
O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer popularizou nos meios teológicos a expressão “graça barata” por meio de seu livro Discipulado (Nachfolge) escrito em 1937. Logo nas primeiras páginas, ele faz um alerta contra a graça barata dizendo:
A graça barata é inimiga mortal de nossa Igreja… (…) Graça barata significa justificação do pecado, e não do pecador. (…) A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado. (…)
Bonhoeffer contrasta a graça barata com a graça preciosa, pela qual, segundo ele, devemos lutar:
A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quanto tem; a pérola preciosa, para adquirir a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, ao ouvir do qual o discípulo larga as suas redes e o segue. A graça preciosa é o Evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-lo sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – fostes comprados por preço – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.
Desde a primeira leitura de Discipulado em 1986, Bonhoeffer se tornou meu teólogo favorito. Como ele, creio que existe a possibilidade de tornar algo tão precioso e belo como a graça de Deus em um conceito vazio, destituído de qualquer poder transformador, uma graça que justifica o pecado, e não o pecador.
Infelizmente a “graça barata” tem saido meio “cara” pq tem sido vendida nas “igrejas”, como sendo um passaporte para o céus, e como garantia de estabilidade financeira ou emocional e etc.
Bjs =*
Que texto maravilhoso e simples.
Tenho que concordar com o outro comentário: “esse barato ta saindo muito caro”
O Dietrich caiu na minha graça. Que grande homem de Deus esse. Pedi alguns livros pra decidir qual escolher e simplesmente fiquei com todos: Discipulado, Ética, Prédicas e Orando com Salmos. Ratifico a recomendação.
Terminei de ler o Discipulado hoje. Que pequeno grande livro! Abraço!
O conceito que os primeiros cristãos tinham da graça era diferente que a de nós. A igreja primitiva não via a graça como algo que passa por alto os pecados senão aquela que nos ensina como arrepender nos dos pecados. Veja… http://www.aigrejaprimitiva.com/dicionario/GRACIA.html
A vida deste Martir,serve de grande exemplo para estes dias hodiernos.A Graça barata esta sendo vendida nos pulpitos das igrejas,como sendo verdadeira ou preciosa.Nós devemos protestar quando estes desmandos e mentiras do diabo.Graça sem Cruz de Cristo e sem o Sangue Remidor não existe.Ora vem Senhor Jesus Cristo de Nazaré