Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Igreja Imaculada e Maculada

posted by Sandroin Igreja, discipuladoComments (4)

Continuamente leio textos em blogs que revelam desequilíbrio na visão da Igreja em particular e da jornada cristã em geral. Por exemplo, ou encontro um chamado à santidade (sede perfeitos como vosso Pai celestial) cercado de legalismos, ou então percebo quase que um desprezo total por qualquer conceito de santidade e busca de perfeição cristã (vale lembrar que outra palavra para perfeição é maturidade). Parece que a velha modinha de Dorival Caymmi virou hit no cristianismo pós-moderno: “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”).

Creio que isso seja reflexo de pelo menos duas coisas: 1) imaturidade – a net está cheia de palpiteiros espirituais/teológicos  que conhecem pouco das Escrituras e quase nada da história da Igreja e da Teologia Cristã, e 2) uma tremenda dificuldade de entender e abraçar os paradoxos da vida cristã.

Na questão dos paradoxos, Henri Nouwen foi alguém que enxergou e abraçou-os de uma forma impressionante e enriquecedora.  O texto abaixo apresenta muito bem um desses paradoxos em relação a Igreja.

****

A Igreja é santa e pecadora, imaculada e maculada. Ela é a noiva de Cristo que se lavou em água pura e foi até Ele “esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum; quis a sua Igreja irrepreensível” (Ef 5.26-27). A Igreja também é um grupo de pessoas pecadoras, confusas, angustiadas, constantemente tentadas pelos poderes da luxúria e cobiça e sempre envolvidas em rivalidade e competição.
Quando dizemos que a Igreja é um corpo, não só nos referimos ao corpo santo e irrepreensível feito à semelhança de Cristo pelo batismo e pela eucaristia, mas também aos corpos rompidos de todos os seus membros. Apenas quando mativermos essas duas maneiras de pensar e falar juntas, poderemos viver na Igreja como verdadeiros seguidores de Jesus.

- Henri Nouwen, Pão para o Caminho.

Comments (4 Responses)

Nathan, says:
October 15th, 2009 at 10:35 am

Viver na tensão destes paradoxos não é algo muito ensinado hoje. Quando é, há uma tendência de aliviar ou responder a essas tensões com métodos e fórmulas de forma a facilitar o que não é fácil. Ótima reflexão Sandro, obrigado!

Nelson Costa, says:
October 15th, 2009 at 7:20 pm

Muito bem colocado reverendo. Me fez lembrar de um antigo livro do Nouwen : The wounded healer – what does it mean to be a minister in contemporary society ?
Com certeza esse pequeno texto nos faz refletir sobre a importância da Igreja hoje ! (Independente de qualquer momento ou situação).

Kim, says:
October 16th, 2009 at 12:12 pm

Acredito que essa Igreja seja reflexo do caráter paradoxal de Deus. Um Deus de poder imensurável, em cuja presença não somos dignos de estar, mas fragilizado pelo seu amor por nós e impotente em fazer com que nós, sua criação, o amemos.

October 30th, 2009 at 3:26 am

[...] o original aqui. [...]

Leave reply

Name
Email
Website
Message