Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Missão Integral (1)

posted by Sandroin Missional, TeologiaComments (5)

Nestes últimos 6 meses tenho lido (e revisto) livros e artigos sobre a chamada “missão integral”. Em meu entendimento, a única missão pela qual vale a pena viver (e, se necessário for, morrer) é a missio Dei. Estou cansado das reflexões e comentários sobre a missão integral que não passam de uma releitura do Evangelho Social ou da Teologia da Libertação, por parte de evangélicos desiludidos com a atuação da Igreja. É preciso mais do ativismo e engajamento social e político para mudar o mundo. O texto abaixo de René Padilla serve como um lembrete disso.

***

Sem oração não há missão cristã. Poderá haver proselitismo religioso, obras e ações de caridade, ou tarefas missionárias, mas não há missão cristã.
A missão cristã é primordialmente missio Dei (missão de Deus). Nasce no coração de Deus, atua na história pelo poder do Espírito Santo, e visa a exaltação de Jesus Cristo como Senhor do universo e de cada área da vida humana, para a glória de Deus. Em síntese, missão cristã começa e termina em Deus.
Sob esta perspectiva, todo o trabalho missionário das igrejas somente tem sentido quando se inspira no amor de Deus, se realiza em seu nome e busca sua glória.
(…) O ativismo é ação sem oração… a oração é mais importante que a ação. Especialmente no mundo evangélico, é difícil aceitar que seja assim. Condicionados como estamos pela cultura do lucro, vivemos como aqueles que pensam que a salvação do mundo depende inteiramente do esforço humano. Por isso, frequentemente reduzimos a oração a um rito que dá a nosso ativismo um colorido religioso. Sabemos pouco sobre o que significa a ação em função da oração, a ação em resposta ao chamado de Deus para colaborar na realização de seu propósito para a vida humana em todas as suas dimensões. (…) Como diz Jacques Ellul:
Todo radicalismo adicional, o de conduta, o do estilo de vida e o da oração, só pode resultar da ruptura na priorização da oração. Principalmente porque nossa sociedade tecnológica está totalmente envolvida com a ação, a pessoa que entra em seu quarto para orar é um verdadeiro radical. Todas as outras coisas dependerão disso. Essa atitude na sociedade, que é também um ação sobre esta sociedade, e muito mais do que o envolvimento concreto, ao qual também não renuncia.

(C. René Padilla, O que é Missão Integral, Editora Ultimato, 2009)

Comments (5 Responses)

Jonas, says:
December 15th, 2009 at 12:32 pm

Excelente lembrete!!! Cl 4.2 | A forma radical de fazer o que Deus quer INCLUI colocar diante d’Ele todas as nossas necessidades e ansiedades! ORAR, ESTAR ALERTA E SER GRATO. Thanks brother Baggio

Ricardinho, says:
December 15th, 2009 at 1:58 pm

Concordo em gênero, número e grau !!!

LELO, says:
December 16th, 2009 at 2:54 pm

É mano, extremismo de qualquer lado é ruim. Realmente o ativismo tem tomado um lugar na igreja que não lhe pertence, e tem se esquecido realmente da principal missão de cada cristão.

Arraya Diego, says:
December 23rd, 2009 at 6:26 pm

Concordo totalmente com você sandrao, rene padilha na cabeça, mas acredito que se colocarmos a teologia da libertação somente como ativismo, pró-atividade em relação aos pobres e engajamento social é empobrecer muito o texto dos libertários, mas isso já é outra história.
Na minha humilde e ingênua opinião, é uma fuga do ativista ajudar aos pobres e desfavorecidos em detrimento da Igreja imperfeita, matadora de sonhos e chamados, ou seja, nosso próprio reflexo, vivamos a imperfeição buscando a perfeição juntos, sempre juntos saludos desde el brás, diego

December 27th, 2009 at 2:40 pm

Sandro:

De acordo! Porém, vale lembrar que a participação da sociedade civil é configurada também por membros que fazem parte da Igreja. Uma vez que discutir cidadania e direitos são assuntos infelizmente nem tão sintonizados em algumas igrejas na nossa realidade brasileira…
O Capitalismo nos faz vivermos realidades “locais e globais” ao mesmo tempo. Partindo de algumas leituras, exemplifico que nossa juventude é “mais global do que local – em inúmeras questões”. Principalmente com relação à identidade que constroem (ou reproduzem).
Talvez, advindos pela Globalização Neoliberal e em alguns casos, a Teologia da Prosperidade – que financeiriza e mercantiliza as relações da vida, vistas somente a partir de uma ótica de lucro (ou bênçãos)…
Compreendo a leitura de muitos teóricos para a análise da sociedade em suas diversas esferas: econômica, política, social e até ideo-cultural…
Contudo, o conhecimento produzido por tais autores e a admiração pelos tais, não dissocia o reconhecimento da missão devemos ter como cristãos acerca de levar as boas novas…
Lembremos de Mateus 25.31-46, onde bem expressa que a missão de Deus compõe ações… (desde que venham à partir de “orações”) rs Mas, que o Rei está Nú e também é Missão…
Um abraço!

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