A editora Vida publicou o mais recente livro de Rob Bell, Jesus Quer Salvar os Cristãos. Este é o seu terceiro livro, sendo o primeiro Velvet Elvis (publicado no Brasil como Repintando a Igreja) e o segundo Sex God (que está no prelo pela própria editora Vida). Eu escutei o audiobook logo que o livro foi lançado e li a tradução em português essa semana. Este é, em minha opinião, o melhor livro de Rob Bell até agora (ele o escreveu em parceria com Don Golden, seu companheiro de ministério na igreja Mars Hill). Abaixo estão algumas frases sublinhadas por mim em minha leitura do livro:
Um cristão deveria sentir-se muito nervoso quando bandeira e Bíblia começam a se dar as mãos. Este não é um romance que queremos encorajar. (p. 21)
Os Dez Mandamentos são um novo modo de ser humano, um novo modo de viver e se mover no mundo, em aliança com o Deus que ouve o clamor dos oprimidos e os liberta. (p.40)
Deus não tem nada contra comer, beber e possuir coisas. Mas, quando essas coisas são adquiridas à custa da satisfação das necessidades básicas dos outros, aí sim, os discursos apaixonados dos profetas entram em ação. (p. 53)
Nossas lágrimas são sagradas. Regam o solo em torno dos nossos pés para que coisas novas possam brotar. (p. 61)
…é tão perigoso quando uma igreja se torna conhecida como contemporânea, descolada e moderna. O novo homem não é um modismo. (p 179)
Bom é participar de uma igreja que se reuniu e olhar à sua volta, pensando: “O que esse grupo de pessoas pode ter em comum?”. (p. 180)
A autoridade que a igreja exerce na cultura não procede do quanto está certa ou é legal ou barulhenta, nem do quanto está convencida de sua superioridade doutrinária. (p. 184)
Um ponto positivo é que este é o livro de Rob Bell que mais interage com as Escrituras, e isso é bom numa época que a Bíblia tem perdido centralidade nos diálogos emergentes. A interpretação que Bell faz da narrativa bíblica fica um pouco a desejar, no entanto, e, apesar de logo de início ele ter apresentado o livro como “um livro sobre um livro”, deixar Abraão de fora do plano de Deus para abençoar as nações é algo totalmente incompreensível para mim. Este não é um livro de panorama bíblico, muito embora, para quem não está familiarizado com a narrativa bíblica, servirá como uma introdução.
Seguindo a tendência pós-moderna de se esquivar do escândalo da cruz, ela não é vista em Jesus Quer Salvar Cristãos do ponto de vista da redenção por meio da morte substitutiva de Cristo, mas como demonstração de paz por meio do auto-sacrifício e não-violência (seria isso uma influência da teologia liberal de Crossan, dentre outros?).
Eu recomendo a leitura de Jesus Quer Salvar os Cristãos como um panorama sobre o coração de Deus com relação ao pobre e oprimido. Para quem quiser se aprofundar nesse tema recomendo a leitura de Cristãos Ricos Em Tempos de Fome de Ron Sider (Sinodal, 1984) e O Poder da Justiça de John Perkins (Editora Missão, 1990). Você vai ter que garimpar para encontrar estes livros, mas valerá a pena…
Gostei dos trechos e das indicações. Essas questão da expiação e as controvérsias (Rob Bell x Mark Driscoll; John Piper x N. T. Wright), me incomodam um pouco, pois minha formação é “inacabada”. Como aproveitar o melhor de todos sem ser inconsistente?
Minha constante preocupação com o Bell é justamente esse “esquivamento” dos pontos centrais e sine qua non do Cristianismo. Cristianismo sem Cruz é como tomar banho sem água, impossível. Nesse sentido, o movimento emergente praticado pela turma do Bell, McLaren e alguns do emergent village é uma corruptela do liberalismo teológico de 50 anos atrás – e todos sabemos o que ele fez na Europa.
Daniel, sua pergunta, “como aproveitar o melhor de todos sem ser inconsistente?” pode ser respondida da seguinte forma: ” julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Tessalonicenses 5:21 – RA).
abraço em vocês, Sandro e Daniel.
Cara peguei o livro essa semana e já estou terminando, iria ate fazer esse comentário com você, que nesse aqui parece que ta mais centrado na Bíblia… Pelo titulo do livro e pela 4ª capa eu esperava mais…
Acho que precisamos saber definir bem o espaço ocupado pela criatividade na Igreja (que dá o jeitão contemporâneo, descolado e moderno). Ela deveria ser a expressão do novo homem, e não simples modismo.
Também não podemos embalar o escândalo da cruz com esse jeitão cool, light. Ele deve permanecer o que é: um escândalo.
Obrigado pelos comentários! Daniel, o conselho do Eduardo é o mesmo que eu daria… Só acrescentaria que, para mim, Rob Bell e alguns outros dessa geração emergente tem muito mais para acrescentar em seus questionamentos com relação a eclesiologia do que teológicos. Particularmente, a teologia é o ponto mais fraco e vulnerável deles, justamente por se aproximarem do liberalismo que não produz nada a não ser morte.
Curioso, eu nunca li o Bell, e embora tenha sido mto abencoado pelos episodios do Nooma ontem eu falava com a Rubia sobre desconfiar que ele tinha algo que deixava com a pulga atraz da orelha, agora sei o pq disso, essa questao de maquear ou fazer re-design da cruz é um grande problema!
Sei que o Bell tem contribuido de forma positiva p/ o cristianismo conteporaneo mas sem os cuidados dos versos destacados pelo Eduardo Mano e por vc isso pode se tornar um grande problema.
E seu eu pudesse me intrometer e dar uma dica ao
Daniel diria para procurar ler maior quantidade de textos biblicos do que os livros de quem quer que seja, em um dos livretos antigo do Caio Fabio ele diz isso, (mais ou menos dessa formas) ” se for ter q deixar de le r meus livros para ler a Biblia, faça isso”
Pessoalmente gosto muito da série Nooma, não li nenhum livro dele ainda, mas quando tiver oportunidade o farei. Então não me sinto a vontade em comentar, mas gosto de ler textos que me instigam, mesmo que não concorde com algumas coisas, como o Gondim por exemplo.
Legal o texto e a indicação do livro. Não li os livros do Rob Bell, mas ainda desejo lê-los. E acho que é isso, ler de tudo e sempre retendo o que é bom. PAZ
Esse Rob Bell irmãos é um falso mestre, um impostor que nega a pregação autentica da cruz, será que ninguém ai percebeu!? Escrevi um pequeno artigo no meu blog sobre isso … quem quiser leia se prega um falso evangelho é um falso mestre:
http://fimdosdiasnaterra.blogspot.com/2009/07/rob-bell-cuidado-falso-mestre.html
Deus abençoe a todos em nome de Jesus e fujam dele!
Esse é o próximo livro do Rob Bell que irei comprar!
Acabei de ler seus comentários sobre o livro Jesus quer salvar os cristãos. Mc Laren disse q a cruz é a propaganda enganosa do cristianismo. Será q o Bell bebeu da fonte de Brian McLaren? Tudo indica q sim. No site da Mars Hill no espaço “What we belivee” , há a a teologia narrativa como declaração de fé da igreja, q segundo Driscoll, é o credo da Igreja Emergente. É uma pena a igreja emergente pensar dessa forma. Se fossem mais bíblicos, conquistariam mais nichos.