Nestes últimos 6 meses tenho lido (e revisto) livros e artigos sobre a chamada “missão integral”. Em meu entendimento, a única missão pela qual vale a pena viver (e, se necessário for, morrer) é a missio Dei. Estou cansado das reflexões e comentários sobre a missão integral que não passam de uma releitura do Evangelho Social ou da Teologia da Libertação, por parte de evangélicos desiludidos com a atuação da Igreja. É preciso mais do ativismo e engajamento social e político para mudar o mundo. O texto abaixo de René Padilla serve como um lembrete disso.

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Sem oração não há missão cristã. Poderá haver proselitismo religioso, obras e ações de caridade, ou tarefas missionárias, mas não há missão cristã.
A missão cristã é primordialmente missio Dei (missão de Deus). Nasce no coração de Deus, atua na história pelo poder do Espírito Santo, e visa a exaltação de Jesus Cristo como Senhor do universo e de cada área da vida humana, para a glória de Deus. Em síntese, missão cristã começa e termina em Deus.
Sob esta perspectiva, todo o trabalho missionário das igrejas somente tem sentido quando se inspira no amor de Deus, se realiza em seu nome e busca sua glória.
(…) O ativismo é ação sem oração… a oração é mais importante que a ação. Especialmente no mundo evangélico, é difícil aceitar que seja assim. Condicionados como estamos pela cultura do lucro, vivemos como aqueles que pensam que a salvação do mundo depende inteiramente do esforço humano. Por isso, frequentemente reduzimos a oração a um rito que dá a nosso ativismo um colorido religioso. Sabemos pouco sobre o que significa a ação em função da oração, a ação em resposta ao chamado de Deus para colaborar na realização de seu propósito para a vida humana em todas as suas dimensões. (…) Como diz Jacques Ellul:
Todo radicalismo adicional, o de conduta, o do estilo de vida e o da oração, só pode resultar da ruptura na priorização da oração. Principalmente porque nossa sociedade tecnológica está totalmente envolvida com a ação, a pessoa que entra em seu quarto para orar é um verdadeiro radical. Todas as outras coisas dependerão disso. Essa atitude na sociedade, que é também um ação sobre esta sociedade, e muito mais do que o envolvimento concreto, ao qual também não renuncia.

(C. René Padilla, O que é Missão Integral, Editora Ultimato, 2009)