Archive for February, 2010
2010
Séries do P242 disponíveis
Depois de um longo tempo e atendendo a muitas solicitações, estamos disponibilizando para escuta (e logo estará disponível para baixar também) os audios das reflexões de domingo no Projeto 242. Começamos com as duas séries de 2010 (Na Mosca e Opus) e além de acrescentar as novas gravações a cada semana, tentaremos colocar algumas séries de 2008 e 2009 também. Para acessar os arquivos, clique aqui.
2010
Steiger Brasil
Neste sábado, as 17h, no Projeto 242, acontecerá o encontro do Steiger Brasil 2010. Maiores informações aqui.
2010
O que é a Igreja? (2)
Seguindo a postagem sobre O que é a Igreja?, coloco mais uma definição de igreja apresentada pelo missiólogo Alan Hirsh. Segundo Hirsh, a igreja é:
1. Uma comunidade aliançada: a igreja é formada por pessoas, não por pessoas que estão apenas juntas, mas por aqueles unidos por meio de uma aliança distinta. Há um comprometimento com relação um ao outro formado por essa aliança.
2. Centrada em Jesus: Ele é a nova aliança com Deus e sendo assim, Ele é o verdadeiro epicentro de uma fé cristã autêntica. Uma ecclesia não é apenas uma comunidade de Deus – há muitas comunidades religiosas assim por aí. Somos definidos por nossa relação com a Segunda Pessoa da Trindade, o Mediador, Jesus Cristo. Uma comunidade aliançada centrada em Jesus participa na salvação que Ele traz. Recebemos a graça de Deus por meio dEle. Porém, mais é requerido para verdadeiramente constituir uma igreja.
Um verdadeiro encontro com Deus em Jesus deve resultar em…
3. Adoração, definida como o ofertar de nossas vidas a Deus por meio de Jesus.
4. Discipulado, definido como seguir Jesus e tornar-se cada vez mais como Ele (à Sua semelhança).
5. Missão, definida como extensão da missão (os propósitos redentores) de Deus através das atividades de Seu povo.
(Alan Hirsh, The Forgotten Ways, BrazosPress, 2006, p. 40-41)
2010
Fitafuso e o Cristianismo pagão
No livro clássico Cartas de um Diabo a seu Aprendiz de C. S. Lewis, o diabo Fitafuso troca correspondências com seu jovem sobrinho Vermebile, dando-lhe instruções sobre como derrubar os cristãos. Fitafuso foi personagem fictício no livro de Lewis, mas seu tipo é real e ele foi apontado por Jesus como sendo o enganador mor.
Há alguns anos um amigo me recomendou a leitura de um livro chamado Cristianismo Pagão que ele havia lido e queria saber a minha opinião sobre o mesmo. Como não gosto de opiniar sobre algo que não li, decidi ler Cristianismo Pagão e também outros dois livros pelo mesmo autor: Reimagining Church (em 2008) e From Eternity to Here (no ano passado). Minha resposta depois de ter lido o primeiro livro foi de espanto sobre como qualquer pessoa familiarizada com o NT podia se deixar levar pelos erros cometidos pelos autores em algumas de suas afirmações. Creio que as intenções dos autores podem até terem sido boas (principalmente vindo de um contexto norte-americano), mas tal como a parábola oriental no prefácio do livro The Monkey and the Fish, de Dave Gibbons, a igreja precisa mais do que de boas intenções.
Esta semana Mark Driscoll publicou um boa crítica sobre Cristianismo Pagão em seu site The Resurgence. Driscoll cita bastante a crítica feita por Ben Witterington em junho e julho de 2008 sobre o mesmo livro. Ambas críticas fornecem amplo material (e referências) para uma avaliação sólida e saudável sobre o Cristianismo Pagão.
Driscoll corretamente aponta que:
O pior aspecto do livro é sua suposição de que a igreja institucional é o grande inimigo da igreja. Institucionalismo não é o inimigo da igreja. O problema mais significativo das igrejas, quer institucionais ou orgânicas, é considerar qualquer coisa menos que Satanás, pecado e morte como o grande inimigo da igreja. Isso resulta na minimização do Evangelho. Jesus não veio para libertar a humanidade das algemas das instituições, mas de Satanás, do pecado e da morte. Este livro [Cristianismo Pagão] foi edificado sobre uma questão secundária de prática e governo na igreja, em vez da questão central da tarefa da igreja, a proclamação do Evangelho. Não há dúvidas de que deve haver críticas sobre como a igreja “é igreja”, mas muito da crítica que Cristianismo Pagão faz da igreja contemporânea é sobre questões secundárias que são passíveis de debate (tanto historicamente como biblicamente) na melhor das hipóteses e totalmente falhas e falsas na pior da hipóteses. Não se engane; a igreja precisa de um revolução e reforma, mas não do tipo que os autores estão convocando. A igreja precisa desesperadamente de uma revolução completa do Evangelho e da centralidade de Deus.
Esta mesma visão quase que paranóica da instituição tem sido anunciada aqui no Brasil também. Trata-se errar o alvo. Há causas mais importantes como apontou Driscoll, em que a Igreja precisa enfocar. Talvez essa fobia da instituição seja até uma estratégia do Fitafuso para desviar a atenção dos seguidores de Cristo dos reais inimigos contra os quais eles deveriam estar lutando.
2010
Falar de Deus
[Deus]… é a mais carregada de todas as palavras humanas. Nenhuma tem sido tão aviltada, tão dilacerada. Precisamente por isso eu não posso renunciar a ela. Todas as gerações humanas fizeram passar sobre esta palavra o peso de suas angústias; esmagaram-na contra o solo; por isso ela jaz no pó, esmagada pelo peso de todas. As gerações dos homens, com suas divisões religiosas, dilaceraram a palavra: por ela mataram e por ela morreram; ela traz em si as marcas de todos eles, o sangue de todos eles. Onde poderia eu encontrar palavra igual a esta para designar o Altíssimo! Se usasse o mais puro e mais brilhante conceito do mais profundo tesouro dos filósofos, encontraria ali apenas uma imagem descompromissada, mas não a presença daquele a quem me refiro, daquele a quem as gerações dos homens honraram ou rebaixaram com todos os horrores da vida e da morte…
[Por isso] temos que respeitar aqueles que a rejeitam, por se rebelarem contra as injustiças e loucuras que tanto gostam de se apoiar na autorização de ‘Deus’; mas não podemos abandoná-la. É bem compreensível a proposta de muitos, de que durante algum tempo não se fale das ‘últimas coisas’, a fim de redimir as palavras maltratadas! Mas dessa forma elas não serão redimidas. Não podemos lavar a palavra ‘Deus’, nem podemos remendá-la; mas podemos levantá-la do chão, manchada e dilacerada como está, e erguê-la sobre um momento de grande preocupação.
- Martin Buber, citado por Hans Küng em O Princípio de Todas as Coisas, Editora Vozes, 2009.
2010
Há tempo de rir
As tiras abaixo são do Karapuça Zine, um maneira divertida que o Izidro encontrou de passar seu recado. Dê uma olhada lá e aproveite para dar boas risadas.
2010
O que é a Igreja?
A igreja local é a comunidade de crentes regenerados que confessam Jesus Cristo como Senhor. Em obediência às Escrituras eles se organizam sob liderança qualificada, reunem-se regularmente para pregação e adoração, observam os sacramentos bíblicos do batismo e da Santa Ceia, são unificados pelo Espírito, disciplinados para santidade, e espalhados para cumprir o Grande Mandamento e a Grande Comissão como missionários ao mundo para a glória de Deus e sua alegria.
- Mark Driscoll e Gary Breshears em Vintage Church
2010
Missio Dei > Opus Dei
A missio Dei se manifesta na opus Dei.
Jesus disse: “Meu Pai trabalha e eu trabalho também… grande é a seara e os trabalhadores são poucos.”
É hora de arregaçar as mangas e unir-se aos propósitos de Deus no mundo.
É hora de unir-se à missão de Deus fazendo a obra de Deus.
Vem conosco!
Este mês no P242.
Arte: Tom
2010
Porque eu amo a Igreja
Eu amo a Igreja.
Ela é a Noiva de Cristo e seria um descaramento enorme de minha parte amar Jesus e não amar sua noiva.
Eu amo a Igreja porque Jesus a amou e deu Sua vida por Ela.
Eu amo a Igreja porque ela é constituída de gente como eu, pecadores salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo.
Eu amo a Igreja porque ela é portadora da Grande Comissão que leva esperança a todos os povos.
Eu amo a Igreja porque sou parte dela e não curto muito a ideia de masoquismo disfarçado de espiritualidade.
Eu simplesmente amo a Igreja.
Numa época em que virou moda falar mal da igreja e incentivar pessoas a abandonarem suas igrejas, num êxodo espiritual que Deus sabe lá para onde levará os que o seguirem, eu continuo afirmando meu amor por Cristo e Sua Igreja.
Foi por isso que comprei o livro recente de Kevin DeYoung e Ted Kluck. Aliás, este livro merece ser publicado em português e lido em conjunto com toda a literatura promovendo a nova instituição do cristianismo sem igreja. O título já é provacativo: Why We Love the Church: In Praise of Institutions and Organized Religion (Porque Nós Amamos a Igreja: Em Louvor de Instituições e Religião Organizada). DeYoung e Kluck, que já tinham sinalizado desvios no movimento de igreja emergente em seu livro anterior (Porque Não Somos Emergentes: Por dois caras que deveriam ser), apontam agora as distorções do cristianismo sem igreja. Segundo eles, seu livro poderia ter sido chamado de “tendências recentes em desmembramento”.
É preciso conhecer bem pouco da Bíblia e da História da Igreja para cair nessa crença de que tanto uma quanto a outra ensinam uma vida de cristianismo sem igreja. Por mais que os “advogados” do cristianismo sem igreja possam falar, não há nem nos ensinos de Jesus, nem no restante do NT, nem na história da Igreja, nenhuma ênfase a seguir Jesus sem participar da comunhão dos santos.
É evidente que no curso da história, pessoas quiseram influenciar o pensamento cristão com suas idéias e contestações. Muitas destas foram consideradas heresias e não prevaleceram. Albert Camus disse: “Todo revolucionário termina se tornando ou um opressor ou um herege.” A “Revolução” sem igreja tem mais chances de se tornar no último. Assim também a fuga do “Cristianismo Pagão” pode gerar mais pagãos no longo prazo, do que verdadeiros discípulos de Jesus, como pretendem seus autores.
A razão simples para isso é que as idéias propagadas por esses livros (e outros semelhantes a eles) poderiam até ser de alguma utilidade, não fosse a tremenda cara-de-pau expressa no messianismo disfarçado de seus autores, ao se colocarem como os “salvadores” da Igreja das garras malígnas da Instituição. Durante dois mil anos todo mundo esteve errado. Agora, graças a eles, finalmente poderemos enxergar a verdade sobre o Cristianismo. E a verdade que eles anunciam é essa: “Saia de sua igreja! Ela é a raiz de todos os seus problemas espirituais. Vá jogar golfe aos domingos, pois a verdadeira espiritualidade se encontra no campo de golfe… Vá tomar uma cervejinha no barzinho com amigos e filosofar sobre assuntos espirituais porque é aí que está a igreja verdadeira…” Corta essa meu!
Adiante o filme da história em 50 anos e veja se você consegue enxergar os efeitos dessa onda do cristianismo sem igreja:
1) Na pior das hipóteses, seu resultado será uma vitalidade espiritual semelhante a presente hoje no continente europeu. Não creio que nenhuma pessoa que ame Jesus de fato, deseje isso.
2) Ou então terá desaparecido, assim como outras ondas e modas surgidas no passado que, por não estarem em sintonia com o Espírito de Deus, não prevaleceram contra a Sua Igreja.
Se eu estiver errado em minha atitude para com a Igreja, não terei perdido nada com isso. Como já disse, eu amo a Igreja. Amo estar com meus irmãos para celebrar junto com eles a vida (ainda que, em certas estações da vida, esse encontro aconteça apenas uma ou duas vezes por semana), aprender o significado do amor, perdão, comunhão e incentivar uns aos outros na prática das boas obras e na proclamação da esperança do Evangelho.
De um modo pragmatico, vejo muito mais possibilidades de servir a Deus em conjunto com outros, do que isolado em meu canto, blogando de pijama (como diria Mark Driscoll) sobre os males da instituição, como se “a instituição” fosse um mal em si mesma.
John Michael Talbot diz o seguinte sobre Igreja e instituições: “Ainda que algumas instituições religiosas possam com freqüencia assemelhar-se mais a corporações seculares do que a comunidades voltadas para Deus (…) sempre há lugar nas igrejas para aquelas pessoas guiadas por um completo comprometimento espiritual.”
A Igreja prevalecerá contra todos os ventos de doutrina, não há dúvidas quanto a isso. A questão (e o que me preocupa) é quantos daqueles que estão trocando suas congregações por essa onda atrativa do cristianismo sem igreja estarão firmes na fé em Cristo daqui 5-10 anos…
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