
As Preocupações Missionais de Dan Kimball
Igrejas locais pequenas estão chamando bastante a atenção, mas onde estão os frutos?
Eu espero estar errado. Nos últimos anos, tenho observado, escutado e feito perguntas sobre o movimento missional. Tenho uma suspeita de que o modelo missional ainda não provou a si mesmo além do nível teórico. Novamente, espero estar errado.
Todos concordamos com a teoria de ser uma comunidade de Deus que se define e organiza a si mesma em torno do propósito de ser um agente da missão de Deus no mundo. Mas a conversação missional geralmente vai um passo além, descartando o modelo “atrativo” de igreja como ineficaz. Alguns dizem que a criação de programas melhores, da pregação e cultos de adoração para que as pessoas “venham até nós” não funciona mais. Mas aqui está o meu dilema – eu não vejo nenhuma evidência desta reivindicação.
Não faz muito tempo eu estava numa discussão com outros líderes de igrejas em uma grande cidade. Um defensor do modelo missional no grupo disse que os jovens daquela cidade não seriam mais atraídos por igrejas maiores e atrativas, dominadas pela pregação e pela música. O que esse líder falhou em reconhecer, no entanto, é que os jovens da cidade estavam indo a uma mega-igreja com arquitetura bacana – aos montes. Os cultos de adoração daquela igreja atraiam milhares com música rock/pop e pregação sólida. A igreja estima que metade desses jovens não eram cristãos antes de frequentarem suas reuniões.
Por outro lado, alguns membros de nossa igreja recentemente visitaram um igreja auto-intitulada como missional. Tinha 35 pessoas. Isso por si só não é um problema. Mas essa igreja tinha sido missional por dez anos, e não tinha crescido, multiplicado, ou plantado qualquer outra igreja numa cidade de milhões de pessoas. Isso era um problema.
Outro grande defensor do modelo de igreja nos lares enxerga esse modelo como sendo mais missional e coerente com a igreja primitiva. Mas sua igreja tem o mesmo problema. Após quinze anos não se multiplicou. É uma comunidade maravilhosa que serve aos sem-teto, mas não há evidências de que não-cristãos estejam se tornando seguidores de Jesus. Na mesma cidade, muitas mega-igrejas estão tendo conversões e discípulos amadurecendo.
Eu sei que evangelismo missional leva tempo, e que essas igrejas geralmente estão trabalhando em solo difícil. Não podemos esperar crescimento da noite para o dia.
Mas uma vez que seu histórico não comprova sua teoria, essas igrejas missionais deveriam ter cautela em criticar igrejas atrativas que estão fazendo um impactivo mensurável. Não, eu não sou uma pessoa de números. Eu não estou enamorado com quantas pessoas respondem a um apelo. De fato, eu sou um tanto cético. Mas sou apaixonado por ver discípulos de Jesus sendo formados. E, surpreendentemente, encontro que em muitas igrejas grandes e atrativas isto está acontecendo.
Sim, pessoas são atraídas pela música, pregação, trabalho com as crianças, mas talvez haja algo mais nessas igrejas grandes do que simplesmente programações. Há também pessoas sendo o Corpo de Cristo em suas comunidades. Quando esses discípulos constroem relacionamentos com não-cristãos, a evidência do Espírito em suas vidas é atrativa. A existência de programações e edifícios não significa que discípulos maduros não sejam uma razão significativa do crescimento dessas igrejas.
Há tantos que não entendem a alegria de se viver o Reino aqui na terra e a alegria futura da vida eterna. Esta alegria me motiva missionalmente, mas eu também não posso me esquecer dos horrores do inferno. Isso cria em mim um senso de urgência que me impulsiona além da teoria missional para ver o que Deus está fazendo nas igrejas – grandes e pequenas, atrativas ou missionais. Onde os discipulos estão crescendo de verdade? O que de fato está funcionando?
Eu espero que haja exemplos de igrejas missionais frutíferas que eu ainda não tenha conhecido. Espero que minha percepção baseada em meu relacionamento com o movimento msisional esteja errada. Mas por enquanto, eu prefiro ser parte de uma mega-igreja centrada em Cristo cheia de programações onde pessoas estão conhecendo Jesus como seu Salvador, do que ser parte de uma igreja de qualquer tamanho onde isso não está acontecendo.
- Dan Kimball é pastor da Vintage Faith Church em Santa Cruz, California e autor de vários livros, dentre eles, A Igreja Emergente, publicado recentemente no Brasil pela Editora Vida.
O texto acima em inglês você encontra aqui.
Caraca (pode falar caraca?).
Bom pra mim é ver texto assim, não são argumentos de um mesquinho simplesmente querendo destruir o “lego” do outro.
O cara parece querer ajudar, aliviar e ao mesmo tempo responsabilizar os ctitizens do Reino.
A gama de possibilidades de pessoas que se identificam com os valores do Sonho de Deus é bem grandinha, e eu acho que os estilos de comunidades que vão ajudar nisso (ou atrapalhar) possuem uma autenticidade particular, afinal somos finitos né?
(a anotaçãozinha do Kimball tá meio errada quanto às setas rs.)
A minha experiência, e da minha família, especialmente do meu pai e do pessoal que (congrega?) conosco é um experiência de busca, debate e questionamento. Não de atração por alguma coisa que veio até nós com luzinhas etc e tal.
Não é querer refutar, mas experiências são diferentes.
O modelo de multiplicação orgânica/líquida/(outro rótulo please) não é um modelo, acontece que os novos grupos de poucos amigos que vão se formando têm seu crescimento e busca individual na bíblia e nos comentaristas da cristandade. O que já está havendo aqui é um interesse da parte de outro grupo, mas que ainda está dando os primeiros passos/leituras e quer uma indicação.. mas é tão livre que vejo que podem existir à partir dessa minha família uns 5 grupos eclesiais que contemplam a Cristo. Eu posso estar participando de 2,3.
Talvez as pessoas mais frágeis necessitam de mais atenção, e esses grupos com um tempo, e ambiente mais aconchegante possa recebê-los, outros com uma estrutura social mais ‘resolvida’ estejam em grupos institucionais, pois ali podem exercer a vida espiritual como mais um papel dentre tantos que o mundo exige. (oops!)
Mano… primeiro uma dúvida.
Por acaso o termo missional, tem q estar diretamente ligado a grupos pequenos??? Pq tinha outra idéia ….
Kra, acho q não existe um “modelo”padrão… existem experiencias e creio (talvez cegamente…rs) que tanto o modelo de pequenos grupos como de mega igrejas são eficazes. Pra cada pessoa uma necessidade; não?
Mega igrejas, creio eu, torna o cristianismo mais visto/notável, serve tanto como uma referencia, como para fazer projetos maiores ‘anti-caos’ (tb não sou adépto de números, mas de trasnformaçao sim…). No entanto, os membros ficam muito distantes de um mentor (pastor, líder ou seja lá oq for), aí acho q entra os pequenos grupos, onde há mais comunhão, liberdade… comunidade.
O problema de mega igrejas é a “gospelização”de suas reuniões, que se transformam em shows e em sua teologia “meia boca” e na maioria das vezes antropocentricas.
Saudade mano…
Cara gostei muito do texto fui muito abençoado… seus textos tem me ajudado a amadurecer!!! Parabens…
Fiz um atalho do meu site para o seu:
http://cavernadezion.wordpress.com/
Fica na Paz