Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for November, 2008

Cristianismo pós-igreja?

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Estou aproveitando a longa viagem destas duas semanas para ler alguns livros, dentre eles, o Reimagining Church do Frank Viola que comprei ontem. O texto abaixo é exatamente o que eu penso e já expressei aqui no blog em outras postagens sobre o ser igreja no NT. Com a palavra, Frank Viola:

Este paradigma está enraizado numa tentativa de praticar o Cristianismo sem pertencer a uma comunidade identificável que se reune regularmente para adoração, oração, comunhão e edificação mútua. Os que defendem isso reivindicam que a interação social espontânea (como tomar café no Starbucks quando quer que desejarem) e amizades pessoais incorporam o significado Neo-testamentário de “igreja”. Aqueles que abraçam esse paradigma acreditam numa igreja sem forma, nebulosa, fantasma.
Tal conceito está desconectado daquilo que encontramos no Novo Testamento. As igrejas do primeiro século eram comunidades localizáveis, identificáveis, possível de serem visitadas que se reuniam em um local em particular regularmente. Por essa razão, Paulo podia escrever uma carta para essas comunidades identificáveis (igrejas locais) com alguma idéia definida de quem estaria presente para ouví-la (Rm 16). Ele também tinha uma idéia de quando eles se reuniam (Atos 20.7; 1 Cor. 14) e das lutas que experimentavam em sua vida juntos (Rm 12-14; 1 Cor 1-8). Embora não seja um ponto de vista bíblico, o paradigma pós-igreja parece ser uma expressão do desejo contemporâneo por intimidade sem compromisso.

Esse final lembra o que tenho observado e expressei no meu post free love is neither.

Ser cristão

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Hans Küng se tornou um dos meus teólogos favoritos nos últimos 5 anos. Abaixo estão algumas citações de seu livro sobre a história da Igreja Católica (possivelmente o melhor texto já escrito sobre a Igreja de Roma do ponto de vista de um insider).

…ser cristão significava em princípio estar pronto para martyrein, para “ser testemunha” da crença cristã – dispondo-se a ser discriminado, sofrer, ser torturado e, na verdade, a morrer… Assim, a palavra mártir significava ser testemunha com o próprio sangue; confessor era o nome dado àqueles que sobreviviam bravamente à perseguição. O cristão devia suportar o destino final do martírio, mas não procurar esse destino.
De acordo com as origens hebraicas, a verdade do cristianismo não era para ser vista, nem teorizada; antes, era para ser praticada. Assim, no evangelho de João, Jesus Cristo é chamado de “o caminho, a verdade e a vida” (14,6). O conceito cristão de verdade originalmente não era contemplativo e teórico como o conceito grego, mas sim operativo e prático.
O que deve ser mais importante para um movimento religioso do que qualquer instituição ou constituição é seu poder espiritual e moral, e nos primeiros séculos da igreja isso não faltava.

- Hans Küng em Igreja Católica, 2002, Objetiva.