2009
Enfrentando o Relativismo
Na postagem anterior coloquei uma citação de Lesslie Newbigin citada por Tim Keller em seu magnífico livro A Fé na Era de Ceticismo. Depois de ter postado, decidi pegar minha empoeirada cópia do livro de Newbigin e verificar de onde veio a citação original. Abaixo está o parágrafo completo (a pequena diferença na tradução deve-se ao fato de que o anterior foi copiado do livro e este foi traduzido diretamente por mim).
>Não é fácil resistir a onda contemporânea de pensamento e sentimento que parece varrer-nos irresistivelmente na direção de uma aceitação do pluralismo religioso e longe de qualquer afirmação confiante da soberania absoluta de Jesus Cristo. Não é fácil desafiar a estrutura de plausabilidade dominante. É mais fácil se conformar. O domínio impressionante do relativismo na cultura contemporânea torna suspeita qualquer confissão firme de fé. Para a afirmação feita pelos cristãos sobre Jesus, a resposta é: “Sim, mas outros fazem afirmações semelhantes sobre os símbolos de sua fé; por que Jesus e não alguém ou algo mais?” Assim a relutância em acreditar em algo conduz a um estado mental no qual o Zeitgeist se torna a força dominante. A declaração verdadeira de que nenhum de nós pode captar toda a verdade torna-se uma desculpa para desqualificar qualquer afirmação de se ter uma pista válida para pelo menos o início do entendimento. Há uma aparência de humildade no protesto de que a verdade é muito maior do que qualquer um de nós possa captar, mas se isso for usado para invalidar toda afirmação de discernir a verdade, é de fato, uma reivindicação arrogante de um tipo de conhecimento que é superior ao conhecimento que está disponível a seres humanos falíveis. Temos que perguntar: “Como você sabe que a verdade sobre Deus é maior do que o que nos foi revelado em Jesus?” Quando Samartha ou outros nos perguntarem: “Que fundamento você pode mostrar para considerar a Bíblia como autoridade singular, uma vez que outras religiões também tem seus livros sagrados?”, temos que retornar com a pergunta: “Qual é o ponto de vantagem a partir do qual você reivindica a capacidade de relativizar todas as reivindicações absolutas que essas diferentes escrituras fazem?” Que verdade mais elevada você possui que o torna capaz de reconciliar declarações sobre Jesus diametralmente opostas na Bíblia e no Alcorão? Ou você está, de fato, nos aconselhando que é melhor não acreditar em nada?” Quando a resposta for: “Nós queremos unificar a humanidade para que possamos ser salvos de um desastre,” devemos dizer: “Nós também queremos essa unidade e, portanto, buscamos a única verdade pela qual a humanidade pode tornar-se uma.” Esta verdade não é uma doutrina ou cosmovisão, nem mesmo uma experiência religiosa; certamente não é achada por repitições abstratas de substantivos como justiça e amor; ela está no homem Jesus Cristo sobre quem Deus estava reconciliando o mundo. A verdade é pessoal, concreta, histórica.
(The Gospel in a Pluralist Society, pp. 169-170)
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Comments (2 Responses)
Sandro, acredito que esta confusão se dá por alguns motivos básicos.
Primeiro a arrogancia de alguns de portarem como donos da verdade absoluta.
Segundo a ingenuidade dos mesmos de quererem provar a um cético por exemplo baseando-se na bíblia quando o mesmo sequer acredita nela.
Seria como um católico querer convencer um evangélico baseando-se numa bula ou enciclica papal sendo que estes nao reconhecem a autoridade do papa.
Terceiro, eu acredito em verdade absoluta mas não tenhos meios de prova-la, não como uma prova cientifica demonstrada através de fórmulas matemáticas, costumo dizer o dia que me provarem que:
E = mc² = Deus,
Eu me torno ateu ! o dia que o ser humano que usa apenas cerca de 98,85% de sua capacidade mental conseguir demonstrar matematicamente a existencia de um ser TRANSCENDENTE ele deixou de ser transcendente, deixou de ser Deus alem da compreensao humana para se tornar objeto de estudo da fagil ciencia humana.
Os relativizadores de plantão, relativizam aquilo em que não acreditam, eu proponho que se é pra relativizar, desconstruir pra reconstruir, então que comecemos do zero, primeiramente relativizem a existencia de espirito ou alma, depois de vida após morte e só depois a existencia de Deus e a deidade de Jesus Cristo, etc
“Creio porque é absurdo” o dia que houver prova ja não existirá fé, o que nã significa que não temos razao para crer, mas que a razao da nossa esperança esta alem da compreensao humana, afinal “O que Atenas tem a ver com Jerusalem ?”
Ah ! e sei que este assunto é muito profundo pra ser debatido assim num blog, mas voce quiser…
Abraços mano e feliz aniversário de novo !
ALGUM LIVREIRO DE PLANTÃO TRADUZA E LANCE ESSE LIVRO NO BRASIL PELAMORDEDEUS.
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