Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

A entrevista

posted by Sandroin Emergente, Projeto 242Comments (5)

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Há um ano foi publicada uma matéria na Revista da Folha falando sobre o Projeto 242, que provocou uma enxurrada de e-mails, comentários, pessoas elogiando, muitas criticando, etc. Tendo passado um ano, acho que posso publicar aqui no meu blog a entrevista original que eu dei para a revista por e-mail (a outra, foi um bate-papo informal com a jornalista e o fotógrafo junto com o Claudio Tiberius).

Passados um ano também, percebo que algumas coisas mudaram em relação a mim pessoalmente e ao Projeto 242. Creio que não nos encaixamos mais no rótulo de igreja emergente. O movimento emergente (principalmente o Emergent Village) tomou o rumo da teologia liberal e do evangelho social (e sendo sincero, eu respeito mais a “lógica espiritual” de um ateu do que a de um cristão liberal). O liberalismo teológico nunca produziu vida. Seus frutos podem ser observados na realidade espiritual do continente europeu. Então não me vejo mais carregando a bandeira da igreja emergente.

Quanto ao Projeto 242, talvez a principal mudança da época destas entrevistas e matéria é que o ministério Sexxxchurch, que começou entre nós, seguiu seu próprio caminho e não possui mais nenhum vínculo conosco.

Bom, de qualquer modo, segue a entrevista.

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Existem igrejas parecidas com o projeto 242 pelo mundo? Qual foi a precursora e as principais atualmente? Vocês mantém contato com essas igrejas?
Há muitas igrejas parecidas com o P242 pelo mundo, a maioria delas dentro de um movimento chamado Igreja Emergente. É difícil precisar com exatidão qual foi a precursora, mas com certeza esse movimento nasceu de verdade na Inglaterra na década passada com igrejas que começaram a oferecer cultos alternativos para a juventude. Algumas das principais igrejas emergentes na Inglaterra e nos EUA são:  Ikon, Moot (UK) Mosaic, Mars Hill, Solomon’s Porch, Ecclesia (EUA).

Vocês se consideram evangélicos?
Nós preferimos dizer que buscamos seguir Jesus. Ele não era nem Católico, nem Evangélico. Dentre nós há pessoas que tem um background católico e outras (talvez a maioria) vem de uma tradição evangélica.

Como o dízimo é tratado no projeto 242?
Tem uma postagem no meu blog sobre isso, talvez você queira ler.

Gostaria que você descrevesse o momento (onde, quando, em quais circunstâncias) que você decidiu criar a igreja. Por alto você me disse que foi na casa de um amigo, é isso mesmo?
Eu servia na equipe pastoral de uma igreja no bairro do Ipiranga e tinha começado um trabalho chamado Refúgio do Rock, onde bandas de hard rock e metal pesado se apresentavam todas as sextas-feiras (isso tudo de 1993-1997). No passagem de ano de 1996 para 1997, eu estava na sala do pastor senior daquela igreja quando ele perguntou-me se eu gostaria de abrir uma nova igreja em SP. Minha esposa e eu estávamos pensando seriamente em ir para os EUA onde eu planejava fazer um mestrado em Teologia. Portanto minha resposta foi: “Não, já existem igrejas demais em SP, não tenho interesse nenhum em abrir mais uma.” Mas aquela pergunta me perseguiu nos meses seguintes e acabou gerando em mim e em algumas pessoas o desejo de iniciar algo novo. Nossa idéia era que, se fôssemos fazer isso, não tinha sentido algum ser uma cópia daquela igreja ou de outras tantas que conhecíamos. Durante o segundo semestre de 1997 esse grupo se reuniu num apartamento no bairro do Ipiranga para sonhar com essa nova igreja. Iniciamos oficialmente em janeiro de 1998, nos reunindo num flat na Alameda Ribeirão Preto, na Bela Vista. Dois anos e meio depois alugamos uma casa na Vila Mariana onde nos reunimos até o mês de julho deste ano, quando mudamos para a Rua da Glória. Tem uma postagem no meu blog sobre isso.

Qual é a tua profissão? Você nasceu católico, evangélico?
Atualmente sou pastor-missionário em tempo integral. Nasci num lar com mãe protestante e pai católico nominal.

Como o homossexualismo é visto no projeto 242? E o uso de drogas?
Esse é um tema bem complexo para se tratar de modo superficial e em poucas linhas. Mas se eu tiver que responder em poucas linhas, a resposta é a seguinte: Buscamos encorajar as pessoas a viver uma sexualidade que esteja de acordo com o que entendemos ser apresentado na Bíblia. Isso significa que o sexo seja a relação entre um homem e uma mulher dentro da aliança (pacto) do casamento. Tem uma postagem no meu blog sobre isso.

Em relação as drogas, entendemos que qualquer coisa que rouba a razão e liberdade das pessoas é maléfico. Sendo assim, a lista de “drogas” poderia ser imensa e incluir até a religião quando ela faz isso. De qualquer modo, tendo visto bem de perto o estrago que o abuso do álcool e outras substâncias pode causar nas pessoas, eu definitivamente não aconselho ninguém a usar drogas e abusar das bebidas.

Jesus é visto como um revolucionário pela igreja?
Jesus é visto como muito mais que um revolucionário para nós. Ele é a imagem visível do Deus invisível. Ele veio nos mostrar Deus como ele é, e o homem, como ele deve ser. Agora, sem dúvida, isso é uma revolução total, uma revolução de amor, pois Jesus disse que as coisas mais importantes da vida são amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Não é possível viver essa realidade sem revolução de vida, valores, conceitos, etc.

Comments (5 Responses)

Edson, says:
January 14th, 2010 at 5:49 pm

Sandro,

não sei se você ainda acessa o email da UOL. É que te mandei uma mensagem por lá, ok ?

January 19th, 2010 at 1:08 pm

Foi por meio dessa entrevista dada à Revista da Folha, que tomei conhecimento do P242. Lembro-me de ter ficado muito feliz ao ver evangélicos adotando um formato que leva em consideração as questões que envolvem o jovem desta geração sem, entretanto, deixar que o Cabeça permaneça o mesmo.

Hoje acompanho os trabalhos desenvolvidos por vocês através do site e, depois de ter participado de 2 reuniões aos domingos com vocês, tenho sentido extrema vontade de fazer parte disso.

Jéssica, says:
January 19th, 2010 at 4:44 pm

Eu tambem li a reportagem na revista e fiquei admirada de como o Projeto 242 se aproxima do jovem do século 21, trazendo a palavra de Deus.
Ainda guardo a revista comigo, mostrando a algumas pessoas que servir a Deus não é usar terno e gravata somente, mas um estilo de vida.

Andre L, says:
January 23rd, 2010 at 9:47 am

Assumir publicamente que não estamos mais com o movimento emergente por causa de sua teologia liberal é um ato de fidelidade e coragem. precisamos continuar alcançando o jovem deste século. indo até ele e proporcionando um ambiemte saudável para que este jovem possa conhecer e crescer no conhecimento de Cristo. E sempre baseado nos ensinamentos de Cristo. Afinal 2:42 é isso! “permaneceram frimes na doutrina dos apóstolos…”

January 24th, 2010 at 12:02 am

**Corrigindo o sentido de um trecho do comentário que deixei acima:

[...] Lembro-me de ter ficado muito feliz ao ver evangélicos adotando um formato que leva em consideração as questões que envolvem o jovem desta geração, SEM, ENTRETANTO, DESVIAR O FOCO DAQUELE QUE É O CABEÇA.

[...]

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