Minha teoria sobre instituição

Quer se admita ou não, a vida humana é cercada de instituições (formais ou informais). A própria palavra instituição vem do latim institutio que significa criação, formação (em sua forma verbal, instituir significa dar começo a, estabelecer, criar, instaurar). No entanto, encontro um monte de pessoas falando, escrevendo em livros e blogs por aí, que para se voltar à fé autêntica e pura de Jesus e da Igreja Primitiva, é preciso abandonar toda e qualquer forma de instituição. Elas pensam que a revolução está nisso, que isso é ser revolucionário. É quase como se a instituição fosse a raiz de todos os males do Cristianismo e um tropeço para um discipulado verdadeiro e para a expansão do Reino de Deus. Inclusive, em minha opinião, esta é uma das escorregadas que o autor de A Cabana cometeu quando coloca Jesus em seu livro como sendo anti-instituição. Este é também um dos escorregões de Cristianismo Pagão de Frank Viola e George Barna (Ben Witherington , erudito bíblico e professor de NT do Asbury Theological Seminary, fez uma série de excelentes reviews do livro em seu blog recentemente, expondo alguns dos equivocos ali contidos).

Gordon MacKenzie em seu fantástico livro Orbiting the Giant Hairball compara instituições com bolas de pelos. Como se forma uma bola de pelo? Tudo começa com dois pelos, depois mais um e mais um, assim por diante. Basicamente, usando a teoria de MacKenzie, quando você coloca duas pessoas juntas, você tem uma instituição (seria o casamento a primeira instituição humana?). Quanto mais tempo essas pessoas passarem juntas, quanto mais coisas elas fizerem, quanto mais planos tiverem, maior vai ficando a instituição formada entre elas. Agora quando você aumenta o número de pessoas, aí a “bola de pelos” vai ficando cada vez maior e mais complexa. Ou seja, é simplesmente impossível viver em relacionamento com outra(s) pessoa(s) sem nenhuma forma de instituição. Mesmo aqueles grupos pequenos informais que romperam com a “Igreja Instituicional”, buscando viver uma vida cristã “pura”, acabam virando uma instituição no momento quem começam a se reunir (quer admitam isso ou não).

Albert Nolan, padre dominicano sul-africano famoso por seu livro Jesus Antes do Cristianismo (1976), diz o seguinte em seu livro recente Jesus Hoje: Uma Espiritualidade de Liberdade Radical (2006) da Editora Paulinas: “Seria errado pensar que Jesus rejeitava, pura e simplesmente, a instituição religiosa do seu tempo.  Jesus respeitava a instituição como tal, respeitava a ‘cátedra de Moisés’ (Mt. 23.2), e até se pode dizer que ele amava todos os que faziam parte dela. No entanto, rejeitava completamente a forma como ela era usada e como dela se abusava para oprimir o povo (Mt. 23.3-4)… Jesus não era anarquista, no sentido de pensar que podia viver sem qualquer tipo de estrutura hierárquica.” (grifo meu) Eu concordo com ele. De fato, acho uma tremenda ingenuidade rejeitar pura e simplesmente a instituição e toda e qualquer forma de hierarquia.

Já expressei isso antes em outro post, mas novamente creio que, visto que é praticamente impossível viver em comunhão sem nenhuma forma de instituição (formal ou informal), o problema não está na instituição em si, mas em colocá-la acima das pessoas (fazendo com que algo que foi criado para servir às pessoas acabe invertendo-se de lugar). Para utilizar uma frase de Ojo Taylor da banda de punk rock Undercover na abertura de seu álbum ao vivo 3-28-87: “Quando a instituição se torna autoperpetuante, as pessoas se tornam secundárias.” Isso sim é mal e deve ser rejeitado.

Por outro lado, quando eu penso em alguns dos cristãos mais revolucionários da história, gente como São Francisco de Assis, Lutero, John Wesley, Madre Tereza, Martin Luther King Jr. e o próprio Billy Graham, nenhum deles pensava que a instituição fosse um estorvo para que alcançassem seus sonhos revolucionários. Eles simplesmente viveram por uma Causa maior, usando a instituição, quando muito, por aquilo que ela deve ser: apenas uma estrutura. O problema é que tem tanta gente preocupada em encontrar na instituição o grande demônio, que acaba deixando de viver a vida mais profunda que tanto deseja. Gordon MacKenzie sugere uma relação de órbita ao redor da instituição, tomando o cuidado para não ser sulgado por ela e, ao mesmo tempo, não se distanciando dela a tal ponto de ficar perdido no espaço. Eu penso que esse é um bom caminho a ser seguido nessa relação que parece ser tão complicada.

34 Comments

  1. Charles Fernando October 8, 2008

    Adorei sua postagem, é algo que nosso professor Leo tem falado a um bom tempo…

    Existe muito a se pensar sobre instituição, sobre seu conceito etimológico sendo transformado pelo conceito medieval, como aconteceu com a palavra igreja, congregação, que podia significar a reunião para qualquer fim, até mesmo uma orgia.

    A lei e o templo duraram até o “está consumado”, é óbvio que não encontraremos anarquismo naquele que veio cumprir a lei.

    Grupos como anabatistas, taboritas, viviam em uma organização tribal comunalista, um dos modelos anarquistas de auto-gerência, que creio ser a coisa mais parecida com a ekklesia primitiva, é uma forma de organismo como é a família, não organização.

    É de se pensar sobre isso, de fato, uma instituição sempre apela para a violência para se manter, quando não, está atrelada à outra instituição de violência, é o fundamento de toda hierarquia.

    Tem um texto do Weber no meu blog que fala sobre, está na categoria estudos libertários, mas só digitar weber no search.

    Mas foi legal você ter aberto essa discussão, é algo que preciso raciocinar muito sobre antes de tomar uma posição de eremita…(risos)

    O Frank é bacana, mas realmente o que há de errado no pagão?

  2. Jota October 8, 2008

    Sandro eu não sei se eu posso te dar um conselho mas vamos lá, desencana. Não no sentido de desencanar de falar sobre isso, mas desencana de tentar mostrar isso como algo OWWWWWWW instituições são certas formais ou informais, todo mundo sabe que “instituições” vide “igreja” é necessario para uma vida em comunhão, mas o pessoal gosta de escrever porque “as” elas no fundo no fundo querem ter ou participar de uma “instituição” ou perfeita ou revolucionaria. No fundo essas pessoas sabem a verdade.

    “São Francisco de Assis, Lutero, John Wesley, Madre Tereza, Martin Luther King Jr. e o próprio Billy Graham, nenhum deles pensava que a instituição fosse um estorvo para que alcançassem seus sonhos revolucionários”

    O que eu penso disso e mais ou menos o que você falou no Culto da experiencia duas semanas atrás. (Os ministros sumiram) As pessoas leem porque tem vontade de escrever, mudando um pouco as pessoas escutam porque tem vontade falar, e quando vc falou que as pessoas não precisam de um pastor para chegar a Deus é real. Não precisamos de ministros, nem de uma forma de instituição como forma de “pedagio” para encontrar a Deus, mas precisamos de pessoas como os exemplos que você falou ae em cima para realmente ser revolucionarias em suas “instituições” ou no mundo mesmo, vivendo em comunidade e mostrando suas fraquezas para que delas se faça algo melhor e mais forte.

    O caminho é simples, agente que complica

  3. Edson October 8, 2008

    Sandro,

    alguns dias atrás endereçei uma reportagem a certos blogs que nos aconselham a tomar pílulas que no final fazem o contrário do esperado, mantém as pessoas cativas a um mundo virtual onde a crítica gratuita impera. Esta reportagem que enviei mostrava a situação das meninas de rua no centro do país se vendendo por R$ 3,00.
    O resultado foi a disseminação da reportagem por outros blogs, creio eu na esperança que alguém faça algo. Uma instituição é claro.
    O que eles não sabem, é que existem instituições fazendo e esperando por eles pra fazer. Sugeri que saiam à rua e, se não se acham habilitados a fazer, observem os poucos que fazem e divulguem a estes. Sugiro que todos os blogs façam isto. Afinal todo mundo conhece um grupo que distribui sopão, visita asilos e hospitais, dá assistência a presídios e tantas outras formas criativas de ser discípulo. Sugeri que utilizassem esta formidável ferramenta, o blog, para divulgar o reino de Deus e não para institucionalizar (criar, formar) uma nova versão virtual dele que não respira.
    A Igreja com a qual eles sonham existe e precisa de todos. Ela é uma instituição porque é reunida com um objetivo, de uma forma organizada, para que tenha força, eficácia, agilidade, precisão, qualidade, RELEVÂNCIA.

    Que Deus continue te usando para ensinar.

  4. Marcio Uno October 8, 2008

    Oi Sandro, estou lendo um livro muito interessante da Editora Paulinas chamado “Para compreender como surgiu a igreja” e gostei muito. Ele fala sobre a questão da institucionalização da igreja primitiva, do processo de carisma para instituição. A igreja se viu na necessidade de se institucionalizar devido a questão de crescimento, organização e combate as heresias. Creio também que esse é um processo normal da vida em todas as instâncias. O problema é quando com o passar do tempo, a institucionalização torna o centro em si mesma, o fim de tudo e não o meio. Parabens pela crítica. Abraços.

  5. Sandro October 8, 2008

    Marcio, esse é um bom livro da Paulinas, oferece uma visão clara (e até mesmo crítica) do desenvolvimento da Igreja. Um outro texto muito bom (para quem lê alemão ou inglês) é o livro The Church de Hans Küng escrito em 1967 sobre a Igreja. Abs.

  6. ezequiel October 8, 2008

    ótimo texto.

    depois que comecei a pensar por mim mesmo, sempre fui contra a “instituição acima da Igreja”. Principalmente pq isso leva, mtas vzs, a uma vida separada de outros cristãos por preconceito.

    Muitos que conheço, não se relacionam nem com gente de outra igreja evangélica, por algum ranço da igreja que frequenta.

    Cresci numa Ass de Deus extremamente “fechada” e tradicional (mulher nao usa calça, nao corta cabelo, etc).
    Cresci aprendendo que os outros estavam errados e somente a Ass de Deus estava certa (as pessoas das outras igrejas não eram salvas).
    Quando nos mudamos para o PR, fui para uma menos tradicional (ainda Ass Deus), depois larguei de mão os mtos “não pode” e comecei a frequentar várias igrejas, sem me importar com a igreja, mas me importando em ter comunhão com aqueles de lá.
    Em Curitiba, frequentava em média 3 igrejas por semana e ainda tinha o Clubão, da MPC.
    Me preocupando sempre em ouvir, aprender e ter comunhão com outros cristãos.

    Quando me mudei para Porto Alegre, conheci gente como eu. Sexta estavamos numa igreja, no sabado em outra, no domingo em outra.
    Durante a semana, cada um participava de um pequeno grupo.

    Hoje continuo assim, graças a Deus. Quero apenas buscar ter comunhão com os meus irmãos e ouvir a palavra. Não me importo onde. Igr. Católica, Luterana, Batista… oq importa é que tudo faz parte da Igreja de Cristo.

  7. ezequiel October 8, 2008

    esse é Off Topic. Sandro, sabes me dizer onde acho as letras do CD Primordial do No Longer Music?
    valeu!
    Abraço,
    Ezequiel

  8. Thiago Mendanha October 8, 2008

    “Sandro,

    alguns dias atrás endereçei uma reportagem a certos blogs que nos aconselham a tomar pílulas que no final fazem o contrário do esperado, mantém as pessoas cativas a um mundo virtual onde a crítica gratuita impera.”

    O Edson tá falando de mim… :P

  9. Victor Gila October 8, 2008

    Acho muito bom esse discurssão a respeito da instituição e seu posicionamento a respeito do mesmo.
    Confesso que em uma época da minha vida me decepcionei com a igreja que frequentava (e ainda frequento) e comecei a criticar e me achar independente, que poderia viver sem a igreja.
    É bem verdade que algumas instituições olham mais para o próprio umbigo do que para o próximo, mas desde que coloquei na cabeça que a Igreja sou eu, venho tentando fazer a diferença e influenciar outros.
    Gostei da analogia do espaço no final do texto.
    Deus abençoe você, tenho sido bastante abençoado por esse blog.

  10. Thiago Mendanha October 8, 2008

    Ah, fazer o quê? Isso rendeu até um post, vê lá http://thiagomendanha.blogspot.com/2008/10/minha-conjetura-sobre-instituio.html

  11. Teo October 8, 2008

    Sandro, texto muito bom. Quando alguns foristas anunciaram a revolução anti-instituição em listas de discussão pela Internet há meia dúzia de anos eu disse algo parecido. O fato é que muita gente deseja fazer parte de revoluções onde elas não são absolutamente necessárias – derrubam a casa para trocar a lâmpada queimada.

  12. Charles Fernando October 9, 2008

    Eu escrevi sobre a igreja virtual, não há nada errado nela, mas ninguém veste, alimenta o próximo com bites. Uma igreja virtual ficaria somente no campo teórico, a não ser que haja campanhas como faz o paltalk.

    Outra coisa interessante, quem disse pro Frank que paganismo é mau? Não foram os protestantes pagãos que denunciam o paganismo na igreja romana? É meio bizarro isso! (risos)

    Mas uma coisa é importante, é transcender as bandeiras denominacionais protestantes, uní-las não só fisicamente, mas doutrinariamente também. No fundo eu vejo o Frank sonhando com o mesmo que os protestantes que conheci sonham, uma unidade supra-denominacional, uma ortodoxia que inclui também a pós-modernidade.

  13. Sandro October 9, 2008

    Teo disse: “derrubam a casa para trocar a lâmpada queimada…” Uma excelente metáfora para muito do que está acontecendo hoje…

  14. Sandro October 9, 2008

    Charles Fernando, após ler o livro do Frank Viola, tive a mesma reação que você… perguntei a mim mesmo: “So what!?” Realmente não entendo o porque de tanto alarde. Se fizerem um estudo cultural/contextual do VT, irão encontrar similaridades em muitas práticas judaicas e pagãs também… Que falta uma leitura de Niebuhr faz em nossos dias…

  15. Sandro October 9, 2008

    Thiago, penso a presente fobia com relação a instituição (ões) é um caso clássico de “adventures in missing the point…” (para usar o título do livro do Brian McLaren e Tony Campolo).

  16. Jill October 10, 2008

    Here is the response to Ben’s review — http://www.paganchristianity.org/zensresponds1.htm,
    and here’s Frank’s debate with Ben — http://www.ptmin.org/FV_BW.pdf

  17. Juber Donizete Gonçalves October 10, 2008

    Sandro, excelente texto. De forma equilibrada trata, muito bem o assunto da questão das instituições. Já havia lido “Jesus antes do Cristianismo” do Albert Nolan e quero ler esse outro livro dele. Graça e Paz.

  18. Thaís Pereira October 10, 2008

    Belíssimo Post Rev.Sandro,

    Creio que o problema não está na essência da instituição, mas em que ela se transforma com o tempo, a burocratização e a mecanicidade é o chão no qual a instituição sempre luta para não escorregar. Pensando na igreja, temos um grande exemplo, a igreja primitiva, instituição, que não era perfeita, mas preservava os mandamentos do mestre, na comunhão e no partir do pão… Burocrática? Talvez quando se tornou a Igreja Universal, Católica, que mecanizou as formas de relacionamento com Deus e se tornou um aparelho do Estado. Ou por que não o próprio Judaísmo. Concordo com a afirmação do Albert Nolan, e de fato o nosso Senhor respeitava a “cátedra de Moises”, mas não podemos esquecer que Ele repugnou a mecanização pelo qual esses mesmos catedráticos se apresentavam perante Pai… Lucas 18:9-14.
    De fato, a idéia de vivermos sem instituição é utópica e inconcebível, sendo ela a expressão mais clara da representação coletiva, mas temos que ficar como você ressaltou através da frase Gordon MacKenzie, tomando o cuidado para não ser sulgado por ela e, ao mesmo tempo, não se distanciando dela a tal ponto de ficar perdido no espaço.

  19. Thiago Mendanha October 11, 2008

    “Aí vamos ver como o discurso de Frank e as mentes da revolução é no fundo, um encontro com o cristianismo libertário.”

    É preciso evitar as polarizações… se essa corrente “revolucionária” irá desembocar no anarquismo cristão em sua forma violenta, pena!

    Geralmente todas as ações de reformas na igreja resultaram em algum tipo de sectarismo… talvez começando pelo Espírito, mas, terminando pela carne! Os grandes avivamentos também não terminaram puros como começaram…

    …a própria igreja não escapou de tornar-se algo tão avesso à sua origem e propósito! Entretanto, o Corpo místico ou Universal de Cristo nunca deixou de existir… em todos esses eventos históricos da igreja, permaneceram os remanescentes que não venderam a mente, ou a alma à corruptibilidade do poder abonado pela “institucionalização” da comunidade dos crentes “instituída” por Cristo!

    Claro, a igreja é uma instituição… em seu sentido etmologicamente correto! Contudo, não posso negar minha antipatia ao termo “instituição” sobrepondo o termo “comunidade”…

    olhando para trás, vejo a igreja “instituição”(criada por homens por sinall) causando maior estrago ao mundo do que a igreja “comunidade”!

    Deus nos ajude a não irmos tão longe da essência da nossa fé…

    Como diz o Paulo, isso dá pano pra manga! :P Daqui um pouco precisaremos sacar Tito 3.9 e continuar evocando amor dos irmãos!!!

    Que o Espírito nos dê a mente de Cristo…

    Forte abraço Sandro!!!

  20. Marcio Uno October 13, 2008

    Fico feliz por esse debate e troca de idéias sobre esse assunto. Muito bom pensarmos juntos sobre isso. Olha só, aqui estamos sendo uma igreja hein, embora não fisicamente, nem juridicamente. Bom, creio que devemos lembrar que Cristo não veio nunca estabelecer uma igreja (no termo institucional), ele veio trazer o Reino de Deus e daí, nos primeiros séculos, por várias questões, os cristãos se organizaram e a transformaram numa instituição. Aqui não vai meu desmerecimento nisso, muito menos diminuir a ação do Espírito Santo, embora ser um meio em que a comunidade se viu para dar continuidade a mensagem do Reino de Deus. Creio que se estamos travando essa discussão saudável, é porque já se começa a ter indícios de que essa institucionalização poderia não estar respondendo necessidades do nosso tempo. É lógico que não estou generalizando, mas já começa a ter sintomas para tal afirmação.
    Bom, ainda estamos organizados como instituição, acho que ainda é uma das formas de nos organizarmos, porém talvez num futuro distante ou nem tão longe, essa nossa organização seja substituída por outra, embora ainda assim gerar uma nova instituição, porém com novas respostas às necessidades do novo mundo. Não sei o que será do futuro, como seremos enquanto igreja, sei que o corpo de Cristo, que os seguidores da mensagem do Reino ainda estarão de pé, seja de uma forma mais institucionalizada ou não.

  21. Rod October 13, 2008

    Infelizmente as “instituições” transformam pessoas (sem base) em competidores… de dons, ministérios, música, carisma, dizimo, moda e etc.
    Não que a “instituição” se materialize e discipule as pessoas. M as creio que isso acaba sendo em efeito de “aglomerados / conglomerados”.
    Isso pode ser visto claramente em qualquer tipo de instituição (inclusive o casamento).
    Muitas vezes não existe uma “politica institucional”, no sentido de se relacionar com as pessoas. Mas o que acaba se fazendo é política com a instituição, afim de se conseguir favores e alimentar o “self”.
    Eu acredito em igreja instituição tendo por premissa pessoas, como já foi citado. Mas pessoas são complicadas demais.
    Apesar dos pesares, não é a toa que Nietzsche escreveu.:
    “Até Deus tem um inferno: é o seu amor pelos homens”
    _______________________________________________

    Ezequiel Dee Snider
    Eu tenho as letras do NO LONGER MUSIC.

    =)

  22. Paulo Brabo October 23, 2008

    Bom dia, Sandro

    Li seu artigo sobre Instituição no Praxis Cristã e fiquei matutando sobre o quanto pensamos diferente. Tentei mandar este texto por e-mail, mas creio que você não recebeu. Hesitei em comentar aqui porque estou sabendo que, como discordamos, meu comentário já será interpretado como oferta de destempero e de animosidade. A internet tem dessas coisas, a opinião mais distanciada tende a degenerar na discussão mais adolescente; por essa razão os comentários em blogs são outra instituição em que deixei de acreditar .)

    Não quero partir do pressuposto que um de nós está errado e o outro está certo apenas porque discordamos, mas queria deixar com você minhas reflexões. Há pelo menos dois sentidos em que vejo a igreja-instituição como “o grande demônio” da sua parábola.

    A primeira é circunstancial. Vivemos num mundo diferente do mundo pré-moderno em que nasceu o cristianismo e do mundo moderno em que ele chegou até nós. A cosmovisão contemporânea é irrestritamente libertária, no sentido em que simplesmente não fala a linguagem da ordem, dos rituais, dos protocolos e da legislação. Seu arquétipo mais eficaz é a caótica, simultânea, democrática-anárquica e eternamente-transformante internet.

    A igreja-instituição é Satanás quando sugere (e neste momento, sugere meramente por existir) que para ser seguidor de Cristo é preciso (ou pelo menos, adequado) dobrar-se aos mecanismos do ritual, da assiduidade, da legislação, da ortodoxia de palavras. O desafio da relevância da boa nova neste admirável mundo novo (e os primeiros a pressenti-lo, profeticamente, foram Bonhoeffer e Simone Weil) está em demonstrar genuinamente, para quem não está nem aí com instituição alguma, que o Reino existe de forma eficaz (isto é, está próximo) fora das portas.

    O mundo mudou, e da igreja requer-se que encarne nele. A boa nova é que a circuncisão não é necessária, mas a mensagem que a instituição religiosa propaga é, invariavelmente, a oposta.

    Em segundo lugar, sobre a metáfora da bola de pelo: pode ser possível orbitar uma instituição aberta, como um clube, um bar ou uma amizade, sem ser sugado por ela. Porém algumas instituições propõem-se como absolutas, e exigem dedicação completa ou prescrevem a descaracterização; quem não seguir as suas regras torna-se de imediato um proscrito. O casamento é, evidentemente, uma dessas instituições absolutas, pelo que não pode ser meramente “orbitado”. Não se pode ser “marginalmente” casado ou, pelo menos, não é o comportamento que se alinhe com a eficácia do conceito da instituição em primeiro lugar.

    A igreja é (ou, mais propriamente, tornou-se) outra instituição absoluta, pelo que ninguém pode apenas orbitá-la sem ser sugado por ela. Ela (a instituição, não a sua mensagem) irá exigir incessantemente a sua fidelidade; com o tempo você passará a acreditar que apaziguar as apetites formalizantes da igreja é o mesmo do que viver em consonância com Deus — e é precisamente esse tipo de falácia que Jesus denunciava em todo momento.

    Jesus, embora não condenasse com as nossas palavras a instituição, recusou-se consistentemente a absolutizá-la. O sábado (“instituído” por Deus) foi feito para o homem, exigia ele, e não o contrário. Essa mensagem batia (e bate) de frente contra a corrente da instituição. Nesse sentido Jesus foi e permaneceu um judeu marginal, e sua marginalidade representou a sua condenação.

    Há outro motivo pelo qual Jesus não condenou a instituição religiosa do seu tempo; pelo mesmo motivo ele não denunciou “o império romano”, “a política da ocupação”, “os publicanos corruptos”, “os pagãos”. Para ele não existiam abstrações como instituições: para Jesus só existiam pessoas. Ele condenava o tempo todo as cafajestices dos fariseus e doutores da lei, e nisso denunciava os mecanismos e armadilhas da instituição.

    Sobre a idéia de que instituições são coisas necessárias, inócuas em si mesmas ou inevitáveis, só posso concordar com esse último ponto. São inevitáveis. Tudo tende à institucionalização, mesmo as pessoas; com tempo suficiente, podemos nos tornar bolas de pelos de nós mesmos. O Sandro Baggio é sem dúvida uma instituição, bem como o Paulo Brabo, quem quer que sejam na vida real/aos olhos de Deus. Mas essa tendência à institucionalização não é uma coisa boa ou desejável; pelo contrário, ela nos devora, sequestra nossas boas intenções e nos empurra para a estagnação. Passamos a acreditar no rótulo e perdemos todo e qualquer contato com o conteúdo. Passamos a ser uma ideologia ao invés de uma pessoa.

    É por isso que as instituições (e as pessoas) precisam invariavelmente, constantemente, morrer para que algo novo possa nascer. É natural que a coisa nobre, bem-intencionada e sem nome que vier a nascer acabará se institucionalizando, mas exatamente por isso terá a seu tempo que morrer. A casca precisa ser constantemente abandonada, para que sejamos capazes de ver sem impedimento a pérola que está no interior.

    No que me diz respeito ninguém entendeu isso melhor do que o Elienai:

    “Instituir é estabelecer valores acima de nossa inconstância. Instituir é programar o futuro antes que o que aprendemos a amar transforme-se em passado. A forma pactual de se prevenir da nossa instabilidade é normatizar o comportamento de todos. Na institucionalização, diminuímos e enfraquecemos a importância da subjetividade de pessoas livres e a influência das circunstâncias para solidificarmos organismos, materiais ou imateriais, representativos de nossos valores. Aprendemos a amar o Reino de Deus, mas inventamos igrejas para perpetuar nosso amor. Ficamos apaixonados pelo que podemos fazer em defesa de crianças pobres, mas criamos institutos para preservar nossa paixão. Amamos uma pessoa, sonhamos em formar uma família, mas instituímos um casamento para fazer durar nosso amor.

    [. . .] Se a instituição é o invento organizacional da pessoa humana que, ao reagir à sua finitude, acaba por desumanizar-se, institucionalizando a si mesma e às outras pessoas, a confusão, o desencontro, o desgaste, a crise e conseqüente deconstrução de nossas instituições não poderiam ser o invento redentivo de Deus? O Deus que criou a morte para livrar-nos da perpetuação do mal, também não teria garantido a repercussão da morte, gerando confusão e crise em nossas construções para livrar-nos da institucionalização da vida?

    [. . .] Somos finitos pela misericórdia de Deus. Morremos por socorro divino.”

    http://www.baciadasalmas.com/2006/babelismo/

    A bola de pelo precisa ser vomitada, mesmo se sabemos que outra começará a ser formada imediatamente no ventre da vida. As bolas de pelo são a sombra, mas o Gato permanece.

  23. Jota October 23, 2008

    Nossa!!!! Paulo Brabo is rulez

  24. Sandro October 23, 2008

    Decidi postar aqui minha resposta ao Paulo, somente para conhecimento dos que estão acompanhando isso.

    Paulo,

    Obrigado pelo e-mail.

    Desculpe a demora em retornar-lhe.

    Sou leitor de seu blog e desafiado a pensar por muitos de seus textos.

    Ao ler sua opinião sobre instituição, fica claro realmente como nossos pensamentos são diferentes. E confesso que “luto” para entender o que você quer dizer e conciliar isso com o que acredito e busco viver.

    Por exemplo, quando você diz que “a igreja-instituição é Satanás quando sugere (e neste momento, sugere meramente por existir) que para ser seguidor de Cristo é preciso (ou pelo menos adequado) dobrar-se aos mecanismos do ritual, da assiduidade, da legislação, da ortodoxia de palavras”, eu entendo o quanto isso pode ser verdade, mas que também pode não necessariamente ser verdade (e, em minha opinião, uma mera fuga destes “mecanismos” pode levar aqueles que desejam ser seguidores de Cristo a lugar algum).

    Tomemos, por exemplo, a celebração da Ceia (seja como/onde for, forma não é o que me preocupa, é preciso não confundir forma com essência). Se pensarmos em rito mera e simplesmente como uma sequência de atos, seria a Ceia um rito pelo fato de que na sua “instituição” (perdão pela palavra) Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, passou ao redor, e parece ter feito isso “ritualisticamente” (numa sequência de atos)? Se necessariamente for um rito, então foi um rito sugerido pelo próprio Cristo que desejamos seguir. Se não for um rito necessariamente (mas algo que pode se tornar um rito, neste caso, perdendo sua essência) então o precisamos deixar morrer não é a prática ou celebração da Ceia, mas a sua ritualização, sua prática vazia e sem sentido.

    O problema que vejo hoje em dia é que pessoas estão deixando de fazer o que Jesus claramente “instituiu” (iniciou, criou, ordenou) por causa de seus traumas com a instituição. Na tentativa de fugir do envolucro, da estrutura, estão perdendo a essência, o espírito.

    Jesus não é pré-moderno, nem moderno, nem pós-moderno. Ele é transcendente. E, se o ponto todo que desejamos nesta era pós-moderna é ser como Jesus, que então sejamos como Jesus! Ele orava, lia a Palavra (ao ponto de citar dezenas de textos memorizados… oops, parece que essa é uma pratica também banida nos círculos pós-modernos), jejuava, frequentava a sinagoga, participava das celebrações religiosas de seu povo, cumpriu com ritos de passagem, além de servir aos desafortunados das mais diversas formas. Para mim, Jesus era livre. Ele não precisava condenar nem absolutizar nada. Ele apenas vivia. Às vezes dentro, outras fora, da instituição religiosa e cultural de seus dias.

    Minha impressão é que muitos que estão falando sobre seguir Jesus hoje, resumem esse seguir somente ao servir aos pobres e construir um mundo melhor. Mas isso é impossível sem as “demais coisas”. Eu testemunhei essa impossibilidade na ex-URSS em 1990, no sepultamento do regime que pretendia construir um mundo mais justo (e sem Deus).

    Como você mesmo consentiu, instituições são inevitáveis. E não importa o quanto nós a deixemos morrer (e é exatamente isso que devemos fazer quando elas deixam de cumprir o propósito para o qual foram criadas), outras nascerão em seu lugar imediatamente após. Talvez o grande desafio da vida seja esse morrer e renascer contínuo conforme escreveu Elienai.

    Por isso, eu não estou me deixo guiar pelas instituições. Elas não me impedem de viver uma relação com Deus e com o próximo. Elas não são um bicho-papão, um grande demônio, me aterrorizando o tempo todo. Eu sou livre para conviver com elas, por meio delas, ao redor delas, e deixá-las morrer quando elas não fazem mais sentido algum.

    Evidentemente que toda parábola e metáfora são limitadas e não podem ser interpretadas literalmente e em todos os seus detalhes. A da órbita ao redor da bola de pelos não poderia ser diferente. Tem suas limitações como você mesmo apontou na questão do casamento.

    A bola de pelos não é a instituição em si, e sim a institucionalização (a inversão de valores) que acontece com o tempo (muitos pelos). Essa sim precisa ser vomitada (mesmo sabendo que outra ameaça se formar no momento seguinte).

    O que precisamos tomar cuidado é para não vomitar algo mais no processo…

    Um abraço,

    Sandro

  25. Jota October 23, 2008

    Sandro is Rulez!!!!!!

  26. Leslie November 19, 2008

    Independente do tipo de instituição, o começo dela é no ser humano, e especificamente em um ser humano. Então se Cristo mudar realmente o caráter desse ser, a instituição criada ou frequentada por esse ser, há de ser positiva. As incoerências humanas é que são o problema das instituições. O egoísmo, a busca pelo poder, ou qualquer outra das mazelas humanas das quais Cristo quer nos salvar sempre estarão ditando o rumo das instiuições. E mesmo entre as pessoas que possuem conduta ética e moral acima da média, muitas vezes não estão vanguarda da correção de rumos. Taçvez seja um exagero dos autores que você citou que o grande problema esteja realmente na instituição, mas é compreensível que muitas vezes a corrupção dos valores já está tão entranhado na instituição que não se sabe mais quem é quem nesse bolo.
    Se quisermos salvar as instituições temos que primeiro nos salvar de nós mesmos.

  27. Diogo September 30, 2009

    Uma coisa para mim está clara: Quando você dá poderes legais a um pecador, ele poderá te guilhotinar. Isso acontece muito na “igreja institucional” hierarquizada pelo homem, já na “igreja relacional” isso não acontece porque Jesus é o ÚNICO SENHOR e a liberdade de pensar e agir são garantidas por Seu Espírito.
    Só para terem uma idéia:
    Na “igreja institucional” o Estado (Sociedade politicamente organizada) disciplina a Igreja, segundo a vontade do homem.
    Na “igreja relacional” o Espírito de Cristo disciplina a Igreja, segundo a vontade de YHWH.
    Para mim a mistura de Estado e Igreja é Babilônia. Por isso o Espírito diz aos filhos de Deus em Apocalipse 18:4 - Ouvi outra voz do céu dizer: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos sete pecados, e para que não incorras nas suas pragas.
    Conclusão: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

  28. Marco Faria December 11, 2010

    Olá Sandro,

    Muito bom o texto! E muito boa a discussão. Acredito que é nesse embate de idéias que talvez consigamos reescrever, repensar, traduzir ou instituir, para esse nosso momento da história, os valores e pressupostos do Reino.
    Apenas para reafirmar, de fato estamos a todo tempo instituindo coisas. A coisa em si, muitas das vezes, não se qualifica como problema, mas o que faremos com ela nas muitas vezes é que se torna problemática.
    Minha oração é que mais pessoas comprometidas com Deus e com aquilo que Ele tem as desafiado a ser nessa geração possam, sem negociar suas vidas, contribuírem para que o Reino seja efetivo. E o reino começa também com o discernimento / reflexão.

    Abraços!

  29. Leandro Lança February 22, 2011

    Olá Sandro,

    tenho que discordar de você e outros, quando afirmam que qualquer ajuntamento de pessoas configura uma instituição social. Digo instituição social, pois é disto que se trata a igreja e o tema em debate, e não qualquer coisa que se institui. Seu texto abriu o reducionismo da questão e os comentadores acompanharam.

    Escrevi um texto sobre isto para postar aqui, mas creio que ficou grande demais.
    Disponibilizei em meu blog:

    http://leandrolanca.blogspot.com/2011/02/instituicao-e-reino-algumas.html

    Um abraço.

  30. Sandro February 22, 2011

    Oi Leandro, obrigado pelo comentário. Li seu texto e achei bom você ter colocado algumas características de instituições sociais para consideração.
    Seu texto (e alguns outros com os quais me deparei recentemente) me levaram à reflexão e a resposta está ficando tão grande que terei de publicá-la numa nova postagem.
    Um abraço,

  31. Sandro March 21, 2011

    Leo,

    Não consegui mais comentar em seu blog. De qualquer maneira, como voce mesmo disse, temos uma diferença de paradigmas.

    Diria que minha visão sobre instituição é, dentre outras coisas, mais otimista do que as características sobre instituições sociais que você apresenta. Recomendo-lhe, por exemplo, a leitura de On Thinking Institutionally de Hugh Reclo, caso você queira se aprofundar no assunto de uma perspectiva mais otimista.

    Pelo fato de que meu entendimento e visão das instituições humanas ser mais otimista, em meu paradigma é simplesmente impossível ler as Escrituras e não perceber como Deus trabalha através de instituições. Desde a instituição do casamento, a formação da família, a formação de Israel como nação, a formação do culto, do sacerdócio e do ofício profético, a Bíblia está repleta de exemplos de como Deus trabalha por meio de instituições. Elas são instrumentos que Deus usa para transmissão de valores, costumes, práticas, crenças, etc. O Deus que encontro na Bíblia não é anti-institucional.

    Em seu paradigma, você enxerga Jesus e o Reino como contrários às características das instituições sociais que você descreveu. Eu não enxergo assim. Para não tornar este comentário longo demais quero dar-lhe apenas um exemplo de como não vejo tal contradição.

    Na questão da hierarquia, você a aponta como sendo típico de instituições e, consequentemente, incompatível com o ethos de Jesus e Seu Reino. 

Minha visão é que todos os nossos relacionamentos devem ser espelhados no Deus que é Trino. Deus é uma comunidade de três pessoas. São iguais. Mas se olharmos para Jesus como Revelação de Deus, é óbvio que há uma relação “hierárquica” entre Pai e Filho. Basta uma leitura dos Evangelhos para perceber quantas vezes o Filho se coloca como submisso e obediente ao Pai, como estando debaixo do Pai, como seguindo o Pai.


    Semelhantemente, quando Jesus diz que quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos, Ele não disse que não deveria haver um “primeiro”. O que Ele disse é este deveria servir aos demais. Ser o primeiro – ser pai ou mãe, mestre, patrão ou líder – não é ir contra a vontade de Deus nos relacionamentos humanos. O que é contra a vontade de Deus é usar da função de ser o primeiro para manipular, oprimir, explorar o próximo. Note que o próprio Jesus é o primeiro na relação com seus seguidores. Como poderia Ele ir contra algo que Ele mesmo modela em sua vida e ministério? 



    Portanto, não enxergo contradição alguma entre o ensino de Jesus e uma hierarquia qualquer nos relacionamentos (e instituições sociais existem simplesmente porque existem pessoas que se relacionam umas com as outras de diferentes modos).
 


    Meu relacionamento com meus filhos é tanto hierárquico como de amor. Uma coisa não necessariamente contradiz a outra. Hierarquia não diz nada a respeito de importância, mas sim de funções. Estranho seria em qualquer sociedade, exceto quiçá no mundo pós-moderno, meus filhos querendo inverter a ordem natural ou desprezá-lo por completo. 



    Paulo entendia a ordem dos relacionamentos e fala claramente de relacionamentos hierárquicos em sua epistola aos Efésios. Para Paulo, tais relacionamentos não eram contraditórios aos ensinamentos de Jesus.

    Ou seja, de fato, temos paradigmas completamente diferentes quanto a este assunto. Mas como disse o antropólogo Victor Turner em The Ritual Process, a vida social e religiosa segue através da dialética da estrutura e anti-estrutura. Para Turner, ambos são essenciais, um para continuidade, ordem e responsabilidade e o outro para significado, paixão e crítica. 

Tenho procurado aprender a conviver com esta tensão dialética em busca de um Cristianismo saudável.

    Um abraço,

    Sandro

  32. [...] aqui sobre o relacionamento entre igreja e instituição. Creio que os principais textos são Minha Teoria Sobre Instituição e Fitafuso e o Cristianismo Pagão. Não considero a instituição como, por natureza, inimiga [...]

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