Arquivos para o mês de: January, 2010

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Encontrei a história abaixo no livro ReJesus de Michael Frost e Alan Hirsh (pg. 79-80). Ela me fez lembrar das palavras de Paulo aos crentes em Corinto: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”

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Tony Campolo conta a história de um bêbado que foi convertido miraculosamente no abrigo Bowery em Nova Iorque.

O bêbado chamado Joe era um homem abandonado sem esperança, vivendo com os dias contados. Mas após sua conversão, tudo mudou. Joe se tornou a pessoa mais carinhosa que qualquer pessoa associada ao abrigo já conheceu. Ele gastava seus dias e noites no local, não hesitando nem mesmo para as tarefas mais difíceis. Ele limpava os vômitos, a urina e os bêbados em qualquer estado que se encontrassem. Não havia nada que ele considerasse tão exigente de si mesmo.

Uma noite quando o diretor do abrigo estava compartilhando sua mensagem evangelística para os frequentadores regulares do local, homens mau-humorados e calados com suas cabeças baixas em penitência e cansaço, um homem ergueu-se e caminhou em direção ao altar, ajoelhando-se para orar e clamar para Deus ajudá-lo a mudar de vida.

O bêbado arrependido começou a gritar: “Oh Deus, faça-me igual ao Joe! Faça-me igual ao Joe! Faça-me igual ao Joe!”

O diretor do abrigo inclinou-se e disse ao homem: “Filho, penso que seria melhor se você orasse: “Faça-me igual a Jesus!”

O homem olhou para o diretor com uma expressão embaraçada em sua face e perguntou-lhe: “Ele é igual ao Joe?”

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Quão diferente é isso daquela camiseta com as seguintes inscrições: “Jesus save me from your followers!” (Jesus, salve-me de seus seguidores!)?

Como seria se vivêssemos de tal maneira que as pessoas que buscam por Deus pudessem orar: “Senhor, faça-me igual aos seus seguidores”?

Como seria se pudesse ser dito a nosso respeito o que o fisósofo ateniense Aristides († 130), escrevendo possivelmente ao imperador Adriano César (117-138) disse acerca da vida dos primeiros cristãos?

“Os cristãos ó rei, vagando e buscando, acharam a verdade conforme pudemos achar em seus livros, estão mais próximos que os outros povos da verdade e do conhecimento certo, pois crêem no Deus criador do céu e da terra, naquele em quem tudo é e de quem tudo procede, que não tem outro Deus por companheiro e do qual eles mesmos receberam os preceitos que guardam no coração, com a esperança e expectativa do século futuro. Por isso, não cometem adultério, não praticam a fornicação, não levantam falso testemunho, não recusam devolver um depósito, não se apropriam do que não lhes pertence. Honram pai e mãe, fazem bem ao próximo e, quando em juízo, julgam com equidade. Não adoram os ídolos semelhantes aos homens. O que não desejam lhes façam os outros não o fazem também; não comem alimentos de sacrifícios idolátricos, pois são puros. Exortam os que os afligem, a fim de fazê-los amigos. Suas mulheres, ó rei, são puras como virgens, suas filhas são modestas. Seus homens se abstém de toda união ilegítima e da impureza, esperando a retribuição que terão no outro mundo. Aos escravos e escravas, bem como a seus filhos – se os têm – persuadem a tornar-se cristãos, em razão do amor que lhes dedicam, e quando se tornam, chamam-nos indistintamente irmãos. Não adoram a deuses estranhos e vivem com humildade e mansidão, sem qualquer mentira entre eles. Amam-se uns aos outros, não desprezam as viúvas. Protegem o órfão dos que os tratam com violência. Possuindo bens, dão sem inveja aos que nada possuem. Avistando o forasteiro, introduzem-no na própria casa e se alegram por ele, como se fora verdadeiro irmão: pois se dão o apelativo de irmãos, não segundo o corpo, mas segundo o espírito e em Deus. Se algum pobre passa deste mundo, alguém sabendo, encarrega-se – na medida de suas forças – de dar-lhe sepultura. Se conhecem um encarcerado ou oprimido por causa do nome do seu Cristo, ficam solícitos a seu respeito e se possível libertam-no. Quando um pobre ou necessitado surge entre eles e não possuem abundância de recursos para ajudá-lo, jejuam dois ou três dias para obter o necessário para o seu sustento. Guardam com diligência os preceitos do seu Cristo, vivem reta e modestamente – conforme lhes ordenou o Senhor Deus. Todas as manhãs e horas louvam e glorificam a Deus pelos benefícios recebidos, dando graças por seu alimento e bebida. Mesmo se acontece que um justo – entre eles – passa deste mundo, alegram-se e dão graças a Deus, ao acompanharem o cadáver, como se emigrasse de um lugar para outro. E assim como quando nasce um filho louvam a Deus, também se ele morre na infância glorificam a Deus, por quem atravessou o mundo sem pecados. Mas vendo alguém morrer na malícia e nos pecados, choram amargamente e gemem por ele, supondo-o ir ao castigo. Tal é, ó rei, a constituição da lei dos cristãos e tal a sua conduta”. (Apologia)

Foi pelo poder de testemunhos assim que o Evangelho se espalhou e conquistou cada vez mais adeptos, mesmo sob ferrenha perseguição, nos primeiros séculos da Era Cristã.

Eu sei que estou longe disso. Mas como disse George Verwer: “O primeiro passo nesta revolução [de amor e equilíbrio] é querê-la.”

E eu quero. Pela graça de Deus e no poder do Espírito Santo, eu quero. Ainda que leve toda a minha vida, de tropeços e confissões, de grandes sonhos e pequenas realizações, eu quero. Por isso, como peregrino no mundo, correndo a carreira da fé, oro: Senhor, faça-me como Jesus para que Jesus seja visto através de mim. Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

“Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado… mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”

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Há um ano foi publicada uma matéria na Revista da Folha falando sobre o Projeto 242, que provocou uma enxurrada de e-mails, comentários, pessoas elogiando, muitas criticando, etc. Tendo passado um ano, acho que posso publicar aqui no meu blog a entrevista original que eu dei para a revista por e-mail (a outra, foi um bate-papo informal com a jornalista e o fotógrafo junto com o Claudio Tiberius).

Passados um ano também, percebo que algumas coisas mudaram em relação a mim pessoalmente e ao Projeto 242. Creio que não nos encaixamos mais no rótulo de igreja emergente. O movimento emergente (principalmente o Emergent Village) tomou o rumo da teologia liberal e do evangelho social (e sendo sincero, eu respeito mais a “lógica espiritual” de um ateu do que a de um cristão liberal). O liberalismo teológico nunca produziu vida. Seus frutos podem ser observados na realidade espiritual do continente europeu. Então não me vejo mais carregando a bandeira da igreja emergente.

Quanto ao Projeto 242, talvez a principal mudança da época destas entrevistas e matéria é que o ministério Sexxxchurch, que começou entre nós, seguiu seu próprio caminho e não possui mais nenhum vínculo conosco.

Bom, de qualquer modo, segue a entrevista.

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Existem igrejas parecidas com o projeto 242 pelo mundo? Qual foi a precursora e as principais atualmente? Vocês mantém contato com essas igrejas?
Há muitas igrejas parecidas com o P242 pelo mundo, a maioria delas dentro de um movimento chamado Igreja Emergente. É difícil precisar com exatidão qual foi a precursora, mas com certeza esse movimento nasceu de verdade na Inglaterra na década passada com igrejas que começaram a oferecer cultos alternativos para a juventude. Algumas das principais igrejas emergentes na Inglaterra e nos EUA são:  Ikon, Moot (UK) Mosaic, Mars Hill, Solomon’s Porch, Ecclesia (EUA).

Vocês se consideram evangélicos?
Nós preferimos dizer que buscamos seguir Jesus. Ele não era nem Católico, nem Evangélico. Dentre nós há pessoas que tem um background católico e outras (talvez a maioria) vem de uma tradição evangélica.

Como o dízimo é tratado no projeto 242?
Tem uma postagem no meu blog sobre isso, talvez você queira ler.

Gostaria que você descrevesse o momento (onde, quando, em quais circunstâncias) que você decidiu criar a igreja. Por alto você me disse que foi na casa de um amigo, é isso mesmo?
Eu servia na equipe pastoral de uma igreja no bairro do Ipiranga e tinha começado um trabalho chamado Refúgio do Rock, onde bandas de hard rock e metal pesado se apresentavam todas as sextas-feiras (isso tudo de 1993-1997). No passagem de ano de 1996 para 1997, eu estava na sala do pastor senior daquela igreja quando ele perguntou-me se eu gostaria de abrir uma nova igreja em SP. Minha esposa e eu estávamos pensando seriamente em ir para os EUA onde eu planejava fazer um mestrado em Teologia. Portanto minha resposta foi: “Não, já existem igrejas demais em SP, não tenho interesse nenhum em abrir mais uma.” Mas aquela pergunta me perseguiu nos meses seguintes e acabou gerando em mim e em algumas pessoas o desejo de iniciar algo novo. Nossa idéia era que, se fôssemos fazer isso, não tinha sentido algum ser uma cópia daquela igreja ou de outras tantas que conhecíamos. Durante o segundo semestre de 1997 esse grupo se reuniu num apartamento no bairro do Ipiranga para sonhar com essa nova igreja. Iniciamos oficialmente em janeiro de 1998, nos reunindo num flat na Alameda Ribeirão Preto, na Bela Vista. Dois anos e meio depois alugamos uma casa na Vila Mariana onde nos reunimos até o mês de julho deste ano, quando mudamos para a Rua da Glória. Tem uma postagem no meu blog sobre isso.

Qual é a tua profissão? Você nasceu católico, evangélico?
Atualmente sou pastor-missionário em tempo integral. Nasci num lar com mãe protestante e pai católico nominal.

Como o homossexualismo é visto no projeto 242? E o uso de drogas?
Esse é um tema bem complexo para se tratar de modo superficial e em poucas linhas. Mas se eu tiver que responder em poucas linhas, a resposta é a seguinte: Buscamos encorajar as pessoas a viver uma sexualidade que esteja de acordo com o que entendemos ser apresentado na Bíblia. Isso significa que o sexo seja a relação entre um homem e uma mulher dentro da aliança (pacto) do casamento. Tem uma postagem no meu blog sobre isso.

Em relação as drogas, entendemos que qualquer coisa que rouba a razão e liberdade das pessoas é maléfico. Sendo assim, a lista de “drogas” poderia ser imensa e incluir até a religião quando ela faz isso. De qualquer modo, tendo visto bem de perto o estrago que o abuso do álcool e outras substâncias pode causar nas pessoas, eu definitivamente não aconselho ninguém a usar drogas e abusar das bebidas.

Jesus é visto como um revolucionário pela igreja?
Jesus é visto como muito mais que um revolucionário para nós. Ele é a imagem visível do Deus invisível. Ele veio nos mostrar Deus como ele é, e o homem, como ele deve ser. Agora, sem dúvida, isso é uma revolução total, uma revolução de amor, pois Jesus disse que as coisas mais importantes da vida são amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Não é possível viver essa realidade sem revolução de vida, valores, conceitos, etc.

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As vezes temos que “passar por cima” de nossa raiva, nosso ciúme ou nossos sentimentos de rejeição e seguir adiante. Somos tentados a ficar presos a nossas emoções negativas como se lá fosse nosso lugar. Então nos tornamos “o ofendido”, “o esquecido” ou “o rejeitado”. Sim, podemos nos vincular a essas identidades negativas e até mesmo ter um prazer mórbido com isso. Talvez seja uma boa idéia dar uma olhada nesses sentimentos obscuros e tentar descobrir de onde vêm. Mas então chega o momento de passar por eles, deixá-los para trás e seguir adiante em nossa viagem.

- Henri Nouwen, Pão para o Caminho, leitura do dia 9 de Janeiro.