Deus nos dá várias formas de crescimento: oração e Escritura, silêncio e solitude, sofrimento e serviço. No entanto, o principal meio é o da adoração pública. O crescimento espiritual não pode ocorrer no isolamento. Não se trata de algo privado entre o cristão e Deus. Na adoração, vimos perante Deus que ele nos ama na presença de outros a quem ele também ama. Na adoração, mais que em qualquer outra coisa, nos colocamos deliberadamente em posição de abertura à ação de Deus e à necessidade do próximo que exigem que cresçamos plenamente à altura de Cristo, que é Deus e homem por nós. A adoração regular e fiel é tão essencial ao cristão em desenvolvimento como o alimento e o abrigo o são para o crescimento da criança. A adoração é a luz e o ar nos quais o crescimento espiritual ocorre.
“Eles seguiam uma disciplina diária de adoração no Templo, seguida de refeições nos lares, cada refeição uma celebração exuberante e alegre, enquanto louvavam a Deus.” Atos 2.46-47a
(extraído de Um Ano com Eugene Peterson, Editora Palavra, 2008)
Esse texto passa a falsa impressão de que o TEMPLO é o lugar onde temos que nos reunir.
Aí quando a gente para pra pensar que o Templo já estava lá e foi “aproveitado”, a impressão já ficou gravada…
Daniel, obrigado pelo comentário!
Sinceramente não creio que o nem o Eugene Peterson nem o escritor de Atos desejam passar nenhuma “falsa impressão”. Eugene parece que está simplesmente expondo o que a Bíblia é consistente em afirmar: Igreja é Corpo, é ajuntamento, é gente reunida em Nome de Cristo para adorá-Lo tanto com suas palavras como com suas ações. Numa época onde o isolamento e busca por conforto parecem ganhar cada vez mais adeptos, suas palavras são um desafio para que nos lembremos de quão essencial a adoração comunitária é para nossa espiritualidade. E o texto de Lucas descreve esse Corpo se reunindo tanto no Templo (local de reuniões maiores) quanto nas casas. Numa época de afirmação crescente de que somente as reuniões informais e pequenas são expressão da Igreja, creio que é bom lembrar que se o que procuramos é “uma volta ao Cristianismo bíblico”, precisamos considerar ambos tipos de reuniões como possibilidade de serem expressões genuínas da Igreja.
É isso o que penso.
Abs
Sandro, concordo com você que as reuniões maiores são importantes tanto quanto as reuniões menores.
Você sabe que o uso que a igreja fazia do pátio do templo é diferente do uso que os judeus faziam do templo. Como diz N. T. Wright, “os judeus criam que ali era o lugar do encontro entre o céu e a terra” e conforme nos ensina o escritor de Hebreus, o sacerdócio judaico se tornou ultrapassado na nova aliança.
Como você enfatizou, igreja é gente reunida.
Escrevo essas coisas que são mais do que óbvias hoje porque ainda persiste em nossos dias a ideia fortemente arraigada de templos como lugares sagradas, altares como lugares da presença de Deus e há quem busque apoio nessa passagem que diz que os seguidores de Jesus se reuniam no Templo.
Abraço!
Entendi Daniel, e você está certo. O templo somos nós. O que deve ser consagrado é coração. Qualquer tentativa de tornar lugares dedicados a reuniões da Igreja em em locais sagrados é um erro não somente bíblico, mas de estratégia missionária. Infelizmente a heresia judaizante (com suas mais diversas expressões) continua viva no Cristianismo ainda hoje.
Hebreus 10:24-25
… e consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e as boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.
Acho o conceito de igreja como lugar algo até mesmo maligno e diabólico (ao menos na nova aliança), e destrutivo para a Igreja. Assim também são termos que foram adotados com o tempo, como “igreja”, “cristão”. E quando implicam com grupos de seguidores de Cristo que não usam o título “igreja” para designar-se a si mesmos?
Tenho um amigo que defende o investimento na construção de templos por serem locais de refúgio espiritual dos crentes. Respeito sua opinião, mas no meu ponto de vista, isso não é questão de opinião; é a falta da experiência com o verdadeiro refúgio que encontramos na presença da Igreja feita de pessoas imperfeitas e maculadas, mas que paradoxalmente refletem a presença de Deus.
[...] o original aqui. [...]