
Há pouco mais de uma semana os olhos do mundo se voltaram para o Haiti, uma pequena ilha caribenha atingida por um terremoto devastador. Estima-se que 200 mil pessoas possam ter morrido, apesar de que o número exato de mortes demorará para ser computado.
Em meio a tragédia e sofrimento sem medida, temos assistido uma emergência de solidariedade imensa, vinda de todas as partes do mundo, para socorrer os soterrados, os feridos e mais de 1 milhão de desabrigados sedentos e famintos na Capital Porto Príncipe. Histórias emocionantes de resgate surgem a cada dia, como a de Anna Zizi, uma senhora de 70 anos, ou a de um bebê recêm-nascido de 23 dias, ambos resgatados com vida uma semana após o terremoto.
Tenho visto um grande número de cristãos respondendo nesta hora com paixão e urgência, o que é sem dúvida alguma animador. A maioria das respostas que vejo, no entanto, é de blogueiros e twiteros chamando pessoas para fazer doações (muitas vezes impensadas e que correm o risco de nunca alcançarem seu destino), denunciando as declarações tolas de Pat Robertson ou aproveitando o momento para falar mal de alguma pessoa, governo ou instituição.
Ainda assim, não conheço ninguém pessoalmente se manifestando no sentido de ir ao Haiti ajudar nas equipes de resgate (a maior necessidade logo após um terremoto), atender os feridos ou trabalhar na reconstrução que se seguirá nos próximos meses e anos. Estes são passos que exigem muito mais engajamento pessoal.
Entendo que nem todo mundo tenha condições de ir a Porto Príncipe. Mas não consigo deixar de pensar também nas tragédias negligenciadas no dia-a-dia, muitas delas bem próximas de cada um de nós. Fico pensando quantos blogueiros e twiteros que manifestam tanta paixão agora pelo Haiti, vivem suas vidas com a mesma paixão, entrega e abnegação no dia-a-dia? Quantos estão engajados em atividades missionais rotineiramente, de tal maneira que suas postagens sejam carregadas não somente de emoção politicamente correta, mas de autoridade de vida seguindo o Caminho de Jesus?
É trágico o que aconteceu no Haiti. Não tenho a intenção de minimizar a tragédia nem tampouco desencorajar os esforços humanitários neste momento de dor. O que gostaria, sinceramente, é que todos aqueles tocados agora, pudessem enxergar o Haiti nosso de cada dia e se envolver nele com a mesma intensidade quando as notícias deste terremoto se dissiparem como a névoa. Isso sim seria revolucionário…
É Sandro, é uma realidade do mundo virtual. Essa paixão e ideologia tão discutida na web, não tem nenhum contato com o mundo real. Me lembra muito o mito da caverna… São apenas idéias e não ações.
A tragédia do Haiti teve uma característica importante,
usando as palavras do Senador Cristovão Buarque,
“Esse terremoto somente serviu para desnudar os malefícios da globalização”. Eu completo dizendo que serviu também para mostrar as omissões e limitações da igreja de Cristo em mobilizações para socorro de tragédia dessa magnitude. Posso estar enganado, porque eu também não ouvi nenhuma manifestação de
igrejas ou instituições, neste sentido de ajudar voluntariamente a reconstrução desse país; se bem que neste momento não seria o ideal enviar alguém, mas pelo menos uma projeção, um “se coçar” para isso já seria um respiro de esperança. Que Deus tenha misericórdia de nós!
Abç
Legal o post cara, temos mesmo que olhar para o Haiti de cada dia.
Li um post legal tb do Solano Portela que nos motiva a ajudar pessoas que estão sofrendo bem proximas como os atingidos pela inundação de São Luís do Paraitinga.
abs
Legal Silmar, muito boa a postagem do Solano Portela. Realmente, em situacões como esta eu prefiro ajudar por meio de agências cristãs com a Visão Mundial ou agências missionárias trabalhando no local. O Mark Driscoll fez uma viagem ao Haiti e está levantando fundos para a reconstrução de igrejas. Ao mesmo tempo, ele denunciou o comercial sexual crescente no país após o terremoto. Mundo caído, mundo cão. Maranatha!
…
Com o idealismo vibrante da juventude, eu tinha uma imagem da pessoa que eu queria ser: altruísta e de espírito público. Mas tinha, ao mesmo tempo, uma imagem clara de quem eu realmente era: malicioso, egoísta e orgulhoso. As duas imagens não combinavam. Eu era uma pessoa com altos ideais, mas sem a mínima disposição de alcançá-los.
John Stott
John Stott fala por muitos, inclusive por mim
[...] o original aqui. [...]
Oi Sandro, bom saber que o Haiti ainda está na boca das pessoas, já que da mídia ele não está mais. Estou tentando ir para lá até o final do mês. Justamente ser resposta e viver o cristianismo que discurssamos, mas não vivemos. E sim, o Haiti é aqui também. Grande abraço.