2009
Crepúsculo
A história da adolescente Bella apaixonada por um vampiro bonzinho e cujo melhor amigo é um lobisomem, virou febre mundial. De Seattle a São Paulo, de Tokyo a Sidney, em todo o mundo, pré-adolescentes e adolescentes (principalmente do sexo feminino) estão caindo de cabeça na série de livros e filmes Crepúsculo. Em meio a febre, muitos pais cristãos ficam preocupados com o que seus filhos estão lendo e assistindo. Melissa Metler, missionária do Steiger na Alemanha, escreveu um artigo com algumas perguntas interessantes sobre este assunto que desejo compartilhar e comentar abaixo.
Estamos preocupados por causa da “febre” em si?
Essa febre mundial entre crianças e adolescentes sobre um livro/filme não é nova. Há poucos anos era Harry Potter. Depois High School Musical. Agora é a vez de Crepúsculo. Beatles, Bee Gees, New Kids on the Block, Backstreet Boys, Jonas Brothers, de tempos em tempos aparece uma banda ou grupo que cativa o coração de jovens e adolescentes. “Na comunidade global, os modismos chegam mais rapidamente e com maior impacto do que era comum no mundo baseado puramente na escrita,” aponta Melissa.
Estamos perturbados por causa da obsessão que os livros parecem produzir em seus leitores?
Livros como os da série Crepúsculo são escritos de forma a cativar o leitor, por meio de uma trama, de um suspense, que faz com alguém não desgrude até chegar ao fim da história. E, como um passeio por um parque de diversões da Universal Studios ou da Disney, muitas vezes, ao se chegar ao fim, sente-se o desejo de começar tudo de novo. Mas sempre que houver um interesse obssessivo pela história, levando o leitor a misturar a ficção com a realidade, então pode ser necessário haver algum tipo de intervenção por parte dos pais.
Estamos incomodados por causa dos personagens da história?
Histórias com vampiros e lobisomens podem incomodar certos pais (principalmente cristãos). Posso até imaginar alguns dizendo: “Isso é coisa do diabo!”, “Tá amarrado!” ou qualquer outro jargão do gênero. Devemos nos lembrar que o livro é uma ficção escrito por alguém com o que me parece alguns valores judaico-cristão. Por isso, apesar de ser uma história de vampiros e lobisomens, Crepúsculo retrata uma família de vampiros bons que resistem a tentação de matar seres humanos e têm uma “dieta vegetariana” se alimentando apenas de animais, enquanto há outros vampiros maus que se entregam ao desejo pelo sangue humano e matam todos os que cruzam seu caminho. Na verdade, Crepúsculo é muito mais do que uma história de vampiros e lobisomens, é uma história sobre relacionamentos, escolhas e consequências.
Estamos incomodados por causa da temática da história?
Na trama de Crepúsculo, a adolescente Bella se apaixona pelo vampiro bonzinho Edward e inicia um relacionamento perigoso com ele e sua família de vampiros. Bella deseja uma relação sexual com Edward, mas ele resiste por acreditar que sexo deve ser reservado para o casamento. Isso é bem diferente de quase tudo o que os jovens e adolescentes estão ouvindo hoje em dia. Na realidade, Crepúsculo abre portas para bons diálogos sobre diversas questões enfrentadas pelos adolescentes nos dias de hoje. A escritora Beth Felker Jones escreveu o livro Touched by a Vampire na tentativa de guiar os pais neste diálogo. Ou seja, a mesma temática que incomoda pode servir de ponte para discussões profundas sobre amor, romance, relacionamentos, sexo, família, imortalidade, etc., usando como pano de fundo a série Crepúsculo.
Como pais de uma pré-adolescente, minha esposa e eu assistimos o primeiro filme com nossa filha (e minha esposa assistiu o segundo com ela, enquanto eu apenas li o segundo livro). Nossa visão é que, melhor do que demonizar uma série, parece mais produtivo caminhar junto com nossos filhos e usar de séries de livros e filmes para discutirmos juntos assuntos relevantes sobre nossa fé em particular e a vida de um modo geral.
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Comments (8 Responses)
achei legal essa posição, até pq eu nao li os livros mas vi o primeiro filme e curti a historia…é bobinha mas tem akela sensação de voltar a adolescencia…acho mto melhor ver e ter um senso critico do q simplesmente proibir o contato com essa literatura como mtos pastores e igrejas fazem por achar q não é uma posição de cristão…mas Deus usa o q Ele quiser,e se quiser usar isso p passar uma msg p os adoles de hj Ele vai!e quem somos nós p dizer q nao?alias, qd eu era adole, ha uns 7 anos atras(hehe),tinha uma literatura crista chama serie Cris em q o romance em questão se passava entre jovens cristãos perfeitos loiros e dos olhos azuis e q nao se encaixava a nenhuma realidade,o q me fez mais mal do q se eu tivesse lido o Crepúsculo,pois temos a ideia de q se foi um cristao q escreveu entao tah td certo…talvez isso seja até uma “brecha” p escritores cristãos escreverem sobre as batalhas q um adole passa durante essa fase e como se comportar sem colocar um alvo inatingivel…well,that´s all!
Assisti o Lua Nova na quarta feira, o vampiro e o lobisomem não me incomodam tanto como as garotas gritando quando eles aparecem na tela. kkkk
Super criativo usar a historia para abordar assuntos relevantes a nossa geração de adolescentes.
Vi o primeiro filme, pedaços do segundo por aqui e não achei ruim. O enredo é interessante, a execução é tradicional e do jeito que todo mundo gosta, nada de arte. Quanto ao livro… lembra Dan Brown e JK Rowling. A autora explora bem vários temas, mas escreve muito mal, com muitos lugares comuns típicos, tanto que não consegui ler como não consigo ler Paulo Coelho!
O pior é que é moda, e tudo que é moda levanta milhões e a indústria e a mídia sabem muito bem como utilizar tudo isto para angariar mais e mais fundos.
E claro, apesar da questão do sexo antes do casamento, uma boa discussão se dilui no meio da aventura, e as garotas (e muitos garotos que vi no dia da estréia quando fui ver Bastardos Inglórios!) gostam mais mesmo é do extase e do tom romântico melancólico.
Mas fica a questão: será possível um cristianismo real, vívido e verdadeiro que traga tamanha comoção (permanente, claro!) entre os jovens?
Sandro, você tem alguma sugestão neste sentido?
[...] o original aqui. [...]
Muito legal a bordagem do texto, Pastor!
Também acredito que devemos usar as coisas da moda para ensinar os jovens, usando o que eles tem de bom e ensinando o que é errado. Proibir o adolescente só leva a rebeldia.
Na minha adolescência, tive um líder abençoado que usava filmes e situações para nos ensinar e eu adorava. Essas lições são difíceis de se esquecer!
Abraços à todos.
“Devemos nos lembrar que o livro é uma ficção…”
Isto me faz lembrar que alguns anos atras muitas pessoas que tinham uma posição contraria a musica, literatura ou outra expressao artistica que usassem tematicas consideradas improprias como “vampiros, lobisomens, etc” nao viam problema em assistir o filme “A Bruxa de Blair”…
Parece que estas pessoas gostariam que os produtores do filme escrevessem, “isto é uma ficção, não se assustem é de mentirinha, vampiros e lobisomens não existem de verdade, não precisam ter medo do escuro e dormir de luz acesa que o bicho papao tambem não existe !” rss
Acho que um livro ou filme não vira moda à toa. Eles são baseados em histórias, em realidades alternativas, em mundos diferentes e mais fantásticos que este em que vivemos. São realidades que gostaríamos que existissem. Gostaríamos que a vida fosse mais empolgante e cheia de aventuras. Crianças e adolescentes vivem no mundo de Harry Potter e Crepúsculo, enquanto adultos tomam Código Da Vinci e Zeitgeist como se fossem realidade.
O fato é que nós, cristãos, temos investido mais tempo e recursos em atacar esses modismos, e não em criar histórias contagiantes sobre a realidade fantástica e cheia de aventuras de Deus.
[...] Fonte: http://www.sandrobaggio.com/2009/12/02/crepusculo/ [...]
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