Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for April, 2009

Falando “daquele negócio”

posted by Sandroin Igreja, Missional, Projeto 242Comments (7)

P242

Nos últimos dois domingos estivemos falando “daquele negócio” no Projeto 242. Foi muito bom ver uma galera interessada em aprender e crescer na área da sexualidade desde uma perspectiva bíblica. No final, muitas pessoas vieram compartilhar comigo e expressaram que nunca antes haviam recebido um ensino tão claro, franco, descontraído e bíblico sobre o sexo. Valeu o esforço de toda a galera que tornou essas reuniões possível! Logo iremos disponibilizar os podcasts das três reuniões, uma com meu ensino bíblico e as duas sessões de perguntas e respostas com o médico ginecologista Dr. Waldir Moreno Arévalo e a sexóloga Sâmara Baggio.

Litania da liberdade

posted by Sandroin discipuladoComments (5)

Ó Jesus manso e humilde de coração, ouve-me.
Livra-me, Jeus,
do desejo de ser estimado,
do desejo de ser amado,
do desejo de ser exaltado,
do desejo de ser honrado,
do desejo de ser louvado,
do desejo de ser preferido a outros,
do desejo de ser consultado,
do desejo de ser aprovado,
do medo de ser humilhado,
do medo de ser desprezado,
do medo de ser repreendido,
do medo de ser esquecido,
do medo de ser ridicularizado,
do medo de ser prejudicado,
do medo de ser alvo de suspeitas.
E, Jesus, concede-me a graça de desejar
que outros possam ser mais amados que eu,
que outros possam ser mais estimados que eu
que na opinião do mundo
outros possam crescer e eu diminuir,
que outros possam ser escolhidos
e eu posto de parte,
que outros possam ser louvados
e eu passe despercebido,
que outros possam ser preferidos
a mim em tudo,
que outros possam tornar-se mais santos
do que eu, contanto
que eu me torne
tão santo quanto devo ser.
Amém!

C.S. Lewis sobre o sexo

posted by Sandroin TeologiaComments (9)

O texto abaixo sobre o cristão e o sexo foi escrito por C. S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples (Editora Martins Fontes). É um pouco longo para um blog, mas vale a pena ser lido caso você ainda não tenha lido o livro.

**************

A castidade é a menos popular das virtudes cristãs. Porém, não existe escapatória. A regra cristã é clara: “Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total.” Isso é tão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual, tal como é hoje em dia, se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou. (…)

Dizem que o sexo se tornou um problema grave porque não se falava sobre o assunto. Nos últimos vinte anos, não foi isso que aconteceu. Todo o dia se fala sobre o assunto, mas ele continua sendo um problema. Se o silêncio fosse a causa do problema, a conversa seria a solução. Mas não foi. Acho que é exatamente o contrário. Acredito que a raça humana só passou a tratar do tema com discrição porque ele já tinha se tornado um problema. Os modernos sempre dizem que “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”. Com isso, podem estar querendo dizer duas coisas. Uma delas é que “não há nada de errado no fato de a raça humana se reproduzir de um determinado modo, nem no fato de esse modo gerar prazer”. Se é isso o que têm em mente, estão cobertos de razão. O cristianismo diz a mesma coisa. O problema não está nem na coisa em si, nem no prazer. Os velhos pregadores cristãos diziam que, se o homem não tivesse sofrido a queda, o prazer sexual não seria menor do que é hoje, mas maior. Bem sei que alguns cristãos de mente tacanha dizem por aí que o cristianismo julga o sexo, o corpo e o prazer como coisas intrinsecamente más. Mas estão errados. O cristianismo é praticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo — que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia. O cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente. Mas é claro que, quando as pessoas dizem “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”, elas podem estar querendo dizer que “o estado em que se encontra nosso instinto sexual não é algo de que devemos sentir vergonha”.

Se é isso que querem dizer, penso que estão erradas. Penso que temos todos os motivos do mundo para sentir vergonha. Não há nada de vergonhoso em apreciar o alimento, mas deveríamos nos cobrir de vergonha se metade das pessoas fizesse do alimento o maior interesse de sua vida e passasse os dias a espiar figuras de pratos, com água na boca e estalando os lábios. Não digo que você ou eu sejamos individualmente responsáveis pela situação atual. Nossos ancestrais nos legaram organismos que, sob este aspecto, são pervertidos; e crescemos cercados de propaganda a favor da libertinagem. Existem pessoas que querem manter o nosso instinto sexual em chamas para lucrar com ele; afinal de contas, não há dúvida de que um homem obcecado é um homem com baixa resistência à publicidade. Deus conhece nossa situação; ele não nos julgará como se não tivéssemos dificuldades a superar. O que realmente importa é a sinceridade e a firma vontade de superá-las.

Para sermos curados, temos de querer ser curados. Todo aquele que pede socorro será atendido; porém, para o homem moderno, até mesmo esse desejo sincero é difícil de ter. E fácil pensar que queremos algo quando na verdade não o queremos. Um cristão famoso, de tempos antigos, disse que, quando era jovem, implorava constantemente pela castidade; anos depois, se deu conta de que, quando seus lábios pronunciavam “ó Senhor, fazei-me casto”, seu cotação acrescentava secretamente as palavras: “Mas, por favor, que não seja agora.” Isso também pode acontecer nas preces em que pedimos outras virtudes; mas há três motivos que tornam especialmente difícil desejar — quanto mais alcançar – a perfeita castidade.

Em primeiro lugar, nossa natureza pervertida, os demônios que nos tentam e a propaganda a favor da luxúria associam-se para nos fazer sentir que os desejos aos quais resistimos são tão “naturais”, “saudáveis” e razoáveis que essa resistência é quase uma perversidade e uma anomalia. Cartaz após cartaz, filme após filme, romance após romance associam a idéia da libertinagem sexual com as idéias de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor. Essa associação é uma mentira. Como toda mentira poderosa, é baseada numa verdade – a verdade reconhecida acima de que o sexo (à parte os excessos e as obsessões que cresceram ao seu redor) é em si “normal”, “saudável” etc. A mentira consiste em sugerir que qualquer ato sexual que você se sinta tentado a desempenhar a qualquer momento seja também saudável e normal. Isso é estapafúrdio sob qualquer ponto de vista concebível, mesmo sem levar em conta o cristianismo. A submissão a todos os nossos desejos obviamente leva à impotência, à doença, à inveja, à mentira, à dissimulação, a tudo, enfim, que é contrário à saúde, ao bom humor e à franqueza. Para qualquer tipo de felicidade, mesmo neste mundo, é necessário comedimento. Logo, a afirmação de que qualquer desejo é saudável e razoável só porque é forte não significa coisa alguma. Todo homem são e civilizado deve ter um conjunto de princípios pelos quais rejeita alguns desejos e admite outros. Um homem se baseia em princípios cristãos, outro se baseia em princípios de higiene, e outro, ainda, em princípios sociológicos. O verdadeiro conflito não é o do cristianismo contra a “natureza”, mas dos princípios cristãos contra outros princípios de controle da “natureza”. A “natureza” (no sentido de um desejo natural) terá de ser controlada de um jeito ou de outro, a não ser que queiramos arruinar nossa vida. E bem verdade que os princípios cristãos são mais rígidos que os outros; no entanto, acreditamos que, para obedecer-lhes, você poderá contar com uma ajuda que não terá para obedecer aos outros.

Em segundo lugar, muitas pessoas se sentem desencorajadas de tentar seriamente seguir a castidade cristã porque a consideram impossível (mesmo antes de tentar). (…) Podemos ter certeza de que a castidade perfeita — como a caridade perfeita — não será alcançada pelo mero esforço humano. Você tem de pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo. Por mais importante que seja a castidade (ou a coragem, a veracidade ou qualquer outra virtude), esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos, por um lado, que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos; e, por outro, que não devemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição.

Em terceiro lugar, as pessoas muitas vezes não entendem o que a psicologia quer dizer com “repressão”. Ela nos ensinou que o sexo “reprimido” é perigoso. Nesse caso, porém, “reprimido” é um termo técnico: não significa “suprimido” no sentido de “negado” ou “proibido”. Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi jogado para o fundo do subconsciente (em geral na infância) e só pode surgir na mente de forma disfarçada ou irreconhecível. Ao paciente, a sexualidade reprimida não parece nem mesmo ter relação com a sexualidade. Quando um adolescente ou um adulto se empenha em resistir a um desejo consciente, não está lidando com a repressão nem corre o risco de a estar criando. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos têm mais consciência de sua sexualidade e logo passam a conhecê-la melhor que qualquer outra pessoa. Acabam conhecendo seus desejos como Wellington conhecia Napoleão ou Sherlock Holmes conhecia Moriarty; como um apanhador de ratos conhece ratos ou como um encanador conhece um cano com vazamento. A virtude – mesmo o esforço para alcançá-la — traz a luz; a libertinagem traz apenas brumas.

Para encerrar, apesar de eu ter falado bastante a respeito de sexo, quero deixar tão claro quanto possível que o centro da moralidade cristã não está aí. Se alguém pensa que os cristãos consideram a falta de castidade o vício supremo, essa pessoa está redondamente enganada. Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio. Isso porque existem duas coisas dentro de mim que competem com o ser humano em que devo tentar me tornar. São elas o ser animal e o ser diabólico. O diabólico é o pior dos dois. E por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta. É claro, porém, que é melhor não ser nenhum dos dois.

Cristianismo de Consumo?

posted by Sandroin IgrejaComments (11)

“Em vez de procurar uma igreja que ensine a Palavra de Deus, algumas vezes buscamos uma igreja que ’supra nossas necessidades’. A igreja não existe para prover ’serviços’ aos membros; ao contrário, ela deve desafiar os membros a que se envolvam no ’serviço’ a Deus e a seus semelhantes. Quando pensamos como consumidores, colocamo-nos em primeiro lugar, escolhendo o que corresponde melhor aos nossos desejos. O cristianismo é uma questão de verdade, de submissão ao Deus santo e justo, cuja autoridade sobre nós é absoluta e que, de forma alguma, está sujeito às nossas preferências de consumo. O cristianismo não deve ser manchado pelo consumismo.”

- Gene Edwards Veith Jr. em Posmodern Times citado por Hernandes Dias Lopes em Pregação Expositiva (2008).

Novo Calvinismo vira notícia

posted by Sandroin TeologiaComments (6)

A revista Time  na semana passada apontou o novo calvinismo em terceiro lugar na sua matéria de capa sobre as 10 Idéias Mudando o Mundo Agora Mesmo (texto original em inglês aqui e tradução em português aqui). Mark Driscoll, pastor da Mars Hill em Seattle, EUA, escreveu uma pequena postagem (aqui) sobre o que ele considera as principais diferenças entre o velho e o novo calvinismo. Segundo Driscoll, há quatro motivos pelos quais o “novo calvinismo” é tão poderoso:

1. O Velho Calvinismo era fundamental ou liberal e era separado da cultura ou sincretizado com a mesma. O Novo Calvinismo é missional e busca criar e redimir a cultura.

2. O Velho Calvinismo fugiu das cidades. O Novo Calvinismo está invadindo as cidades.

3. O Velho Calvinismo era cessacionista e temeroso da presença e poder do Espírito Santo. O Novo Calvinismo é contemporanista e se alegra na presença e poder do Espírito Santo.

4. O Velho Calvinismo temia e suspeitava de outros cristão e por isso queimou pontes [de relacionamento]. O Novo Calvinismo ama a todos os cristãos e constrói pontes entre eles.

Seguir a Jesus

posted by Sandroin arte, discipuladoComments (6)

Empty Boat

Em meio a tanta conversação, discussão e completa falta de direção que tem caracterizado a maior parte do “diálogo” emergente nestes tempos pós-modernos, encontro na poesia de Guilherme Kerr e Jorge Rehder o que minha alma mais tem sede de ouvir (e seguir):

Seguir a Jesus é deixar as redes, é deixar o barco
É fazer-se de fraco pra levar os fracos à Verdade
É ser livre de tudo, ser servo de todos
É ter no coração
A vontade de sempre, com amor mais ardente
Servir a Jesus

Seguir a Jesus é perder sua vida pra encontrar vida plena
É abrir mão de tudo, entregar-se de todo, vale a pena!
É ser livre e cativo no amor mais ativo
É ter no coração
A vontade de sempre, com amor mais ardente
Servir a Jesus

(Maio 1985)

Quando perseverar é preciso

posted by Sandroin Música, discipuladoComments (2)

Gosto de uma frase de Nietzsche no livro Além do Bem e do Mal: “A coisa essencial ‘no céu e na terra’ é… que haja uma longa obediência na mesma direção; assim resulta, e sempre resultou no final, algo que já fez a vida valer a pena.”
Esta frase inspirou o título do livro de Eugene Peterson sobre o discipulado cristão a partir dos Salmos de peregrinação, também chamados de cânticos dos degraus, que eram cantados durante a subida dos peregrinos para as festas na Cidade Santa. A idéia é que a jornada espiritual para ser como Jesus  (ou deixar que Cristo seja formado em nós) não é apenas longa, mas uma longa obediência: algo que exige empenho, dedicação e perseverança.
Tenho ouvido o novo CD do U2 quase que diariamente nas últimas 5 semanas e acabei percebendo essa mesma idéia na letra do Bono para a música mais comercial do álbum (possivelmente a mais comercial da carreira do U2). A letra da música I Will Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight diz o seguinte:

Oh, a change of heart comes slow
It’s not a hill, it’s a mountain
As you start out the climb
Do you believe me or are you doubting
We are gonna make it all the way to the light

(Oh, uma mudança de coração é devagar
Não é uma colina, é uma montanha
Quando você começa a escalar
Você acredita em mim ou está duvidando?
Nós chegaremos até alcançar a luz)

Penso como é relativamente fácil iniciar algo, quer seja um novo relacionamento, um empreendimento, um programa de exercícios físicos, uma longa caminhada, etc. Geralmente há muita empolgação no começo, muitos sonhos, promessas e grandes expectativas. É uma verdadeira lua-de-mel, tudo é maravilhoso. Aqueles que iniciam estão cheios de energia e sentem-se como se os possíveis desafios à frente fossem apenas uma colina, relativamente fácil de ser conquistada. Mas a realidade é que, para aquelas coisas que fazem a vida valer a pena, o que temos que enfrentar pela frente é mais parecido com um K2, uma Trango Tower ou um Everest.
Por isso mesmo, o teste de todas as coisas é o tempo – e a perseverança com o passar do tempo. Em seu livro The Dip (publicado no Brasil sob o título de O Melhor do Mundo), o guru do marketing Seth Godin diz que o vão é a longa e cansativa caminhada entre o início e a maestria… a diferença entre o conhecimento básico dos “iniciantes” e a técnica apurada dos “especialistas”, seja em que área da vida for. Em outras palavras, é o resultado que se alcança quando se segue uma longa obediência numa mesma direção. É a maturidade que só se alcança tendo atravessado grandes dificuldades com espírito resoluto, por saber que está indo na direção certa. Talvez seja isso que Jesus tenha falado quando comparou o custo do discipulado com a maneira que alguém deveria calcular o preço antes de se lançar num projeto de construção ou calcular suas forças antes de entrar numa guerra. Não será fácil, então é melhor pensar bem antes de iniciar, para não desistir quando a jornada ficar difícil, quando aparecer uma depressão (um vão – the dip) no meio do caminho e você sentir que, em vez de estar subindo, progredindo, alcançando o sucesso tão sonhado, está caindo em meio às dificuldades. Somente aqueles que atravessam o vão colhem os frutos da vida pela qual vale a pena viver. É preciso não somente combater o bom combate e completar a carreira, mas fazer isso sem perder a fé, sem perder a paixão e o prazer que fez você iniciar o jornada em primeiro lugar.
Quando percebemos que estamos no rumo errado, o mais certo é desistir e voltar atrás. Mas quando no fundo de nosso coração sabemos que este é o rumo certo, então perseverar é preciso.
Você acredita em mim ou está duvidando?