Arquivos para o mês de: April, 2008

Estava conversando sobre igreja e denominação com alguns amigos recentemente, quando ouvi pela enésima vez o seguinte jargão: “Esta igreja [uma certa denominação] nasceu no coração de Deus!” Sinceramente não dá mais para ouvir isso e ficar calado. Então perguntei: Que Igreja não nasceu no coração de Deus? “Ah, mas você não entende,” me responderam, “Essa igreja [novamente, falando da denominação] não nasceu de divisão como muitas outras por aí…” (noto que a pessoa que fala expressa um não pequeno orgulho ao dizer isso). Ah, agora eu entendi. Seguindo essa linha de pensamento, devemos dizer então que todo o Protestantismo e suas vertentes Evangelicalismo, Pentecostalismo, etc., não podem ter nascido no coração de Deus, uma vez que são fruto de uma divisão do Catolicismo. É isso? “Não, claro que não…” escuto. Aceitar isso seria negar que aquela denominação em particular tivesse nascido no coração de Deus. É incrível como as pessoas repetem coisas sem pensar…

A Igreja nasceu no coração de Deus. A Igreja é maior do que qualquer denominação ou tradição;  de fato, é maior que todas elas reunidas. A Igreja não tem placas, não tem rótulos, não tem limites geográficos ou históricos. Ela é constituída de todas as pessoas na história cujas vidas foram compradas pelo alto preço do amor de Deus revelado em Cristo. Pessoas estas que se reuniram em templos, casas, catacumbas, palácios, florestas, montes, catedrais, capelas, cavernas, e muitos outros locais durante a história. Pessoas que se reuniram sob rótulos diferentes, mas sob um só Senhor, uma só fé, um só Espírito, uma só esperança. Tal entendimento não é apenas bíblico, mas tremendamente necessário nestes tempos trabalhosos (para emprestar a expressão paulina) em que vivemos. Quando percebemos isso, no mínimo, somos levados a uma atitude mais humilde em relação àqueles que não fazem parte no mesmo grupo/ajuntamento que nós, todavia fazem parte conosco da Grande Família de Deus.

Já expressei isso em outro post, mas vale repetir aqui. Creio que denominações, quando são saudáveis, têm o seu lugar e servem para auxiliar na propagação do Evangelho e no plantio de novas comunidades de fé e serviço missional. Mas Deus não tem nenhum compromisso (por assim dizer) com denominações e instituições humanas de preservá-las ou dirigi-las como se elas tivessem sido criadas por Ele (nascidas em seu coração). Cristo não morreu por denominações ou instituições. Ele morreu por pessoas. Ele deu sua vida por uma Igreja santa, católica (evidentemente no sentido pleno da palavra, universal) e apostólica (note que não existe igreja no sentido bíblico que não seja apostólica, quer ela se auto-denomine assim – como muitas estão fazendo hoje em dia – ou não).

Ao concluir minha conversa com os amigos, fiquei com um sentimento de tristeza, pois percebi que assim como alguns deles, muita gente ainda confunde igreja (com “i” minúsculo) e denominação (instituição) com a Igreja, Noiva de Cristo. Pior ainda, muitos parecem ter mais compromisso com a denominação e tradição (e com a manutenção destas mesmo quando talvez a melhor coisa seria deixá-las morrer), do que com Cristo e Sua Obra. Lembrei-me do que me disse o Greg Russinger uma vez: “A comunidade missional não tem medo de morrer; quem tem medo de morrer é a instituição.” Cada dia que passa, percebo o quanto ele tem razão.

Perseguido religioso

Nos últimos anos tenho ouvido falar com frequência cada vez maior sobre uma suposta perseguição religiosa no Brasil. Geralmente tais comentários vêm de pessoas envolvidas em situações suspeitas ou duvidosas na condução de suas igrejas, ministérios, atuação política ou vida pessoal, ou então de pessoas subordinadas ou aliadas a estas. Confesso que fico estarrecido com essas afirmações (ou melhor, desculpas para encobrir erro cometidos), uma vez que tenho conhecimento da verdadeira perseguição religiosa que, de fato, acontece em algumas partes do mundo (como denuncia a foto acima da Amnesty International), mas com certeza não acontece aqui (ainda).

Jesus disse que “felizes são os perseguidos por causa da justiça”, e “felizes serão vocês quando, por minha causa… os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.” (Mateus 5)  Ele ainda insinuou que a perseguição acompanha um ministério profético (“pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.”) que denuncia as injustiças sociais e o pecado nacional. Finalmente Jesus diz aos perseguidos em tal circunstância: “Alegre-se!”

Outros textos do Novo Testamento falam sobre perseguição, como estes da primeira carta de Pedro aos cristãos do primeiro século:

“Porque é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente. Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus.”  (2.19-20)

“Quem há de maltratá-los, se vocês forem zelosos na prática do bem? Mesmo que venham sofrer porque praticam a justiça, vocês serão felizes… É melhor sofrer por fazer o bem, se for da vontade de Deus, do que sofrer por fazer o mal.” (3.13,14,17)

“Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês… Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso, ou como quem se intromete com negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio deste nome. Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus…” (4.12-17)

Faça o seguinte teste em relação àqueles que se dizem perseguidos aqui no Brasil: Eles são pessoas que estão exercendo um ministério profético à luz dos profetas veterotestamentário? Estão denunciando injustiças sociais e o pecado da nação? Que estilo de vida ostentam? São humildes ou arrogantes? Estão mamando nas tetas do governo e da manipulação religiosa?

Você decide.

Redes



No último domingo pela manhã tivemos a presença de alguns amigos além mar no Projeto 242. Damaceno Junior, companheiro de seminário e estágio missonário no sul de Minas há 22 anos, atualmente pastor e capelão no norte da França. Ele compartilhou do texto de Oséias 6 e nos desafiou a olhar além mar para o continente europeu. O Junior estava em SP com um grupo da Inglaterra liderado pelo Marcelo que, na apresentação da turma, falou sobre a importância de firmar laços uns com outros, como os nós de uma rede. De repente, a gente estava lá formando uma corrente que ia além de culturas e nacionalidades. A Igreja é maior do que a gente pensa… Mesmo. (E para não deixar de mencionar, o Beto Tavares esteve conduzindo a gente nos cânticos congregacionais. Foi massa!)