Arquivos para o mês de: September, 2009

Um de meus artistas favoritos chama-se Charlie Peacock. Embora ele mesmo não seja lá muito conhecido do grande público, é sua a famosa música In the Light gravada pelo dc Talk durante a turnê Freak Show. Charlie Peacock é um excelente músico, produtor e compositor. Suas letras são inteligentes e nos desafiam a pensar. A letra abaixo é um exemplo disso.

Eu encalhei meu barco nos rochedos da alma
Não existe mentira igual a independência
Não há demônio igual ao controle

Eu abanei as chamas vivas até minha casa pegar fogo
Não há paródia igual ao poder
Não há febre igual o desejo

Eu sequei o vinho das trevas até os resíduos do engano
Não há droga tão forte como o orgulho
Não há cegueira maior do que a arrogância

Eu parti pra cima de uma montanha com uma picareta e uma lima
Não há campo minado igual a presunção
Não há desejo mais mortal que a negação

Não há tiro igual a convicção
Não há consciência à prova de balas
Não existe força igual a fraqueza absoluta
Não existe insulto como a verdade

Eu manipulei minha receita até não conseguir confiar em minha visão
Não há assassino igual a conveniência
Não há doença igual a omissão

Eu consertei as decisões e resisti a explicações
Não há cilada igual a emoção
Não há cova igual a reputação
Não existe câncer igual a ambição
Não há cura igual a crucificação

***
(Letra de Charlie Peacock e Douglas Kaine McKelvey do album Strangelanguage)

Como leitor compulsivo que sou, frequentemente estou mencionando livros e autores em minhas reflexões e, por este motivo, muitos me perguntam sobre livros que influenciaram minha visão da Igreja e, consequentemente, do Projeto 242. Justamente por ler tanto, fica difícil (senão impossível) destacar um texto apenas.  Todavia, se eu tivesse que mencionar apenas um livro que nos últimos 10 anos tenha exercido maior influência sobre meu modo de ver a Igreja, possivelmente o texto An Unstoppable Force (algo como “uma força impossível de se parar”) de Erwin Raphael McManus tenha sido este livro.

Ganhei um exemplar em 2003 quando visitei uma comunidade emergente em Ventura, California, e devorei o livro quase que todo no vôo de volta para São Paulo. Como indica o título, Erwin apresenta a Igreja como uma força revolucionária impossível de ser parada. Ele nos faz lembrar aquilo que Jesus disse a Pedro em Mateus 16.18. Os ingredientes para a Igreja viver essa revolução estão todos ali. Basta colocar em prática…

Fico feliz em poder indicar sua leitura agora que finalmente foi publicado em português pela Garimpo Editorial. Espero que não fique somente neste, mas que outros livros de Erwin como Uprising e The Barbarian Way também sejam publicados aqui.


O filme “Quem Quer Ser Um Milionário” (Slumdog Millionaire, Índia, 2008) arrematou 8 Oscars e mexeu com platéias ao redor do mundo. Mas será que a Índia retratada no filme é verdadeira? A elite indiana protestou contra o filme, acusando-o de ter denegrido a super potência tecnológica emergente. Ninguém melhor que um indiano comprometido com seu povo para dizer se o retrato do filme é verdadeiro ou não.

O Rev. J. N. Manokaran diz que “o filme abriu a janela para se ter uma visão da triste realidade da Índia.” Segundo ele, “em vez de contestar o retrato, os líderes deveriam trabalhar para mudá-lo.”

Abaixo estão algumas das considerações de Manokaran publicadas no boletim da World Evangelical Alliance, Vol. 8 # 1:

Favelas – 25 a 40% da população urbana da Índia vive em favelas. O filme traz à tona a vida nas favelas indianas – ruas estreitas, falta de saneamento básico, telhados frágeis, montanhas de lixo, etc.

Falta de dignidade humana – Jamal que aparece no show Quem Quer Ser Um Milionário? é ridicularizado pelo âncora Prem Kumar. Para o poderoso, ser um vendedor de chá é um trabalho miserável e ele ridiculariza Jamal publicamente por isso.

Crianças – As crianças não tem oportunidade de educação. De fato, muitas são sequestradas, aleijadas e enviadas para mendigar nas ruas. O dinheiro arrecado por elas nas ruas é tomado pelo líder da quadrilha. Crianças desaparecidas na Índia geralmente acabam como mendigos nas ruas das grandes cidades, ou pior.

Fome – As crianças famintas roubam alimentos nos trens e, quando pegas, são arremessadas para fora do mesmo em movimento. Muitas escapam miraculosamente.

Tráfico humano – A realidade cabal do tráfico humano, especialmente de mulheres, também é trazida à tona no filme. Mulheres são exploradas como dançarinas e escravas sexuais, um fato conhecido na Índia.

Violação dos direitos humanos – O herói Jamal é preso quando ele sai do show e é torturado para “dizer a verdade”. Como ele poderia saber as respostas quando pessoas muito mais educadas não passaram das primeiras perguntas. Os policiais são brutais e violam todas as leis do país.

Atitude arrogante da elite - Prem Kumar informa à polícia que Jamal poderia ter trapaceado, porque não queria que ninguém vencesse em seu show. Ele não podia tolerar que alguém de uma classe mais baixa saísse vencedor do prêmio de um milhão de rúpias.