Arquivos para o mês de: January, 2009

Deixe-me ser seu garoto virtual
Você não precisa de uma muleta da realidade
Posso ser seu garoto virtual, eu lhe darei o toque virtual
Sonhos virtuais, realidade virtual
Paz virtual, aluguel virtual
Espaço virtual, graça virtual
Pele virtual, bronzeamento virtual, fôlego virtual
Dor virtual, morte virtual
Viagens virtuais para a Espanha
Garotas virtuais em seus vestidos pretos com bundas grandes
cantando suas música virtuais tolas sobre suas tolas vidas virtuais

(letra da música Virtual da banda NLM em seu CD Primordial cantada por Sy Rogers)

No início da década de 1990, em meio a crise da AIDs, algumas pessoas começaram a fazer a seguinte proposta: “Faça seguro seguro: Masturbe-se!”

Ou seja, já que você não pode ter certeza de que não irá se contaminar com algum vírus ou doença ao se relacionar com uma pessoa de verdade, a saída é dedicar-se à satisfação solitária e egoísta.

Hoje em dia eu tenho ouvido idéias vindas de pessoas que se machucaram em seus relacionamentos eclesiásticos que fazem lembrar da proposta acima sobre o sexo seguro. É quase como se estivem propondo um tipo de “masturbação espiritual”. Não preciso me envolver, não preciso fazer compromissos, não preciso sair de casa, não preciso contribuir com nada (só receber)…

Para mim, a idéia de experimentar a vida espiritual por meio da virtualidade, no fundo, parece ser uma busca por segurança.

A verdadeira espiritualidade está distante disso. Ela envolve fé, disposição para lançar-se numa jornada nada segura.

Longe de ser uma prática individual e egoísta, a verdadeira espiritualidade não pode ser alcançada sem relacionamentos, aliança, mutualidade, entrega, disposição a negar a si mesmo e doar de si mesmo.

É por isso que tenho dificuldade em acreditar numa espiritualidade virtual e numa igreja virtual. Parece bonito, legal, perfeito (afinal de contas, o mundo virtual é o mundo das edições, dos filtros, do Photoshop…).

Mas não é real.

Por outro lado, igreja são pessoas reais vivendo um relacionamento real num mundo real.

Igreja são pessoas – plural, coletivo, nunca individual.

Igreja são pessoas pecadoras, salvas pela Graça de um Salvador real.

Igreja são pessoas com suas feiuras, seus defeitos, suas falhas, suas idiossincrasias, mas também com seu calor humano, seu sorriso, seu abraço e sua presença (mesmo que silenciosa) nos dizendo que não estamos sós nesta jornada de fé.

Igreja são pessoas reais que comentem erros reais e precisam de perdão real.

É arriscado, é confuso, é complexo, é falho, é algumas vezes sujo, mas é real.

Tudo isso passa longe dos relacionamentos virtuais, à distância. Eles podem ser seguros, mas onde foi que pegamos a idéia de que o amor é seguro?

Amar é e sempre será tremendamente arriscado.

Igreja são pessoas que estão aprendendo a responder ao Amor que lhes foi revelado em Jesus e aprendendo a amar uns aos outros.

Negócio arriscado esse do mundo real, da igreja real…

Sao Paulo

São Paulo
Selva de pedra, cimento e asfalto
Mosaico de raças, cores e sons
Terra dos sonhos e decepções
Dos contrastes e contradições
Das passarelas da moda
Da fama, da lama
Dos hetero, homo e indecisos
Dos grandes times e das torcidas
Dos roqueiros, punks, rappers e clubbers
Dos crentes e dos céticos
Dos pastores, padres, rabinos e xeques
Dos exotéricos e das bruxas
Dos apóstolos e dos apostatados
Dos pregadores desacreditados
Das casas, vilas, condomínios e favelas
Apartamentos, duplex, coberturas e mansões
Barracos, papelões, sob pontes e mocós
Que abrigam pais, mães e filhos
Solteiros, solitários, casados, ajuntados
Donas-de-casa e donas nas calçadas
Estudantes, executivos, escravos
Políticos, policiais e peões
Homens da lei e foras da lei
Da vida frenética
Cruzando ruas e avenidas
Alamedas, vielas e trilhos
Em carros e vagões
Em ônibus lotados e lotações
Em meio a parques e praças
Shoppings, galerias, lojas e mercearias
Pizza, sushi e pão com mortadela na padaria
Obras de arte e obras de alvenaria
Obras inacabadas, abandonadas, embargadas
Em busca de trabalho, de saber, de prazer, de ser
Se São Paulo apóstolo aqui vivesse
O que hoje lhe diria ele, São Paulo?

(escrito em 25/01/2006 em um outro blog que eu mantinha)

O Volney postou essa semana um vídeo de uma breve entrevista com o William P. Young, autor do livro A Cabana. Na entrevista, William diz que escreveu A Cabana basicamente para que seus leitores soubessem que muito embora as ações de Deus sejam imprevisíveis, Seu caráter não é incerto.

Como já expressei meses atrás em minha primeira postagem sobre A Cabana, eu gostei do livro apesar de seus deslizes teológicos. Há muitas opiniões divergentes sobre A Cabana; pessoas que amam o livro e dizem ter tido uma visão renovada de Deus e de Jesus por meio da leitura, e outros que se opõe a ele de maneira radical. O que eu gostei na declaração de William é que ele afirmou a possibilidade de conhecer Deus (algo que tem sido negado por muitos atualmente).

Não podemos nos esquecer nunca de que, muito embora Deus seja bem maior do que nossa mente limitada e finita possa conceber e, portanto, sempre haverá coisas sobre Deus que não teremos respostas e que representarão um mistério para nós, há muitas coisas sobre Deus que podemos saber com certeza, pois elas nos foram reveladas por meio das Escrituras e em Jesus Cristo (Palavra Encarnada). Isto é Cristianismo básico (nas palavras de Stott). Perder isto de vista é perder tudo o mais de vista.