Você conhece alguém que já foi ferido em nome de Deus? Alguém que foi vítima de abuso espiritual? Nos últimos 11 anos eu conversei com muitas pessoas que passaram por situações assim. O fato é que com o crescimento acelerado das igrejas, há uma demanda por liderança fazendo com que pessoas sem preparo assumam funções pastorais e, como consequência, tenhamos cada vez mais pessoas feridas em nome de Deus. O livro da jornalista Marília de Camargo César (entrevista abaixo) que será lançado pela Mundo Cristão em maio promete colocar esse tema em perspectiva. Um outro livro que seria interessante de ser pesquisado/escrito é sobre a “manipulação” que muitos crentes tentam fazer com seus pastores, a falta de ética com que muitos também tratam àqueles que estão buscando servir-lhes com humildade e coração sincero, etc… Acredite em mim, esse tipo de coisa também existe…
Qual o tema central de Feridos em nome de Deus?
O livro narra histórias de cristãos que estão muito machucados emocionalmente e tiveram a sua fé abalada pelo convívio com líderes abusivos, que passaram dos limites em seu relacionamento com seus liderados. São histórias, acredito, com as quais muitos poderão identificar-se, porque o problema do abuso espiritual parece espalhar-se pela comunidade dita evangélica no Brasil.
Para quem ele foi escrito?
Eu escrevi o livro, em primeiro lugar, para mim mesma. Porque eu precisava de respostas. Eu não conseguia entender por que amigos que, antes eram tão próximos de seus pastores, de uma hora para outra passaram a detestá-los e a falar mal deles. Eu precisava entender o que tinha dado errado naquele convívio. Mas entendo que o livro também foi escrito para esses irmãos feridos, como uma espécie de registro de suas experiências, e para líderes religiosos, que podem se ver retratados nas histórias.
Por que escrever um livro que trata de um assunto tão delicado para a igreja evangélica atual? É uma espécie de autobiografia?
Não, não é uma autobiografia, embora eu conte alguns detalhes de minha experiência de fé. Creio que decidi escrever por ver o estado em que ficaram esses irmãos. O abuso pastoral levou muitos deles à lona, eles perderam o chão. Passaram a questionar a fé, a estrutura da igreja – o que não deixa de ser uma boa coisa – a veracidade da Bíblia e a autoridade pastoral de forma generalizada. A maioria só conseguiu recobrar o fôlego depois de receber a ajuda de terapeutas.
Como se deu o processo de pesquisa para o livro, você entrevistou outras ovelhas feridas?
Fiz muitas entrevistas pessoais com os feridos e também com pastores isentos, que analisam o fenômeno do abuso espiritual à luz de suas experiências pessoais e da Bíblia. Entrevistei também psicólogos, filósofos e sociólogos para dar maior profundidade à análise do problema.
Quais foram os seus sentimentos ao colocar no papel sua própria experiência e de tantas outras pessoas?
Houve dias em que fiquei muito triste ao relembrar como era o convívio fraterno em nossa antiga igreja e o pouco que tinha restado dele. Houve entrevistas em que eu chorei junto com os feridos e fiquei morrendo de raiva dos fatos que estavam vindo à tona. Eu não acreditava no absurdo daquelas histórias. Eu me senti incrivelmente indignada e não entendia como aquelas pessoas, todas adultas e instruídas, tinham concordado em sofrer tais humilhações, em nome de Deus, e ainda assim permanecer caladas.
A igreja brasileira tem crescido muito nos últimos anos. Você vê alguma correlação entre esse fato e o aumento nos casos de feridos? Qual o principal fator que leva as pessoas a se ferirem?
Sim. O crescimento numérico dos ditos evangélicos e de pastores sem uma boa formação bíblica, ética e cultural colabora muito com isso. Creio que o tipo de teologia que está se pregando atualmente, que se concentra nas páginas do Antigo Testamento e delas tira lições distorcidas ou meias-verdades, é um fator importante para a disseminação do abuso.
A seu ver, existe solução para o problema? O que a igreja evangélica brasileira deveria fazer para que os fiéis não mais fossem feridos?
Não tenho todas as respostas, penso que dificilmente alguém as terá. Eu apenas aprendi, depois de muito ouvir as pessoas, feridas ou não, que buscar maturidade espiritual e assumir responsabilidades pelas próprias decisões de fé ajuda muito a evitar o abuso. Parar de procurar a ajuda de gurus evangélicos também. Como diz o Eugene Peterson, as pessoas adoram ver o pastor brincar de Deus.
Marilia de Camargo Cesar é jornalista, com passagens pela TV Globo, principais jornais de economia do Brasil e Il Sole-24 Ore, maior jornal de economia e negócios da Itália. Atualmente colabora com o Valor Econômico. É casada, tem duas filhas e mora em São Paulo.
Fonte: Site da Editora Mundo Cristão
Não sei se de fato podemos concordar que as feridas são provocadas pela inexperiência (falta de preparo) dos líderes forjados às pressas. Muito do que é considerado “preparatório” para a formação de novos líderes está também sendo responsável por grande parte deste veneno religioso superficial, hipócrita e interesseiro.
Quem dera algum de nós pudésse dizer que está totalmente livre deste veneno. Quem dera!
Só nos resta persistir em ensinar e viver o verdadeiro amor, que tudo sofre e tudo suporta.
Uma excelente observação Ariovaldo. Acho que quando pensamos em despreparo (ou falta de preparo) isso inclui um pseudo-preparo, que é o que é geralmente feito em muitos contextos desse crescimento explosivo… Tem “pastores” que são “preparados” para extorquir, aprisionar, manipular, e por aí vai… Tudo em nome da fé e do $uce$$o ministerial… Esses são tempos trabalhosos como disse S. Paulo…
Esse metodo de formação de líderes me lembra as “granjas urbanas” e as coitadas das galinhas que não dormem para produzir ovos, o pior é que esses ovos perdem o sabor e consistência. Experimentem comer ovos caipiras e entenderão. Precisamos de lideres caipiras.
Em nome do politicamnete correto, muitas vezes vemos apenas um lado da situação.
Tenho percebido cada vez mais que tudo isso é resultado tb da cobiça do próprio povo. Como já dizia o velho dito popular: O peixe morre pela boca.
Alguns livros também são ótimos e da mesma linha: O evangelho maltrapilho (Brennan Manning), Decepcionados com a graça (Paulo Romeiro), Decepcionados com Deus (Phillip Yancey).
PENSO QUE É MUITO FACIL SE DIZER FERIDO EM NOME DEUS, PRINCIPALMENTE SE VC FOI MACHUCADO POR UM PASTOR OU LIDER. MAS É AINDA MAIS FACIL E COMODO ELEGER UM LIDER/PASTOR COMO GURU E TE-LO AO SEU LADO DIZENDO O QUE VC DEVE OU NAO FAZER. SÓ QUE AS PESSOAS ESQUECEM QUE ELE TB É HUMANO SUJEITO A FALHAS E PECADOS ASSIM COMO QUEM O ELEGEU.
QUEM ESTA ERRADO O ELEITO QUE MANIPULA?
OU O ELEITOR QUE ESCOLHE SER MANIPULADO?
Aquilo que a Marília narra, é verídico, pois vivi na mesma comunidade retratada. Os dois capítulos que li, trazem a lembrança de feridas, mas também o alívio de ser apontado aquilo que é uma doença crônica na comunidade evangélica. Realmente a experiência, nos leva a maturidade, e podermos denunciar o abuso moral e religioso que invadiu a igreja cristã. A história denuncia a mesma ação na Igreja passada, quando Martinho Lutero, aponta para a Graça. Hoje a Igreja tem a mesma caracterísitca daquela Igreja, que Matinho Lutero combateu, manipulação, abuso de autoridade, visando fins lucrativos, impondo heresias e apartando o povo da graça. Parabéns à Marília, pela coragem, determinação e ousadia em escrever e descrever fatos verídicos e nos leva a questionar nossas ações e relação com a liderança.
O dinheiro, a loucura pelo dinheiro e pelo poder está levando a isso.Criticaram A Igreja católica na idade média e estão fazendo o mesmo.Vendendo indulgências e pedaçõ do céu.Não frqento igreja nenhuma por isso.A bíblia-entendo que tem metáforas,simbologias a serem interpretadas.Agora não gosto das igrejas evangélicas porque só se apegam ao Antigo Testamento.A luz de tudo está nos 4 evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.Ele renova,resataura e reforma A antiga lei.Eis aqui quem é maior do que Moisés.
Acho os evangélicos muito maltratados pelos pastores.Os católicos são mais progressistas.Atualmente vejam só.Os pastores só ficam presos ao Antigo Testamento.Os padres são mais ligados nos Evangelhos do Sr. Jesus.A igreja Evangélica, acha que tudo na bíblia é verdade.A católica admite metáforas,simbologias,histórias e estórias.Para ensinamentos, Os católicos já aderiram.Eu não frequento igreja, mas aprendi isso na Bíblia Pastoral Católica, nos ensinamentos dos rodapés.E gostei, achei bem libertador.
Cara jornalista,se fosse pela primeira impressão que tive por sua entrevista na CBN não compraria seu livro.Utilizando-se de gírias por todo o debate,também considerou a Umbanda como Espiritismo.Vou ler seu livro com ressalvas,visto que aquilo que vem pelo grupo Time Warner Globo não cheira bem
Helena, realmente é a cobiça – o amor ao dinheiro e a uma vida mansa – que leva as pessoas a explorar e serem exploradas. Somente um coisa, creio que você está equivocada quando diz que “os evangélicos” só se apagam ao Antigo Testamente. Evangélicos de verdade, se apegam à toda a Bíblia e buscam interpretá-la como um todo. Abraços.
Liz, você está certa, para os evangélicos a Bíblia toda é verdade. Mas o fato de ser toda ela verdade não significa para os evangélicos que ela não contenha metáforas, simbologias, poesia, parábolas, narrativas, etc. Evangélicos reconhecem isso e buscam interpretar a Bíblia seguindo regras de interpretação de textos de acordo com o seu contexto histórico e cultural, gênero literário, intenção do autor, e totalidade das Escrituras. Como disse Jesus, a verdade liberta. Evangélicos, de um modo geral, estão em busca da verdade. Abraços.
Não acredito na Bíblia.A Gênesis diz que a mulher pecou porque ouviu serpente astuta e comeu o fruto.O homem(ingênuo e puro)re cebeu da mulher e comeu.O homem tinha que obedecer a Deus,A mulher também.Comeram porque quiseram.E o homem mais velho que a mulher.Aí dizem que a culpa é da mulher.Aí amulher tem que ser submissa ao homem.Maridos devasssos,alcoolatras,ladrões,assassinos,cafajestes, canalhas e ai a mulher tem que ser submissa mesmo assim.A submissão homem e mulher deve a Deus.Estória contada pelos Homens para rebaixar e humilhar a mulher isso sim.Já não nos engana!
Carla, uma leitura e interpretação da Bíblia em toda a sua mensagem revelará um livro que, em vez de rebaixar e humilhar a mulher, preserva sua dignidade mais do que qualquer texto de todas as chamadas grandes religiões. É justamente a leitura supercial e distorcida que leva a intepretações e doutrinas doentias, condenadas pela própria Bíblia. Você pode não crer na Bíblia, mas seria melhor estudá-la mais antes de dizer que ela sustenta a opressão e humilhação da mulher. Mas lembre-se: a singularidade da Bíblia é que ela é feita de muitos livros, escritos por diferentes escritores num período de pelo menos 1500 anos, mas sua mensagem central é coerente. Por isso, é necessário fazer uma “teologia da mulher” em toda a Bíblia, e não apenas em parte dela. Um abraço.
[...] de Deus da jornalista Marília de Camargo César, cuja entrevista de divulgação do livro postei aqui em Março. Foi uma leitura rápida, quase que de uma sentada só. O estilo jornalístico do livro [...]
[...] de Deus da jornalista Marília de Camargo César, cuja entrevista de divulgação do livro postei aqui em Março. Foi uma leitura rápida, quase que de uma sentada só. O estilo jornalístico do livro [...]
Olá querida escritora, vi sua entrevista no programa vida com propósito fiquei curiosa e consolada em relação a seu livro, pois somos desventurados, tanto os universitários como os analfabetos. O diabo não escolhe, ele quer devorar o homem com suas armadilhas, através de seus instrumentos malignos.
Quer saber? Bem feito para nós, que tiramos os olhos de Jesus e os colocamos no homem!
olá querida irmã assisti o seu depoimento e gostaria de lhe dar os parabens por seus esforços diante dessa matéria a qual foi comentada la na oab gostei muito da materia foi um prazer ter te conhecido espero nos encontrar mais vez para ter mais conhecimento das suas materias
caetano
è mais fácio transferir a outro seus defeitos, confiança e esquece que todos nós temos defeitos.
Não sigo a pastor ou ministro ou líder. sigo a Jesus e só Ele não vai me decepcionar.
Como o livro diz “feridos em nome de deus” se alguém me feriu o que tenho que fazer é consertar com esse alguém, não inflamar outras pessoas para comprar minha posição.
Paz seja com todos
neste momento sou vitima de calunias e perseguição. Com direito a pastor me expulsando da igreja em pleno púlpito(ainda que não falou meu nome, se referia a mim)
(detalhes da triste história estão no meu blog)
Tem pastor ligando para minha casa e me chamando de Saulo, extremista e de que estou indo contra o projeto da Igreja.
E o motivo da perseguição?
foi por eu não aceitar que se use o Evangelho como forma de arrancar votos.
Até culto de Santa Ceia é utilizado para pedir votos.
pregam que para ganhar almas é preciso votar em homens de Deus, distorcendo textos da bíblia e fazendo um evangelho frankstein.