“20 anos se passaram e a verdade não mudou!”, disse o Glenn Kaiser em 1991, no show de celebração de 20 anos de discipulado, formação da Resurrection Band e seu casamento com a Wendy. Eu me lembrei desta frase ao pensar que esta semana completa 20 anos desde que fui ordenado ao ministério em uma convenção denominacional na cidade de Guará-SP. Foi também naquela convenção que iniciei o relacionamento com a Mara, minha esposa.
Ser pastor não foi algo que busquei. Para mim foi uma resposta a uma “visão celestial”, ao senso de um chamado. Sabendo que não posso fugir do chamado (não desejo terminar como Jonas), meu maior desejo é agradar Aquele que chamou. Um de meus versos favoritos nas escrituras se encontra em Atos 20: “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.” Por isso, guardo em minha mente o que o deão do seminário, repetindo as palavras de Paulo, nos exortou no culto de formatura: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20.28).
Quem me conhece sabe que não vivo por títulos. Raramente coloco as iniciais “Pr” na frente do meu nome. O “rev” do e-mail e do blog não passa de uma brincadeira. Apesar de ter um profundo respeito pela resposta que o Padre Marcelo deu a uma jornalista sobre o porquê ele insistia que as pessoas o chamassem de “Padre”, eu não sinto essa necessidade e até prefiro ser tratado pelo meu nome. Em minha vivência nestes 20 anos tenho percebido que muitas pessoas reconhecem a vocação de Deus em minha vida sem a necessidade de me chamar de “pastor” (e só posso “ser pastor” daqueles que reconhecem essa vocação, de qualquer modo). Por isso tudo e mais um pouco, o título não é importante para mim.
Mas seria falsa humildade dizer que não aprecio o fato de que um dia, de joelhos naquele chão poerento de um ginásio de esportes, um grupo de anciãos, reconhecendo essa vocação de Deus, impuseram suas mãos sobre mim e ofereceram minha vida para o serviço do Reino. Busco não me esquecer das palavras de Paulo ao jovem pastor Timóteo: “Não negligencie o dom que lhe foi dado por mensagem profética com imposição de mãos dos presbíteros” (1 Tm. 4.13).
Li outro dia algo que um pastor mais velho disse a Alberto Barrientos (Trabalho Pastoral, Editora Cristã Unida, 1991) no início de seu ministério pastoral, em 1954: “Cachorro novo late correndo; cachorro velho late sentado.” Ao olhar para trás nestes 20 anos, creio que o tempo tem me ensinado que às vezes é necessário “latir” correndo e outras vezes, sentado.