Como acredito ser o caso da maioria das pessoas, eu conheci o Rob Bell através de um episódio do Nooma (no meu caso foi o Luggage que eu assisti primeiro e fiquei perguntando: Quem é esse cara!?). Isso foi em 2005 durante a turnê do NLM ao Brasil. No ano seguinte em uma viagem aos EUA eu comprei todos os episódios disponíveis do Nooma e também o livro Velvet Elvis. Li o livro uma vez e ouvi umas três vezes em audiobook (ouvir o Rob Bell é melhor do que ler). Ouvi também seu outro livro Sex God e assisti seus dois dvds Everything Is Spiritual e The Gods Aren’t Angry. Como disse um pastor amigo de Portland, Oregon, recentemente: “Ouvir Rob Bell dá raiva! O cara se comunica muito bem!”
Evidentemente não concordo com tudo o que ele diz ou escreve, mas isso é algo natural. O conselho de Paulo é examinar tudo e reter o que é bom… Tenho feito isso com o Rob Bell. Fiquei feliz que a Editora Vida publicou Velvet Elvis em português, dando maior acesso aos cristãos brasileiros as idéias e questionamentos propostos por ele. Abaixo está um trecho do livro que eu gostei muito desde que li pela primeira vez:
“No que diz respeito a ter fé, todo mundo tem. As pessoas quase sempre me dizem que nunca conseguiram ter fé, que isso é muito difícil. A idéia de que algumas pessoas têm fé e outras não têm é muito comum. Mas não é verdadeira. Todo mundo tem fé. Todos seguem alguém. O que em geral acontece é que as pessoas com convicções específicas acerca de Deus acabam encurraladas, defendendo sua fé da racionalidade calma e apática dos outros. Como se apenas elas tivessem fé e convicções, as outras, não.
Isso, porém, não é verdade. Vamos pegar um exemplo: Algumas pessoas acreditam que fomos feitos por um criador, que tem planos e objetivos para sua criação, enquanto outras acreditam que não há nenhum sentido extraordinário para a vida, nenhum grande projeto, que nós existimos não por causa de alguma intenção divina, mas por simples acaso. Não se trata de uma discussão entre pessoas de fé e pessoas que não têm fé. As duas perspectivas baseiam-se na fé, fundamentando-se em um sistema de crenças. Quem diz que estamos aqui por acaso e não há nenhum sentido especial nisso tem exatamente o mesmo tanto de convicções que a pessoa que afirma a existência de um criador. Talvez até mais.
Pense em algumas palavras empregadas nesse tipo de discussão. Entre elas, a mais comum é a expressão ‘mente aberta’. Em geral, o que tem convicções espirituais é considerado alguém de mente fechada; os outros são vistos como pessoas de mente aberta. O que me fascina é o fato de que o centro da fé cristã é a premissa de que esta vida não é tudo o que existe. Que a vida é mais do que a matéria. A existência não se limita ao que vemos, tocamos, medimos, ouvimos, degustamos e observamos. Uma das principais afirmativas da visão de mundo cristã é que existe ‘mais’. Os que se opõem a esse conceito insistem em que o que vemos aqui é tudo o que há; somente o que se pode medir e observar com os sentidos é real. Nada mais existe. Qual dessas opiniões revela mais uma ‘mente fechada’? Qual visão de mundo é mais ‘aberta’?
O ateu é alguém com tremenda fé. Em nossas discussões acerca das coisas que mais importam, não nos detemos na fé ou na ausência dela. Crença ou não-crença. Estamos falando acerca de fé em algo. Crença em quê? A verdadeira questão não é se temos ou não temos fé, mas em que nós a depositamos.
Todos seguem alguém. Todos nós tomamos decisões todos os dias acerca do que é importante, de como tratar as pessoas e do que fazer da nossa vida. Essas decisões têm como pano de fundo o que acreditamos acerca de cada um dos aspectos de nossa existência. Nossas convicções têm origem em algum lugar. Fomos moldados, todos nós, por essa complicada combinação de pessoas, lugares e coisas. Pais e mestres, artistas, cientistas, orientadores – cada um de nós recebe todas essas influências e vive de acordo com os princípios de que se apropriou. Alguns insistem em dizer que não são influenciados por ninguém, nenhuma religião, pensam por si mesmos. É uma opinião digna de respeito. O problema é que essa opinião vem… de alguém. Eles seguem alguém apesar de afirmarem que é a eles próprios que estão seguindo.
Todo mundo segue alguém. Todo mundo tem fé em algo e em alguém.
Somos todos crentes.”
(Rob Bell em Repintando a Igreja: Uma Visão Contemporânea, Editora Vida, 2008 – pp. 19-21)
[...] aqui para conhecer o post [...]
Fala sandro, desculpe usar aqui para pedir teu email, mas nao achei em lugar algum…eu estive no Projeto 242 no Domingo pela manha e troquei uma ideia com vc…aguardo resposta valeu..
[...] dando maior acesso aos cristãos brasileiros as idéias e questionamentos propostos por Rob Bell,” da série [...]
Oi Sandro! Primeira vez aqui visitando teu blog. Maravilhoso saber que os livros do Rob Bell estão finalmente sendo traduzidos, já tinha lido o Velvet Elvis em inglês. Só espero que estejam BEM traduzidos!
Fala Sandro!
Participei da sua oficina no CBM.. tb sou do clã dos Baggio!
Vc está por São Paulo? Como faço pra gente trocar uma idéia?
Abraço!
Olpa, sandro. Li o trecho q vc postou no blog sobre Velvet Elvis do Rob Bell. Particularmente acho a teologia dele muito confusa e assim, o evangelho acaba sendo mais uma filosofia pacifista do que o único caminho e revelação do Pai. Bell não faz menção nenhuma ao sacrifício salvífico de Cristo, o q destrói toda a essência do próprio cristianismo. No que se refere a comunicação e o formato como ele expões suas idéias, Bell é brilhante. Vi um vídeo do Driscoll criticando Bell e MacLaren por propagarem um evangelho “diluído”. Fico com as palavras do Driscoll: ” Para ler qualquer coisa, conheça antes a Verdade” Valeu pelo espaço. Um abraço
Eclésio, você tocou em um dos pontos fracos na teologia do Rob Bell. Eu apontei essa falta da teologia da cruz como sacríficio redentor (para remissão de pecados) em meu comentário sobre outro livro dele. Como disse em ambos comentários sobre seus livros, não concordo com tudo que ele diz. Abs