Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for July, 2008

C.S. Lewis sobre ir à igreja

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Estava conversando com alguém sobre igreja (para variar) e me lembrei de uma história envolvendo C. S. Lewis e um velho santo de botas de borracha. Como não conseguia achar essa história em nenhum dos livros do C. S. Lewis que possuo, decidi “googar” por ela e a achei no blog Mere Theology.

C. S. Lewis frequentou a mesma igrejinha durante trinta anos. A experiência não tinha nada de extraordinário a cada semana. A maior parte daqueles anos Lewis não se importava muito com os sermões; ele até mesmo sentava-se atrás de um pilar para que o ministro não visse suas expressões faciais. Ele ía ao culto sem música porque não gostava dos hinos. E saía logo após a comunhão da Ceia provavelmente porque não gostava de se envolver nas conversas com os outros membros depois do culto. Mas a longa obediência numa mesma direção moldou a vida de Lewis de um modo que nada mais poderia.

Uma vez perguntaram para Lewis: “É necessário frequentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã para um modo cristão de vida?”

Sua resposta foi a seguinte: “Esta é uma pergunta que eu não posso responder. Minha própria experiência é que logo que eu me tornei um cristão, cerca de quatorze anos atrás, eu pensava que poderia me virar sozinho, me retirando a meu quarto e lendo teologia, e não frequentava igrejas ou estudos bíblicos; e então mais tarde eu descobri que era o único modo de você agitar sua bandeira; e, naturalmente, eu descobri que isso significava ser um alvo. É extraordinário o quão inconveniente para sua família é você ter que acordar cedo para ir à Igreja. Não importa tanto se você tem que acordar cedo para qualquer outra coisa, mas se você acorda cedo para ir à igreja é algo egoísta de sua parte e você irrita todos na casa. Se há qualquer coisa no ensinamento do Novo Testamento que é na natureza de mandamento, é que você é obrigado a participar do Sacramento e você não pode fazer isso sem ir à igreja. Eu não gostava muito dos seus hinos, os quais eu considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria. Mas à medida em que eu ia eu vi o grande mérito disso. Eu me vi diante de pessoas diferentes de aparência e educação diferentes, e meu conceito gradualmente começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (os quais eram apenas música de sexta categoria) eram, no entanto, cantados com tamanha devoção e entrega por um velho santo calçando botas de borracha no banco ao lado, e então você percebe que você não está apto sequer para limpar aquelas botas. Isso o liberta de seu conceito solitário.”

(C. S. Lewis, God in the Dock, pp 61-62)

P242 podcast

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Faz um tempo que divulguei os podcasts que comecei a fazer junto com o Hudson Parente. Fizemos 3 episódios, mas por problemas técnicos só postamos o primeiro no antigo site do P242. O Hudson começou a blogar há pouco mais de uma semana e colocou os episódios em seu blog Poesia No Caos. O segundo episódio tem a entrevista com os artistas Sao e DeLafuente do 6emeia. O terceiro episódio tem uma entrevista com o Fábio Alexis e o Cristian Faber, dois designers falando sobre internet. Quem quiser baixar, entra lá no blog do Hudson e baixa por lá (até a gente colocar o novo site do P242 no ar com os links e possivelmente no iTunes). Vamos gravar o próximo episódio logo que o Hudson voltar de Londres. É isso ai!

Save me from myself

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Acabei agora mesmo de ler o livro autobiográfico de Brian ‘Head’ Welch, ex-guitarrista da famosa banda nu metal Korn. Eu confesso que nunca fui fã da música de Korn, mas à medida que lia a história de Brian, tive que escutar algumas músicas com um pouco mais de atenção e acabei curtindo… O livro é daqueles que prende a gente pela intensidade da narrativa das loucuras feitas por Brian junto a sua banda (que parecem ter seguido o mantra do rock – sexo e drogas – de modo extravagante) até chegar ao fundo do abismo existencial e à beira do suicídio. Achei curioso que o Brian deixou alguns palavrões (a palavra F) no texto, inclusive um deles dirigido a Deus (algo que poderá chocar os leitores puritanos e até colocar em dúvida a “conversão” de Brian por parte destes) em um momento de frustração e tremenda confusão mental e espiritual. O CD do Head está datado para sair no dia 09/09. O primeiro single Flush já está disponível para download pelo iTunes. Música boa com metade da guitarra pesada (eram duas de sete cordas, uma tocada pelo Brian e outra pelo Munky) que tornou o Korn famoso! Que Deus possa mantê-lo em Seus caminhos e usá-lo para que muitos conheçam o Caminho.

Brian Head Welch

Sinais de Emergência

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Um dos melhores livros sobre igreja que eu li no último ano é o Signs of Emergence do Kester Brewin (primeiramente publicado sob o título The Complex Christ no Reino Unido). O subtítulo do livro já diz muita coisa: Uma visão para Igreja que é orgânica, em redes, decentralizada, de baixo para cima, comunitária, flexível {sempre evoluindo}. Tem uma tabela neste livro (p. 117) que resume bem algumas características da igreja emergente (comparando-a com a igreja rígida de um lado e a igreja anárquica de outro). É interessante que a maioria dos que criticam a igreja emergente possivelmente concordariam com as características listadas nesta tabela. Gostaria de propor algumas perguntas para sua reflexão ao ler a tabela abaixo:
Qual dessas igrejas você acha que melhor representa a sua igreja atual?
Qual delas você gostaria que representasse sua igreja?
Qual delas você pensa que melhor representa a Igreja de Cristo segundo o seu entendimento da Bíblia?
Divirta-se!

Table BK

Andar por fé eu vou…

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Eis ai um parágrafo sobre fé que vale a pena ser lido muitas vezes nesta época de confusão espiritual:

Hoje em dia a fé dos cristãos na igreja se desencaminhou. A sua obsessão com o conteúdo da sua fé (teólogos discutindo termos técnicos) ao invés da paixão pelo movimento e pela vida da fé, acabou desencadeando a nossa crise mundial. Mas o imutável permanece imutável. O Último, o Não-Condicionado, o Totalmente Outro não mudou. A fé é nossa responsabilidade de fazer com que o Transcendente, o Não-Condicionado, o Totalmente Outro Ser, torne-se uma realidade ativa dia após dia em nosso contexto, hoje onde quer que estivermos. A fé só move montanhas quando fala ao onipotente criador – quando me sujeito a ouvir a palavra da fé.
- Jacques Ellul

(obrigado Kylter, pelo texto inteiro do Jacques Ellul)

Coragem

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Dentro de todas as igrejas, negócios ou organizações sem fins lucrativos que precisam mudar, há um grupo de pessoas bem informadas, com uma consciência aguda das transformações que precisam acontecer. Elas voltam toda a noite para casa e atazanam seus cônjuges. Reúnem-se na sala do café e se queixam. Entretanto, dia após dia, vão trabalhar resignadas, acreditando que nada mudará. Estão convencidas de que a tentativa de se introduzir mudanças seria um custoso exercício de tempo, além de potencialmente arriscado. Então, permanecem caladas e ficam olhando para o relógio. Não lhes falta a percepção para descobrir o que precisa acontecer: tais pessoas simplesmente não têm coragem de fazer nada a respeito da situação. O líder é alguém que tem coragem de dizer em público o que todos estão sussurrando em particular. Não é a percepção que distingue o líder da multidão. É a coragem para agir de acordo com o que ele enxerga, para falar em alto e bom som, enquanto todas as outras pessoas optam pelo silêncio. Os líderes da próxima geração são aqueles que preferem contestar as coisas que precisam de mudança – e pagar o preço por isso – a permanecer quietos e morrer por dentro.

(Andy Stanley, O Líder da Próxima Geração, pp. 50-51 Editora Vida) 

Isso me faz lembrar do que William Wallace disse ao nobre Robert Bruce em Coração Valente: “As pessoas não seguem títulos, elas seguem a coragem.”

Pastor disfarçado

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 Segue abaixo a notícia que o Ezequiel link nos comentários:

Um pastor se vestiu como um mendigo e invadiu o culto de sua igreja, no País de Gales, numa tentativa de dar uma lição sobre “tolerância” aos fiéis.

O Reverendo Derek Rigby, da Igreja Metodista Trinity, na cidade de Prestatyn, colocou uma peruca, roupas sujas, não se barbeou por três dias e desenhou algumas tatuagens pelo corpo antes de entrar na igreja com latas de cervejas e seringas.

Rigby, um ex-policial, havia avisado aos fiéis que chegaria atrasado para o culto e contou o plano apenas a um dos funcionários da igreja, para que ele pudesse interceder caso a congregação resolvesse chamar a polícia.

O pastor contou que foi ignorado pela maioria dos fiéis, enquanto alguns pediram que ele se retirasse do lugar.

Rigby permaneceu disfarçado até as crianças irem para a escola dominical antes de andar até o altar e mostrar sua identidade aos fiéis, que se sentiram “envergonhados”.

“Ninguém ficou irritado comigo, mas ficaram chocados por terem me ignorado da forma como fizeram”, afirmou. “Eles podiam ter me dado um copo de café.”

 

Segundo Rigby, sua intenção era “transmitir uma mensagem séria sobre tolerância, de uma forma emotiva”.

Durante o sermão proferido após revelar sua identidade, o pastor citou o exemplo dos discípulos que não reconheceram Jesus na estrada para Emaús depois da ressurreição.

“Eu fiquei surpreso, não desapontado. Algumas pessoas me disseram que se eu estivesse ali, como pastor, saberia o que fazer para lidar com a situação”, afirmou o sacerdote.

O Reverendo Derek Rigby conta ainda que já havia feito a mesma coisa em igrejas de Newport e Londres, onde, segundo ele, os fiéis foram mais generosos.

“Eu disse à eles que eram mesquinhos porque em outros casos já ganhei dinheiro, um pacote de bolachas e um cobertor. Em Prestatyn, eu não ganhei nada”, conta.

“No entanto, acho que isso não irá acontecer novamente”, finalizou o sacerdote.   (Fonte: Globo 10/07/2008

Fé com dúvidas – Parte 2

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Logo após meu post abaixo sobre Fé Com Dúvidas, saí para dar uma caminhada e refletir um pouco. Enquanto andava, as palavras da composição Orphans of God, de Mark Heard, começaram a soar em meus ouvidos: 

Like bees in a bottle, we are flying at fate

Beating our wings against the walls of this place

Unaware that the struggle is the blood of the proof

Of choosing to believe the unbelievable truth

 (Como abelhas em uma garafa, estamos voando a sorte / batendo nossas asas contra as paredes deste lugar / Inconscientes de que a luta é a prova concreta / de escolher acreditar na verdade inacreditável)

Percebi que fé para mim não é a ausência de dúvidas, mas a persistência em crer a despeito das dúvidas. Nas palavras de Mark Heard, é escolher acreditar na verdade “inacreditável”. Não é cega; mas acredita no invisível. É a razão que a própria razão desconhece, como disse Pascal. É a louca sabedoria anunciada por Paulo. Michael Card, outro compositor, coloca dessa maneira:

To hear with my heart, to see with my soul

To be guided by a hand I cannot hold

To trust in a way I cannot see

That’s what faith must be

(Ouvir com meu coração / Ver com minha alma / Ser guiado por uma mão que não posso segurar / Confiar em um caminho que eu não posso ver / É assim que a fé deve ser)

É assim que a fé deve ser. Amém!? 

Fé com dúvidas

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Semana passada eu tive que comprar um material em uma livraria evangélica e inclui na compra o livro Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas do Ricardo Gondim (Editora Ultimato). Trata-se de um livro onde o Gondim apresenta suas reflexões claramente influenciadas pelo Teísmo Aberto (o que não é novidade alguma para quem tem acompanhado seus escritos nos últimos anos). Eu tenho reservas com relação ao Teísmo Aberto, que, ao meu ver, parece deformar o Deus das Escrituras ou então, para “encaixar” esse novo conceito de Deus nas Escrituras, é preciso descartar boa parte do que está escrito lá. No entanto, gosto do Gondim, gosto do modo como ele escreve e da maneira como projeta seus pensamentos, e como tenho lido quase todos os seus livros, não poderia deixar de ler esse também para tentar entender melhor o que ele pensa sobre esse tema. O que me surpreendeu foi que na hora de pagar, quando a funcionária foi registrar o livro, ela olhou o título, fez uma careta e disse-me: “Misericórdia irmão, tá duvidando!?”

É incrível como as pessoas tendem a oscilar entre uma fé cega (que não pensa, não reflete, onde não existe nunca espaço para questionamentos, dúvidas e incertezas) e uma fé morta (onde os questionamentos e as incertezas são tantos que a pessoa não é capaz de afirmar mais nada como crença).  Parece que o equilíbrio é mesmo difícil de se encontrar. Se eu não posso ter dúvidas, então não posso orar com boa parte dos Salmos, onde dúvidas e questionamentos são abundantes. Da mesma forma, se minha fé não aceita nenhuma certeza (o que, para mim, é uma antítese da fé) então também não posso orar com os Salmos, onde há muitas declarações de fé e certeza. Tome por exemplo o Salmo mais conhecido e recitado de todos: Salmo 23. Quem só enxerga espaço para dúvidas e incertezas, não pode orar com o salmista e dizer que “o Senhor é o meu pastor e nada me faltará”, e “ainda que eu ande pelo vale escuro, tu estás comigo”  ou “certamente bondade e misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida.” Tais palavras são afirmações de fé e confiança. Não há nelas dúvida alguma. Em outros salmos, como já disse, encontramos dúvidas e questionamentos. Quem não sabe nada, não pode dizer como Paulo: “Eu sei em quem tenho crido e sei que ele é poderoso para guardar meu depósito até aquele dia.” Ou repetir a bela confissão de fé de Jó: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.”

Somos humanos e tendemos a oscilar entre momentos de fé e de dúvida (ou mesmo a conviver com ambos - ”Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé.”) O que não podemos, no entanto, é negar nem um nem o outro.