Arquivos para o mês de: December, 2009

Siga-me.
Eu sou o caminho a verdade e a vida.
Sem o caminho não há como ir;
sem a verdade não há saber;
sem a vida não há viver.
Eu sou o caminho que você deve seguir;
a verdade que você deve crer;
a vida pela qual você deve esperar.
Eu sou o caminho inviolável;
a verdade infalível;
a vida sem fim.
Eu sou o caminho mais reto;
a verdade soberana;
a vida verdadeira, vida abençoada, vida incriada.

- Thomas à Kempis, De Imatatione Christi, 1418

Na postagem anterior coloquei uma citação de Lesslie Newbigin citada por Tim Keller em seu magnífico livro A Fé na Era de Ceticismo. Depois de ter postado, decidi pegar minha empoeirada cópia do livro de Newbigin e verificar de onde veio a citação original. Abaixo está o parágrafo completo (a pequena diferença na tradução deve-se ao fato de que o anterior foi copiado do livro e este foi traduzido diretamente por mim).

>Não é fácil resistir a onda contemporânea de pensamento e sentimento que parece varrer-nos irresistivelmente na direção de uma aceitação do pluralismo religioso e longe de qualquer afirmação confiante da soberania absoluta de Jesus Cristo. Não é fácil desafiar a estrutura de plausabilidade dominante. É mais fácil se conformar. O domínio impressionante do relativismo na cultura contemporânea torna suspeita qualquer confissão firme de fé. Para a afirmação feita pelos cristãos sobre Jesus, a resposta é: “Sim, mas outros fazem afirmações semelhantes sobre os símbolos de sua fé; por que Jesus e não alguém ou algo mais?” Assim a relutância em acreditar em algo conduz a um estado mental no qual o Zeitgeist se torna a força dominante. A declaração verdadeira de que nenhum de nós pode captar toda a verdade torna-se uma desculpa para desqualificar qualquer afirmação de se ter uma pista válida para pelo menos o início do entendimento. Há uma aparência de humildade no protesto de que a verdade é muito maior do que qualquer um de nós possa captar, mas se isso for usado para invalidar toda afirmação de discernir a verdade, é de fato, uma reivindicação arrogante de um tipo de conhecimento que é superior ao conhecimento que está disponível a seres humanos falíveis. Temos que perguntar: “Como você sabe que a verdade sobre Deus é maior do que o que nos foi revelado em Jesus?” Quando Samartha ou outros nos perguntarem: “Que fundamento você pode mostrar para considerar a Bíblia como autoridade singular, uma vez que outras religiões também tem seus livros sagrados?”, temos que retornar com a pergunta: “Qual é o ponto de vantagem a partir do qual você reivindica a capacidade de relativizar todas as reivindicações absolutas que essas diferentes escrituras fazem?” Que verdade mais elevada você possui que o torna capaz de reconciliar declarações sobre Jesus diametralmente opostas na Bíblia e no Alcorão? Ou você está, de fato, nos aconselhando que é melhor não acreditar em nada?” Quando a resposta for: “Nós queremos unificar a humanidade para que possamos ser salvos de um desastre,” devemos dizer: “Nós também queremos essa unidade e, portanto, buscamos a única verdade pela qual a humanidade pode tornar-se uma.” Esta verdade não é uma doutrina ou cosmovisão, nem mesmo uma experiência religiosa; certamente não é achada por repitições abstratas de substantivos como justiça e amor; ela está no homem Jesus Cristo sobre quem Deus estava reconciliando o mundo. A verdade é pessoal, concreta, histórica.

(The Gospel in a Pluralist Society, pp. 169-170)

Há uma aparência de humildade na afirmação de que a verdade é muito maior do que a capacidade de qualquer um de nós de apreendê-la, mas quando usada para invalidar todas as reivindicações de conhecer a verdade, ela é, com efeito, uma arrogante reivindicação de um conhecimento superior a (todos os outros)… Precisamos indagar: “Qual é a perspectiva [absoluta] a partir da qual você reivindica ser capaz de relativizar todas as reivindicações absolutas que essas Escrituras distintas fazem?”

- Lesslie Newbigin em The Gospel in a Pluralist Society, citado por Tim Keller em A Fé na Era de Ceticismo, Campus 2009.