Um dos melhores livros sobre igreja que eu li no último ano é o Signs of Emergence do Kester Brewin (primeiramente publicado sob o título The Complex Christ no Reino Unido). O subtítulo do livro já diz muita coisa: Uma visão para Igreja que é orgânica, em redes, decentralizada, de baixo para cima, comunitária, flexível {sempre evoluindo}. Tem uma tabela neste livro (p. 117) que resume bem algumas características da igreja emergente (comparando-a com a igreja rígida de um lado e a igreja anárquica de outro). É interessante que a maioria dos que criticam a igreja emergente possivelmente concordariam com as características listadas nesta tabela. Gostaria de propor algumas perguntas para sua reflexão ao ler a tabela abaixo:
Qual dessas igrejas você acha que melhor representa a sua igreja atual?
Qual delas você gostaria que representasse sua igreja?
Qual delas você pensa que melhor representa a Igreja de Cristo segundo o seu entendimento da Bíblia?
Divirta-se!

Sandro,
A lista se limita a três tipos de igreja. Você acha que a igreja emergente não é apenas a igreja primitiva, ortodoxa, ou seja, “emergente” não passaria de um novo conceito/nomenclatura?
Abs
Sim Thiago, creio que emergente é sim uma nova nomenclatura para algo antigo. Apesar de que em 1972 já tinha sido publicado um livro sob o título Igreja Emergente nos EUA. A Igreja sempre será emergente, deste lado da eternidade, ou seja, estará sempre emergindo (evoluindo?).
Sandro,
Muito interessante essa tabela! Infelizmente, talvez por um processo de transição, não sei, o tipo de vivência que ando tendo com os outros que partilham comigo pontuam-se mais para Igreja Anárquica. Mas, não é por simples negligência, dado o fato que não moramos na mesma cidade. Mesmo a distância destas sendo em média 40min de carro uma da outra. Peço a Deus para que vá acrescentando os Seus e nos conduza à uma comunidade sadia, sincera, aberta, fiel, compromissada e disposta a ser IGREJA de Cristo em todos os sentidos possíveis!!!
Concordo com o Thiago aí em cima.
Em alguns aspectos, vivo em uma Igreja Rígida e compartilho isso com alguns amigos, companheiros de caminhada. Na tentativa de uma mudança para a tal da Igreja Emergente, alguns se perdem e, inconscientemente, tendêm a caminhar em busca de uma Igreja Anárquica.
A linha é tênue. Temos que tomar cuidado para não confundir liberdade com libertinagem.
“Temos que tomar cuidado para não confundir liberdade com libertinagem.” Amém brother!
Sandro,
(la vem ele):
Eu fiquei um pouco confuso quanto a uma definicao dessa tabela…
- Nao consigo imaginar o que eh uma lideranca decentralizada. Pra mim uma igreja precisa ter no minimo um pastor e melhor se tiver mais. Mas nao imagino mais de um lider ou a funcao de lider dividida em mais de uma pessoa. Imagino tbm que a lideranca da igreja possa ser atribuida a um conselho debaixo do lider, mas ela precisa ser centralizada nesse conselho, caso contrario, na minha percepcao, vira uma salada de opinioes e direcoes impraticavel. Nesse ponto eu colocaria a minha preferencia entre a primeira e a segunda colunas, nem ditatorial, nem decentralizada (e certamente nao anarquica).
No geral acho que o legal, de acordo com o meu entendimento da Biblia, eh o que nessa tabela esta como Igreja Emergente, mas com essa adaptacao na primeira linha. Adicionaria a isso tudo politizacao dos membros, filosofia, incentivo a criatividade e ao pensamento. Sem criatividade, pensamento e a nocao equilibrada de que pertencemos a uma sociedade global, na qual a politica eh um dos principais elementos de relacionamento, o meio cristao vira um gueto e nao sal e luz.
No que diz respeito a minha igreja, ja que vc perguntou… ehheehhehe… acho que ela esta numa linha sinuosa entre a segunda e terceira colunas. Mas com certeza esta numa curva ascendente rumo a normalizacao, eficiencia e relevancia. Ha 5 anos era muito pior e imagino que daqui 5 anos estara muito melhor.
See ya
Sandro,
o Eco me mostrou um email do Ernani [acho q escreve assim] pastor da s8 [botafogo - acho], creio q tem mto a ver com isso td deste seu post:
PS Tem sido muito edificante a participação coletiva na palavra, onde a riqueza flui com mais abundância.
Chegou o tempo de grandes equipes de trabalho, onde o culto
a personalidade pastoral cede espaço para o Corpo de Cristo com toda a sua multiforme sabedoria.
Grandes líderes e pregadores, geralmente desenvolvem um sistema viciado onde, cada vez mais, dá-se a impressão ao grupo de que a igreja depende cada vez mais do seu brilhantismo.
O resultado disso é que milhares de pessoas ficam com os seus talentos sentados no banco das igrejas e manifestam suas qualidades em outros campos da vida, menos no Corpo de Cristo, porque a concentração pastoral sufoca e ofusca a participação coletiva.
O verdadeiro líder é aquele que faz discípulos que tenham a mesma ou maior qualidade que si próprio.
Esta é a verdadeira mola mestra do crescimento da Igreja acompanhado de amadurecimento.
Então a minha que é Batista ligada a convenção, é emergente. Acho que essa colocação deveria ser em duas categorias: características que que aproximam a igreja do propósito de Cristo e características que podem afastar. Não gosto quando as pessoas tratam a igreja emergente como o padrão de Cristo, e todo o resto está errado…aí acaba a gente reclamando demais uns dos outros. Acho legal quando há uma troca de boas práticas que no passado ajudaram as igrejas a vencerem barreiras, sejam passadas adiante para outras igrejas como uma “boa nova” com o intuito de querer o melhor do corpo de Cristo, e essas práticas não são da igreja X ou Y, são formas adaptadas do que já está na bíblia. Boa parte dessa tabela deve tá em Atos, quando o autor fala da comunhão e como todos se tratavam igualmente. Seria muito legal, que pessoas que ficam indignadas com certas situações nas igrejas, fizessem essa raiva e indignação produzirem atos de amor dentro de sua comunidade, e combatessem com todas as forças para mudar o que afasta sua igreja do propósito de Deus, ao invés de se afastar desses problemas, criar coisas do zero que resolvem esses problemas e falarem mal dos problemas.
É importante notar que essa tabela diz pouco (ou quase nada) sobre a questão doutrinária da igreja emergente (essa é uma outra história que tem rendido muita controvérsia e sobre o qual eu irei postar um outra hora). Esta tabela diz apenas de como essas igrejas são (ou deveriam ser) estruturadas. Como já foi comentado, eu creio que estrutura de igreja emergente descrita aí é bem Neo-testamentária. Creio também que ela responde bem aos anseios das gerações emergentes no mundo cada vez mais pós-moderno em que vivemos. Portanto, creio que ela não deve ser opcional, mas um ideal de estrutura a ser perseguido por todos os discípulos de Cristo ministrando no mundo hoje. Falow!
Gostaria de saber se posso postar seu site em meu blog?
segue endereço do mesmo http://pastorzico.blogspot.com/
Fala Sandrão !
interessante essa tabela para uma reflexão, concordo com praticamente todos os pontos da coluna central, apenas nos dois primeiros estou meio “anárquico”, rsss, não que concorde com a total falta de liderança, pelo contrário penso mais numa liderança direta do cabeça sobre todo corpo sem intermediários, somente através dos dons do E.S operando em cada membro.
Quanto a estrutura e programa creio que isto é mais uma tradição cultural e gosto pessoal que uma necessidade real da igreja, se pensarmos numa reunião de 2 ou 3 em nome de Jesus, uma igreja,esta não precisaria de estrutura ou programa.
Saudades cara, abraço à todos
E aê Ricardo! se você pensar em dons do E.S. então é necessário reconhecer os dons de liderança, governo, administração. E se pensar em igrejas no NT, uma liderança reconhecida é uma das marcas dessas igrejas. A resposta para o autoritarismo e abuso de liderança não é a falta de autoridade ou “anarquia”, mas sim uma liderança saudável, servil, etc. Quanto a estrutura, diversas imagens de igreja no NT (edifício, lavoura/planta, corpo) evocam a necessidade de estrutura. Se for 2-3, a estrutura será mínima. Ser for 100-200, essa estrutura precisará mudar. O problema não é estrutura (falta de estrutura é que pode ser um problema… imagine um corpo sem ossos, um edifício sem vigas de sustentação, uma árvore sem tronco…), mas estruturas rígidas e engessadas. Novamente, a resposta para tais estruturas não é nenhuma estrutura, mas estruturas flexíveis que servem para sustentar a igreja, em vez de engessá-la. Um abraço.
fala Sandro ! me desculpe pela demora, infelizmente estou sem tempo para postar agora, reconheço os dons de administração, o reconhecimento público e o papel dos anciãos, quanto ao resto… são outros quinhentos, rs
Vou te enviar um email pessoal, ok ? abração, lembranças à família e à igreja !
A Paz. Achei o quadro mt sintético, deixa na mentalide do leitor uma visão muito minimista dos fatos acerca do assunto, mas não deixa de expor realidades. O que me preocupa é o ultimo ponto chamado de “anárquista”, pois como falei, isso pode deixar à cargo do leitor sua conclusão e não ver o que os fatos dizem. Não se sabe se autor propós uma narrativa contundente ou foi pejorativo. Mas dentro do quadro até eu mesmo me enquadro como emergente com ressalva à um único ponto que propõe uma comparação a respeito da liderança, por fim o autor do quadro diz que a liderança na igreja emergente é decentralizada, o q não é 100% coerente com a realidade. A chamada igreja emergente tem por vias de fato lideres o que se decentraliza é a liderança de um só. O governo da igreja emergente é presbiterial, ou seja, conjunto e não unico. Por ultimo a proposta de chamar esse grupo de igreja emergente desfoca o propósito deles porque na sua essência isso é um movimento que busca trazer à igreja, que entendem ser una e não denominacionalmente muitas, não uma proposta, mas uma verdade escrituristica acerca da prática diária dos cristãos desde o primeiro século, sem lugar fixo, com um governo plural e um sacerdócio universal de crentes.
Ah, um detalhe; é a primeira vez que entro e posto um comentário, mas desde já eu parabenizo o seu cridor, nota 100 e obrigado pela oportunidade.