Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for June, 2009

U2 trezentos e sessenta graus

posted by Sandroin Música, arteComments (6)

 Após muita espera, começou hoje a turnê 360° da banda irlandesa U2. Os dois primeiros shows (hoje e quinta-feira, dia 02/07) são em Barcelona. Na era do YouTube, Flicker e Twitter, já é possível ver imagens gravadas do show de hoje, além de conferir fotos e o setlist do show.

U2 live in Barcelona

U2 ao vivo em Barcelona

Bono e Larry em Barcelona

O setlist deste primeiro show inclui músicas de 8 discos da banda: foram 7 faixas do novo disco No Line on the Horizon (Breathe, No Line On The Horizon, Get On Your Boots, Magnificent, I Will Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight, Unknown Caller e Moment of Surrender), 3 faixas de All That You Can’t Leave Behind (Beautiful Day, In A Little While e Walk On), 3 faixas de The Unforgettable Fire (The Unforgattable Fire, Pride e MLK), 3 faixas de The Joshua Tree (Still Haven’t Found What I’m Looking For, Where The Streets Have No Name e With Or Without You), 2 faixas de How to Dismantle an Atomic Bomb (Vertigo e City of Blinding Lights), 2 faixas de Achtung Baby (One e Ultra Violet), 1 faixa de War (Sunday Bloody Sunday) e  1 faixa de Rattle and Hum (Angel of Harlem). Por enquanto, nenhuma faixa de Boy, October, Zooropa e Pop. Será interessante acompanhar esse setlist no decorrer da turnê e ver quais músicas ficam e quais desaparecem dando lugar a outras.  A banda de abertura foi ninguém menos que a fantástica Snow Patrol e a música que ficou tocando no PA anunciando a entrada da banda foi Space Oddity de David Bowie. A banda fez também um link com a estação espacial internacional e conversou ao vivo com os astronautas. Surreal. Considerada a turnê mais cara da carreira da banda (algo em torno de 100 milhões de dólares), há ainda não há nenhuma previsão de que ela passará por aqui.  Informações completas sobre esta e outras turnês do U2 você encontra em U2Tour.

A Marca do Cristão

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Francis Schaeffer

Sábado passado li o último texto de Francis Schaeffer que faltava para completar minha leitura de todos os seus títulos disponíveis na língua portuguesa (tenho outros livros dele em inglês e espanhol e estou aguardando para pegar sua obra completa em inglês daqui alguns meses). Trata-se do breve texto A Marca do Cristão (Abba Press – Agosto/2008).

Prefaciado por Caio Fábio, o texto é simples e direto, de leitura fácil e rápida, no entanto é um dos melhores textos escritos por este grande filósofo cristão. Minhas únicas reclamações com relação a edição da Abba Press são a irritante insistência de colocar KJA (King James Atualizada) à frente de cada referência bíblica (bastava indicar uma única vez que a versão usada seria a KJA – como foi feito logo no início – mas até parece que os editores quiseram passar uma mensagem subliminar sobre o uso da KJA…) e as inserções no texto chamadas de “hipertextos” e “mensagem relâmpago”. A maioria delas são até que boas, mas deveriam ficar fora do texto corrido para não serem confundidas com o próprio texto de Schaeffer. Eu mesmo fiz um esforço tremendo para ignorar todas essas coisas e ler apenas o texto de Schaeffer. Depois retornei e li alguns hipertextos, etc.

De qualquer modo, para quem ainda não leu, fica aqui a dica de leitura deste pequeno texto de Francis Schaeffer, 25 anos depois de sua morte.

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“Nós não apenas cremos na existência da verdade, mas também cremos que nós temos a verdade – a verdade que podemos compartilhar no Século XX. Você pensa que nossos contemporâneos nos levarão a sério se nós não praticarmos a verdade na qual dizemos crer? Numa Era que não acredita que a verdade exista, você crê que nós teremos qualquer credibilidade se não praticarmos a verdade…?”

- Francis August Schaeffer (1912-1984)

O Celeste Porvir

posted by Sandroin Igreja, TeologiaComments (9)

Nos últimos 20 anos tenho percebido uma tendência no evangelicalismo brasileiro no sentido de minimizar (ou até mesmo eliminar por completo) a mensagem da Volta de Cristo e da esperança da Igreja no mundo porvir. Os carismáticos e neo-pentecostais, com sua ênfase na prosperidade, saúde e uma vida em que a fé garante imunidade contra qualquer tipo de sofrimento, promovem o céu na terra e, evidentemente, conduzem as pessoas a ficarem bem confortáveis com a vida aqui mesmo, sem a necessidade de se pensar no além. Por outro lado, me parece que cada vez mais evangélicos mais tradicionais também estão deixando de lado a crença no Advento da Segunda Vinda, desta vez com a mensagem da missão integral (e eu apoio totalmente a missão integral), como se a Igreja fosse responsável por produzir o céu na terra através da ação social – e fica só nisso, eliminamos a pobreza, estabelecemos a paz por meio do politicamente correto, preservamos o planeta e todos ficam felizes para sempre aqui mesmo na terra.

Creio que tanto a postura escapista apontada por Antonio Gouvêa em seu trabalho usado como título desta postagem e que discorre sobre a inserção do protestantismo no Brasil – postura na qual eu cresci nas décadas de 1970-80 – como a posição de descaso atual (Quando foi a última vez que você ouviu um sermão sobre a Segunda Vinda? Falar sobre a Segunda Vinda em alguns círculos é correr o risco de ser taxado de retrógrado.) são erros que a Igreja comprometida com a mensagem de Jesus deve evitar. Foi pensando nisso que li o texto de A. W. Tozer com o título de O Mundo Vindouro, do qual transcrevo abaixo alguns parágrafos. Tozer escreveu isso há mais de 50 anos, mas suas palavras soam como se tivessem sido escritas hoje.

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Tem-se citado como defeito do cristianismo, que ele se preocupa mais com o mundo vindouro do que com o mundo que agora existe, e algumas almas tímidas se agitam procurando defender a fé cristã contra essa acusação, como a galinha defende os seus pintinhos das garras do gavião.

Tanto o ataque como a defesa são desperdiçados. Ninguém que sabe o que o Novo Testamento tem em vista, se aborrecerá com a acusação de que o cristianismo pertence a outro mundo. É claro que é assim, e é precisamente nisto que reside o seu poder.

Na última metade de século, o cristianismo foi abalado pelas críticas de certos filósofos sociais. Estes cavalheiros presumiram a bondade básica do presente sistema mundial. Com uns poucos melhoramentos aqui e ali, uma sociedade próspera, saudável e pacífica poderia ser estabelecida aqui mesmo, nesta terra, e fazê-lo, dizem eles, é todo o dever do homem.

Estes homens foram suficientemente observadores para ver que sua concepção de um mundo permanentemente pacífico era contrária aos ensinos do Novo Testamento; assim, muito naturalmente, muitos líderes cristãos influentes não foram bastante astutos para notar a contradição entre os ipse dixit de Cristo e as doutrinas dos sonhadores sociais e, aflitos com as acusações lançadas contra eles pelos pensadores do mundo unificado, abandonaram a sua posição cristã e correram atrás dos filósofos sociais, gritando: “Eu também, eu também”, num frenético esforço para provar que o mundo tinha entendido mal o cristianismo do princípio ao fim. É claro que, ao fazer isso, eles renunciaram a tudo que é único na fé cristã e adotaram um cristianismo enfraquecido, que é pouco mais do que um fantasma da fé uma vez por todas entregue aos santos.

Que ninguém peça desculpas pela vigorosa ênfase que o cristinismo dá à doutrina do mundo vindouro. É justamente aí que está a sua imensa superioridade às demais coisas dentro de toda a esfera do pensamento e da experiência dos homens. Quando Cristo ressurgiu da morte e ascendeu ao céu, estabeleceu para sempre três fatos, a saber, que este mundo está condenado à dissolução final, que o espírito humano subsiste além do túmulo e que existe realmente um mundo por vir.

A igreja está sendo constantemente tentada a aceitar este mundo como o seu lar, e às vezes ela dá ouvidos às adulações daqueles que desejam seduzi-la para os seus próprios fins. Mas, se for sábia, considerará que se acha no vale, entre as altaneiras montanhas da eternidade passada e eternidade futura. O passado se foi para sempre, e o presente vai passando veloz como a sombra no relógio de sol de Acaz. Mesmo que a terra continuasse a existir por um milhão de anos, nenhum de nós poderia estar aqui para desfrutá-la. Faremos bem em pensar no prolongado amanhã.

Todos nos dirigimos rumo ao mundo vindouro. Como é indescritivelmente maravilhoso saber que nós cristãos temos um de nossa espécie que foi na frente preparar um lugar para nós! Esse lugar será num mundo ordenado divinamente, acima e além da morte e da separação, onde não há nada que possa causar dano ou medo.

(do livro De Deus e o Homem por A. W. Tozer, Editora Mundo Cristão, 1981, páginas 106-108)

Um dos meus CDs favoritos

posted by Sandroin MúsicaComments (6)

Há 2o anos a banda cristã de rock White Heart lançava aquele que, na minha opinião, foi seu melhor trabalho (e possivelmente um dos melhores discos da música cristã contemporânea dos anos 80). Freedom, o sexto álbum da banda, foi lançado oficialmente em 06 de junho de 1989, sendo o terceiro trabalho com a formação que incluía Rick Florian (vocal), Gordon Kennedy (guitarra), Tommy Sims (baixo), Chris McHugh (bateria), além dos fundadores da banda Mark Gersmehl (teclado/vocal) e Billy Smiley (guitarra/teclado/vocais). A produção ficou por conta do magistral Brown Bannister, também responsável pelo clássico Lead Me On da Amy Grant (outro de meus favoritos).

A sonoridade de Freedom foi influenciada pelo disco The Joshua Tree do U2 (precisa dizer que este também está na minha lista de favoritos?), gravado dois anos antes, principalmente o baixo e guitarra nas músicas The River Will Flow, Let it Go e Sing Your Freedom. Várias faixas fizeram sucesso nas rádios cristãs, como Let the Kingdom Come, Invitation e Over Me.  A letra de Power Tools já encontrou espaço em algumas reflexões feitas por mim no Projeto 242 nos últimos anos: “É melhor abrir os olhos / É melhor saber quem está fazendo todas as regras / Ele é um homem de Deus / Ou apenas um bebê com ferramentas poderosas?”

A primeira faixa do CD chama-se Bye Bye Babylon (letra traduzida abaixo):

Voltando na história à cidade poderosa
Coloco meus pés nas ruas da Babilônia
Ouro e glitter, torres espantosas
Está tudo dentro dos muros da Babilônia
Força e segurança, conforto e tranquilidade
O que poderia ser melhor do que viver na Babilônia?
Mas sua força era apenas uma ilusão
Agora a cidade descansa sob ruínas
Adeus, adeus Babilônia
Este monumento ao orgulho já era
Adeus, adeus Babilônia
Deus não era sua força e canção
Então adeus Babilônia
Viajando num foquete através do tempo e espaço
É o ano 2088
Eles estão escavando no pó do que nós fizemos
Agora as pessoas me estudam
Eu sou uma parte da história
Será que deixamos para eles outra Babilônia?
Há evidências de um avivamento espiritual
Ou deixamos uma terra de ídolos quebrados?
Adeus, adeus Babilônia
Nosso monumento é o Santo Deus?
Adeus, adeus Babilônia
Se Deus não for nossa força e canção
Então é adeus Babilônia

Numa época de tanta música descartável, Freedom ainda encontra espaço em meu iPod 20 anos depois.

Pastores ou Personalidades?

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O texto abaixo foi publicado no blog Out of Ur em fevereiro deste ano. Logo que o li, decidi fazer uma tradução livre do mesmo, mas acabei deixando-a esquecida na minha caixa de rascunhos. Creio que ele pode ser lido como um complemento para a reflexão anterior sobre o “espírito de pastor.”

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Pastores ou Personalidades?

Numa cultura obcecada com o ego, pastores trocaram a “morte do eu” pela auto-promoção

Penso que foi quando eu estava na faculdade que vi pela primeira vez o título de uma revista que resplandecentemente se chamava EGO, e era tão ousada que poderia ser chamada de EGO! Nutrido por uma teologia que extraia seus sucos da Bíblia e influenciado por gente como Agostinho, Lutero e Calvino, eu me distanciava de qualquer revista ou pessoa que se promovesse com a palavra “ego”. O ego, eu fui ensinado, tinha que morrer (Lucas 9:23) ou ser colocado à morte (Romanos 6). Na verdade, meus pastores frequentemente falavam da “mortificação” da carne (e do ego).

Minha criação, então, me colocou em alerta quando eu vi a revista chamada EGO e quando o sentimento fez seu ninho na famosa música de Whitney Houston “The Greatest Love of All“. Suas palavras nos dizem que “aprender a amar a si mesmo é o maior amor de todos.” Bem, sim, eu diria a mim mesmo, precisamos ter um amor próprio… mas como pode nosso “maior” amor ser dirigido a nós mesmos? A Geração “Me” criou o que Jean Twenge está agora chamando de Geração EU. Outros a chamam de iGen. Esse valor está em todos os lugares; é o ar que a GeraçãoEU respira; e tem feito investidas potentes na igreja.

Recentemente vi o site de uma igreja onde em vez de encontrar “Pastores” ou “Equipe de Trabalho” estava listado “Personalidades”. Um clique revelava as “personalidades” destas personalidades, ou pelo menos, as “personalidades” que essas pessoas queriam que outros vissem. Não me lembro de todos os detalhes, mas li coisas como o que eles comiam no café da manhã ou o que faziam quando não estavam em suas funções na igreja. E assim por diante, mas já tinha visto o suficiente, então cliquei sobre o X vermelho no canto da janela e fui sentar-me em uma poltrona e pensar um pouco.

Pensei sobre o modo como fui criado que me levou a ficar ofendido ou chocado por qualquer pastor que se deixasse ser apresentado desta maneira no site da igreja. Minha criação tinha me ensinado certas coisas sobre um pastor:

Primeiro, é um chamado sagrado ter sido arrancado do pecado para um lugar de não somente receber graça, mas também dispensá-la. A tarefa primária do pastor é “espalhar o Evangelho”. Como? Como um pastor de pessoas e como um pregador do Evangelho. Para ter certeza, o pastor aprende a espalhar o Evangelho a si mesmo também. O site poderia facilmente ter refletido isso. Mas não fez.

Segundo, ser um líder do povo de Deus neste mundo é um chamado nobre. As gerações anteriores criaram uma imagem de pastores focada na distância, separação, santidade e, algumas vezes ,extrapolaram a nobreza da imagem [pastoral]. Esta geração atual desfez a imagem e, no processo, se apaixonou com a “autenticidade” e o “eu sou igualzinho a você”. Eu duvido que o apóstolo Paulo tinha isso em mente quando ele enviou suas instruções aos presbíteros nas epístolas pastorais. Líderes lideram porque eles têm algo a dizer e mostrar aos outros.

Terceiro, requer-se um compromisso à reverência tanto diante de Deus como da tarefa pastoral. Talvez a maior necessidade da geração atual é a de modelos de santidade e reverência. Isto é, pastores que se calam diante do próprio Nome de Deus, que falam com reverência no sagrado da presença de Deus, e que falam de si mesmos e de sua tarefa com um senso de gratidão e espanto. Precisamos de mais gente como Eugene Peterson. Você pode pensar em outros [como ele].

Quarto, acima de tudo, pastores devem ser exemplos da mortificação do eu e da carne. Eles devem exibir auto-negação diária. O pastor se levanta diante de sua congregação como um todo: pastor, pai, marido, mentor, guia espiritual, irmão, amigo e companheiro cristão. Como um “companheiro” cristão o pastor deve ser um modelo para todos de uma vida de “morte do eu e morte da carne”. Muitos hoje em dia estão com medo de colocar os pastores em pedestais e elevá-los acima do sacerdócio de todos os crentes. Isso é compreensível, mas o extremo oposto não é nada melhor. Não podemos perder a expectativa de que o pastor deve ser realmente um bom exemplo do que significa viver corretamente diante de Deus.

Eu não me considero um antiquado; nem um fossilizado. Mas estou contente em dizer que pastores devem ser santos e reverentes e tão gratos pela graça de ser um pastor que eles nunca irão divulgar a si mesmos como a palavra “personalidade”, a qual não é nada mais do que a palavra “EU” vestida de um roupagem pós-moderna que eles aprenderam no divã de Freud. A melhor palavra para um pastor na internet ainda é “pastor”.

Por Scot McKnight, professor de Estudos Religiosos na North Park University.