Meu amigo Damaceno Junior enviou o texto abaixo que, após ler, pedi a ele permissão para tornar público aqui no blog. A razão para isso é que espero que possamos aprender algo com o que ele escreveu. Talvez possamos parar de repetir chavões “proféticos” com a voz tremida em gravações ao vivo. Talvez possamos nos interessar mais em entender as implicações de afirmações missionárias tais como “ir às nações” e colocá-las em prática. Talvez possamos apoiar aqueles que não dependeram de um impulso emocional durante uma “adoração profética” para se disporem a não somente “ir às nações”, mas perseverar no campo durante anos de duro labor, frustração, solidão, oposição de todos os lados, falta de recursos e pouco sustento. Talvez possamos valorizar esses guerreiros preciosos demais para o Reino e interceder por eles, nos unindo em suas lágrimas na esperança de que o Ramo de Jessé floresça nas nações.

“No início desta semana, indo ver um amigo e colega de ministério que mora na Bélgica, a fim de orar e colocar as lágrimas em dia, eu estava ouvindo um CD que me deram no Brasil quando lá estive em Abril. No final da canção, uma pessoa estava dizendo: ‘O Senhor tem nos levantado para irmos às nações.’ Eu fiquei pensando nas muitas vezes que ouvi isso nas igrejas por onde andei no Brasil. Alguns dizem até que Deus tem levantado a igreja brasileira para ir às nações. Debaixo da chuva, que aliás tem sido constante neste nosso verão que chega ao fim sem nunca ter começado, eu fiquei pensando se as pessoas que falam de ir às nações sabem realmente o que estão falando. Ainda me indago se aquele irmão que chorando proclama que Deus está nos enviando às nações, já foi ele mesmo peregrino numa nação estrangeira. Quanto mais eu escuto o tal CD, mais convencido eu fico de que aquelas pessoas não têm a mínima idéia do que é ser enviado às nações.
Se algum dia eu tivesse experimentado o que tenho vivido aqui, enquanto Deus abençoa as nações através da minha vida, acho que nunca teria saído do conforto da minha terrinha ensolarada. Quando você passa seu tempo semeando e chorando, dando de cara com dificuldades do tamanho do Mont Blanc, você quase nem pensa que está sendo bênção às nações, mas que está apenas sobrevivendo.
Já fazem 17 anos que eu sai de casa para obedecer ao chamado de abençoar as nações e se ainda estou por aqui, é pura graça de Deus. Quase não canto mais: ‘Eis-me aqui eu livre estou ao teu dispor para onde tu quiseres me enviar‘, a canção do Asaph Borba que cantei no meu culto de envio em Junho de 1991 lá na igreja em Cabo Frio. A maior parte é: ‘Da-me mais graça, Senhor…
Chegando na casa do meu amigo na Bélgica, constatei que o canto que entoa aquele pastor, trabalhando numa terra tão árida, embora molhada todo dia pela chuva incessante, é o mesmo que temos entoado aqui na França. Mas, eu sei que Deus nos quer aqui. Mesmo que a gente chore mais do que cante. No final, o importante é que Ele receba a glória devida a Seu Nome.”