Arquivos para o mês de: September, 2008

É incrível como é muito mais fácil falar contra a religiosidade do que viver uma vida livre dela. A gente fala sobre cultos sem liturgia alguma, adoração como estilo de vida e espontânea, dizemos que a igreja são pessoas e todas essas coisas, mas então acontece algo que coloca à prova nosso discurso e aí é que percebemos o quanto nossas palavras são (muitas vezes) expressões vazias que usamos para parecer cristãos pós-modernos (ou então livres do tal “Cristianismo pagão”). Além disso, entendemos que todos somos ministros, acreditamos no sacerdócio universal dos cristãos, mas ainda assim parece que na prática, somos muito dependentes dos “ministros” (de louvor, de ensino, etc.). Bom, por estas e outras, decidimos aprontar para as pessoas que frequentaram nossas reuniões esse domingo com um culto DIY (do-it-yourself ou seja, faça você mesmo) no Projeto 242. Era algo que eu havia pensado meses atrás e decidimos experimentar. As pessoas foram pegas de surpresa e foi interessante ver suas reações (abaixo estão algumas fotos da experiência).
À medida em que as pessoas chegavam, elas eram informadas de que o culto seria diferente e que, basicamente, elas iriam ficar livres para passar por quatro estações montadas no local: confissão, leitura, oração, adoração & expressão. Elas não precisavam seguir nenhuma ordem e não precisavam passar por todas as estações também, se não quisessem.

Leitura

Uma das estações era voltada para a leitura. Havia um texto de Oswald Chambers extraído do devocional Tudo Para Ele (Editora Betânia), instruções sobre as práticas da Lectio Divina e do Ofício Divino, e um plano de leitura bíblica. Além disso, deixamos também algumas bíblias e livros devocionais para as pessoas lerem (dentre os devocionais havia o famoso Mananciais no Deserto, o Pão para o Caminho de Henri Nouwen, Orando em Família e um devocional do Dr. Martin Lloyd Jones). Nosso desejo era que aqueles que não possuem o hábito de uma leitura devocional diária pudessem ganhar um incentivo para iniciar essa disciplina em suas vidas.

Oração

Havia um canto escuro para oração. Era um local que buscava dar a idéia da intimidade da oração devocional. Jesus disse: “Vá para seu quarto e ore ao seu Pai que está em secreto.” Evidentemente podemos e devemos orar em todo o tempo, lugar e com diversas posturas. Mas muitos deixam de lado esse momento íntimo a sós com Deus que deveria fazer parte de sua jornada espiritual.

Confissão

Na estação da confissão, tínhamos papel e caneta para as pessoas escreverem seus pecados e depois queimarem numa pequena pira. Evidentemente não é algo que você precisa fazer todo dia (escrever e queimar), mas para aquele momento pensamos que seria uma forma prática de salientar a necessidade da confissão diária.

Expressão

Tinha também uma área para adoração & expressão. Falamos muito sobre adoração como um estilo de vida, mas ainda assim quando somos convidados a expressar nossa adoração sem música, ficamos meio sem jeito e não sabemos bem o que fazer. Nesta estação, as pessoas eram encorajadas a colocar em palavras ou desenhos expressões de adoração a Deus. Os Salmos que lemos em nossa Bíblia foram registrados um dia, por isso encorajamos as pessoas a escreverem seus próprios salmos e orações a Deus.

Coletivo

Tentamos encorajar as pessoas a deixarem sua pincelada em uma pintura coletiva, mas muitos ficaram tímidos e passaram “de largo” desse local. É muito difícil convencer adultos de que todos somos artistas…

Velas

O propósito da experiência era que as pessoas pudessem colocar em prática algumas disciplinas espirituais que deveriam fazer parte de sua vida diária com Cristo. Para aqueles que já praticam essas disciplinas, foi mais natural (após o choque inicial) entrar no clima e apresentar seu culto racional a Deus. Para outros, foi um desafio e espero que eles tenham despertado para algumas realidades da vida cristã.

Mais fotos e comentários no blog do Hudson Parente, Poesia no Caos.

The Shack

Terminei de ler A Cabana há pouco mais de uma semana, mas ainda não tinha encontrado tempo para escrever uma breve revisão do livro. Na verdade, não pretendo escrever muito, pois temo acabar estragando a leitura de outras pessoas que porventura ainda não o leram. Trata-se de uma história fictícia escrita por William P. Young para seus seis filhos. O que seria apenas para os filhos de Young acabou sendo publicado por uma minúscula editora e se tornou fenômeno de vendas nos EUA, alcançando o concorrido (e cobiçado) posto de primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times (no Brasil, esta semana, A Cabana está em primeiro lugar na lista de ficção de revista Veja). O livro levantou elogios de gente como Eugene Peterson, Michael W. Smith e da cantora country Wynnona Judd, dentre outros. Por outro lado, muitos o denunciam como perigoso, herético, um “trojan horse” no seio do Cristianismo.
Eu gostei de A Cabana, do modo como a história é contada, me emocionei diversas vezes durante a leitura e, quando terminei, fiquei tentado a recomeçá-la de novo. Entendo que muitas pessoas possam pensar que o livro seja herético pela maneira como ele apresenta Deus (a Trindade). Mas sinceramente não encontro heresia nenhuma no livro a esse respeito (Deus é Espírito e livre para se revelar como Ele desejar). Há alguns “escorregões” teológicos (como por exemplo, quando Deus Pai diz que estava junto com Deus Filho quando este morria na cruz), mas não o suficiente para ser tachado de herético.
Um argumento que muitos dos que defendem o livro levantam é que se trata de um texto de ficção e não teológico. No entanto, é preciso notar que, apesar de ser uma história fictícia, A Cabana foi escrita com a intenção de apresentar quem/como Deus é – tendo portanto um cunho bem teológico. E a teologia apresentada por A Cabana é que Deus é bom, que Ele ama a todos, que Ele é Soberano, que Ele tem um plano para nossas vidas, que mesmo quando desgraças e tragédias acontecem, podemos confiar nEle. Algumas das palavras colocadas nos lábios de Deus no livro são fruto da cosmovisão do autor (por exemplo, a forte atitude anti-instituição) e é aí que deve entrar o discernimento e bom senso.
É importante notar também que o livro foi escrito por alguém que cresceu no campo missionário (TCK – third culture kid ou “criança em terceira cultura”) e isso evidentemente aparece no modo como ele apresenta Jesus e Seu amor por todas as pessoas.
Há um momento no texto em que o personagem principal (Mackenzie) está tendo uma conversa com Deus e insinua que Deus parece não se encaixar em um certo modelo. A resposta de Deus é:
“Entendo como tudo isso deve deixar você desorientado, Mack. Mas o único que está pretendendo ser alguma coisa aqui é você. Eu sou o que sou. Não estou tentando me encaixar em modelo nenhum.”
Um verdadeiro (e amoroso) tapa na cara… Como eu disse, gostei da leitura e agora vou esperar pelo filme.

Hoje aconteceu uma situação que me fez lembrar dessa música do King’s X (tradução livre minha – a letra original em inglês logo abaixo). Então como parte de minha terapia pessoal e desabafo, vou postar aqui…

a camada de ozônio desaparecendo no céu
o máscote da cerveja nos perguntando o por quê perguntar
seu eu conseguisse achar minha revista este inseto morreria
eu reclamo
garoto chinês enfrentando um tanque
garoto sulista vivendo na casa dos nortistas
se parece que eu não consigo fazer minha motocicleta pegar
eu reclamo
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
menino mendigando uma migalha de pão
o garoto inchado ao lado quase morrendo
eu imagino o que tomar para minha dor de cabeça
eu reclamo
muita gente implorando por um pouco de chuva
uma nação inteira aprendendo a conviver com a dor
se eu não sei como irei limpar essa pequena mancha
eu reclamo
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
um homem negro cantando blues do Mississippi
a África matando de fome pequenos bebês
eu estou tentando aprender todas as regras de basquete
eu reclamo
Mr. Rush Limbaugh me dando todos os fatos
copas das árvores caindo e o âncora de notícias bocejando
estou pensando sobre Carter e quanto imposto terei que pagar

RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL
RECLAMAR É BEM MAIS FÁCIL

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(ozone disappearing in the sky / bud man asking us why ask why / if I could find my magazine this bug would die / I complain / China boy standing up to a tank / southern boy living in the house of yanks / if I can’t seem to get my motorbike to crank / I complain / complain so much easier / small kid begging for a crumb of bread / next kid bloated lying nearly dead / I wonder what to take for my aching head / I complain / lots of people crying for a little rain / whole nation learning how to live with pain / I don’t know how I’m gonna clean this little stain / I complain / complain so much easier / black man singing Mississippi blues / Africa starves a little baby drools / I’m trying to figure out all the basketball rules / I complain / Mr. Rush Limbaugh giving me the facts / treetops falling and the newsman yaks / I’m thinking about Carter and how I’m gonna be taxed / hey complain so much easier)
- Complain do álbum Dogman (1994)