Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Porque eu amo a Igreja

posted by Sandroin IgrejaComments (24)

Eu amo a Igreja.

Ela é a Noiva de Cristo e seria um descaramento enorme de minha parte amar Jesus e não amar sua noiva.

Eu amo a Igreja porque Jesus a amou e deu Sua vida por Ela.

Eu amo a Igreja porque ela é constituída de gente como eu, pecadores salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo.

Eu amo a Igreja porque ela é portadora da Grande Comissão que leva esperança a todos os povos.

Eu amo a Igreja porque sou parte dela e não curto muito a ideia de masoquismo disfarçado de espiritualidade.

Eu simplesmente amo a Igreja.

Numa época em que virou moda falar mal da igreja e incentivar pessoas a abandonarem suas igrejas, num êxodo espiritual que Deus sabe lá para onde levará os que o seguirem, eu continuo afirmando meu amor por Cristo e Sua Igreja.

Foi por isso que comprei o livro recente de  Kevin DeYoung e Ted Kluck. Aliás, este livro merece ser publicado em português e lido em conjunto com toda a literatura promovendo a nova instituição do cristianismo sem igreja. O título já é provacativo: Why We Love the Church: In Praise of Institutions and Organized Religion (Porque Nós Amamos a Igreja: Em Louvor de Instituições e Religião Organizada). DeYoung e Kluck, que já tinham sinalizado desvios no movimento de igreja emergente em seu livro anterior (Porque Não Somos Emergentes: Por dois caras que deveriam ser), apontam agora as distorções do cristianismo sem igreja. Segundo eles, seu livro poderia ter sido chamado de “tendências recentes em desmembramento”.

É preciso conhecer bem pouco da Bíblia e da História da Igreja para cair nessa crença de que tanto uma quanto a outra ensinam uma vida de cristianismo sem igreja. Por mais que os “advogados” do cristianismo sem igreja possam falar, não há nem nos ensinos de Jesus, nem no restante do NT, nem na história da Igreja, nenhuma ênfase a seguir Jesus sem participar da comunhão dos santos.

É evidente que no curso da história, pessoas quiseram influenciar o pensamento cristão com suas idéias e contestações. Muitas destas foram consideradas heresias e não prevaleceram. Albert Camus disse: “Todo revolucionário termina se tornando ou um opressor ou um herege.” A “Revolução” sem igreja tem mais chances de se tornar no último. Assim também a fuga do “Cristianismo Pagão” pode gerar mais pagãos no longo prazo, do que verdadeiros discípulos de Jesus, como pretendem seus autores.

A razão simples para isso é que as idéias propagadas por esses livros (e outros semelhantes a eles) poderiam até ser de alguma utilidade, não fosse a tremenda cara-de-pau expressa no messianismo disfarçado de seus autores, ao se colocarem como os “salvadores” da Igreja das garras malígnas da Instituição. Durante dois mil anos todo mundo esteve errado. Agora, graças a eles, finalmente poderemos enxergar a verdade sobre o Cristianismo. E a verdade que eles anunciam é essa: “Saia de sua igreja! Ela é a raiz de todos os seus problemas espirituais. Vá jogar golfe aos domingos, pois a verdadeira espiritualidade se encontra no campo de golfe… Vá tomar uma cervejinha no barzinho com amigos e filosofar sobre assuntos espirituais porque é aí que está a igreja verdadeira…” Corta essa meu!

Adiante o filme da história em 50 anos e veja se você consegue enxergar os efeitos dessa onda do cristianismo sem igreja:

1) Na pior das hipóteses, seu resultado será uma vitalidade espiritual semelhante a presente hoje no continente europeu. Não creio que nenhuma pessoa que ame Jesus de fato, deseje isso.

2) Ou então terá desaparecido, assim como outras ondas e modas surgidas no passado que, por não estarem em sintonia com o Espírito de Deus, não prevaleceram contra a Sua Igreja.

Se eu estiver errado em minha atitude para com a Igreja, não terei perdido nada com isso. Como já disse, eu amo a Igreja. Amo estar com meus irmãos para celebrar junto com eles a vida (ainda que, em certas estações da vida, esse encontro aconteça apenas uma ou duas vezes por semana), aprender o significado do amor, perdão, comunhão e incentivar uns aos outros na prática das boas obras e na proclamação da esperança do Evangelho.

De um modo pragmatico, vejo muito mais possibilidades de servir a Deus em conjunto com outros, do que isolado em meu canto, blogando de pijama (como diria Mark Driscoll)  sobre os males da instituição, como se “a instituição” fosse um mal em si mesma.

John Michael Talbot diz o seguinte sobre Igreja e instituições: “Ainda que algumas instituições religiosas possam com freqüencia assemelhar-se mais a corporações seculares do que a comunidades voltadas para Deus (…) sempre há lugar nas igrejas para aquelas pessoas guiadas por um completo comprometimento espiritual.”

A Igreja prevalecerá contra todos os ventos de doutrina, não há dúvidas quanto a isso. A questão (e o que me preocupa) é quantos daqueles que estão trocando suas congregações por essa onda atrativa do cristianismo sem igreja estarão firmes na fé em Cristo daqui 5-10 anos…

Comments (24 Responses)

Samara, says:
February 4th, 2010 at 10:17 am

O que afasta as pessoas do convívio social é a falta de tolerância com o próximo.
Encontramos tantos defeitos e exigimos tanto a perfeição, que neste “meio tempo” (enquanto somos “ranzinzas”) perdemos a beleza da comunhão e não entendemos que o fato de estarmos juntos por tão pouco tempo ( como uma nuvem que passa…) é certamente um privilégio de poucos.
Se pensarmos assim, fica tudo tão mais fácil…
Então penso… por que não enxergar desta forma?

Abraço
Sâmara

Andre L, says:
February 4th, 2010 at 3:28 pm

Valeu Sandro! como amar o noivo e destestar a noiva! A atitude constante de quem só sabe criticar a igreja, é de sentar na arquibancada de dar um monte de palpite. Sem fazer nada para mudar, melhorar e só sabe relcamar. Sem levar em conta que se a instituição anda mal ele tem culpa nisso! Pois a igreja é feita de gente falha como eu, vc e quem vive para reclamar!
O interessante é viver num contexto onde pessoas colocam sua vida em risco para poder compartilhar da comunhão do corpo de Cristo. Prq veêm na igreja ( por mais falha que seja) o reflexo de Cristo.

Paula, says:
February 4th, 2010 at 5:59 pm

Um texto bíblico tão famoso e tão citado né, infelizmente não muito praticado pela nossa geração… o amor!

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta…”

Praticar tudo isso “sozinho” é bem mais fácil, não?! O difícil mesmo é…
não se irritar (ao lado de alguém que realmente irrita);
não invejar (ao lado de alguém com a vida bem mais “legal” que a nossa);
não buscar nossos interesses (ao lado de alguém que precisa realmente de nós);
suportar TUDO (ao lado de várias pessoas diferentes de nós); etc etc etc…

Acho que o motivo do modismo “não-igreja” é exatamente a falta do verdadeiro amor, infelizmente.

Aí vem o “pré” do tal famoso texto:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.”

Temos tanto a aprender com Cristo ainda…

February 4th, 2010 at 11:25 pm

Muito pertinente seu texto, cara…

Tenho amadurecido muito nesse sentido! Há algum tempo que já não vejo sentido em “intolerar” instituições sob a premissa de serem igrejas.

Acho que tu deve conhecer o Tomei a pílula vermelha. Já não vinha tendo a mesma energia de manter o blog, porque senti que eu tinha mudado muita coisa em relação à temática proposta por ele.

Tenho procurado olhar acima de coisas, digamos, superficiais em certo sentido, e relevar muita coisa…

acho que um pouco de humildade ajudaria!

Até encerrei minhas atividades nesse blog e comecei com outro, ThiagoMendanha.com.br. Assim posso ter maior liberdade de compartilhar mudanças, aprendizado e amadurecimento sem ficar preso à uma fase da minha caminhada, entende?

Enfim, é isso…

Forte abraço!

wellington, says:
February 5th, 2010 at 9:08 am

Lindo! Ótimo texto. Que esses livros possam chegar ao Brasil logo.

Weslley, says:
February 5th, 2010 at 9:12 am

Caro Sandro, ontem (04/02) tive uma experiencia com Deus que qualquer “sem igreja” nunca sentira. Estava fraco espiritualmente, fiquei uns 12 dias sem ir a um culto, e ontem quando entrei no templo, chorei do inicio ao fim, senti que minha alma estava com saudade de fica na presença de Deus, ai entendi o Salmo 63.1 “O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água”.
Graça e Paz querido…

SAO!, says:
February 5th, 2010 at 4:30 pm

hummm…
a Igreja, todos que vivem em Cristo amam de fato ela, mas amar uma instituição já é outra coisa.

e a sobre comunhão, você consegue as vezes com mais sucesso comunhão com os irmãos da fé fora da instituição do que dentro dela, pois quando acaba as reuniões muitos por motivos pessoais preferem ir embora do que ficar e tentar a famosa comunhão.

se tiver 2 ou mais reunidos para escutar e aprender a palavra de Deus, pode ser dentro de uma instituição, castelo, bar, escola, enfim, não tem problema algum.

é errado ficar essa crítica sem fim a igreja, mas também esse medo de perder membros também é algo assustador.

Gildo, says:
February 5th, 2010 at 5:00 pm

Caro Sandro, eu também amo a Igreja.
Entendo a preocupação que vc demonstrou e compartilho dela. De certa forma, torna-se complicado defender as bases da igreja sem ser visto como piegas na sociedade cristã contemporanea, mas é necessário fazê-lo.
Creio que o bem-estar do Homem, em muito, pode ser construído no relacionamento com outros que professam a mesma fé. A Igreja, esse organismo vivo, ainda tem seus personagens de valor.
Que isso motive os novos a começar e aos veteranos a continuar.

Forte abraço pro cê, mano..

Gildo.
http://www.gildocarvalho.blogspot.com

Sandro, says:
February 6th, 2010 at 9:02 pm

É verdade André! Fico pensando que aqueles que desprezam a Igreja em troca de um cristianismo individualista não sabem o que é ser cristãos em locais iguais ao que você vive. Abs

Sandro, says:
February 6th, 2010 at 9:04 pm

Bem colocado Paula! O amor é o caminho mais excelente! E 1 Cor 13 se encontra no meio de uma instrução sobre igreja local, Corpo, uso de dons e talentos, ordem no culto, etc… Tudo isso para que a gente nunca perca de vista que, em todas as coisas, sempre o amor! Abs

Sandro, says:
February 6th, 2010 at 9:05 pm

Valeu Thiago! Dei uma zapeada em seu novo blog. Vou “linkar” aqui. Abs

Sandro, says:
February 6th, 2010 at 9:06 pm

Obrigado por compartilhar sua experiência Weslley! Abs

Sandro, says:
February 6th, 2010 at 9:14 pm

São, valeu pelo comentário! Somente para esclarecer (se não estiver claro), não se trata de amar a instituição. Aliás, isso seria perder a essência de vista. Seria como amar a instituição do casamento em vez de amar seu conjuge. Ame seu conjuge e respeite a instituição do casamento me parece ser uma melhor escolha. Também não creio que os que estão preocupados com essa onda estão com medo de perder membros (eu não estou), mas estão preocupados em manter uma visão bíblica da Igreja Corpo de Cristo e sua expressão local como corpo de crentes em Cristo. Uma decisão que fiz quando comecei a pastorear foi a de nunca ficar com medo de perder membros. Meu único temor é perder pessoas porque elas se desviaram do Caminho. Se pessoas apenas mudarem de endereço de comunhão com Cristo e Seu Corpo, eu sei que não as perdi de maneira alguma. Pois os membros não são meus, mas de Cristo. Abs

william koppe, says:
February 8th, 2010 at 1:27 am

no fundo o problema é linguistico: igreja, comunhão, templo, instituição eclesiástica. Afinal qual dessas é assunto fundamental e qual é periférico na vida cristã?

william koppe, says:
February 8th, 2010 at 1:28 am

com sua autorização vou cololar esse texto lá no meu blog .. abçs

Leandro, says:
February 8th, 2010 at 6:08 pm

Amei esse post Sandro. Também amo muito a igreja, logicamente não como uma instituição mas pela comunhão com meus irmãos de fé. Não acredito nessa tendência crescente de servir/seguir a cristo sem uma igreja, afinal é uma grande bobagem, como querem seguir a Jesus sozinhos? Nem ele foi assim, sempre tinha algum discípulo junto. Outra coisa, acredito também que servimos a Deus servindo a homens, como nosso pastor.

SAO!, says:
February 8th, 2010 at 6:33 pm

não tinha ficado claro Sandro, pois você citou um livro com o seguinte nome “Porque Nós Amamos a Igreja: Em Louvor de Instituições e Religião Organizada”
e também quando fala de igreja emergente, esse termo emergente esta totalmente ligado a instituições do que com a Igreja sendo o corpo.

alias a comparação com o casamento foi muito boa
:D

Sandro, says:
February 8th, 2010 at 6:49 pm

Pois é São, o título do livro é deliberadamente provocativo. Mas não, os autores não estão defendendo instituições e religiões organizadas (no original está no plural). Aliás, ambos os livros são muito bons, escritos por duas pessoas diferentes: um é pastor e o outro é cronista esportivo. Cada um escreve um capítulo, os do pastor são mais densos, cheios de referências bíblicas, etc. Os do cronista esportivo são mais leves, com referências diversas, num estilo bem alternativo. Abs

February 9th, 2010 at 5:57 pm

Sandro:

De coração, louvo a Deus por sua vida sempre que ouço ou leio suas ministrações ou mesmo post’s. De fato, é necessário estar em sintonia com a “Missio Dei” para ir tão profundo em reflexões que estão cada vez mais rasas em nosso meio…

Ósculos e Abraços!!!

Sandro, says:
February 9th, 2010 at 6:05 pm

Obrigado Vinnícius! Gostei de seu blog também. Vou “linkar” aqui. Abs

Kim, says:
February 10th, 2010 at 7:58 pm

Como não amar essa Igreja-pessoas pecadoras como eu, manchadas e lavadas pelo sangue? Um dia ela ainda pode me dar um tapa e cuspir na minha cara, mas ainda assim será a noiva, ainda que imperfeita, de Cristo. Seu pecado é o meu pecado. Se Cristo assumiu meu pecado, seguindo seu exemplo devo asumir o pecado da Igreja como sendo meu.

Ricardinho, says:
February 14th, 2010 at 5:49 pm

Por séculos o lema da igreja católica foi;

“Fora da igreja não há salvação”

O novo lema das instituições eclesiasticas é:

“Fora da Instituiçao não há Igreja”

Obs. Sandro, eu te conheço há quase vinte anos e sei que não é isto que voce pensa, mas é isto que as instituiçoes passam.

Sandro, says:
February 15th, 2010 at 10:12 am

Oi Ricardo!
E o lema dos “sem igreja” é “fora do movimento de igreja em lares/bares/etc, não há igreja (ou se há, ela é contaminada pelo paganismo, etc. e tal).”
Precisamos nos livrar dessa fobia pela instituição, pelo simples fato de que, em qualquer que seja o contexto, estaremos sempre rodeados por uma instituição, formal ou informal, declarada e aceita, ou negada e finginda que não existe para alivar a consciência dos que a temem…
Um abraço mano.

February 16th, 2010 at 8:11 pm

[...] o original aqui. [...]

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