Arquivos para o mês de: November, 2008

KG

“To obey is better than sacrifice
I don’t need your money, I want your life!
And I hear you say that I’m coming back soon,
but you act like I’ll never return…”

- Keith Green, letra completa aqui.

(Obedecer é melhor do que sacrificar, não preciso de seu dinheiro, quero sua vida! Ouço você dizer que eu estou voltando em breve, mas você age como se eu nunca voltarei…).

A obediência é o primeiro passo em direção a seguir a Cristo. Talvez por isso seja o mais difícil de dar. Não gostamos de obedecer, queremos mandar, queremos impressionar, queremos nos sentir no controle. Obedecer significa nos sujeitar, significa deixar a vontade de Cristo prevalecer sobre a nossa. Seguir Jesus significa seguir aquele que se humilhou e foi obediente até a morte (Filipenses 2.8). De fato, o texto da carta aos Hebreus diz que, como Filho, Ele aprendeu a obediência (Hebreus 5.8). Ou seja, é preciso se humilhar para obedecer e a obediência é uma característica de quem se reconhece como filho.
Para mim, o grande teste da humidade que se manifesta por meio da obediência é quando, no processo de obedecer a Cristo, tenho que me submeter as outras pessoas (principalmente àquelas que sou tentando a considerar como inferiores a mim). Tenho percebido que, a menos que eu aprenda a considerar os outros superiores a mim mesmo, não terei condições de ter a atitude de Cristo descrita em Filipenses 2. Se Cristo aparecesse diante de mim encarnado ou (melhor ainda) transfigurado, seria muito mais fácil obedecer-Lo. O difícil é enxergar Cristo no meu próximo e obedecer a Cristo no relacionamento com meu próximo. Eu posso dizer: “Eu não tenho problemas em obedecer a Cristo! Meu problema é obedecer aos homens.” Mas então encontro muitas exortações no Novo Testamento me apontando que minha obediência a Cristo – ao espírito de Cristo – muitas vezes é provada por minha obediência a pessoas com as quais me relaciono. Realmente, obedecer não é nada fácil; é bem mais fácil ofertar.
Acontece que  só nos tornamos seguidores de Cristo se estivermos dispostos a obedecê-Lo. E só continuamos na trilha do discipulado se permanecermos obedecendo-O. A Grande Comissão diz: “Façam discípulos, ensinando-os a obedecer todas as coisas que eu lhes ordei…” Belas palavras, boas intenções, sonhos de revolucionar o mundo e salvar vidas não significam nada se não forem acompanhados da obediência ao que Cristo nos mandou. “Quem me ama”, disse Ele, “obedece os meus mandamentos.
Estava lendo trechos do livro A Biblioteca de C.S.Lewis (Editora Mundo Cristão) e encontrei o parágrafo abaixo escrito por George MacDonald:

Adiar obedecer-lhe até encontrarmos uma teoria plausível a seu respeito é pôr de lado o remédio que sabiamente devemos tomar substituindo-o pelo estudo das várias escolas de medicina. Você sabe que aquilo que Cristo exige de você está certo – pelo menos grande parte de você julga certo, e seu dever é pô-lo me prática, tenha ele dito ou não Faça isto. Se você não puser em prática o que você conhece da verdade, não me admira que o busque intelectualmente, pois esse tipo de pesquisa pode muito bem ser, como representa Milton, um consolo até para os anjos decaídos. Mas não chame nada que se possa ganhar com isso de A Verdade. Como pode você, que não se preocupa em ser sincero, julgar a respeito daquele cuja vida foi praticar, exatamente por amor, as coisas que você confessa serem seu dever, mas não as pratica? Eu lhe digo: obedeça a verdade e deixe a teoria esperando. Da vida pode surgir a teoria, mas nunca da teoria a vida.

Falou e disse!

Augustus Nicodemus

Apesar de já ser “notícia velha”, quero apenas reforçar aqui caso alguém não tenha visto. O Augustus Nicodemus, um dos escritores do blog O Tempora, O Mores!, teve uma série de reflexões suas sobre o movimento evangélico brasileiro públicadas pela editora Mundo Cristão sob o título de O Que Estão Fazendo Com A Igreja.  Boa reflexão para os tempos pós-modernos.
Abaixo está o trecho de uma entrevista em que ele fala sobre as “novas” tendências teológicas vistas em alguns círculos do diálogo emergente:

Não se pode pensar em reforço da igreja quando instituições de ensino teológico, teólogos e pastores adotam a mesma teologia e os mesmos métodos liberais de interpretação da Bíblia que fecharam as igrejas da Europa. Se fecharam as igrejas da Europa, o que os faz pensar que não farão o mesmo aqui? Além disso, passando para o campo neo-pentecostal (já que liberais nunca fizeram a igreja crescer mesmo), lembro que expansão não é necessariamente sinal de saúde e vitalidade espiritual. Existe crescimento e inchaço. O primeiro é fruto da pregação, ensino e divulgação das verdades bíblicas. É aquele crescimento encontrado no livro de Atos, onde é freqüentemente igualado ao crescimento da Palavra (Atos 6:7; 12:24; 19:20). É o aumento da igreja mediante a conversão genuína de pessoas que acolheram a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador, tendo reconhecido seu próprio estado de perdição e culpa. Já o inchaço, é um acréscimo de pessoas que vieram às igrejas por outros motivos, como receber uma bênção material, serem curadas, ter um emprego, resolver um problema amoroso, acabar com o azar na vida delas, serem libertas, etc. Multidões assim lotam as igrejas evangélicas todos os dias. Todavia, quase nunca são confrontadas com seu estado de pecado e rebelião contra Deus, quase nunca ouvem falar da necessidade de arrependimento e mudança de vida para terem a vida eterna, e raramente ouvem que a salvação e o perdão de pecados é pela graça, mediante a fé, sem as obras da lei e sem quaisquer outros sacrifícios. O que se tem hoje é uma religião das obras, dos sacrifícios, onde a graça é esquecida.

A entrevista completa com o Augustus Nicodemus se encontra aqui.

No início da década de 1990 uma dupla careca britânica chamada Right Said Fred fez sucesso mundial com uma música que dizia assim: “I’m too sexy for your love, too sexy for my shirt, too sexy for your party, too sexy for my car, too sexy for my cat…”
Às vezes, observando a atitude de certas pessoas (e minha própria atitude), parece que estou ouvindo ecos daquela música. É aquele tipo de atitude que diz: “Eu sou bom demais para fazer isso, sou bom demais para frequentar essa igreja ou grupo, sou bom demais para servir naquele ministério, sou bom demais para frequentar aquele estudo bíblico ou culto de oração, sou bom demais para me relacionar com aquelas pessoas, sou bom demais para…”
Meu amigo David Pierce costuma contar a história de quando ele era missionário em Amsterdam e tinha que fazer evangelismo ao ar livre com uma equipe que ficava nas pontes sobre os canais da cidade cantando o que ele considerava stupid songs para transeuntes completamente apáticos. Ele achava tudo aquilo ridículo demais e detestava fazer parte daquela equipe. Mais tarde porém, ele percebeu que Deus estava tentando trabalhar em seu coração, pois sua atitude era arrogante (era too sexy) e ele precisava aprender a ser humilde e estar disposto a se humilhar quando necessário para ser usado verdadeiramente por Deus. O problema, como ele reconhece hoje, é que o arrogante quase nunca reconhece que é arrogante até que Deus faça algo dramático para despedaçar sua imagem too sexy.
Em Apocalipse 3 encontramos um grupo de pessoas que se considerava too sexy – os crentes em Laodicéia. Eles se achavam bons demais até que receberam um carta ditada pelo próprio Senhor Jesus dizendo que, na verdade, eles não passavam de miseráveis, desgraçados, estavam cegos e nus.
Será que o mesmo não poderia ser dito de muitos de nós hoje em dia? Enquanto ficamos criticando e julgando a Igreja de longe, nos achando melhores do que Ela para fazer parte dela, tentando tirar-Lhe os ciscos quando temos verdadeiras toras em nossos próprios olhos? Ou quando cedemos a tentação de tentar tornar a Igreja (Noiva) mais sexy na esperança de ajudá-la a atrair o mundo?
Derek Webb tem uma música em seu CD She Must and Will Go Free que diz:
“A verdade nunca é sexy
Ela não se vende facilmente
Você pode vesti-la com a cultura
Que ela irá chocar as pessoas do mesmo modo
Ela não precisa de desculpas por ser quem ela é
Ela não precisa de sua ajuda para fazer inimigos…”

Nossa atitude too sexy não ajuda em absolutamente nada a Causa de Cristo. O Reino pertence aos pobres de espírito, aos humildes. Somente podemos ser úteis a Causa quando reconhecemos que nada somos, que nossa auto-justiça fede, que todo dom e talento é fruto da Graça e Bondade de Deus. O caminho da revolução parte da Cruz e conduz à Cruz.  A Igreja é a comunidade do Crucificado e daqueles que carregam a cruz diariamente. Os que são too sexy sempre irão encontrar em Cristo e Sua Noiva uma pedra de tropeço. Que Deus nos ajude a nos despir de nossa atitude too sexy e nos revistir do Espírito de Cristo que é manso e humilde de coração.