Como muitos novos convertidos, eu pensava que a minha igreja local era, se não a única verdadeira, a melhor de todas. Afinal de contas, foi lá que encontrei Cristo e me rendi a Ele. Lá estava minha nova família espiritual, gente estranha que, de repente, havia se tornado meus irmãos e irmãs. Sem dúvida, a pregação que eu escutava lá era a melhor de todas. Católicos estavam todos perdidos na idolatria. Presbiterianos, batistas e metoditas eram todos frios, não tinha o Espírito Santo e provavelmente estavam perdidos também. Outras igrejas pentecostais eram liberais demais, legalistas demais ou então seitas heréticas. A minha era perfeita. Lá estava a revelação, a unção, a presença de Deus. Assim eu pensava. Até que circunstâncias diversas me forçaram a sair do casulo e começar a conviver com pessoas de outras igrejas e denominações. De repente, comecei a observar que muitos daqueles que eu pensava serem frios, na verdade, eram mais quentes do que eu. Havia neles mais paixão autêntica pelo Evangelho do que eu percebia em minha própria vida. Meu pastor havia me dito que os “tradicionais” não eram chegados à oração. Pois foi com muitos deles (Brethren) que aprendi a orar de verdade. Me falaram que presbiterianos não acreditavam em evangelismo, mas alguns dos mais apaixonados pela proclamação do Evangelho que conheci eram presbiterianos. Falaram que os batistas não tinham a unção do Espírito Santo e, portanto, não entendiam de missões, mas foi em conferências missionárias onde a maioria eram batistas que a chama de missões queimou mais forte em meu peito. Em Dresden, na recém-unificada Alemanha, senti a vibração e amor de Cristo na juventude luterana. Em São Petersburgo, vi Jesus nos olhos de cristãos ortodoxos que suportaram anos de perseguição sem perder a fé. Dancei como Davi com todas as minhas forças (e muito suor escorrendo no calor caribenho) com pentecostais jamaicanos. Cantei até quase perder a voz com cristãos gitanos na Espanha. Aprendi sobre reverência e silêncio com católicos poloneses. Enfim, quanto mais viajei pelo mundo e conheci igrejas de culturas e tradições diferentes, mais eu vi que a Igreja é maior do que eu pensava. E isso porque eu ainda não vi quase nada. Hoje sirvo como pastor sob uma denominação presente em quase todo o mundo. Esse elo denominacional me serve como uma ponte para relacionamentos abençoadores e também como uma forma de me manter humilde, submisso e prestando contas. Mas já não sou mais tolo de pensar que a Igreja, o Reino de Deus, está confinado aos limites de minha comunidade local ou denominacional. Além disso, tenho aprendido a apreciar as diferentes tradições e aprender delas como uma expressão da multiforme sabedoria de Deus. O que percebi é que – em minha humilde opinião – denominações servem um propósito quando elas existem para servir as igrejas locais. No momento que esse relacionamento se inverte – as igrejas passam a existir para manter a denominação – então a instituição perdeu o sentido e está fadada a morrer. A grande ênfase de minha vida passou a ser a igreja local, seus membros e o cumprimento da Missio Dei dentro de seu contexto comunitário. Por isso mesmo, não consigo aceitar as franquias do reino (reino minúsculo mesmo, pois tem pouco a ver com o Reino de Deus e muito mais a ver com impérios humanos), comunidades que franquiam sua marca, sua fachada, seus métodos, suas pregações, suas canções como se fosse um McDonald’s da fé. Esse tipo de relacionamento denominacional é exatamente o tipo que eu descrevi acima – onde a instituição se tornou mais importante que o indivíduo e está fadada a morrer num mundo pós-moderno.