
Neste próximo final de semana iniciaremos a primeira de duas séries sobre disciplinas espirituais que faremos este semestre no Projeto 242. Um dos nossos valores essenciais é a crença na busca pelo crescimento contínuo por meio da prática das disciplinas espirituais. É incrível o número de “cristãos anões” (para usar a expressão de George Verwer em Hunger for Reality) que tenho encontrado. Pessoas que parecem nunca avançar em sua estatura espiritual. Creio que parte disso é justamente porque muitos pensam que é possível crescer sem que tenham que fazer absolutamente nada, somente frequentar alguns cultos ou reuniões cristãs com amigos é o suficiente. Todavia, basta dar uma lida superficial na história da Igreja para perceber que aqueles cristãos que marcaram sua época e se tornaram modelos para muitos de nós, só alcançaram uma “vida santa” por meio de muita disciplina. Bonhoeffer falou sobre a necessidade de “um novo monasticismo, uma vida dedicada a aderir sem restrições ao Sermão do Monte, na imitação de Cristo.” O próprio apóstolo S. Paulo nos recomendou o exercício da piedade e disse que lutava consigo mesmo, disciplinando-se para que que, uma vez que tivesse pregado a outros, não fosse ele mesmo reprovado. A diferença entre uma vida disciplinada e uma sem disciplina é semelhante ao guitarrista que gastou horas ensaiando suas escalas e técnicas e o fã de rock que faz solos imaginários de “guitarra no ar”. É a diferença entre a realidade e a fantasia. Como igreja local, estamos mais interessados em ser uma congregação de praticantes do que num ajuntamento de fãs, sentimos que precisamos derrubar a ilusão e chamar pessoas para a realidade da vida cristã. De alguma forma, esperamos que as pessoas que caminham conosco possam ter consciência de que a jornada cristã é semelhante ao caminho de um samurai (literalmente “aquele que serve”) espiritual, regida por um código de virtudes que só pode ser alcançado por meio de muita disciplina. É um chamado para entrar no dojo de Jesus…
