Isso pode soar estranho, mas um ponto de conversão em minha vida veio quando eu decidi me unir à minha própria igreja. Eu não quero dizer me unir a ela “oficialmente”, mas me unir emocionalmente. Eu percebi que estava do lado de fora olhando para dentro. Eu me sentia confortável sendo “o líder” ou “o profissional”, mas não tinha me identificado com a igreja como uma pessoa, como um companheiro de peregrinação. Eu me sentia seguro escondendo-me atrás de minhas funções e responsabilidades, mas não podia genuinamente trazer cura para os outros e experimentar cura em mim mesmo quando eu estava sempre um passo distante deles.
Na noite que Jesus predisse a traição de Pedro, Jesus ofereceu lavar os pés de Pedro e Pedro inicialmente recusou. De algum modo, Pedro sabia que permitir que Jesus o servisse desse modo iria provocar um dilema irreconciliável. Pedro não estava pronto para oferecer-se a si mesmo para seus amigos e, portanto, ele não podia participar da oferta de Jesus para servi-lo. Ele não podia receber livremente porque não podia dar livremente. Ele não podia dar porque não podia reconhecer a si mesmo como igual a seus irmãos. Ele estava de fora olhando para dentro.
Eu estou tentando “me unir” mais. Hmmm. Parece arriscado.
– Sam Rockwell

Encontrei a reflexão acima no facebook de um amigo que tem me ensinado muito no decorrer dos anos. Foi ele quem me apresentou Henri Nouwen, ao dar-me de presente, em 1997, o livrete In the Name of Jesus (publicado no Brasil sob o título O Perfil do Líder do Século XXI). Foi ele também quem me apresentou aos escritos de Eugene Peterson e, recentemente, de Frederick Buechner. A sua reflexão é, de alguma forma, uma exortação sobre o unir-se à igreja, em vez de ficar olhando do lado de fora (posição crítica e invariavelmente estéril).

É curioso que este permanecer “de fora” em relação a igreja é algo que eu tenho refletido muito a respeito ultimamente. Parece que tem tanta gente ferida (ou tanta gente vendo gente ferida e, por sua vez, com medo de se ferir também) que esse unir-se emocionalmente – de coração e alma – à comunidade é algo cada vez menos praticado. Tem gente demais olhando do lado de fora. Estão dentro, mas “não estão dentro”.

Uma das passagens mais inspiradoras das Escrituras para mim, se encontra no livro de Atos e diz respeito a comunhão daqueles que creram em Jesus – uma era a mente e um o coração. Essa nem sempre tem sido a experiência das comunidades de fé. Mais vezes que nunca, parece que o que vemos são comunidade sem comum-unidade, semelhantes às crianças espirituais de Corinto, que estavam divididas em torno de personalidades carismáticas (1 Coríntios 3). Não é de estranhar a falta de poder espiritual na igreja, quando divisões são evidentes. E como visto na igreja de Corínto, divisões geralmente são carnais e imaturas, raramente nascem de um mover genuíno do Espírito. Que Deus nos ajude a promover mais unidade de mente e coração do que divisão carnal. Que possamos ter mais coragem para nos unir mais (com-unidade) nesse negócio arriscado chamado comunidade.