

Sexta-feira Santa. Paixão de Cristo. Dia em que Jesus foi crucificado e morreu no cruz. O que isso significa para mim? Ao refletir sobre este dia, percebo que a tradição protestante na qual eu cresci nunca deu muita importância à Sexta-feira Santa. Na verdade, nós pensávamos que isso era “coisa dos católicos”. Mais tarde na vida, mesmo tendo estudado teologia e trabalhado com missões, eu continuava pensando que o único dia importante da Semana Santa era o Domingo da Ressurreição. Isso sim era importante, afinal de contas nós adoramos um Cristo vivo, ressurreto, e não um Cristo morto (como pensávamos que os católicos fazem). Mas não pode haver ressurreição sem morte. E quando Paulo fez referência a sua mensagem aos Coríntios, ele não disse: “Eu prego um Cristo vivo e ressurreto!” Pelo contrário, ele diz que a sua mensagem era “Jesus Cristo, e este, crucificado.” (1 Cor. 2.2). E depois ele gastou todo o capítulo 15 de sua carta falando da ressurreição. Pedro pregou sobre Jesus que foi morto, “mas Deus ressuscitou dos mortos.” (Atos 3.15). Morte e ressurreição andam juntas na mensagem apostólica. Jesus ressuscitou no domingo porque ele morreu da sexta-feira. John Stott em seu livro A Cruz de Cristo cita o bispo Stephen Neill apontando que “na teologia histórica cristã, a morte de Cristo é o ponto central da história; para aí todas as estradas do passado convergem; e daí saem todas as estradas do futuro.” Quando examinamos a própria vida de Jesus, percebemos que ele entendia ser a sua morte na cruz o cumprimento da sua missão. Em Lucas 9.51, diz que “aproximando-se o tempo em que seria elevado aos céus, Jesus partiu resolutamente para Jerusalém.” Ou seja, a morte não pegou Jesus de surpresa; ele foi ao encontro dela. Resolutamente. Talvez nenhum outro texto expressa isso com mais força e emoção do que João 12:
“Chegou a hora de ser glorificado o filho do homem. Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto… Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora… Mas quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim…”
Por que Jesus suportou a dor e carregou a cruz? Por que ele morreu crucificado? Sua fala “atrairei todos a mim” revela-nos que ele estava pensando em você, em mim e em toda a humanidade, ao oferecer Sua vida na morte de cruz. Nós somos os frutos de Sua morte. A cruz é o lugar mais elevado da história. A sexta-feira Santa deve ocupar um espaço tão importante em nossas vidas e liturgias como o Domingo da Ressurreição. Que possamos continuar ecoando a saudação: Cristo morreu! Cristo ressuscitou! Cristo virá novamente!
Que toda igreja seja um hospital e não um tribunal.
(do blog do Jota)