Esse final de semana ouvi o CD “É Proíbido Pensar” do João Alexandre. Com a voz e a simplicidade que o consagrou como um dos mais interessantes compositores cristãos do Brasil, João Alexandre canta músicas que falam de Deus (Na Tua Presença, Pai Nosso), da fé (Credo Apostólico, Que Segurança) e  da vida (Feirante, Paz e Comunhão, Trabalho/Esperança). Ouvindo Pai Nosso, voltei no tempo, quando o ouvi cantar essa canção pela primeira vez junto ao Milad, no ginásio do Ibirapuera, após um pregação do Caio Fábio, em algum ano da década de 80 que eu não consigo lembrar (seria 85 ou 86?). Mas a canção mais “polêmica” do CD é a faixa título com a letra que denuncia a atitude antiintelectualista do movimento evangélico neo-pentecostal no Brasil. 

“Estar de bem com vida é muito mais que renascer

Deus já me deu sua palavra

E é por ela q

ue ainda guio o meu viver!

Reconstruindo o que Jesus derrubou

Re-costurando o véu que a cruz já rasgou

Ressuscitando a lei, pisando na graça

Negociando com Deus!

No show da fé milagre é tão natural

Que até pregar com a mesma voz é normal

Nesse evangeliquez universal

Se apossando do céus!

Estão distantes do trono, caçadores de Deus

Ao som de um shofar…”

 

Ouvir a canção de João Alexandre me fez pensar no ensaio que escrevi em 1997 e que foi publicado no final do ano passado pela Editora Fôlego, Intelectualidade Cristã em Crise: A Síndrome da Ignorância. O tempo passa, e parece que as coisas estão ainda pior do que quando eu escrevi este texto. Eu fico impressionado quando vejo pessoas que no dia-a-dia fazem uso pleno da razão e quando adentram um local de culto, param de pensar. É quase como se à porta de algumas igrejas houvesse um container com a seguinte inscrição: “Deixe aqui o seu cérebro.”