Há alguns anos me deparei com os livros do Dr. James M. Houston sobre espiritualidade cristã. Eles logo se tornaram para mim uma fonte de águas frescas e profundas em tempos de aridez e superficialidade na maior parte da literatura cristã atual. Recentemente a Mundo Cristão publicou outro texto de Houston em português: Meu Legado Espiritual (Joyful Exiles). Ainda estou apenas no começo da leitura, mas já estou empolgado! Recomendo para todos que desejam ler algo que desafie o intelecto e aponte uma maneira de trilhar esse estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade. Segue um trecho do primeiro capítulo:

Cada vez mais, a fé cristã precisa ser contracultural. É possível que tenhamos que perder empregos, alguns amigos, até nossa liberdade, se quisermos nos manter fiéis às nossas convicções cristãs injetadas em nós pelo Espírito de Deus (…).
O que a maioria das pessoas precisa não é mais conhecimento da fé, mas determinação espiritual para pôr em prática o que já conhece, não importando quais sejam as consequências. A verdade é uma questão de vida ou morte – por ela morremos, por ela vivemos. Pode alguma coisa expressar a verdade se essa coisa não for vivenciada? Será que a verdade flutua por aí como um conceito abstrato? Segundo Søren Kierkgaard, muita coisa que se divulga como cristianismo não passa de “poesia” – é o real que virou imaginário. O verdadeiro cristianismo é transformar o possível em real. É este o papel do profeta: desafiar-nos a obedecer à palavra do Senhor. É por isso que a vida cristã é uma vida subjuntiva. Nossos sentimentos e desejos precisam ser trocados e, na verdade, redimidos, para que possamos entrar na realidade indicativa ou profética da vida cristã. Faz tempo que as palavras de Moisés estão dentro do meu campo de visão: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta!” (Números 11.29).