Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for January, 2009

Essas são as perguntas

posted by Sandroin MúsicaNo Comments

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Quem é que deve receber a tarefa
De estabelecer limites, de mapear a margem?
Quem é que deve receber a palavra
Para estabelecer procedimentos quando é hora de orar?
Onde no Livro se diz para construir um muro
Não pode o que é bom para um ser bom para todos?
Quando o desafio de amar uns aos outros
Receberá sua obrigação de irmão a irmão?
Como pode ser que esses tempos de desespero
Parecem levantar tão poucos que podem dizer que se importam?

 

Essas são as perguntas que tocam em meus ouvidos
Me causam preocupação e somam aos meus temores
Há alguém escutando, alguém ouve nosso choro?
Essas são as perguntas que desafiam meu coração
Me causam espanto e me despedaçam
Há alguém escutando, alguém ouve nosso choro?

 

Por que é que achamos tão difícil crer
Quando é somente pela graça que continuamos a respirar?
Por que não podemos enxergar que é tão triste
Quando uma cor é boa e a outra é ruim?
O que as crianças farão quando crescerem
Se WAR é o jogo que elas se lembram de jogar?
Quando iremos colocar o Amor no controle
E dar a Ele a liberdade de trabalhar em nossas almas?
Como pode ser que esses tempos de desespero
Parecem levantar tão poucos que podem dizer que se importam?

 

Como é que tantos não tem onde dormir
E tantos mais ainda precisam ser alimentados?
Por que é que aqueles com o poder de liderar
Estão enrolados em questões de dinheiro e cobiça?

(tradução livre da música These Are The Questions de Vince Ebbo e Charlie Peacock publicada originalmente 28/01/2006 em em um outro blog que eu mantinha. Três anos se passaram e as perguntas continuam…)

Novos Ministros Revisitado (1)

posted by Sandroin Teologia, livrosComments (4)

Novos Ministros Para Uma Nova Realidade

A foto acima mostra duas capas (a original de 1987 e uma nova edição em 1994) de um livrete que eu li 1987, escrito por Caio Fábio e que causou um terremoto espiritual em minha vida. Daquele tipo de abalo semelhante a Hebreus 12.27, que lança por terra coisas que precisam ser lançadas por terra, deixando em pé aquelas que devem permanecer. Muitas coisas foram lançadas por terra quando eu li Novos Ministros Para Uma Nova Realidade (a edição de ‘94 veio como Novos Líderes para uma Nova Realidade). Nos próximos dias irei postar alguns trechos que grifei na leitura de 1987 e que, mesmo passados mais de duas décadas, continuam de uma relevância incrível em minha vida e, creio eu, para a Igreja hoje.

De começo, um pensamento sobre a necessidade de não perder contato com a Igreja… ou, nas palavras do Caio: Ampliar as fronteiras do ministério sem jamais perder a profundidade do vínculo comunitário.

“Parece que, à medida em que algumas pessoas começam a enxergar mais além, vão-se desenraizando, vão-se desinstalando da vida comunitária, onde as pessoas tem nome, cara, problemas, amarguras, crises emocionais, crises depressivas; onde as pessoas tem problemas psicológicos, onde as pessoas tem filhos e sepultam mortos; onde as pessoas casam e descasam, amam e desamam: na Igreja.”

Usando Bonhoeffer como exemplo, ele diz:

“Ele [Bonhoeffer] vê isso tudo ao longe, percebe que a maneira mais própria de comunicar Cristo nos seus dias era a forma irreligiosa; era transformar a linguagem religiosa em códigos de assimilação seculares, para que o homem do seu tempo o percebesse. Mas ele faz isso tudo sem perder o vínculo profundo com a comunidade. Aliás, a maior parte dos escritos de Bonhoeffer trata desses vínculos comunitários. O homem vê longe, mas jamais se deixa esvaziar de um profundo e espesso sentimento fraternal; de amor pela Igreja, pela comunhão dos santos.”

Ortodoxia

posted by Sandroin TeologiaNo Comments

“Where orthodoxy is optional, orthodoxy will sooner or later be proscribed.”

“Onde a ortodoxia é opcional, a ortodoxia mais cedo ou mais tarde será proibida.” 

- Richard John Neuhaus

Viver missional na prática

posted by Sandroin Missional, Projeto 242Comments (9)

Na semana passada estive em Piracicaba com o Matheus & Mariana do Projeto Toque. Eles estão morando com seu filho de quase 2 anos em uma comunidade com outras 13 pessoas que foram “adotadas” na família. Pessoas cujas vidas estavam ruídas e que foram alcançadas pela Graça de Deus e agora estão dando os passos iniciais na jornada de fé, amor e esperança. Em meio a nossa conversa, percebi que, apesar de nunca terem escrito nada sobre igreja missional (ou qualquer termo emergente da moda), eles têm vivido essa realidade no dia-a-dia, como discípulos de Jesus que estão fazendo outros discípulos, alcançando prostitutas, travestis e outros outcasts da sociedade de maneira natural.

Em meio a tanta leitura e conversação nos blogs e sites sem fim na internet, os missionários e voluntários do Projeto Toque me fazem lembrar que o desafio mesmo, como sempre, é praticar o que se prega. Tem gente que escreve, gente discute, gente que conversa, e gente que faz. Eles são do último tipo. Enquanto muitos estão discutindo, eles estão vivendo e fazendo.

A revolução sempre acontece com gente assim. Nunca é feita por aqueles que gostam de falar a respeito dela. Os verdadeiros revolucionários não fazem propaganda, não se promovem, não revelam seus planos abertamente, não chamam a atenção para si. Eles simplesmente vivem o que acreditam e deixam que os historiadores se encarreguem de decifrar suas ações e contar (distorcer?) suas histórias.

Que isso nos sirva de lembrança (nesta época de tanta conversa fiada) de que a revolução que desejamos começa com a ação individual, persistente, silenciosa, um dia após o outro. Você quer criar uma revolução de amor? Simplesmente ame. Você quer criar uma revolução espiritual? Entregue-se de coração ao Espírito de tal modo que sua vida demonstre a ação do Espírito. Viva, depois fale a respeito. Isso serve para mim também. Aliás, como dizia o velho cântico, “a começar em mim…”

Revolução de amor

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Já falei muitas vezes que o livrete Revolution of Love and Balance (publicado no Brasil pela Mundo Cristão como Revolução no Discipulado) caiu como uma bomba espiritual em minha vida na década de 1980. Lembro-me de ter lido o primeiro capítulo dezenas de vezes, muitas delas literalmente em lágrimas, pedindo a Deus para viver a realidade daquelas palavras. Se, de acordo com 1 Coríntios 14.3, o propósito da profecia é trazer edificação, exortação e consolação, poucas vezes eu me deparei com uma profecia tão clara quanto as palavras de George Verwer naquele capítulo. Ainda hoje penso nelas e me sinto edificado, desafiado e movido a seguir na direção certa. Como o livrete está fora de catálogo há anos e eu perdi as duas cópias em português que tinha (se estiverem com alguém lendo esta postagem, por favor, me devolva!), decidi traduzir só a introdução do primeiro capítulo chamado Revolução de Amor a partir de minha edição em inglês The George Verwer Collection.

Sinta o impacto, se você estiver vivo…

Jesus Cristo foi um revolucionário – o maior e mais completo revolucionário que este mundo já conheceu. Não um revolucionário político, mas um revolucionário espiritual.
E eu acredito que o Cristianismo é uma ‘revolução de amor’, uma revolução que o Espírito Santo deseja trazer em nossos corações e vidas à medida em que ele muda radicalmente o nosso modo de pensar e agir. Estou convencido de que não há nada mais importante do que isso no mundo inteiro.
Ao olharmos o estado da igreja ao redor do mundo e o estado dos cristãos hoje, é fácil ficar desanimado. Procuramos discipulado; procuramos aqueles que estão trabalhando juntos em unidade, em oração, em poder… e encontramos disputas e divisões, complacência e mediocridade.
Muitas pessoas estão perguntando: ‘Por que a igreja está em tal estado? Por que o Cristianismo hoje causa tão pouco impacto?’
Algumas pessoas pensam que de algum modo temos tido falta de algum ensino essencial ou experiência, e se tão somente pudêssemos redescobrir este segredo através de novas reuniões ou livros, libertação e restauração seriam novamente trazidas para a igreja.
Agora, me parece que não seria muito justo da parte de Deus guardar em segredo o ingrediente mais básico para a efetividade cristã. E, de fato, eu não acredito que este ingrediente seja nenhum segredo. Vejamos Gálatas 5.22-26:
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.
O fruto do Espírito é amor. Mas o que a Bíblia quer dizer por amor? Em 1 João encontramos uma definição clara e simples: Deus é amor.
Em outras palavras, amor verdadeiro vem de Deus… não existe fora dele. Sabemos que Deus é Um. Sendo assim, não podemos pensar em Deus Pai sem pensar em amor; não podemos pensar no Senhor Jesus Cristo sem pensar em amor; não podemos pensar no Espírito Santo sem pensar em amor. Não há separação. Deus não envia amor. Ele não produz amor. Deus é amor.
Agora isso parece ser uma declaração bem simples, mas estou convencido de que somente uma percentagem extremamente pequena de crentes tem realmente abraçado essa verdade.
Este é, eu creio, o ingrediente básico que está em grande falta no Cristianismo hoje, e a falta deste ingrediente é a fonte da maioria dos nossos problemas. É o câncer que está devorando a igreja, mas não é nenhum segredo. Na verdade, não tem nada de segredo nisso visto que está escrito em quase todas as páginas do Novo Testamento. E, no entanto, pelo fato de nossos corações serem tão frios e duros, e porque somos tão egoístas, não podemos ver (ou não acreditamos mesmo) que a mensagem básica do Novo Testamento é o amor!
Estou absolutamente convencido de que a maioria de nós perde essa mensagem tão óbvia e mais frequentemente repetida, mesmo quando estamos lançando grande ênfase sobre o que é uma interpretação ‘ortodoxa’ da Bíblia; sobre o que é “ensinamento bíblico.’
Bem, eu gostaria de perguntar: ‘O que é ensinamento bíblico?’ Temos grandes discussões sobre a Segunda Vinda, o significado da crucificação, sobre a Igreja, o Espírito Santo, e por ai vai. Mas e sobre amor e humildade e quebrantamento? Estes geralmente vão `a uma categoria separada, mas eu que dizer-lhe que se o seu ensinamento não inclui amor, humidade e quebrantamento, então seu ensinamento não é bíblico.
Há milhares, até mesmo milhões de pessoas que reivindicam ser ‘cristãos ortodoxos’ porque se agarram a certas doutrinas de acordo com a Bíblia. Eles estão conscientes de que não praticam muita humildade, mas não pensam que isso os torne menos ortodoxos. Eles estão conscientes de que não amam verdadeiramente outros cristãos (especialmente aqueles que são diferente deles), mas isso não os leva a pensar que seu ensinamento não seja bíblico.
Eles podem admitir que não sabem nada sobre servir os outros e considerar os outros melhores do que si mesmos e, no entanto, eles se consideram crentes na Bíblia e cristãos ortodoxos.
Eles não poderiam estar mais errados! Isso não é Cristianismo, mas um falso Cristianismo – pensar que podemos ser ortodoxos sem ter humildade, pensar que podemos nos chamar de cristãos crentes na Bíblia ainda que nossas vidas não demonstrem amor ou outros frutos do Espírito. De fato, creio que este é o maior erro que já atingiu a igreja de Jesus Cristo!
Ensino não pode ser divorciado da vida prática. Não podemos ver Jesus Cristo como algum tipo de personalidade dividida, parcialmente doutrinária e parcialmente moral, tentando trazer duas esferas separadas de verdade em nossas mentes. Ele não está em uma ocasião tentando satisfazer nossa curiosidade intelectual nos ensinando coisas sobre Deus, e num exercício separado preenchendo nossa necessidade moral tentando nos tornar mais como o caráter de Deus. Você não pode ter um correto entendimento de Deus sem desejar viver de um modo que agrade a Deus.
‘Oh,’ alguém diz, ‘tem um bom crente evangélico… ele tem um entendimento muito bom da Bíblia. Ele não tem muito amor pelos outros e não é muito humilde, mas ele certamente entende a Bíblia.’ Eu digo a você, ele não entende a Bíblia se ele não ama outros cristãos. O que lemos em 1 João 4.8? ‘Quem não ama não conhece a Deus.’
Não existe nenhum ensino mais bíblico do que o amor, e sem o amor não há ensino bíblico. O amor é o alicerce de todos os outros ensinamentos bíblicos, e você não pode construir um edifício de verdades bíblicas sem esse alicerce.

Duas observações:
1. O texto original é uma transcrição de uma mensagem do George Verwer para jovens voluntários da OM na década de 1960. Se boa parte da conversação emergente hoje é uma reflexão sobre a essência dos ensinamentos de Jesus, o George Verwer me parece ter iniciado essa conversação pelo menos duas décadas antes da maioria dos emergentes terem nascido…
2. Quer mais? escreva para a OM ou Mundo Cristão e peça para eles publicarem uma nova edição do livro em português.

Missões & Arte Corporal

posted by Sandroin arteNo Comments

Um artigo do jornal Denver Post sobre a arte corporal visível nos EUA em agosto de 2005 dizia que um em cada dez americanos tem tatuagem. Três décadas atrás esse número era de um em cada cem americanos. O índice cresce ainda mais (um em cada três) entre os americanos com idade de 25 a 30 anos. Apesar do número de pessoas exibindo algum tipo de arte corporal visível estar aumentando consideravelmente nos EUA, ainda existe uma visão negativa de pessoas que os exibem pela maioria das corporações de trabalho. Então, para conseguir um emprego significa que você tem que esconder sua tatuagem ou retirar os piercings e brincos durante o trabalho. No entanto, o que eu achei interessante é que um dos principais executivos em colocações globais disse que essas corporações terão que rever seu código sobre a aparência se elas quiserem suprir as 167 milhões de vagas no país até o ano 2010. Ao ler isso não pude deixar de pensar como a Igreja também precisará rever seu código de aparência se quiser alcançar as gerações emergentes com o Evangelho…

(postado em 27/08/2005 em um outro blog que eu mantinha)

Virtual

posted by Sandroin Igreja, MúsicaComments (13)

Deixe-me ser seu garoto virtual
Você não precisa de uma muleta da realidade
Posso ser seu garoto virtual, eu lhe darei o toque virtual
Sonhos virtuais, realidade virtual
Paz virtual, aluguel virtual
Espaço virtual, graça virtual
Pele virtual, bronzeamento virtual, fôlego virtual
Dor virtual, morte virtual
Viagens virtuais para a Espanha
Garotas virtuais em seus vestidos pretos com bundas grandes
cantando suas música virtuais tolas sobre suas tolas vidas virtuais

(letra da música Virtual da banda NLM em seu CD Primordial cantada por Sy Rogers)

No início da década de 1990, em meio a crise da AIDs, algumas pessoas começaram a fazer a seguinte proposta: “Faça seguro seguro: Masturbe-se!”

Ou seja, já que você não pode ter certeza de que não irá se contaminar com algum vírus ou doença ao se relacionar com uma pessoa de verdade, a saída é dedicar-se à satisfação solitária e egoísta.

Hoje em dia eu tenho ouvido idéias vindas de pessoas que se machucaram em seus relacionamentos eclesiásticos que fazem lembrar da proposta acima sobre o sexo seguro. É quase como se estivem propondo um tipo de “masturbação espiritual”. Não preciso me envolver, não preciso fazer compromissos, não preciso sair de casa, não preciso contribuir com nada (só receber)…

Para mim, a idéia de experimentar a vida espiritual por meio da virtualidade, no fundo, parece ser uma busca por segurança.

A verdadeira espiritualidade está distante disso. Ela envolve fé, disposição para lançar-se numa jornada nada segura.

Longe de ser uma prática individual e egoísta, a verdadeira espiritualidade não pode ser alcançada sem relacionamentos, aliança, mutualidade, entrega, disposição a negar a si mesmo e doar de si mesmo.

É por isso que tenho dificuldade em acreditar numa espiritualidade virtual e numa igreja virtual. Parece bonito, legal, perfeito (afinal de contas, o mundo virtual é o mundo das edições, dos filtros, do Photoshop…).

Mas não é real.

Por outro lado, igreja são pessoas reais vivendo um relacionamento real num mundo real.

Igreja são pessoas – plural, coletivo, nunca individual.

Igreja são pessoas pecadoras, salvas pela Graça de um Salvador real.

Igreja são pessoas com suas feiuras, seus defeitos, suas falhas, suas idiossincrasias, mas também com seu calor humano, seu sorriso, seu abraço e sua presença (mesmo que silenciosa) nos dizendo que não estamos sós nesta jornada de fé.

Igreja são pessoas reais que comentem erros reais e precisam de perdão real.

É arriscado, é confuso, é complexo, é falho, é algumas vezes sujo, mas é real.

Tudo isso passa longe dos relacionamentos virtuais, à distância. Eles podem ser seguros, mas onde foi que pegamos a idéia de que o amor é seguro?

Amar é e sempre será tremendamente arriscado.

Igreja são pessoas que estão aprendendo a responder ao Amor que lhes foi revelado em Jesus e aprendendo a amar uns aos outros.

Negócio arriscado esse do mundo real, da igreja real…

São Paulo 455 anos

posted by Sandroin arteComments (4)

Sao Paulo

São Paulo
Selva de pedra, cimento e asfalto
Mosaico de raças, cores e sons
Terra dos sonhos e decepções
Dos contrastes e contradições
Das passarelas da moda
Da fama, da lama
Dos hetero, homo e indecisos
Dos grandes times e das torcidas
Dos roqueiros, punks, rappers e clubbers
Dos crentes e dos céticos
Dos pastores, padres, rabinos e xeques
Dos exotéricos e das bruxas
Dos apóstolos e dos apostatados
Dos pregadores desacreditados
Das casas, vilas, condomínios e favelas
Apartamentos, duplex, coberturas e mansões
Barracos, papelões, sob pontes e mocós
Que abrigam pais, mães e filhos
Solteiros, solitários, casados, ajuntados
Donas-de-casa e donas nas calçadas
Estudantes, executivos, escravos
Políticos, policiais e peões
Homens da lei e foras da lei
Da vida frenética
Cruzando ruas e avenidas
Alamedas, vielas e trilhos
Em carros e vagões
Em ônibus lotados e lotações
Em meio a parques e praças
Shoppings, galerias, lojas e mercearias
Pizza, sushi e pão com mortadela na padaria
Obras de arte e obras de alvenaria
Obras inacabadas, abandonadas, embargadas
Em busca de trabalho, de saber, de prazer, de ser
Se São Paulo apóstolo aqui vivesse
O que hoje lhe diria ele, São Paulo?

(escrito em 25/01/2006 em um outro blog que eu mantinha)

A Cabana 2

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O Volney postou essa semana um vídeo de uma breve entrevista com o William P. Young, autor do livro A Cabana. Na entrevista, William diz que escreveu A Cabana basicamente para que seus leitores soubessem que muito embora as ações de Deus sejam imprevisíveis, Seu caráter não é incerto.

Como já expressei meses atrás em minha primeira postagem sobre A Cabana, eu gostei do livro apesar de seus deslizes teológicos. Há muitas opiniões divergentes sobre A Cabana; pessoas que amam o livro e dizem ter tido uma visão renovada de Deus e de Jesus por meio da leitura, e outros que se opõe a ele de maneira radical. O que eu gostei na declaração de William é que ele afirmou a possibilidade de conhecer Deus (algo que tem sido negado por muitos atualmente).

Não podemos nos esquecer nunca de que, muito embora Deus seja bem maior do que nossa mente limitada e finita possa conceber e, portanto, sempre haverá coisas sobre Deus que não teremos respostas e que representarão um mistério para nós, há muitas coisas sobre Deus que podemos saber com certeza, pois elas nos foram reveladas por meio das Escrituras e em Jesus Cristo (Palavra Encarnada). Isto é Cristianismo básico (nas palavras de Stott). Perder isto de vista é perder tudo o mais de vista.

Unir-se à igreja (com “i” minúsculo mesmo) de coração e alma

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Isso pode soar estranho, mas um ponto de conversão em minha vida veio quando eu decidi me unir à minha própria igreja. Eu não quero dizer me unir a ela “oficialmente”, mas me unir emocionalmente. Eu percebi que estava do lado de fora olhando para dentro. Eu me sentia confortável sendo “o líder” ou “o profissional”, mas não tinha me identificado com a igreja como uma pessoa, como um companheiro de peregrinação. Eu me sentia seguro escondendo-me atrás de minhas funções e responsabilidades, mas não podia genuinamente trazer cura para os outros e experimentar cura em mim mesmo quando eu estava sempre um passo distante deles.
Na noite que Jesus predisse a traição de Pedro, Jesus ofereceu lavar os pés de Pedro e Pedro inicialmente recusou. De algum modo, Pedro sabia que permitir que Jesus o servisse desse modo iria provocar um dilema irreconciliável. Pedro não estava pronto para oferecer-se a si mesmo para seus amigos e, portanto, ele não podia participar da oferta de Jesus para servi-lo. Ele não podia receber livremente porque não podia dar livremente. Ele não podia dar porque não podia reconhecer a si mesmo como igual a seus irmãos. Ele estava de fora olhando para dentro.
Eu estou tentando “me unir” mais. Hmmm. Parece arriscado.
– Sam Rockwell

Encontrei a reflexão acima no facebook de um amigo que tem me ensinado muito no decorrer dos anos. Foi ele quem me apresentou Henri Nouwen ao me dar de presente em 1997 o livrete In the Name of Jesus (publicado no Brasil sob o título O Perfil do Líder do Século XXI). Foi ele também quem me apresentou aos escritos de Eugene Peterson e mais recentemente de Frederick Buechner. A sua reflexão é, de alguma forma, uma exortação sobre o unir-se à igreja em vez de ficar olhando do lado de fora (posição crítica e invariavelmente estéril).

É curioso que este permanecer “de fora” em relação a igreja é algo que eu tenho refletido muito a respeito ultimamente. Parece que tem tanta gente machucada (ou tanta gente vendo tanta gente machucada que, por sua vez, está com medo de ser machuca também) que esse unir-se emocionalmente – de coração e alma – à comunidade é algo cada vez menos praticado. Tem gente demais olhando do lado de fora. Estão dentro, mas “não estão dentro”.

Uma das passagens mais inspiradoras das Escrituras para mim se encontra no livro de Atos e diz respeito a comunhão daqueles que creram em Jesus – uma era a mente e um o coração. Essa nem sempre tem sido a experiência das comunidades de fé. Mais vezes do que nunca, parece que o que vemos são comunidade sem comum-unidade, semelhantes às crianças espirituais de Corinto que estavam divididas em torno de personalidades carismáticas (1 Coríntios 3). Não é de estranhar a falta de poder na igreja, quando divisões são evidentes. E como visto na igreja de Corínto, divisões geralmente são carnais e imaturas, raramente nascem de um mover genuíno do Espírito. Que Deus nos ajude a promover mais unidade de mente e coração do que divisão carnal. Que possamos ter mais coragem para nos unir mais (com-unidade) nesse negócio arriscado chamado comunidade.