais tempo em comunhão com Deus, adoração de Sua Pessoa e oração sincera e quebrantada, teríamos muito mais resultados em nossas vidas e comunidades. Além disso, se você segue a Cristo, você já está em guerra: a nova natureza contra a velha, a renovação da mente contra a pressão para se conformar ao mundo e, sim, as tentações do diabo farão parte de sua experiência como discípulo até o fim de sua vida. Sabendo ou não, esta é a sua realidade.  Como se isso não fosse o bastante, tem aqueles pregadores e ministros de louvor que insistem em nos convidar para “entrar em guerra”. Não precisamos de mais “cânticos de guerra” para entrar numa guerra que todos nós já estamos. É incrível o que a ignorância das Escrituras e a falta de senso com a realidade faz em alguns círculos eclesiásticos.  Bom, refletindo sobre tudo isso eu acabei recomendando para o pessoal o livro do Dr. Russell Shedd, “O Mundo, a Carne e o Diabo” (Edições Vida Nova, 1995). Se você ainda não leu, fica ai a dica para você também.