N. T. Wright, o Bispo Anglicano de Durham, Inglaterra, é também considerado uma das maiores autoridades em Novo Testamento da atualidade. Tom Wright é autor de dezenas de livros (em um deles ele debate com o liberal John Dominic Crossan sobre a realidade da ressurreição), mas parece que seus escritos ainda são pouco conhecidos por aqui. A Editora Ultimato publicou dois de seus livros nos últimos dois anos (Simplismente Cristão e O Mal e a Justiça de Deus), tem um no prelo (Surpreendido pela Esperança) prometido ainda para este ano e espero que continue publicando outros textos de N.T. Wright. Eu já li vários de seus livros, ouvi algumas aulas e palestras proferidas por ele e, cada vez mais, tenho apreciado a clareza e simplicidade de suas colocações.
Por esta razão, ao ver o seu nome associado a um assunto que tem levantado tanta discórdia e discussão em nossos dias, fiquei tremendamente curioso em ler o que ele tem a dizer sobre o assunto. O artigo escrito por Tom Wright foi publicado no The Times em 15 de julho passado e diz respeito a ruptura que a ordenação de ministros que sejam homessexuais praticantes está causando na Igreja Anglicana (mais precisamente entre a Igreja Episcopal Anglicana dos EUA e os anglicanos no resto do mundo).
A posição de N.T. Wright não poderia ser mais clara quanto a este assunto:
Nossos supostamente genes egoístas desejam uma variedade de possibilidades sexuais. Mas os mestres Judeus, Cristãos e Muçulmanos tem sempre insistido que um casamento por toda a vida entre homem e mulher é o contexto apropriado para o relacionamento sexual. Isto não é (como frequentemente se tem sugerido) uma regra arbitrária, de tonalidades dualistas e com a intenção de se castrar a alegria. É um reflexo estrutural profundo da crença em um Deus criador que entrou em uma aliança tanto com sua criação como com seu povo (que leva adiante seus propósitos para esta criação).
O Paganismo antigo e moderno tem sempre visto esta ética e esta crença como sendo ridículas e inacreditável. Mas o testemunho bíblico não está nem um pouco confinada, como um líder estridente sugeriu ontem no The Times, a uns poucos versos de São Paulo. A denúncia severa de Jesus da imoralidade sexual certamente levava consigo, para os seus ouvintes, uma rejeição implícita clara de todo comportamento sexual fora da monogamia heterosexual. Isto não é uma questão de “resposta privada às Escrituras”, mas o ensino uniforme de toda a Bíblia, de Jesus e de toda a tradição cristã.
O apelo à justiça como uma forma de cortar o nó ético em favor de incluir homossexuais ativos no ministério cristão simplesmente clama pela pergunta. Ninguém tem um direito de ser ordenado: é sempre um dom da pura e imerecida graça. O apelo também deturpa seriamente a própria noção de justiça, não apenas na tradição cristã de Agostinho, Aquinas e outros, mas nas discussões filosóficas mais amplas desde Aristóteles a John Rawls. Justiça nunca significa “tratar a todos do mesmo modo”, mas “tratar as pessoas de maneira correta”, o que envolve fazer distinções entre diferentes pessoas e situações. Justiça nunca significou “o direito de dar expressão ativa a qualquer e todo desejo sexual.”
Devemos insistir, também, na distinção entre inclinação e desejo de um lado e a atividade de outro – uma distinção regularmente obscurecida por referências a “clero homossexual” e assim por diante. Todos nós temos de todos os tipos de inclinações e desejos profundamente enraízados. A questão é, o que devemos fazer com eles? Uma das orações no Livro Comum roga a Deus para que possamos “amar o que Tu ordenaste e desejar o que Tu prometeste.” Isto é sempre difícil, para todos nós. É mais fácil pedir a Deus para ordenar aquilo que nós já amamos e prometer aquilo que nós já desejamos. Mas muito menos como o desafio do Evangelho.
A questão não é apenas para os Episcopais, Anglicanos e Luteranos norte-americanos (que acabaram de fazer seu concílio em Minneapolis para tratar deste mesmo tema). Este assunto tem o potencial de se tornar num grande divisor para a Cristandade neste século. E como temos visto aqui no Brasil, à medida em que, de um lado, se apela para o Congresso buscando defender “seus direitos”, de outro, na comunidade cristã, começam a surgir expressões que nem sempre refletem o pensamento do Bispo de Durham sobre como a pureza sexual é apresentada nas Escrituras (não apenas em alguns versos isolados, mas em toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse). Mesmo no seio da comunidade cristã, tem se tornado cada vez mais comum rotular qualquer pessoa que afirme o ensino bíblico da monogamia heterosexual como sendo fundamentalista, moralista, legalista, etc.
Isso me faz lembrar de duas músicas. A primeira é um côro pentecostal que ouvia em minha infância: “Os dias são de trevas, sem poder o crente cai…” A outra se tornou hino de uma geração quando Bob Dylan anunciou as palavras de Jesus ao cantar The times-they are a-changin’ (os tempos estão mudando). Resta saber onde estão os que afirmarão o restante do verso: “mas minhas palavras não passarão”?
N.T.Wright é acusado de ser liberal, imaginem se fosse ortodoxo…
Legal ter visto esse texto hoje, já que termino de ler Simplesmente Cristão do NT Wright hoje.
Esse é um assunto bem polêmico e essa confusão só tende a piorar, uma vez que o cerco “anti-homofobia” tem apertado.
Que Deus dê sabedoria ao seu povo pra não se vender, não se amoldar, não se conformar com o mundo, mas que não trate os homossexuais como “sub-espécie” ou como malditos ignorantes e imundos.
Confesso que tenho muito medo só de pensar nas confusões que esse assunto ainda vai gerar…
Precisamos ser firmes e cheios de amor.
Gostei do texto, diferente de outros textos sobre o assunto não é acusatório, apenas expositivo, expõe o que precisa e nada além, o que nos ensina além do que o texto já defende, saber levar em frente as doutrinas e não nossas posições/paixões pessoais sejam elas pró ou contra a questão (ou qualquer outra questão).
Não precisou apelar para quaisquer questões além das que a Bíblia já trata, não precisou “erguer a voz” em tom de moralidade fingida ou outros artifícios que infelizmente tenho lido sobre o assunto e que são estúpidos e nada contribuem para o Evangelho de Jesus.
Nós não precisamos apenas de ortodoxia, precisamos de homens e mulheres de Deus com essa sensibilidade.
Deus nos ajude nisto!!
Muito bom mesmo!
Pra quem gosta do autor tem mais publicado pela Edições Loyola:
1) Paulo – Novas Perspectivas (N.T. Wright). No qual ele levanta nova visão sobre Justificação e uma polêmica com John Piper.
2) Jesus e O evengelho de Judas.Este ultimo publicado pelo nome de Tom Wright onde ele comenta sobre o evangelho gnostico encontrado.
Grandes Indicações
Bem lembrado Edson, esta questão da justifiação.
Pipper chegou inclusive a escrever um livro resposta a ele, Wright, mas não curto estas discussões…
Como fala Donald Miller em seu excelente livro: Como os pinguins me ajudaram a entender Deus,(presente do Sandro,he,he) o problema destas polêmicas é que apartir da réplica a questão já não é mais o assunto em si e sim quem sabe mais, quem tem mais versículos para refutar etc, estou parafraseando, pois ele não usa estas palavras…
[...] o original aqui. [...]
Wright tem vontade de ser Lewis?
“Simplesmente Cristão”, “surpreendido pela esperança” .
nao sei qto ao conteúdo, mas pelos títulos, parece que ele tenta seguir os mesmos passos…