
Na terça-feira, dia 07/07, Derek Webb lançou via internet seu mais novo e tão aguardado álbum Stockholm Syndrome. O CD deverá sair em setembro deste ano, mas já é possível baixar as músicas no site por um preço que vai desde US$7,99 a US$59,99, dependendo do “pacote” que você estiver interessado em comprar. Tão logo eu recebi o e-mail do mailing do Derek, entrei no site e efetuei uma compra: por US$ 9,99 comprei o audio para download imediato e o direito de receber pelo correio as duas versões em CD quando elas saírem em setembro.
Conheci a música de Derek Webb em 1999. Eu estava num show em Orlando para ver duas bandas que curtia bastante: Third Day e Jars of Clay. Outros artistas se apresentaram na noite, alguns deles bem no início da carreira: Andrew Peterson, Bebo Norman e Caedmon’s Call. Ganhei um CD autografado do Caedmon’s Call, mas confesso que não curti muito o som a princípio. Na verdade, só comecei a me interessar mais pela banda depois que seu vocalista principal, Derek Webb, se lançou em uma carreira solo paralela. Comprei She Must And Shall Go Free (2003), I See All Things Upside Down (2004) e baixei Mockingbird (2005) gratuitamente no site dele, sendo este seu melhor trabalho, em minha opinião. Logo percebi que se tratava de um artista acima da média, para dizer pouco. Continuei seguindo sua carreira e aguardei com outros milhares de fãs o desenrolar da gravação e lançamento de Stockholm Syndrome.
Estou ouvindo Stockholm Syndrome e curtindo a mudança de direção no som de Derek, chamada de post-folk. Para quem ouviu a versão remix de One Zero (2007), o novo trabalho segue a mesma sonoridade e, em alguns momentos, me lembra Radiohead na fase Kid A e Amnesiac sem a voz de Tom Yorke.
Derek Webb é um artista à parte. Suas letras são fortes e se assemelham às denúncias dos profetas do Velho Testamento. Sua atitude em relação a distribuição de sua música também é radical. Em 2006 ele decidiu distribuir seu novo trabalho Mockingbird de graça por acreditar que as pessoas precisavam ouvir o que ele tinha a dizer. 180 mil cópias foram baixadas de seu site nos três meses em que o download estava disponível. Derek voltou a distribuir Mockingbird numa edição especial chamada 2008 Election Special Edition durante as eleições presidenciais norte-americanas no ano passado. Não é de se admirar que Derek seja um dos fundadores do site NoiseTrade que distribui música de graça como meio de promover artistas indie e emergentes. Seu álbum The Ringing Bell (2007) foi um dos primeiros a ser disponibilizado no site que agora conta com dezenas de artistas.
Stockholm Syndrome chega em meio grandes controvérsias. O selo INO Records decidiu que não iria distribuir o álbum, aparentemente por causa de sua temática e de uma faixa específica chamada What Matters More, uma faixa que Derek considera ser uma das mais importantes do trabalho. Um acordo foi feito e INO distribuirá uma versão clean (editada) do álbum, enquanto a versão completa pode ser adquirida pelo site de Derek.
Controvérsias parecem acompanhar Derek Webb. Em 2003, seu trabalho inicial foi rejeitado por alguns distribuidores nos EUA por causa da linguagem forte nas faixas Wedding Dress e Saint And Sinner. Durante o processo das eleições presidenciais de 2008, ele aconselhou pessoas a não votar caso sentissem que estariam escolhendo o candidato “menos mal”. Sua posição não agradou muito pessoas de ambos os lados do cenário político norte-americano.
Agora Derek atinge o nervo exposto da comunidade cristã ao denunciar o tratamento que muitos cristãos dão aos homossexuais (ele não está defendendo a homossexualidade, mas rejeitando o tratamento dado aos homossexuais) e a hipocrisia daqueles que se ofendem com a palavra “merda” (shit) sendo dita por um cristão enquanto deixam de se ofender com as 50 mil pessoas que morrem diariamente. Esta última é uma referência a Tony Campolo e seu famoso uso do vocábulo proibido durante uma palestra para estudantes universitários na década de 1980.
Para muitos, Derek Webb é um profeta pós-moderno. Para mim, ele é um artista. Eu aprecio sua música, sua honestidade e autenticidade.
Webb é acima de tudo um artista, e o choque, a controvérsia sempre acompanha o verdadeiro artista.
A mensagem acerca da hipocrisia, que não combina de modo algum com vida cristã, não é novidade na música dele, só muda a intensidade e tom.
Ele faz críticas irônicas a um líder americano chamado Fred Phelps, conhecido por difundir uma mensagem extremista (e até de ódio) contra homossexuais na música “Freddie, Please” .
Não sou dos que colocam palavras na boca dos outros, mas também acho que Derek Webb não defende o homossexualismo, ele só chama a atenção para o comportamento dos cristãos perantes essas comunidades.
Querendo ou não, do jeito que as coisas vão, com tantas questões urgentes, coalisão contra homossexuais é coisa incoerente e secundária.
Gostei muito desse disco.
Em Webb vejo muita coragem para um americano só: não ser republicano, pedir para não votar se não tiver escolha, usar palavrões em músicas com rótulo cristão, tocar (isso mesmo, só tocar) no assunto “homossexualidade”.
Abraços, Baggio!
Muito bom o post Sandro.
Na verdade quando você diz: Para muitos, Derek Webb é um profeta pós-moderno. Para mim, ele é um artista. Eu aprecio sua música, sua honestidade e autenticidade.
Me faz perguntar: Qual é o papel do artista na sociedade?
Estou em contato com um pessoal muito legal aqui nos EUA ( http://www.mosaic.org e http://www.newsong.net ) e todos tem buscado responder essa pergunta.
Independente dê, creio que o Derek esta no caminho certo.
[...] o original aqui. [...]
a postura n vote no menos pior é minha postura tb, tem minha simpatia!
sobre o lance do “merda”. pelo q me disseram isso foi dito p/ irmao André, quem me disse foi uma pessoa do PA, sera q ha alguma confusao com isso?
Fábio, nunca ouvi nada sobre o irmão André ter dito isso. O que eu sei com certeza é que Tony Campolo se tornou célebre por ter dito o seguinte na década de 1980:
“Eu tenho três coisas que gostaria de dizer-lhes: Primeiro, enquanto você estava dormindo na noite passada, 30 mil crianças morreram de fome ou doenças relacionadas a desnutrição. Segundo, a maioria de vocês não está nem aí [em inlgês: don't give a shit]. O que é pior é que você está mais indignado com o fato de que eu disse merda [shit] do que com o fato de que 30 mil crianças morreram na noite passada.”
É esta frase que Derek Webb incorporou em sua música. Abs
[...] não liga, não dá a mínima”. Traduzido desse modo para a nossa língua, a segunda parte da citação de Tony Campolo, perde o sentido. Preferi então adaptar com a frase “nunca ajudaram em merda nenhuma” [...]
Eu escuto REZ e U2 a muitos anos… para mim nada supreendente, entretanto a nova geração é por demais alienada e um artista como Derek na cena atual vem bem a calhar…