Hans Küng se tornou um dos meus teólogos favoritos nos últimos 5 anos. Abaixo estão algumas citações de seu livro sobre a história da Igreja Católica (possivelmente o melhor texto já escrito sobre a Igreja de Roma do ponto de vista de um insider).

…ser cristão significava em princípio estar pronto para martyrein, para “ser testemunha” da crença cristã – dispondo-se a ser discriminado, sofrer, ser torturado e, na verdade, a morrer… Assim, a palavra mártir significava ser testemunha com o próprio sangue; confessor era o nome dado àqueles que sobreviviam bravamente à perseguição. O cristão devia suportar o destino final do martírio, mas não procurar esse destino.
De acordo com as origens hebraicas, a verdade do cristianismo não era para ser vista, nem teorizada; antes, era para ser praticada. Assim, no evangelho de João, Jesus Cristo é chamado de “o caminho, a verdade e a vida” (14,6). O conceito cristão de verdade originalmente não era contemplativo e teórico como o conceito grego, mas sim operativo e prático.
O que deve ser mais importante para um movimento religioso do que qualquer instituição ou constituição é seu poder espiritual e moral, e nos primeiros séculos da igreja isso não faltava.

- Hans Küng em Igreja Católica, 2002, Objetiva.