Crente boca suja

No domingo passado, ao falar sobre o desequilíbrio entre a verdade sem graça (legalismo) e a graça sem verdade (libertinagem), eu mencionei a tendência crescente entre muitos cristãos pós-modernos de soltar o verbo e liberar os palavrões como se fosse a coisa mais natural do mundo. Algumas pessoas me perguntaram se eu não estava caindo novamente no legalismo simplesmente por questionar isso. Vejamos.

Em primeiro lugar é preciso reconhecer que esta é uma questão mais complexa do muitos gostariam que fosse. Já conversei com várias pessoas sobre isso nos últimos anos e tenho a impressão de que muitos pensam que basta citar alguns versículos das Escrituras e assunto encerrado. Mas não é bem assim. O difícil é determinar quando uma palavra é torpe ou obscena uma vez que a linguagem é algo vivo e as palavras e seus significados mudam com o tempo. Algo que era considerado um palavrão nos dias de Jesus ou Paulo pode nem sequer ser utilizado hoje.

Sendo assim temos que lidar com questões sobre contexto, cultura, significado e eu entendo isso, não sou leigo no assunto e não estou tentando desprezar tais considerações.

Por outro lado, será que o valor de nossas palavras deveria ser determinado pelo meio em que vivemos? Se todos à nossa volta estão usando certas palavras, será que isso significa que nós devemos usá-las também?

Algumas pessoas dizem que o uso de palavrão se tornou natural em nossa cultura e que os únicos que ficam ofendidos são os “legalistas religiosos”. Realmente parece que cada vez mais pessoas estão usando palavrão como parte de seu vocabulário. Mas isso não torna o palavrão menos palavrão. De fato, as pessoas usam certas palavras justamente porque elas querem dizer algo para chocar, dar ênfase, ofender, etc. Ou seja, mesmo com o uso cada vez mais corriqueiro, certas palavras continuam sendo torpes e obscenas em nossa cultura.

O comediante americano George Carlin em seu show “Sete palavras que você nunca deve dizer na TV” demonstrou (mesmo que a contragosto) que há certas palavras que são inapropriadas. Bono que o diga. Por usar uma destas palavras na entrega do Globo de Ouro em 2003, ele criou problemas para a rede de TV norte-americana Fox.

Eu gosto da idéia de que se você não usaria uma determinada palavra numa conversa com sua mãe, numa reunião como igreja, numa entrevista de emprego ou para alguém que você acabou de conhecer, então essa palavra parece não ser apropriada para seu uso corriqueiro. Novamente, parece uma idéia simplista (e talvez seja), mas creio que é um começo.

Seria válido falar palavrão para se identificar com as pessoas que estamos tentando alcançar?

Eu me lembro de quando fazia visitas aos presos na antiga Casa de Detenção Carandirú em São Paulo. Eles tinham um código de respeito para com os “crentes” que os visitavam. Não se falava palavrão perto deles. Percebi o mesmo com relação as prostitutas em alguns prostíbulos onde estive com os missionários do Projeto Toque. Quando alguma delas que não nos conhecia começava a baixar o nível das palavras, era logo censurada pelas companheiras. Fico imaginando o que essas pessoas pensariam ao ouvir um discípulo de Cristo falando as mesmas palavras que elas, apesar de usarem, reprovam. Será que elas veriam evidências de uma nova vida no falar deste discípulo?

Como eu disse em minha reflexão, precisamos rever nosso conceito de liberdade cristã. Para muitos, a nova versão de liberdade que eles estão aderindo é apenas uma revisão da velha escravidão que eles pensam ter deixado para trás.

Liberdade cristã não é liberdade para fazer o que quer que eu desejo. Liberdade cristã é liberdade para servir a Cristo e fazer o que Ele deseja. É liberdade para agradar a Deus. É liberdade no Espírito Santo. E o fruto do Espírito é amor, paz, bondade… domínio próprio.

Lutero colocou da seguinte forma em seu clássico texto Da Liberdade Cristã (1520): “Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém – pela fé. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos – pelo amor.”

Quando leio passagens como Efésios 2.1-5 e 4.22, 1 Pedro 4.3, Tito 3.3, dentre outras, há uma indicação clara de que nossa vida antes de Cristo era marcada por certas coisas que já não devem mais persistir uma vez que estamos ligados à Cristo. Os verbos usados – éramos, andávamos, vivíamos – indicam uma condição passada. Mas agora, diz a Bíblia, somos novas criaturas e devemos despir (despojar) a velha condição. Me parece estranho que seguidores de Cristo queiram continuar na condição passada, exibindo os mesmos maus hábitos e caindo nos mesmos erros.

É neste contexto do novo homem que Paulo fala aos Efésios (4.29): “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe.” (ARA)

O dicionário Houaiss define TORPE como:

  1. que contraria ou fere os bons costumes, a decência, a moral; que revela caráter vil; ignóbil, indecoroso, infame
  2. que contém ou revela obscenidade; indecente
  3. que causa repulsa; asqueroso, nojento
  4. que apresenta mácula; sujo

Ou seja, mesmo considerando as mudanças do vocabulário com o decorrer dos tempos, uma “palavra torpe” é sempre torpe.

Algumas pessoas argumentam que xingar é ser transparente e honesto. Todavia, o próprio bom senso nos diz que não devemos ser transparentes em tudo exatamente. Ainda que não exista nada em nossa vida que esteja oculto aos olhos de Deus – não há áreas privadas diante de Deus – há todavia, áreas e coisas que fazemos que não deveriam se tornar públicas. Por exemplo, o exercício de nossas necessidades físicas. Ninguém que tenha um bom senso ira advogar que, em nome da transparência, deve-se abaixar as calças em público e se aliviar na frente de todos. Isso seria indecoroso na maioria das culturas e sociedades do nosso mundo hoje. Ou seja, a tal de transparência neste caso me parece mais uma desculpa para obscenidade do que algo sincero.

Todd Hunter, presidente do Curso Alpha certa vez disse: “Como um discípulo de Jesus usa sua linguagem? O amor deve ser o árbitro de todo o falar.”

Quando você manda alguém ir se f**** ou chama uma pessoa de filho da p***, você está demonstrando amor? Você consegue ver a atitude de Cristo nisso? Imagino que não. Não importa o quão transparente você diga que está sendo, a única coisa que sua atitude transparente está demonstrando é a ira e falta de domínio próprio.

Então ouço pessoas apontando outros pecados, dizendo que alguém não xinga, mas odeia de qualquer maneira. Ora, um pecado não justifica o outro. Deus nos chamou para uma nova vida, com novas atitudes e novos hábitos.

Creio que xingar é um mal hábito e como todo mal hábito deve ser desencorajado, procurando livrar-se dele em busca de novos hábitos. Gosto do Bono como artista. Lendo uma de suas entrevistas certa vez, achei curioso que ele mesmo considera o falar palavrão como um mal hábito que ele possui. Mesmo gostando de sua arte, não significa que eu deva gostar ou adquirir seus maus hábitos.

Jesus elevou os padrões para os seus seguidores, em vez de diminuí-los como muitos aderentes da graça barata parecem pensar que Ele tenha feito. Tiago nos chama para um viver comprometido com os pobres e oprimidos ao mesmo tempo em que nos mantemos incontaminados com o mundo – inclusive no falar (1.26-27). Uma simples leitura a carta de Tiago revela que ele tinha muito a dizer sobre o Cristianismo prático e o uso da língua.

Por tudo isso e mais um pouco, creio que os seguidores de Cristo devem evitar ao máximo o uso de linguagem torpe/obscena, especialmente em público.

Que Deus nos ajude a viver não no legalismo nem na libertinagem, mas na verdadeira liberdade no Espírito.

********
Arte: Svetlana Nikulina

43 Comments

  1. Charles September 23, 2009

    Bom, Lutero xingava pra caramba o Papa, quiçá o dia inteiro. Eu acredito que possa haver essas duas linguagens, a séria e técnica no papel e debates, e a informal nas conversas particulares. Lutero é bom exemplo disso, ele escrevia devocionais e depois falava que o Papa era mer*a.

    Contudo não vejo problema em ter uma linguagem mais sofisticada, desejo muito ter isso e quero me realizar um dia tendo só ela, admiro Fedeli, admiro textos ortodoxos etc… Eu falo palavrão entre amigos apenas (até porque segui o exemplo de conservadores), até porque sabe que só se xinga quem se ama (risos), e outras vezes é por hábito.

  2. Daniel Guanaes September 23, 2009

    Bom texto, sandro. Parabéns,

  3. Ariovaldo Jr September 23, 2009

    Tudo termina no tal do equilíbrio. Isto é difícil de atingir e deveria ser a grande meta de todos os que vivem em Cristo.

    Particularmente considero que censurar palavras é o mesmo que sugerir que Michelângelo coloque uma tarja na nudez de Adão na Capela Sistina, pois ela poderia parecer “ofensiva” para alguns. A torpeza nem sempre está na palavra em si (assim como não está na imagem).

    Em cada contexto, palavras, imagens e ações, podem ser consideradas escândalo, ou não.

    Mais importante do que focar as palavras em si, é ensinarmos a cada cristão a importância de refletir constantemente sobre cada palavra e atitude, ainda que involuntárias. Lembrando sempre que prestaremos conta de tudo.

  4. Volney Faustini September 23, 2009

    Boa e oportuna postagem. A superficialidade no entendimento do que é bom e verdadeiro, e a preguiça fazem de muitos discípulos uma farsa perante seu Mestre.

    O tema me era recorrente em meus pensamentos e vc veio suprir um posicionamento necessário.

  5. **kel** September 23, 2009

    Confesso que sou uma “crente boca suja”.
    Principalmente quando vejo crentes que não falam palavrão, não bebem, não fumam e não usam droga mas têm condutas duvidosas como fazer fofoca, ignorar a necessidade das pessoas ou outras coisas do gênero.
    Não acho que estou certa nem quero que ninguém ache. Só questiono o que é mais prejudicial ao meu próximo.

  6. Lelo September 23, 2009

    Mano… tb sou boca suja… uahauahu… Claro que tento equilibar as coisas… mas quando quero dizer Pu** q pa*** eu digo… nao consigo desfarçar, principalmente quando estou “revoltado” com algo.

    Etmologicamente prticamente todos os “palavrões” na verdade não são palavrões. Se tornam por causa da mente perversa, como por exemplo: caralho – que na verdade é aquele cestinho que ficava em cima dos mastros das embarcações, que servia tb com um local de castigo. Tipo quando um “marujo” aprontava na embarcação, fazer oq com ele? Mande ele pro caralho… lá ele ficava esposto a condições climaticas num período suficiente (ou não…rs) pra ele não aprontar mais…

    Sinceramente e talvez erradamente não consigo dizer BOBO pra alguem quando na verdade quero mandar ele a mer**… aquela velha história do coração peludo…rsrsrs.

    Abração mano… saudade…

  7. felipe September 23, 2009

    Ola Sandro muito bom post, esses dias mesmo eu pensava sobre o tema.

    Uma coisa que eu penso é que eu consigo ver Jesus falando palavroes , de sua boca saindo palavras torpes.
    O que ele sentiu no momento da cruz? nem por isso saiu mandando todos que o crucificavam irem a m**** .
    Onde estar o imitar Cristo nos momentosde ira e que minha boca ou melhor meu coracao esta cheio do mal.

    Nao foi o Cristo mesmo quem disse: “Mas o que sai da boca vem do coração” Mt 15:18

  8. Julia Seloti September 23, 2009

    Sou do mesmo pensamento. Não vejo justificativa coerente pra esse tipo de atitude.

  9. Edson September 23, 2009

    MT 5:22 dá um exemplo de xingação “RACÁ”, em algumas traduções “IDIOTA” ou “LOUCO” e a consequencia de xingar o próximo.
    O fato é que, na essência, falar palavrão é sempre trazer à boca o que enche o coração. Neste sentido “CARACA” ou “PUUUUXA” também se referem a palavras impróprias e no fundo tem o mesmo sentido torpe. E vou mais além: “NOOOOSSA” ou “VIIIIXE” que se referem a expressões mariólatras também exprimem a falta de consciência no falar e no poder da palavra dita.

    Vamos entender o que estamos falando e perceber o que enche nosso coração e acaba transbordando em palavras.

  10. Felipe Moreira September 23, 2009

    Bom estou de pleno acordo com o texto, Pois por mais que não pareça o cristão tem de andar na contra mão do mundo…já diz a escritura ” não vos conformeis com as “coisas” desse século mais transformai” – é muito mais cômodo adquirir mals hábitos do que bons. – tente reeducar sua alimentação, ou criar o hábito de ler/ estudar todos os dias, não é nada fácil – porém sabemos que Ele é santo e quer que nós busquemos Santidade, e nós precisamos querer essa santidade pois é o que nos aproxima cada dia mais dEle.

    http://twitter.com/moreirabatera

  11. Felipe Moreira September 23, 2009

    **kel**, says:
    September 23rd, 2009 at 10:23 am

    Confesso que sou uma “crente boca suja”.
    Principalmente quando vejo crentes que não falam palavrão, não bebem, não fumam e não usam droga mas têm condutas duvidosas como fazer fofoca, ignorar a necessidade das pessoas ou outras coisas do gênero.
    Não acho que estou certa nem quero que ninguém ache. Só questiono o que é mais prejudicial ao meu próximo.

    -Entendo o seu ponto de vista, porém como o autor colocou no texto um pecado não justifica o outro – tudo que vc citou em seu comentário vc sabe que não é o “certo”(melhor a ser feito) – e é claro que fazer fofocas e difamar e etc, são pecados que assim como beber – usar drogas a própria Bíblia condena – porém – condenar tbm não é certo, o que admiro muito no Cristão moderno é que nós estamos caminhando para um evangelho sem preconceito – porém eu quero acreditar que esse evangelho seja também um evangelho de mudança que é a idéia central do aceitar a Jesus – Transformação de vida(nova criatura).

    D-us Abençoe

    http://twitter.com/moreirabatera

  12. Cristian Faber September 23, 2009

    Cara, ja discutimos isso algumas vezes eu e vc e concordo com o bom senso e dominio das palavras, acho ate que o seu texto tem um certo receio de ser censurador, medo esse que eu mesmo nao teria se escrevesse (ou quando escrever) sobre o assunto.

    Acho que isso meio que saiu do controle da sociedade (crista ou nao), tudo por conta da libertinagem, da modernidade, da “emergencia” (urgh!). Do mesmo jeito que a sensualidade e o sarcasmo tambem sairam do controle.

    Confesso que escorrego no palavrao, mas com amigos intimos, tenho as minhas regras.
    No geral acho que o crente deveria se preocupar em ser inteligente, perspicaz, afiado nas conversas, em vez de simplesmente satisfazer seu impulso de chocar ou medir forcas com palavras de efeito.
    O que eu vejo eh que o palavrao aparece numa conversa pra tentar provar um ponto, aumentar a auto-estima de quem fala, como se aquilo fizesse mais forte, maior, mais perigoso, pra que ninguem o desafiasse ou pra que fosse admirado (por algum motivo morbido).

    Pessoas que sao conhecidas por serem boca-suja, normalmente tem problemas serios de auto-estima ou se sentem oprimidos por alguma circunstancia ou comparacao.

    Ou seja, no final tudo eh questao de se encher de informacao de boa qualidade, equilibrar a auto-estima e cultivar a inteligencia. Se voce discutir assuntos relevantes com inteligencia e se preocupar e ser conhecido pela importancia do que sai da sua boca, o palavrao vai perdendo utilidade e presenca.

  13. Teo (bicho de Rondônia) September 23, 2009

    Ótima abordagem.

    Muitos pós-modernos xingam apenas porque os mais ortodoxos evitam os palavrões, assim como bebem não porque gostam de cerveja, e sim porque os “antigos” a evitam.

    O que alguns desses querem não é a liberdade cristã, mas a liberdade de não ser como os cristãos. De todas as justificativas para deixar escapar um palavrão, invocar a liberdade cristã é a mais inaceitável.

  14. Ricardinho September 23, 2009

    Fala Sandrão,

    Engraçado, aqui entre nós estamos pa passando por uma fase onde estamos discutindo e vivendo na prática esta questão de Legalismo, Liberdade e Libertiagem, como eu costumo dizer parece que é dificil viver em liberdade.

    Quanto a este post, como o Lelo escreveu, muito do que é palavrão hoje não era originalmente, esses dias fiquei sabendo que IDIOTA, ESTÚPIDO E IMBECIL eram termos psiquiátricos até bem pouco tempo, e os psiquiatras temem que EZQUIZOFRENICO e PSICOPATA entre outros caiam na mesma categoria.

    Sem contar o seguinte, palavras como GALINHA, PIRANHA, VACA, VEADO, não são palvaroes, mas dependendo do contexto ofendem mais que um palavrão.

    Outras palavras, podem ser ou não palavrao dependendo muito da cultura, local e época como: o ja citado
    caralho, cesto que ficava em cima dos mastros das embarcações, boceta, pequena bolsa em espanhol ou busseta, onibus pequeno na America Latina, viado, de transviado ou desviado, cu, o mesmo que bunda em portugal, caracas, capital da venezuela, e que dizer da grande meretriz do apocalipse chamada na versão francesa de biblia de jerusalem “le grand puté” !!!

    Não tenho o costume de falar palavrão, a não ser quando estou extremamente irritado e/ou indignado com algo e isto é muito raro. Não estou contestando o que voce escreveu apenas acho que a questão é mais profunda.

    Em minha opinião, palavra torpe não é apenas palavrão, tem mais a ver com qualquer coisa que se diga com a intenção de ofender, machucar, magoar, menosprezar, ridilcurarizar, pode ser até um elogio como por exemplo chamar alguem de “gênio” quando o sentido que se quer dar é “burro”

    Enfim, como voce mesmo disse é complexo, mas ao mesmo tempo é simples ! Jesus falaria ? se não tambem não devo falar, mas se falar tenho um advogado perante o Pai…

    Abraços

  15. Nathan September 23, 2009

    Ótima reflexão :)

  16. Rodrigo September 23, 2009

    Quando trabalhava na igreja achava f’acil não falar nem pensar em palavrões.. Porém o Ser humano é condicional. Trabalho em uma agência que a cada 10 palavras 5 são palavrões e isso de certa forma contaminou minha mente. Não falo palavõres, mas confesso que as vezes, em atitudes de stress extremo e pressão já me escapram alguns, assim como penso em vários durante o dia sem querer pensar… Acho que a coisa é complexa e deve ser tratada como tal.

  17. Sandro September 23, 2009

    Obrigado a todos que comentaram. Pensei muito antes de postar este texto pois imaginava que ele poderia elevar os ânimos…

    Como eu disse, o assunto é complexo por envolver linguística e etimologia. No entanto, parece ser claro também entre a maioria das pessoas que comentaram que elas sabem quando a palavra que estão usando (ou ouvindo) é um palavrão.

    Ou seja, ao ler os comentários fico mais convencido ainda do que escrevi no final do texto: creio que os seguidores de Cristo devem evitar ao máximo o uso de linguagem torpe/obscena, especialmente em público.

    Um abraço a todos.

  18. Carlos Neca September 24, 2009

    Pessoalmente procuro evitar, me lembro de alguns anos atrás quando costumava usar com um amigo em especifico, depois não me sentia bem.
    Ficou claro para mim que seria legal parar.
    É interessante como as coisas acontecem, estou me lembrando de uma certa pessoa, ao visitá-la a mesma estava na internet vendo algumas coisas sarcásticas, não necessariamente sexuais.
    Ele me chamou para mostrar e sorria , não curti a atitude dele em relação ao fato.
    Para resumir meses depois ele deixou a mulher alegando imconpatibilidade, mas na verdade era por causa de uma outra.
    Pensei o sinal não fica vermelho de uma vez, fica amarelo…

  19. Ricardinho September 24, 2009

    Pois acho que eu falei demais e disse pouco, rsss

    Eu na verdade queria colocar a coisa toda em raciocinio lógio tipo:

    “Falar palavrão é pecado, logo não devo falar palavrão.
    Outras palavras, (como galinha, piranha, veado,etc) não são palavrão, logo posso usa-las, ainda que para ofender alguem, que não estarei pecando.”

    OU

    “não saia da sua boca palavra torpe, mas somente a que for útil…”

    logo tudo que não se encaixar nisto, independente de ser palavrão ou não eu não devo falar.”

  20. [...] um post sobre esse assunto no blog do Sandro Baggio: Clique aqui para [...]

  21. SAO! September 28, 2009

    tudo que é falado ao outro que seja indecoroso, infame, vergonhoso, indecente, obsceno, ignóbil, sórdido, asqueroso, nojento, repugnante, maculado, manchado, sujo que não seja nobre nem elevado é palavra torpe.

    não adianta a pessoa falar que não fala palavrão, se em muitas das palavras não há honradez.

    :D

  22. Felipe September 29, 2009

    E ainda tem aqueles que começam a xingar por causa de uma tendência entre os liberais, mesmo sentindo total desconforto o com ato.
    É fato que somos adultos o suficiente para entendermos o que é torpe ou não; o que se caracteriza injúria ou ofensa ou não.
    Me incomodo ao ver o uso do palavrão com o intuito de provar alguma coisa, provar que é moderno. É o mesmo uso dado ao cigarro e ao álcool.
    É uma prisão desnecessária.

  23. Carlos Rizzon September 30, 2009

    Sandro tenho tido este mesmo dilema pois tenho visto no meio dito emergente pessoas sem o menor escrúpulo falando palavras pesadas, aliás no you tube tem um video “O amor é importante pô” que no minimo assusta escandaliza alguns e queima o filme de Jesus. Não quero ser um santarrão, mas devemos buscar um padrão divino para o nosso falar ainda que seja bem dificil. Fique na paz e para a meditação. Efésios 5: 4 “nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças.”

  24. Levy Sabino October 4, 2009

    Mto boa e proveitosa a discussão. A Kel fez uma abordagem mto pertinente, e o que ela denuncia é o que Jesus classifica como hipocrisia.
    “Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês dão a Deus a décima parte até mesmo da hortelã, da erva-doce e do cominho, mas não obedecem aos mandamentos mais importantes da Lei, que são: o de serem justos com os outros, o de serem bondosos e o de serem honestos. Mas são justamente essas coisas que vocês devem fazer, sem deixar de lado as outras!” [Mateus 23.23]
    Amada Kel, contextualizando, creio que isto nos ensina que podemos e devemos ser cristãos que observam atentamente um e outro comportamento: sensibilidade para com o próximo, com palavras que edificam; palavras que edificam, com sensibilidade para com o próximo. Ou seja, uma coisa não anula a outra; a outra não justifica uma. Pegou?

  25. Feijão October 13, 2009

    Muito bom lembrar do quanto significa pra gente ouvir “manera no palavrão! não ta vendo o fulano aqui?” pra me tocar que muitas vezes “manter o nível elevado” pode ser mais certeiro do que o contrário.

    Concordo que não são [não tão] poucas linhas aqui que poderão tratar do assunto, mas já da um rumo pra muita base.

    Eu, prefiro não falar, mesmo as vezes falando.

  26. SAO! October 13, 2009

    nao consigo acreditar q essa musica é real “O amor é importante pô”

    o cara pegou uma frase q se tornou hit nas ruas de sáo paulo “O Amor é Importante Porra” e fez uma musica.

    as pessoas q falam palavrão falam em sua maioria para chamar a atenção, são crianças que se tornaram adolescentes e ate hoje no alto de seus 25, 30 anos ainda continuam a atuar como adolescentes.

  27. Paula October 15, 2009

    Um dia conversando com amigos comentei que tenho notado que em vários assuntos na internet a questão é sempre “é pecado?”, “a bíblia condena?”, “pode?” e tal…, mas nunca “realmente convém?”.
    Acho que se a gente pensasse um pouquinho por essa perspectiva, talvez muita das nossas atitudes mudariam, ou pelo menos tentaríamos mudar.
    Abraço pessoal!

  28. vera November 11, 2009

    seria interessante se ao final de cada texto houvesse
    o recurso para enviar para destinatario.

  29. Natan March 15, 2010

    Acabo de sair do site http://www.tempora-mores.blogspot.com, onde o autor do texto mais recente fica “escandalizado” porque alguém, em uma igreja, usou o termo popular-chulo para o órgão “ânus”. Ainda julga um homem de Deus porque este condenou as pessoas que criticaram o que falou o “palavrão”. O caso me fez lembrar de um fato ocorrido em minha igreja (presbiteriana) em Fortaleza:

    Um dos presbíteros, gaúcho, residente em Fortaleza há 8 anos, disse em um dos momentos de culto: “irmãos, vamos aprender a tratar os outros… Tem jovem chamando o outro pra sair e dizendo: ‘e aí, baitola, vai jogar bola hoje? Isso é feio, amados, vamos falar corretamente!”

    Aos que não sabem, “baitola” é uma expressão nordestina (mais cearense) para o gay masculino.

    No mesmo dia, após o período do ofertório, foi passado um vídeo com imagens CHOCANTES de crianças esqueléticas, MORRENDO DE FOME na África.

    Agora, advinhem sobre o que TODOS, sem exceção, se escandalizaram no fim do culto, e sobre qual tema muitos, ferinamente, discorriam?

    Aos crentes fracos-na-fé que se escandalizam com um palavrão (não falo aqui que falar palavrões é correto, moral ou espiritual, falo sobre o JULGAR pessoas, tratá-las sem misericórdia e até mesmo difamá-las), uma dica: vão se preocupar com temas mais relevantes, inclusive com o fato de pessoas morrerem de fome (eu disse isso mesmo, MORREREM DE FOME, coisa que você e eu, que estamos neste site, nem imaginamos, de perto, o que seja), MORREREM DE FOME, por causa da nossa falta de amor e omissão.

  30. Zilda March 22, 2010

    Temos que ser verdadeiros. Ou somos de Cristo e o imitamos como ele mesmo nos ordenou ou então caiamos no mundão de uma vez! Ninguém pode servir a dois senhores.

  31. Hermes Fernandes March 22, 2010

    Concordo que devamos ser mais prudentes no uso das palavras. Entretanto, deve-se ressaltar que há vocábulos considerados palavrões numa região, e que são comuns em outras. Tudo depende da colocação que se faz.

    Já ouvi de alguém que quando Jesus Se referiu aos seus contemporâneos como “geração adúltera”, Ele os estava chamando de “f…da p…”. É difícil acreditar que Jesus tenha usado de palavras chulas para admoestar alguém.

  32. [...] Sobre este assunto, sem representar endosso completo à totalidade do site, leia também: “Crente Boca Suja” em:http://www.sandrobaggio.com/2009/09/23/crente-boca-suja/ [...]

  33. [...] comportamento. Acerca disso, quero compartilhar com vocês aqui um trecho de um post publicado no blog do Sandro Baggio. O texto completo você pode conferir lá. Quero destacar aqui o trecho que trata sobre o conteúdo [...]

  34. Anderson Paz October 25, 2011

    Excelente texto!!!

    Tomei a liberdade de publicar um trecho no post de hoje do meu blog. Trata-se do trecho em que você conceitua a liberdade cristã.

    Abraço!

  35. charles February 4, 2012

    O Driscoll, vc já deve saber, deu uma palavra sobre isso, dando exemplos na bíblia ( http://youtu.be/NUwO1i4ImPA ) .

    A linguagem é um instrumento, e é exigido muito boa educação para manusear palavrões. Que adolescentes saiam por aí xingando sem disciplina nem entendimento não pode remover a liberdade de um palavrão na hora certa para repreender o mal.

    Deus nos deu o dever de blasfemar dos deuses alheios, de pisar na idolatria velada de secularismo, de seus deuses e ídolos, de seus mitos e mentiras, quem sabe usar essa ferramenta que use, quem não sabe, como eu aliás, deve ficar quieto e aprender aos poucos para causar um verdadeiro ultraje numa sociedade decaída, causando o choque necessário para um posterior arrependimento.

  36. Leandro February 8, 2012

    Excelente texto, bem fundado e equilibrado!
    Valeu, Sandro!

  37. Fernando May 20, 2012

    a palavra de deus diz:se uma pessoa nao tem o espirito santo esse tal nao e dele. o espirito santo nao deixa ninguem falar palavroes como xingamentos ou desabafos de ironia ou iras.nao cause tristeza ao doce espirito santo,amem.

  38. André Belletti Romero March 15, 2013

    Algo que reflito a muito tempo:

    Sempre impuseram o termo “filho da puta” como um palavrão. A grande maioria das pessoas que usam este termo usam para ofender outra pessoa. Porém e aqueles que nasceram realmente de uma “puta”?? Quer dizer então que todos eles são os lixos da sociedade? A final “todo mundo” utiliza o termo que representa a realidade deles para se referir a pessoas que cometem atitudes horrendas. Quanto a este termo não vejo o problema por ser um “palavrão”, o problema esta no preconceito que ele carrega! Tem uma pessoa que conheço que é filho de uma prostituta e ele é um dos meus melhores amigos. Uma pessoa fantástica! Quando for querer ofender uma pessoa, pense antes de falar merda!! #PreconceitoFoiFeitoPraQuebrar

  39. carla rejane August 2, 2013

    porque.
    O inocente,tem culpa, do que o outro falou,então é porque,tem o quere de prejudicar. então, ele, fez algo. que ninguém sabe do que é capas ???????

  40. felipe duarte November 18, 2013

    Pra mim isso é mais questão de educação do que religião!
    O que eu lembro é da minha mãe dizendo pra mim quando adolescente: “Palavrão meu filho, é artificio de quem não tem competência pra se comunicar”
    Entre qualquer outra pessoa e minha mãe… fico com minha mãe :)

  41. Manoela Malta November 19, 2013

    Em tempos onde se coloca palavrão até na boca de Cristo com a desculpa esfarrapada de “alcançar os inalcançaveis”, ler esse texto me deixa com a feliz sensação de que nem tudo está perdido! Obg, Sandro, muito obrigada por trazer essas verdades de um modo santo e gracioso, sem legalismo barato e com muito amor em todas as suas palavras. Que Deus te proteja e te conserve firme!

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