No início da década de 1990 uma dupla careca britânica chamada Right Said Fred fez sucesso mundial com uma música que dizia assim: “I’m too sexy for your love, too sexy for my shirt, too sexy for your party, too sexy for my car, too sexy for my cat…”
Às vezes, observando a atitude de certas pessoas (e minha própria atitude), parece que estou ouvindo ecos daquela música. É aquele tipo de atitude que diz: “Eu sou bom demais para fazer isso, sou bom demais para frequentar essa igreja ou grupo, sou bom demais para servir naquele ministério, sou bom demais para frequentar aquele estudo bíblico ou culto de oração, sou bom demais para me relacionar com aquelas pessoas, sou bom demais para…”
Meu amigo David Pierce costuma contar a história de quando ele era missionário em Amsterdam e tinha que fazer evangelismo ao ar livre com uma equipe que ficava nas pontes sobre os canais da cidade cantando o que ele considerava stupid songs para transeuntes completamente apáticos. Ele achava tudo aquilo ridículo demais e detestava fazer parte daquela equipe. Mais tarde porém, ele percebeu que Deus estava tentando trabalhar em seu coração, pois sua atitude era arrogante (era too sexy) e ele precisava aprender a ser humilde e estar disposto a se humilhar quando necessário para ser usado verdadeiramente por Deus. O problema, como ele reconhece hoje, é que o arrogante quase nunca reconhece que é arrogante até que Deus faça algo dramático para despedaçar sua imagem too sexy.
Em Apocalipse 3 encontramos um grupo de pessoas que se considerava too sexy – os crentes em Laodicéia. Eles se achavam bons demais até que receberam um carta ditada pelo próprio Senhor Jesus dizendo que, na verdade, eles não passavam de miseráveis, desgraçados, estavam cegos e nus.
Será que o mesmo não poderia ser dito de muitos de nós hoje em dia? Enquanto ficamos criticando e julgando a Igreja de longe, nos achando melhores do que Ela para fazer parte dela, tentando tirar-Lhe os ciscos quando temos verdadeiras toras em nossos próprios olhos? Ou quando cedemos a tentação de tentar tornar a Igreja (Noiva) mais sexy na esperança de ajudá-la a atrair o mundo?
Derek Webb tem uma música em seu CD She Must and Will Go Free que diz:
“A verdade nunca é sexy
Ela não se vende facilmente
Você pode vesti-la com a cultura
Que ela irá chocar as pessoas do mesmo modo
Ela não precisa de desculpas por ser quem ela é
Ela não precisa de sua ajuda para fazer inimigos…”
Nossa atitude too sexy não ajuda em absolutamente nada a Causa de Cristo. O Reino pertence aos pobres de espírito, aos humildes. Somente podemos ser úteis a Causa quando reconhecemos que nada somos, que nossa auto-justiça fede, que todo dom e talento é fruto da Graça e Bondade de Deus. O caminho da revolução parte da Cruz e conduz à Cruz. A Igreja é a comunidade do Crucificado e daqueles que carregam a cruz diariamente. Os que são too sexy sempre irão encontrar em Cristo e Sua Noiva uma pedra de tropeço. Que Deus nos ajude a nos despir de nossa atitude too sexy e nos revistir do Espírito de Cristo que é manso e humilde de coração.
Acho que a arrogância já comeca quando achamos que somos melhores que aqueles não conhecem a Cristo, quando achamos que sabemos mais da palavra que outra pessoa, ou que o lugar onde congregamos é melhor, e que só ali há o mover do Espírito. Todos tivemos nosso momento too sexy
Texto perfeito e completado pelo Roz (que comentou logo antes de mim)… quantas vezes discutimos, brigamos pq achamos que nossa igreja é melhor que a do outro?? Nossa igreja é too sexy para assistir uma pregação de um pastor ou padre que não é de minha religião….
Eu tb sou assim mtas vezes… mas tento me policiar… acredito que podemos sempre crescer com o que o outro é…
Sou católica, mas amooooo musicas evangélicas… adoro alguns textos espiritas… acho que podemos crescer cada vez mais desde que descubramos que não somos maior e nem melhor que ngm!
sem mais
Mari
“…Ela não precisa de sua ajuda para fazer inimigos…”
mtas vezes colocamos roupas na verdade para ela parecer menos dura..
mas o fato eh q a verdade eh dura, simples e sem frescura….
mtas vezes queremos q o cristianismo se adapte ao mundo…mas sao as pessoas e o mundo q tem q se adaptar ao cristianismo.
temos q buscar a verdade, para nao cairmos numa fé jogada onde tudo eh relativo…porq quem se esconde no tudo relativo tem medo de encarar a verdade….e a verdade nos muda de dentro para fora.
otimo texto…ele nos lembra a musica do Daft Punk que diz “Somos Humanos, apesar de tudo”… pq mtas vezes pensamos q nós somos as roupas ou o cargo q temos.
A situação do seu amigo David Pierce me lembrou Jonas… a história toda dele, muito mais do que o grande poder de Deus agindo através de Jonas para a conversão de Níneve, parece ser o grande poder de Deus convertendo Jonas de sua arrogância. Jonas chega acusar Deus de ser misericordioso!
E a paciência, bondade e misericórdia de Deus persegue ensinando Jonas até as últimas linhas do que foi revelado.
Usando uma expressão americana, já que você fala em “too sexy”, Lutero dizia que o Default do coração humano é tentar comprar Deus com nossas obras, com o que fazemos. Via de regra caímos na tentação de achar que estamos progredindo tanto que nós é que progredimos e não o Reino de Deus em nós. Fatalmente então nos sentimos too sexy diante de outros cristãos não tão sexy quanto somos… ou mesmo diante do mundo.
Sem perceber, podemos sufocar a mensagem com essas preocupações desse mundo tal e qual a semente que cai entre os espinhos (Mateus 13:22).
Quando obedecemos e obedecemos, sufocando a mensagem, corremos o risco de perder a humildade do Servo. Por outro lado, quando desobedecemos e desobedecemos, achando que precisamos nos esforçar mais, também sufocamos a mensagem de Cristo, pois resolvemos nos colocar na cruz no lugar dele… perdemos assim a alegria que o Servo no deu morrendo em nosso lugar.
Pois é Miguel,
Quer ver uma outra abordagem para o versículo que você estacou?
Quais são as coisas desse mundo?
Bem… entre tantas, podemos dizer que nossas obras, quando feitas por certa busca de mérito, ou para ser suficiente, ou mesmo por medo de não estarmos fazendo o suficiente. E Lutero lembra que o “módulo” normal do nosso coração é tentar comprar a salvação. Ou seja, a todo momento, estamos tentando fazer o suficiente. E então acabamos transformando as obras de Jesus em nós, em obras do mundo, que sufocam a mensagem da cruz.
Desse jeito, acabamos como aquelas pessoas que “ouvem a mensagem, mas as preocupações deste mundo (…) sufocam a mensagem.” (Mateus 13.22)
Acho que essa é uma das distinções que Jesus faz entre aqueles que ouvem a mensagem e a sufocam e os que produzem frutos.
… penso que precisamos sempre partir da suficiência da obra da Jesus em nossas vidas para enfatizar a santificação. Do contrário, ou acabamos tristes por sermos insuficientes, ou acabamos orgulhosos por nos acharmos suficientes.
Centrados no Servo não há nem vida verdadeiramente santificada. Há “apenas” Santificação… pura e suficiente.
Tanto quando achamos que já fazemos o suficiente como quando achamos que não estamos fazendo o suficiente, estamos sufocando a semente com as nossas obras ou falta delas. Todas mundanas.
Penso aqui, por exemplo, na parábola do Bom Samaritano. Dependendo como a entendemos e como a pregamos, nós podemos enfatizar mais a necessidade de fazermos algo pelo nosso próximo do que o que foi feito por nós. Veja só:
1. centrados em nós, corremos o risco de ler a parábola como se Jesus estivesse dizendo “se vocês agirem como o Bom Samaritano, estarão agindo do jeito certo”;
2. centrados em Jesus, nós nos veremos à beira da estrada, surrados, nus e praticamente mortos, quando um bom Samaritano (Jesus) se aproxima de nós, e sem exigir nada em troca, nos veste, nos cura e paga por todo o nosso tratamento. Agora “vá e faça a mesma coisa” (Lucas 10.37).
Acho que temos mais motivação para agir com alegria e humildade quando sabemos que estávamos mortos à beira da estrada e fomos resgatados, e que nossa vida agora não se trata de agirmos como aqueles que devem fazer alguma coisa, mas trata-se de ação da graça. Ou seja, reflexos do amor de Deus.
Não sufocar a mensagem é lembrar de Jesus na cruz, e daquele momento em que ele nos resgatou das trevas para sua maravilhosa luz, e que agora andamos na luz para simplesmente viver essa luz.
.abraços.
Sandro,
Sem querer te deixar too sexy, mas essa tournê te deixou cheio, hein. Glórias ao Senhor Deus que encontraste na Alemanha.
Tá combinado. Você não larga esse teclado nem tão cedo e eu fico aqui só no refresh.
A quem honra, honra. ( Rm 13:7)
Muito bom o texto Sandro. Precisamos nos lembrar todos os dias que não somos nada e que dependemos da graça e misericórdia de Deus a cada segundo da nossa vida. Obrigada por compartilhar!
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Obrigado!
otimos posts Sandro, tem me edificado muito visitar seu blog, Deus abençoe!!!
É bom ler textos deste tipo para refrescar a memória e ver que não somos nada, somente pó, vaso de barro e se não fosse pela graça, já estaríamos consumidos…
Não sei se tem a ver, mas me fez lembrar uma música do Rez (?) que diz que Deus criou a cor, mas a cor não faz de ninguém um Deus.
De fato, não somos melhores que ninguém! Não existe nada (grana, poder, raça, dom) que justifique acharmos que somos melhores que alguém, antes como diz a palavra, consideremos o próximo superior a nós mesmos….isso é um desafio!!!
Espero a cada dia caminhar neste sentido. Que Deus me ajude. Essa é uma luta que devemos travar com nosso ego diariamente…
PAZ
Sâmara
Um chute no saco, se eu tivesse, é claro.
Sandro,
Post sólido. Emergentes, submergentes, protestantes, alternativos, cults, cutes, emos, tradicionais… todos sexies demais para sermos igreja. Incluindo o monte de crentes ‘mãe solteira’, que abandonam a igreja por causa de seus traumas e decepções… incluindo eu… Num texto desses, tendemos a nos ‘arrepender pelos pecados dos outros’, como diz o Mark Discroll, no Peasant Princess, mas não nos damos ao trabalho de nos arrependermos das nossas próprias atitudes. Somos todos executores, nem sempre humildes. Somos muito espertos, crentes muito espertos, espertos demais pra sermos como todo mundo.
Me incluo nisto. E como…
Creio e penso que sou escravo de Cristo, que não tenho vontade própria, que meu maior desejo é agradar meu Senhor, e esforço-me para enquadrar em sua vontade, porque simplesmente sou escravo.
Quando passamos a achar que somos ou fazemos algo superior aos outros, do tipo “too sexy”, que nosso Eu, Ego, Gênio,
está falando mais alto que a voz do Senhor, pode esperar que o tropeço está chegando! (Prov. 16:8)
Reconheço que sou um nada, pobre, fraco e dependente… que vire e mexe eu estou tentando sair da “cela aberta”, do meu Senhor, dessa liberdade que Jesus nos oferece mediante sua Graça.
Sei também que quanto mais próximo estou Dele, mais longe fico deste “too sexy” que me seduz.
Da mesma forma a Igreja, quanto mais atributos ou características da formosura de Cristo ela apresentar, mais “atraente e sedutora ” ela será para aqueles que não conhecem o Senhor da Igreja, sem necessitar desta vestimenta “too sexy”.
Abçs
Excelente texto, não tem nem o que falar, quantas vezes eu já errei sendo arrogante em meus pensamentos e em algumas vezes até nas minhas atitudes!!
Sandro, muito edificador o seu blog!!!
Don`t wanna be sexy… just real…
Valeu.
Muito bom!
Abraço
nossa, adorei o texto.
excelente!
abraço