Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Você é fundamentalista?

posted by Sandroin Emergente, livrosComments (13)

Se a pergunta fosse dirigida a nós, certamente responderíamos com um sonoro “não”. O conceito fundamentalismo tem sua origem na palavra fundamento. Não há casa que possa ser construída sem fundamento, não há argumento que possa ser formulado sem fundamentos, não há existência humana sem fundamento. Por esse último aspecto, somos todos fundamentalistas, pois todos necessitamos de fundamentos, de alicerces para a nossa existência, e quem desistir deles estará desistindo de si mesmo. Porém, o trágico das formulações de nossos dias é que “fundamentalistas” são sempre os outros, jamais nós próprios.

- Martin H. Dreher em Fundamentalismo (Sinodal 2006)

Comments (13 Responses)

Leonardo Jr., says:
December 7th, 2009 at 10:11 am

Excelente!

Thiago Bomfim, says:
December 7th, 2009 at 7:04 pm

Sandro,

O significado original é muito mais bonito do que a carga pejorativa que esta palavra adquiriu.

Para definir posições rigorosas e infundadas, deveríamos usar o termo “extremismo”. Entretanto, com o mau uso e a despreocupação que a imprensa tem em dar o nome certo ao boi, “fundamentalismo” hoje significa o mesmo que “extremismo”.

No sentido original, sou sim fundamentalista, mas, de acordo com significado mais conhecido, jamais aceitaria um rótulo como esse.

Thiago Bomfim, says:
December 7th, 2009 at 9:46 pm

O que eu quero dizer é: se uma pessoa te “acusar” de fundamentalista, tenha a certeza que o sentido que está na cabeça dela não é o mesmo explicado por Martin H. Dreher.

Sandro, says:
December 7th, 2009 at 11:03 pm

Exatamente Thiago, há uma diferença entre o significado original e o atual. Eu também não quero ser chamado de “fundamentalista” quando o termo se aplica a Talibãs e pregadores sulistas dos EUA que pensam que a única versão correta da Bíblia é a KJV… Por outro lado, acusar sempre “o outro” de fundamentalista virou moda. Qualquer pessoa que defenda sua posição hoje em dia é logo acusada de fundamentalista, quando, na verdade todo mundo é fundamentalista (de uma maneira ou de outra).

Kim, says:
December 8th, 2009 at 2:03 pm

É uma pena que tantas outras palavras também tenham caído na mesma desgraça (evangélico, cristão, crente), e ficamos sem palavras para definir o que somos.

Sandro, says:
December 8th, 2009 at 2:38 pm

Pois é Kim, e não creio que a resposta correta para isso seja descartar esses termos (mesmo porque soa ridículo dizer-se que não é crente, cristão, evangélico, quando se é). Precisamos ser livres com relação a esses adjetivos que descrevem diferentes facetas de nossa fé (crente é aquele que crê; cristão é aquele que segue a religião cristã, que não é budista, judeu, muçulmano, etc; evangélico é aquele que sustenta certos fundamentos com relação a fé cristã) sem ficar presos a eles. Eu raramente me apresento como crente, cristão ou evangélico, mas como seguidor de Jesus.

Ricardo Otake, says:
December 8th, 2009 at 5:38 pm

É preciso conhecer a origem do termo para avaliarmos se somos ou não parte desta terminologia. O início do Século XX, as idéias modernistas de que a ciência teria respostas para tudo e que Deus estava morto (Nietche) chegaram em alguns seminários teológicos, e alguns teólogos começaram a por em dúvida a existência de Deus e a veracidade da Bíblia. Um grupo de cristãos se levantou contra estas idéias, se apegando aos “fundamentos” da fé cristã. Este grupo, que combatia as idéias liberais foi chamado de “Fundamentalistas”.
Neste mesmo grupo, alguns levantavam a bandeira da evangelização, e foram chamado de “Evangélicos”. Esta fase da igreja foi chamada de A grande Reversão. Acontece que infelizmente este grupo abraçou uma mentalidade da dicotomia grega que separava “sagrado” e “secular”. Esta mentalidade foi introduzida na igreja católica por Santo Agostinho (354 a 430dC) influenciado pelo Neo-Platonismo. Segundo esta mentalidade, algumas atividades são “sagradas”, enquanto que outras são “seculares”. Ir a igreja é sagrado, trabalhar no banco é secular.
Uma música que não fala de Jesus, nem foi composta por um autor que se diz cristão, é “secular”, enquanto que a música de louvor ou adoração é “sagrada”. Esta maneira dicotomizada de ver o mundo, fez de nós cristãos vivermos num gueto, com músicas próprias, canais de tv, roupas, um dialeto e um modo de viver distante da maioria das pessoas que não fazem parte do gueto. Fez de nós cristãos alienados e irrelevantes para a cultura e a para o entendimento correto do reino de Deus.
Deus está acima disso. Nossa visão de mundo não pode ser essa dicotomia grega, deve ser bíblica. Se Deus só se interessa pelas coisas “espirituais”, por que então a bíblica contem instruções sobre como devemos lidar com dinheiro ? Como cuidar da higiene ? Do Meio ambiente ? Educação ? Música ? Como lidar com estrangeiros ? Aliás, contando os versículos, esses assuntos somam muito mais do que os “espirituais”…É preciso mudar nossos olhos. Como enxergamos o reino de Deus, muda como vamos exercer nosso papel de cristão.

Ricardinho, says:
December 9th, 2009 at 1:42 pm

eu poderia dizer que:

“Não sou “fundamentalista”, estou firmado na pedra fundamental Jesus Cristo

Thiago Bomfim, says:
December 18th, 2009 at 4:38 pm

O problema também está no fato de se apegar ao rótulo de “fundamentalista” ou “não fundamentalista”. Veja bem, um dos princípios do Fundamentalismo está na inerrância das escrituras. Sabemos que há contradições, erros e dados imprecisos na Bíblia, mas isso torna inválida a nossa fé?

Só de admitir isso você já está excluído da categoria de um cristão fundamentalista. Porém, mesmo tendo ciência e admitindo as possibilidades dos erros bíblicos, é de sua obrigação desprezar todo o ensino que se baseia na doutrina do “Fundamentalismo” e se declarar um “anti fundamentalista” ?

Esse desprezo por uma doutrina e preferência por uma outra é só aquela velha história de que nós queremos mesmo é ser bem identificados nos nossos determinados grupos, dentro de suas ideias e princípios.

Sandro, says:
December 18th, 2009 at 5:04 pm

Pois é Thiago, se usarmos o critério das Escrituras como você colocou, então eu sou fundamentalista. Acredito na inerrância das Escrituras conforme declarado no Pacto de Lausanne: Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

Thiago Bomfim, says:
December 18th, 2009 at 8:28 pm

Pois é, Sandro, você é um fundamentalista ao pé da letra, rs. Mas eu não posso dizer o mesmo. Ainda assim, não sou daqueles que pegam todo o pacote de ideias de fundamentalistas e joga no lixo. Acho que posso aprender muito com eles, e (quem sabe) tornar-me um.

Abs!

December 22nd, 2009 at 11:14 am

Creio que inspirado e inerrante são as mensagens que a Bíblia nos traz e não num literalismo míope que descarta questões como a história, literatura da época, formas de linguagem, poesia….Se tomarmos como literais a letra em si, ela nos mata. Creio que devemos ler a Bíblia com um toque de poesia, de literatura, de alegorias, do sentido e isso não a deixa inválida, pelo contrário, realça a grande beleza deste livro maravilhoso e que fala a humanidade até nossos dias.

Sandro, says:
December 22nd, 2009 at 8:46 pm

Com certeza Marcio, a Bíblia é a Palavra de Deus escrita na línguagem humana, por seres humanos, na história humana. Um compromisso com a autoridade biblica não significa um desprezo por seu contexto cultural, histórico, seus diversos estilos literários, etc. Mas significa manter a Bíblia e Sua Mensagem com a regra de fé e prática de nossas vidas. Para mim, perder isso de vista, é perder qualquer referencial por Jesus ou qualquer outra crença baseada nas Escrituras. Se uma pessoa não aceita a autoridade das Escrituras, não existe nenhuma firmeza em sua fé. Talvez seja por isso que a dúvida é muito mais afirmada hoje em dia, do que a crença… Acho que isso será tema de meu próximo post. Abs

Leave reply

Name
Email
Website
Message