Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for September, 2008

Socorro! Os “ministros” sumiram…

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É incrível como é muito mais fácil falar contra a religiosidade do que viver uma vida livre dela. A gente fala sobre cultos sem liturgia alguma, adoração como estilo de vida e espontânea, dizemos que a igreja são pessoas e todas essas coisas, mas então acontece algo que coloca à prova nosso discurso e aí é que percebemos o quanto nossas palavras são (muitas vezes) expressões vazias que usamos para parecer cristãos pós-modernos (ou então livres do tal “Cristianismo pagão”). Além disso, entendemos que todos somos ministros, acreditamos no sacerdócio universal dos cristãos, mas ainda assim parece que na prática, somos muito dependentes dos “ministros” (de louvor, de ensino, etc.). Bom, por estas e outras, decidimos aprontar para as pessoas que frequentaram nossas reuniões esse domingo com um culto DIY (do-it-yourself ou seja, faça você mesmo) no Projeto 242. Era algo que eu havia pensado meses atrás e decidimos experimentar. As pessoas foram pegas de surpresa e foi interessante ver suas reações (abaixo estão algumas fotos da experiência).
À medida em que as pessoas chegavam, elas eram informadas de que o culto seria diferente e que, basicamente, elas iriam ficar livres para passar por quatro estações montadas no local: confissão, leitura, oração, adoração & expressão. Elas não precisavam seguir nenhuma ordem e não precisavam passar por todas as estações também, se não quisessem.

Leitura

Uma das estações era voltada para a leitura. Havia um texto de Oswald Chambers extraído do devocional Tudo Para Ele (Editora Betânia), instruções sobre as práticas da Lectio Divina e do Ofício Divino, e um plano de leitura bíblica. Além disso, deixamos também algumas bíblias e livros devocionais para as pessoas lerem (dentre os devocionais havia o famoso Mananciais no Deserto, o Pão para o Caminho de Henri Nouwen, Orando em Família e um devocional do Dr. Martin Lloyd Jones). Nosso desejo era que aqueles que não possuem o hábito de uma leitura devocional diária pudessem ganhar um incentivo para iniciar essa disciplina em suas vidas.

Oração

Havia um canto escuro para oração. Era um local que buscava dar a idéia da intimidade da oração devocional. Jesus disse: “Vá para seu quarto e ore ao seu Pai que está em secreto.” Evidentemente podemos e devemos orar em todo o tempo, lugar e com diversas posturas. Mas muitos deixam de lado esse momento íntimo a sós com Deus que deveria fazer parte de sua jornada espiritual.

Confissão

Na estação da confissão, tínhamos papel e caneta para as pessoas escreverem seus pecados e depois queimarem numa pequena pira. Evidentemente não é algo que você precisa fazer todo dia (escrever e queimar), mas para aquele momento pensamos que seria uma forma prática de salientar a necessidade da confissão diária.

Expressão

Tinha também uma área para adoração & expressão. Falamos muito sobre adoração como um estilo de vida, mas ainda assim quando somos convidados a expressar nossa adoração sem música, ficamos meio sem jeito e não sabemos bem o que fazer. Nesta estação, as pessoas eram encorajadas a colocar em palavras ou desenhos expressões de adoração a Deus. Os Salmos que lemos em nossa Bíblia foram registrados um dia, por isso encorajamos as pessoas a escreverem seus próprios salmos e orações a Deus.

Coletivo

Tentamos encorajar as pessoas a deixarem sua pincelada em uma pintura coletiva, mas muitos ficaram tímidos e passaram “de largo” desse local. É muito difícil convencer adultos de que todos somos artistas…

Velas

O propósito da experiência era que as pessoas pudessem colocar em prática algumas disciplinas espirituais que deveriam fazer parte de sua vida diária com Cristo. Para aqueles que já praticam essas disciplinas, foi mais natural (após o choque inicial) entrar no clima e apresentar seu culto racional a Deus. Para outros, foi um desafio e espero que eles tenham despertado para algumas realidades da vida cristã.

Mais fotos e comentários no blog do Hudson Parente, Poesia no Caos.

A cabana

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The Shack

Terminei de ler A Cabana há pouco mais de uma semana, mas ainda não tinha encontrado tempo para escrever uma breve revisão do livro. Na verdade, não pretendo escrever muito, pois temo acabar estragando a leitura de outras pessoas que porventura ainda não o leram. Trata-se de uma história fictícia escrita por William P. Young para seus seis filhos. O que seria apenas para os filhos de Young acabou sendo publicado por uma minúscula editora e se tornou fenômeno de vendas nos EUA, alcançando o concorrido (e cobiçado) posto de primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times (no Brasil, esta semana, A Cabana está em primeiro lugar na lista de ficção de revista Veja). O livro levantou elogios de gente como Eugene Peterson, Michael W. Smith e da cantora country Wynnona Judd, dentre outros. Por outro lado, muitos o denunciam como perigoso, herético, um “trojan horse” no seio do Cristianismo.
Eu gostei de A Cabana, do modo como a história é contada, me emocionei diversas vezes durante a leitura e, quando terminei, fiquei tentado a recomeçá-la de novo. Entendo que muitas pessoas possam pensar que o livro seja herético pela maneira como ele apresenta Deus (a Trindade). Mas sinceramente não encontro heresia nenhuma no livro a esse respeito (Deus é Espírito e livre para se revelar como Ele desejar). Há alguns “escorregões” teológicos (como por exemplo, quando Deus Pai diz que estava junto com Deus Filho quando este morria na cruz), mas não o suficiente para ser tachado de herético.
Um argumento que muitos dos que defendem o livro levantam é que se trata de um texto de ficção e não teológico. No entanto, é preciso notar que, apesar de ser uma história fictícia, A Cabana foi escrita com a intenção de apresentar quem/como Deus é – tendo portanto um cunho bem teológico. E a teologia apresentada por A Cabana é que Deus é bom, que Ele ama a todos, que Ele é Soberano, que Ele tem um plano para nossas vidas, que mesmo quando desgraças e tragédias acontecem, podemos confiar nEle. Algumas das palavras colocadas nos lábios de Deus no livro são fruto da cosmovisão do autor (por exemplo, a forte atitude anti-instituição) e é aí que deve entrar o discernimento e bom senso.
É importante notar também que o livro foi escrito por alguém que cresceu no campo missionário (TCK – third culture kid ou “criança em terceira cultura”) e isso evidentemente aparece no modo como ele apresenta Jesus e Seu amor por todas as pessoas.
Há um momento no texto em que o personagem principal (Mackenzie) está tendo uma conversa com Deus e insinua que Deus parece não se encaixar em um certo modelo. A resposta de Deus é:
“Entendo como tudo isso deve deixar você desorientado, Mack. Mas o único que está pretendendo ser alguma coisa aqui é você. Eu sou o que sou. Não estou tentando me encaixar em modelo nenhum.”
Um verdadeiro (e amoroso) tapa na cara… Como eu disse, gostei da leitura e agora vou esperar pelo filme.

Reclamar é sempre mais fácil

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Hoje aconteceu uma situação que me fez lembrar dessa música do King’s X (tradução livre minha – a letra original em inglês logo abaixo). Então como parte de minha terapia pessoal e desabafo, vou postar aqui…

a camada de ozônio desaparecendo no céu
o máscote da cerveja nos perguntando o por quê perguntar
seu eu conseguisse achar minha revista este inseto morreria
eu reclamo
garoto chinês enfrentando um tanque
garoto sulista vivendo na casa dos nortistas
se parece que eu não consigo fazer minha motocicleta pegar
eu reclamo
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
menino mendigando uma migalha de pão
o garoto inchado ao lado quase morrendo
eu imagino o que tomar para minha dor de cabeça
eu reclamo
muita gente implorando por um pouco de chuva
uma nação inteira aprendendo a conviver com a dor
se eu não sei como irei limpar essa pequena mancha
eu reclamo
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
um homem negro cantando blues do Mississippi
a África matando de fome pequenos bebês
eu estou tentando aprender todas as regras de basquete
eu reclamo
Mr. Rush Limbaugh me dando todos os fatos
copas das árvores caindo e o âncora de notícias bocejando
estou pensando sobre Carter e quanto imposto terei que pagar

RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL

 *******

(ozone disappearing in the sky / bud man asking us why ask why / if I could find my magazine this bug would die / I complain / China boy standing up to a tank / southern boy living in the house of yanks / if I can’t seem to get my motorbike to crank / I complain / complain so much easier / small kid begging for a crumb of bread / next kid bloated lying nearly dead / I wonder what to take for my aching head / I complain / lots of people crying for a little rain / whole nation learning how to live with pain / I don’t know how I’m gonna clean this little stain / I complain / complain so much easier / black man singing Mississippi blues / Africa starves a little baby drools / I’m trying to figure out all the basketball rules / I complain / Mr. Rush Limbaugh giving me the facts / treetops falling and the newsman yaks / I’m thinking about Carter and how I’m gonna be taxed / hey complain so much easier)
- Complain do álbum Dogman (1994)

Free love is neither

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Encontrei a frase acima meses atrás quando estava lendo U2’s Achtung Baby: Meditations on Love in the Shadow of the Fall de Stephen Catanzarite. O livro é uma análise das letras e música desse álbum fantástico lançado em novembro de 1991 (Achtung Baby é meu CD favorito do U2). A geração hippie das décadas de 1960 e início de 1970 sonhou com o amor livre (revolução sexual). A expressão desse sonho estava nos relacionamentos casuais, desinteressados, sem compromisso ou apego que prometiam uma sociedade mais feliz e saudável, libertando as pessoas do peso da culpa, dando-lhes a liberdade para experimentar antes de se comprometer. Os resultados décadas depois parecem ter tornado o sonho em pesadelo. O mundo pós-revolução pelo amor livre não é mais feliz nem mais saudável. Pelo contrário, que presenciamos são índices cada vez maiores de DSTs, depressão, ansiedade, filhos ilegítimos e divórcios (mesmo depois de tanta tentativa antes de se casar, parece que os casais de hoje estão acertando muito menos do que aqueles que não fizeram tentativa alguma). Como disse Catanzarite, “o amor livre não é nem amor nem livre.”

Enquanto refletia sobre isso, imaginei se os seguidores de Cristo hoje não estão sonhando com uma vida cristã que é semelhante ao sonho hippie do amor livre. Ou seja, uma vida cristã sem compromisso algum. Do mesmo modo que a geração do amor livre deseja sexo sem casamento, muitos seguidores de Cristo hoje em dia aparentam estar desejando as bênçãos de Deus sem compromisso de uma vida com Deus, sem o compromisso de submissão e obediência, sem o compromisso de mutualidade e prestação de contas. Fico pensando se tantos textos e comentários que colocam a graça de Deus quase como uma desculpa para se viver de maneira descompromissada não levarão muitos a uma verdadeira des-graça espiritual. O chamado ao discipulado feito por Jesus requer compromisso radical (negar a si mesmo… tomar a cruz… não voltar atrás).  Jesus disse: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama.” Amor não tem nada a ver com mandamentos e obediência… ou será que tem? Amar a Jesus de verdade envolve um compromisso com Ele e com o que Ele disse (Sua Palavra). E para que não haja dúvidas, isso envolve obediência (algo que os discípulos pós-modernos parecem não gostar muito – é só citar o termo obediência que já surgem objeções e acusações de legalismo, institucionalismo, autoritarismo, manipulação, hipocrisia… parece até papo dos hippies justificando suas atitudes “contra o sistema” na década de 1960). Como disse Bonhoeffer: “A resposta ao discipulado não é uma confissão oral da fé em Jesus, mas sim um ato de obediência.” O fato é que assim como amor livre não é amor nem livre, discípulo cristão sem compromisso não é nem discípulo nem cristão.

Creio que os hippies estavam procurando boas coisas, mas buscaram de maneira errada. Do mesmo modo, creio que essa geração de pessoas que está buscando mais de Jesus e menos de religião, está procurando uma boa coisa. Minha esperança é que ela não cometa o erro da geração free love.

Cantando em terra estranha

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Meu amigo Damaceno Junior enviou o texto abaixo que, após ler, pedi a ele permissão para tornar público aqui no blog. A razão para isso é que espero que possamos aprender algo com o que ele escreveu. Talvez possamos parar de repetir chavões “proféticos” com a voz tremida em gravações ao vivo. Talvez possamos nos interessar mais em entender as implicações de afirmações missionárias tais como “ir às nações” e colocá-las em prática. Talvez possamos apoiar aqueles que não dependeram de um impulso emocional durante uma “adoração profética” para se disporem a não somente “ir às nações”, mas perseverar no campo durante anos de duro labor, frustração, solidão, oposição de todos os lados, falta de recursos e pouco sustento. Talvez possamos valorizar esses guerreiros preciosos demais para o Reino e interceder por eles, nos unindo em suas lágrimas na esperança de que o Ramo de Jessé floresça nas nações.

“No início desta semana, indo ver um amigo e colega de ministério que mora na Bélgica, a fim de orar e colocar as lágrimas em dia, eu estava ouvindo um CD que me deram no Brasil quando lá estive em Abril. No final da canção, uma pessoa estava dizendo: ‘O Senhor tem nos levantado para irmos às nações.’ Eu fiquei pensando nas muitas vezes que ouvi isso nas igrejas por onde andei no Brasil. Alguns dizem até que Deus tem levantado a igreja brasileira para ir às nações. Debaixo da chuva, que aliás tem sido constante neste nosso verão que chega ao fim sem nunca ter começado, eu fiquei pensando se as pessoas que falam de ir às nações sabem realmente o que estão falando. Ainda me indago se aquele irmão que chorando proclama que Deus está nos enviando às nações, já foi ele mesmo peregrino numa nação estrangeira. Quanto mais eu escuto o tal CD, mais convencido eu fico de que aquelas pessoas não têm a mínima idéia do que é ser enviado às nações.
Se algum dia eu tivesse experimentado o que tenho vivido aqui, enquanto Deus abençoa as nações através da minha vida, acho que nunca teria saído do conforto da minha terrinha ensolarada. Quando você passa seu tempo semeando e chorando, dando de cara com dificuldades do tamanho do Mont Blanc, você quase nem pensa que está sendo bênção às nações, mas que está apenas sobrevivendo.
Já fazem 17 anos que eu sai de casa para obedecer ao chamado de abençoar as nações e se ainda estou por aqui, é pura graça de Deus. Quase não canto mais: ‘Eis-me aqui eu livre estou ao teu dispor para onde tu quiseres me enviar‘, a canção do Asaph Borba que cantei no meu culto de envio em Junho de 1991 lá na igreja em Cabo Frio. A maior parte é: ‘Da-me mais graça, Senhor…
Chegando na casa do meu amigo na Bélgica, constatei que o canto que entoa aquele pastor, trabalhando numa terra tão árida, embora molhada todo dia pela chuva incessante, é o mesmo que temos entoado aqui na França. Mas, eu sei que Deus nos quer aqui. Mesmo que a gente chore mais do que cante. No final, o importante é que Ele receba a glória devida a Seu Nome.”

P242 Fingerprints

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Fingerprints

Foto (com reflexo) do trabalho do Tom com as impressões digitais da galera do Projeto 242 exposto na cafeteria da Faith Chapel em Billings, Montana, EUA.

P242 podcast

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P242 Podcast

Finalmente conseguimos acertar as questões técnicas do podcast e colocá-no no iTunes. Veja aqui no blog do Hudson os detalhes dos três primeiros episódios e informações sobre como baixar os mesmos. Na sequência iremos entrevistar muita gente bacana e comentar sobre livros, músicas e filmes que valem a pena conferir.

Simplicity

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 Simplicity

Terminei a leitura de um livro que me prendeu durante dias: Simplicity escrito por Mark Salomon (RelevantBooks). Eu precisava ler esse livro! Foi uma leitura mais que edificante, foi refrescante! A mesma sensação que tomar uma Coca-cola (ou sua bebida favorita) gelada quando você está com sede. Ahhh! Sensação de prazer, alívio e… quero mais! O livro me fez voltar no tempo. Isso porque Mark Salomon foi vocalista de uma das minhas bandas favoritas no início da década de 1990: The Crucified. Me lembro da primeira vez que escutei o primeiro CD da banda. Fiquei pasmo com o som e a agressividade da música, além das letras diretas e bem escritas. Finalmente uma banda cristã com atitude! Em seu memoir, Mark Salomon  fala de sua infância numa família não cristã cujos pais usavam drogas, da conversão de seus pais e de sua própria introdução ao Cristianismo, conta detalhes da formação de sua primeira banda, sua ascensão no “cenário músical cristão” norte-americano e os motivos (até então desconhecidos por mim) que levaram The Crucified a acabar depois do segundo CD (Pillars of Humanity). Além disso Mark também fala de sua banda atual, Stavesacre, e porque eles decidiram sair do “cenário” musical cristão (a razão principal do livro, apresentada logo no prefácio, é justamente explicar essa postura do Mark e de seus companheiros no Stavesacre). Mark SalomonAlgumas histórias são hilárias, outras são tristes. Simplicity é um livro brutalmente honesto. Quando Mark fala sobre a pressão que havia sobre ele ao subir no palco à frente do The Crucified para pregar o Evangelho (algo que ele sempre fez, ainda que totalmente despreparado), eu fico pensando no quanto erramos ao colocar essa mesma pressão sobre as pessoas (principalmente cantores e músicos). Se um músico cristão não pregar é porque ele não tem compromisso com o Evangelho. Afinal de contas, se o apóstolo Paulo tivesse um palco (e microfone nas mãos!) diante de uma platéia qualquer, com certeza ele pregaria… Assim pensamos e por isso julgamos aqueles que não usam de sua arte para pregar o Evangelho. Mas será que todos deveriam pregar? Será que o fato de que temos tanta gente falando bobagem em cima de palcos e plataformas não é justamente porque nós criamos a oportunidade (e até demanda) para que isso acontecesse? Mark Salomon confessou não possuir maturidade suficiente (e nem chamado) para se tornar um pregador, apesar de ter passado anos pregando (Deus sabe o quê) porque tinha que provar seu compromisso com o Evangelho e com a salvação dos perdidos. Ao ler seu texto, eu comecei a ver como isso é real. Pensei em todas as bandas de rock cristão com que trabalhei nestas quase duas décadas. Pensei em quantos jovens cristãos envolvidos com essas bandas se colocaram como porta-vozes do Evangelho e acabaram até se tornado “líderes” e pastores, sem preparo algum, sem fundamento bíblico, repetindo jargões aprendidos, sem discernimento e, tristemente, muitas vezes sem vida por trás das palavras. Lembrei-me de algo que um amigo um dia me disse: “Parece que o único chamado no Corpo de Cristo é para ser pastor/pregador.” O pior é que nós elevamos as pessoas a um patamar que elas não estão preparadas para ocupar (e talvez nem seja o seu chamado/dom/talento em primeiro lugar) e depois as condenamos quando elas finalmente não preenchem nossas expectativas. É hora de acordar Igreja! Simplicity, apesar de ter sido escrito por um artista e falar muito no contexto de música, é um apelo para que possamos recuperar o senso de chamado de Deus para nossas vidas e abraçar esse chamado sem nos preocuparmos em viver o “chamado” de outras pessoas ao nosso redor. Ser nós mesmos. Viver a simplicidade do Evangelho onde quer que estejamos. E viver livre da culpa de ter que todos nos tornarmos pregadores do Evangelho.

Somos todos crentes

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Como acredito ser o caso da maioria das pessoas, eu conheci o Rob Bell através de um episódio do Nooma (no meu caso foi o Luggage que eu assisti primeiro e fiquei perguntando: Quem é esse cara!?). Isso foi em 2005 durante a turnê do NLM ao Brasil. No ano seguinte em uma viagem aos EUA eu comprei todos os episódios disponíveis do Nooma e também o livro Velvet Elvis. Li o livro uma vez e ouvi umas três vezes em audiobook (ouvir o Rob Bell é melhor do que ler). Ouvi também seu outro livro Sex God e assisti seus dois dvds Everything Is Spiritual e The Gods Aren’t Angry. Como disse um pastor amigo de Portland, Oregon, recentemente: “Ouvir Rob Bell dá raiva! O cara se comunica muito bem!”
Evidentemente não concordo com tudo o que ele diz ou escreve, mas isso é algo natural. O conselho de Paulo é examinar tudo e reter o que é bom… Tenho feito isso com o Rob Bell. Fiquei feliz que a Editora Vida publicou Velvet Elvis em português, dando maior acesso aos cristãos brasileiros as idéias e questionamentos propostos por ele. Abaixo está um trecho do livro que eu gostei muito desde que li pela primeira vez:

“No que diz respeito a ter fé, todo mundo tem. As pessoas quase sempre me dizem que nunca conseguiram ter fé, que isso é muito difícil. A idéia de que algumas pessoas têm fé e outras não têm é muito comum. Mas não é verdadeira. Todo mundo tem fé. Todos seguem alguém. O que em geral acontece é que as pessoas com convicções específicas acerca de Deus acabam encurraladas, defendendo sua fé da racionalidade calma e apática dos outros. Como se apenas elas tivessem fé e convicções, as outras, não.

Isso, porém, não é verdade. Vamos pegar um exemplo: Algumas pessoas acreditam que fomos feitos por um criador, que tem planos e objetivos para sua criação, enquanto outras acreditam que não há nenhum sentido extraordinário para a vida, nenhum grande projeto, que nós existimos não por causa de alguma intenção divina, mas por simples acaso. Não se trata de uma discussão entre pessoas de fé e pessoas que não têm fé. As duas perspectivas baseiam-se na fé, fundamentando-se em um sistema de crenças. Quem diz que estamos aqui por acaso e não há nenhum sentido especial nisso tem exatamente o mesmo tanto de convicções que a pessoa que afirma a existência de um criador. Talvez até mais.

Pense em algumas palavras empregadas nesse tipo de discussão. Entre elas, a mais comum é a expressão ‘mente aberta’. Em geral, o que tem convicções espirituais é considerado alguém de mente fechada; os outros são vistos como pessoas de mente aberta. O que me fascina é o fato de que o centro da fé cristã é a premissa de que esta vida não é tudo o que existe. Que a vida é mais do que a matéria. A existência não se limita ao que vemos, tocamos, medimos, ouvimos, degustamos e observamos. Uma das principais afirmativas da visão de mundo cristã é que existe ‘mais’. Os que se opõem a esse conceito insistem em que o que vemos aqui é tudo o que há; somente o que se pode medir e observar com os sentidos é real. Nada mais existe. Qual dessas opiniões revela mais uma ‘mente fechada’? Qual visão de mundo é mais ‘aberta’?

O ateu é alguém com tremenda fé. Em nossas discussões acerca das coisas que mais importam, não nos detemos na fé ou na ausência dela. Crença ou não-crença. Estamos falando acerca de fé em algo. Crença em quê? A verdadeira questão não é se temos ou não temos fé, mas em que nós a depositamos.

Todos seguem alguém. Todos nós tomamos decisões todos os dias acerca do que é importante, de como tratar as pessoas e do que fazer da nossa vida. Essas decisões têm como pano de fundo o que acreditamos acerca de cada um dos aspectos de nossa existência. Nossas convicções têm origem em algum lugar. Fomos moldados, todos nós, por essa complicada combinação de pessoas, lugares e coisas. Pais e mestres, artistas, cientistas, orientadores – cada um de nós recebe todas essas influências e vive de acordo com os princípios de que se apropriou. Alguns insistem em dizer que não são influenciados por ninguém, nenhuma religião, pensam por si mesmos. É uma opinião digna de respeito. O problema é que essa opinião vem… de alguém. Eles seguem alguém apesar de afirmarem que é a eles próprios que estão seguindo.

Todo mundo segue alguém. Todo mundo tem fé em algo e em alguém.

Somos todos crentes.”

(Rob Bell em Repintando a Igreja: Uma Visão Contemporânea, Editora Vida, 2008 – pp. 19-21)

Debate sobre pornografia

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Desde que conheci o ministério XXXChurch em dezembro de 2003 tenho acompanhado o trabalho através dos podcasts Dirty Little Secrets e do blog. Assisti também o documentário Missionary Positions que conta a história dos primeiros anos da XXXChurch. Mas sempre quis ver um debate entre o Graig Gross (co-fundador do ministério juntamente com Mike Foster) e Ron Jeremy (astro famoso de filmes pornô que se tornou uma lenda viva da indústria). Finalmente consegui assistir um desses debates graças a generosidade de Donny Pauling (ex-produtor de material pornográfico que se converteu a Cristo através da XXXChurch e atualmente está fazendo seminário para se tornar pastor). Pauling colocou em seu blog duas versões do debate realizando na Universidade Yale e transmitido pela Nightline ABC: uma versão editada para TV e a outra completa com 1 hora e 20 minutos. Além de Graig Gross e Ron Jeremy (que juntos já fizeram mais de 25 debates iguais a este em universidades ao redor dos Estados Unidos), estavam presentes também a celebridade pornô Monique Alexander e o próprio Donny Pauling. Duas coisas chamaram minha atenção no debate: 1) o preparo do Graig Gross para apresentar seus argumentos e defender seus pontos sem ofender ninguém, mas também sem comprometer suas crenças. Confesso que fiquei impressionado com o modo como ele se saiu; para fazer algo assim você realmente precisa fazer a lição de casa, se preparar muito mesmo, se não quiser ser engolido ao vivo. 2) o modo como a platéia (a maior parte de estudantes universitários) se comportou, defendendo a pornografia sem nenhum senso de vergonha ou sentimento de culpa. Evidentemente a platéia era composta em sua maioria de pessoas não cristãs e bem pós-modernas. E a mentalidade pós-moderna não aceita nenhum tipo de condenação de algo que é considerado um direito legítimo de expressão tanto dos que fazem o material pornográfico como de seus consumidores. Mesmo diante de estatísticas que demonstram que a maior parte desse material acaba nas mãos de crianças e adolescentes e da perturbadora realidade de que a pornografia mergulhou no espiral descendente cheio de violência (ou insinuações de violência) contra mulheres e adolescentes, a platéia parecia não se importar em defender a legitimidade e direito dessa indústria continuar distribuindo seu veneno nos playgrounds ao redor do mundo. “Saiba disso, nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis” disse o apóstolo Paulo…