Arquivos para o mês de: October, 2008

Visitando os stands e bancas de livros no V CBM acabei comprando dois livros que já possuo (!?): Simplesmente Cristão do N.T. Wright e Servos Entre os Pobres do Viv Grigg (ambos publicados pela Ultimato). O livro de N.T.Wright eu li no ano passado e comprei apenas para ter a edição em português também. E tenho uma edição bem velha e gasta do livro de Viv Grigg, publicada na década de 1980, que comprei numa conferência da OM (Operação Mobilização) então aproveitei o desconto para comprar essa nova edição.
Relendo trechos do livro de Grigg pensei numa conversa que tive recentemente com uma pessoa sobre como temos a tendência de polarizar e, consequentemente, julgar as pessoas que não estão fazendo as coisas que nós temos paixão por fazer. Para quem não conhece nada do Viv Grigg, ele é um neozelandês que adotou uma vida de pobreza voluntária e mudou-se para uma favela em Manila, nas Filipinas, para conviver com os pobres que lá viviam na década de 1970 (ele é um pouco de Shane Claiborne 30 anos antes) e compartilhar com eles o amor de Deus. Grigg foi o primeiro “evangélico” que eu ouvi falar em termos de “ministério encarnacional” entre os pobres.
Por mais que eu admire o trabalho e exemplo dele, não posso pensar que todo seguidor de Cristo tenha que fazer voto de pobreza voluntária e mudar-se para as favelas para “alcançar” as pessoas que moram lá. Mas freqüentemente encontro pessoas que sentem-se desafiadas (chamadas?) para um ministério assim julgando o restante do Corpo como frio, sem amor e sem compromisso com os pobres. O orgulho espiritual é a maior tentação que essas pessoas enfrentam (e muitas caem nele facilmente).
De modo semelhante, não seria sensato pensar que todo discípulo comprometido com a Causa de Cristo tenha que ir para o Mundo Islâmico, apesar de que este represente hoje o maior desafio para a evangelização do mundo e conta com menos de 1% da força missionária. Uma pessoa com paixão por comunicar o amor de Deus no mundo islâmico pode olhar para todos aqueles que não possuem a mesma paixão e, erroneamente, pensar que eles não têm compromisso com a Grande Comissão. Já encontrei pessoas literalmente amarguradas com a Igreja porque elas não conseguem entender como tão poucos estão se mudando para o mundo islâmico a fim de ajudar os muçulmanos a encontrarem em Cristo o amor do Pai.
E nós podemos continuar nesse raciocínio em relação a muitas áreas vocacionais ou ministeriais. Percebo que quando uma pessoa, grupo ou igreja abraça uma causa, é fácil cair na tentação de julgar os outros que não “abraçaram” a mesma causa como sendo menos espirituais ou descompromissados (e na maioria das vezes, esse “abraçar” significa mergulhar de cabeça e não simplesmente oferecer uma palavra de apoio ou intercessão). Mas ao mesmo tempo em que estão julgando, com certeza estão sendo julgados também, pelo simples fato de que há mais causas do que apenas uma pessoa, grupo ou igreja poderá abraçar. O desafio é entender que a graça de Deus se manifesta e é distribuída livremente no Corpo segundo a vontade do Espírito. Dom (charismata) é graça em ação (literalmente “efeito da graça”). Ou seja, não é algo que eu mereça ou deva me orgulhar a respeito. Somente quando penso “mais ao meu respeito do que devo pensar” é que fico me comparando com os outros ou julgando-lhes como menos espirituais por não fazerem as coisas que eu faço. Esse tipo de atitude vai na contra-mão do espírito de Cristo.
É evidente que todos fomos chamados a amar, a compartilhar Cristo, a interceder, a exercer misericórdia, a ter fé, etc. Usando o exemplo do ministério (serviço) aos pobres, todos somos chamados para compartilhar do amor de Deus com eles de forma prática sempre tivermos a oportunidade de fazê-lo – mas nem todos são chamados para uma vida de pobreza voluntária.
Somente quando somos maduros o suficiente para entender isso é que podemos viver o que Paulo disse: “Cada um permaneça na vocação com a qual foi chamado” (1 Cor. 6.20) e, em vez de julgar e criar divisões, passarmos a apoiar (respeitando a vocação uns aos outros) e celebrar a diversidade de dons e ministérios no Corpo de Cristo.

Madre Teresa

No início do ano li o livro Mother Teresa: Come Be My Light do padre Brian Kolodiejchuk que contêm correspondências privadas da Madre Teresa. O mesmo foi publicado recentemente pela Thomas Nelson Brasil sob o título Madre Teresa Venha, Seja Minha Luz. O título refere-se ao chamado que Madre Teresa abraçou como sendo do próprio Senhor Jesus, para que ela fosse uma luz nos locais de trevas (ainda que ela mesmo tenha se sentido em trevas muitas vezes). Bom, pensando na Madre, selecionei algumas de suas frases famosas para nossa reflexão:

Seja fiel nas pequenas coisas porque sua força se encontra nelas.

Eu não oro por sucesso, peço apenas fidelidade.

Nesta vida não podemos fazer grandes coisas. Podemos fazer somente pequenas coisas com grande amor.

Não é a magnitude de nossas ações, mas quanto amor depositamos nelas, que importa.

Não pense que o amor, para ser genuíno, tem que ser extraordinário. O que precisamos é amar sem nos cansarmos.

Se você julga as pessoas, você não tem tempo para amá-las.

Jesus disse para amar uns aos outros. Ele não disse para amar o mundo todo.

Amor começa cuidando dos mais próximos – dos de casa.

O milagre não é fazermos essa obra, mas que somos felizes ao fazê-la.

Nós mesmos sentimos que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor sem ela.

O Hudson disponibilizou mais um podcast P242, onde continuamos conversando sobre o tema inclusão digital e falamos sobre livros, música e filmes que temos assistido. Neste episódio eu falo um pouco sobre A Cabana (ainda estava lendo o livro quando gravamos). Todos os episódios podem ser baixados no blog do Hudson, Poesia no Caos.