2008
Viciados em Mediocridade

Eu estava no seminário em 1987 devorando tudo do filósofo cristão Francis Schaeffer, quando ouvi falar de um livro escrito pelo seu filho Franky sobre cristianismo e artes. O título do livro Addicted to Mediocrity me deixou ainda mais interessado na leitura. Decidi apelar para um americano e pedi que ele me trouxesse o livro quando retornasse de uma viagem aos EUA. Me lembro da sensação de felicidade ao recebê-lo, do impacto da capa e das figuras no interior e, finalmente, do seu texto bombástico. Fico feliz que este texto esteja finalmente disponível na língua portuguesa e espero que ele faça para os leitores de hoje o que fez por mim há 20 anos. Abaixo, um dos meus trechos favoritos do livro de Frank Schaeffer:
A vida cristã não é uma combinação de posturas teológicas marcadas pela culpa, reacionárias, panfletárias e displicentes. A vida cristã é repleta apreciação por Deus, pelos que estão ao nosso redor (salvos ou não) e seus talentos. A vida cristã exibe uma apreciação profunda por tudo aquilo que Deus criou, um anseio crescente de compreender e de desfrutar daquilo que nos cerca, e o desejo de se posicionar ao lado daqueles princípios de vida, beleza, verdade, prazer e justiça que nos são dados tão claramente na Bíblia.
Que cada um de nós possa, em sua área de atuação, aplicar a ampla e maravilhosa verdade do cristianismo àquilo que estamos fazendo, e que não nos tornemos meramente “úteis à causa”.
Que possamos ter a coragem de rejeitar e abandonar a mediocridade da igreja na atualidade e ficarmos sós, se necessário for.
Que possamos nos posicionar em favor da vida, da arte, do amor, da família, das crianças e da compaixão.
Que possamos viver a vida mais rica que nos é oferecida por meio de Cristo. Que o nosso cristianismo seja uma experiência libertadora, não um fardo ideológico. Que possamos experimentar a liberdade em relação aos sentimentos de culpa, uma disposição de assumir riscos, cometer erros mas, acima de tudo, viver com integridade a vida que Deus nos deu.
A vida cristã não nos chama a negarmos nossa natureza. A vida cristã não nos chama a negar a natureza criativa do próprio Deus. Devemos negar o pecado. De fato, devemos lutar contra o mal a todo instante. Mas devemos em todo o tempo afirmar a vida e a bondade!
Os cristãos afirmam ter grande interesse pela vida após a morte. É tempo de começarmos a mostrar algum interesse pela vida antes da morte.
Você está preparado?
(do livro Viciados em Mediocridade, Frank C. Schaeffer, W4 Editora)
Boa parte do que o Projeto 242 tem tentado viver e praticar é, em grande parte, fruto da influência que livros como este tiveram sobre minha vida e de outros que caminham ao meu lado nesta trilha do discipulado de Jesus. É evidente que como comunidade estamos anos-luz de nosso alvo, mas com a Graça prosseguiremos perseguindo-o até o dia final.
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Comments (13 Responses)
Excelente livro cara!!
Já adquiri o meu e já lí…
Também recomendo!
Abraço
Sandro,
Quero um dia desses visitar o P242, mas tenho 3 filhos (6, 3 e 2 anos)… como vcs fazem? deixam os caras em casa, ou levam as crianças junto?
Um abraço,
Andre.
Baggio…
Bom conhecer seu blog e sua pessoa (mesmo q “networkamente”)..
Só queria saber, para aliviar minha mente, se vc concorda com:
1) “…ficar sozinho se necessário”;
2) “Que possamos experimentar a liberdade em relação aos sentimentos de culpa, uma disposição de assumir riscos, cometer erros mas, acima de tudo, viver com integridade a vida que Deus nos deu. A vida cristã não nos chama a negarmos nossa natureza.”
Rafael
vc leu Igreja Orgânica? Gostou? Como é o grupo q vc congrega?? (reponder para linusvanpelty@gmail.com, por favor)
Rafa
Rafael, a disposição de ficar sozinho se necessário é o alto preço a ser pago quando enfrentamos a mediocridade. Evidentemente não é um encorajamento para se desvincular de tudo e viver como um lobo solitário da fé (eu não acredito neste tipo e você pode ler isso em outros posts). Sobre o número “2″, concordo plenamente com o que está escrito. Não somos chamados para viver sob o peso da culpa (visto que já não resta nenhuma condenação para os que estão em Cristo). Tampouco somos chamados para negar nossa natureza humana, pretendendo viver como seres sobre-humanos. Como disse Bonhoeffer, ser cristão é ser humano. Abs.
cara que palavra, fui muito edificado…
é tao raro encontrarmos pessoas dentro das igrejas que reconheçam que sao humanas, e que estao sujeitas a pecar, muitos so reconhecem isso quando querem usa-lo como disculpa por algum erro (eu tbm erro sou humano…). abraços
Sandro, te mandei um email num email do uol que eu tinha aqui.
se tiver um tempinho pra responder te agradeço muito!
se nao for mais esse email do uol, por favor, me mande o atual.
um grande abraço
alem de mts outras coisas e pessoas 3 livros ja me ajudaram mto “musica crista conteporanea”, “a morte da razao” e “cristianismo criativo?”
esse lancamento eu tenho esperado q acontecesse a algum tempo, ja estou atras do meu!! heehe
valeu
abs
Sandro,
Na próxima sexta (28/11) será o último dos 4 debates promovidos pela W4 Editora, que lançou a versão em português. Será no auditório da Livraria Cultura do Shopping Market Place, às 19h.
Nós, da zOnA dA RefOrmA, colocamos alguns trechos dos dois primeiros dias no blog: http://zonadareforma.blogspot.com
Quanto ao livro… É fantástico e deveria ser mais explorado/debatido em grupos de discussão.
Abraço!
Parafraseando o Sr. Zeh… “que eu possa puramente humano para que o divino possa ser puramente divino”…
Que o nosso cristianismo seja uma experiência libertadora,
não um fardo ideológico. ‘
nossa, gostei pra caramba!
vou ver se arrumo o livro =]
um abraço
o que é o projeto 242??
Entrei bastante em conflito com o autor quando li o livro, por que acho que ele vai bastante ao extremo, chegando a usar termos que escandalizam.. mas se ele não fosse tão objetivo em suas palavras não causaria tanto impacto.. seriam somente mais meras palavras..
Após páginas detonando a igreja contemporânea pela omissão nos campos das artes, Frank aconselha ao máxima a produção e criação, caindo no mesmo princípio do capitalismo “Produza, produza, produza! Crie, crie, crie! Trabalhe, trabalhe, trabalhe!” pág.72
A igreja contemporânea precisa de despertar, em muitos campos, incluindo o das artes. No entanto tomando muito cuidado para não deixar se levar pela pressão capitalista e acabarmos caindo em criar e produzir para vender e lucrar.. devemos sim, criar e produzir por prazer, pq fomos feitos seres criativos. E louvamos a Deus com nossas criações.
Thaynara,
Acredito q o “produza, produza, produza” esteja mais no sentido de qto mais vc produzir mais vai lapidar seu talento, e menos no sentido capitalista, a pratica é a unica maneira do artista levar sua arte para um novo nivel, infelizmente na sociedade como um todo e mais ainda na igreja se pensa no criacao como um momento de extase e numa conclusao de trabalho fantastico por meio desse extase, na verdade isso é uma grande mentira, crescer em sua arte só é possivel se vc “produzir, produzir, produzir”…
abs
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