Immaculée

Terminei hoje a leitura do livro Sobrevivi Para Contar, a história emocionante de Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do genocídio em Ruanda em 1994. Confesso que chorei em alguns momentos da leitura, algo que não fiz ao ver Hotel Ruanda e Tiros em Ruanda (dois filmes que retratam a matança de quase 1 milhão de tutsis em 100 dias). É difícil entender o ódio que levou pessoas comuns a pegarem um facão e saírem à caça de outros seres humanos (muitas vezes seus próprios vizinhos e amigos de infância) para matá-los como se fossem insetos que precisassem ser exterminados (os hútus se referiam aos tutsis como “baratas” – estavam apenas matando baratas). Immaculée sobreviveu escondida por 91 dias num minúsculo banheiro da casa de um pastor hútu juntamente com outras 7 mulheres. Ela pesava 52 kg quando os confrontos estouraram e 29 kg quando finalmente pode sair do esconderijo e buscar refúgio no acampamento francês da ONU. O mais impressionante é que, apesar de ter perdido seus pais, dois irmãos e a maior parte de seus amigos no genocídio, Immaculée não perdeu sua fé em Deus. De fato, foi essa fé que a manteve viva e que deu-lhe condições de enxergar um futuro de reconciliação em vez de amargura,  ódio e vingança. Abaixo está um parágrado do livro que me chamou a atenção enquanto lia:

Estava certa de que Deus me reservava um propósito, e orava diariamente para que Ele me revelasse qual era. De início, imaginei que Ele me revelaria, de uma única vez, todo meu futuro – talvez em meio a relâmpagos e trovoadas, para que a cena fosse mais dramática. Aprendi, no entanto, que Deus jamais nos revela o que ainda não estamos prontos para entender, revela-nos aquilo que precisamos nos seja revelado, e quando chega a hora certa. Espera que nossos olhos e corações se tenham aberto para Ele, e então, quando estivermos preparados, nossos pés serão colocados no início do caminho que Ele considera o melhor para nós… Mas a nós competirá caminhar.

- Immaculée Ilibagiza em Sobrevivi Para Contar, Editora Fontanar, p. 126