Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for the 'discipulado' Category

Macacos no Zoológico

posted by Sandroin Música, arte, discipuladoComment (1)

Será diferente agora, ou o mesmo?
Terei aprendido algo, ou foi apenas um modo de gastar um dia ou dois
separados para pensar em você?
Se isso é tudo que aconteceu, tive um tempo legal.

Mas isso não será o bastante para mim, não este ano,
nem em nenhuma outra época,
Eu tenho que limpar a casa, fazer minha cama, clarear minha cabeça,
Está ficando meio que asfixiante aqui, cheira meio esquisito também,
como os macacos no zoológico,
Eu tenho me prostituído atrás de coisas
porque desejo sentir-me seguro interiormente – isso é uma grande mentira,
Nenhuma quantia de dinheiro, ouro ou prata
jamais irá tomar o lugar da paz de Deus.

Espírito, venha eliminar as mentiras,
Espírito, venha eliminar as mentiras.

Será diferente agora, ou o mesmo? Eu mudei em alguma coisa?
E se você mergulhasse no fundo de minha alma você encontraria Jesus lá,
ou um buraco vazio?
Eu deveria estar contente com minha “linda” vida cristã?

Mas isso não será o bastante para mim, não este ano,
nem em nenhuma outra época,
Eu tenho que limpar a casa, fazer minha cama, clarear minha cabeça,
Está ficando meio que asfixiante aqui, cheira meio esquisito também,
como os macacos no zoológico,
Eu tenho me prostituído atrás de coisas
porque desejo fazer tudo certinho – isso é uma grande mentira,
Nenhuma quantia de dinheiro, ouro ou prata, um corpo perfeito, outro chocolate quente, trabalho para o Senhor, fama e poder, poder e sexo,
um lugar na mesa do Clube de Campo Belle Mead,
Aqui está uma dica: nada jamais irá tomar o lugar da paz de Deus.

Espírito, venha eliminar as mentiras,
Espírito, venha eliminar as mentiras.

Será diferente agora, ou o mesmo?
Terei aprendido alguma coisa?

(Tradução livre da letra de “Monkeys at the Zoo” por Charlie Peacock no CD “Everything That’s On My Mind”, 1994)

Relembrando Keith Green

posted by Sandroin Música, arte, discipuladoComments (4)

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Hoje, 28 de julho, fez 28 anos que Keith Green morreu. Ele tinha apenas 28 anos de idade. Para lembrar sua vida e legado, o Last Days Ministries, fundado por ele e sua esposa Melody, realizou há poucos uma transmissão ao vivo da ilha de Kona, Havaí, com suas músicas e uma mensagem gravada compartilhada por ele em seu último concerto. Inspirado por esse evento, decidi recuperar um texto que escrevi há 15 anos e que foi publicado em uma revista cristã no final da década de 1990. É uma breve biografia deste profeta de Deus, para quem ainda não ouviu falar dele.

*****

Keith Green: Exemplo de Músico Cristão

Você já ouviu falar de Keith Green? Ele teve carreira curta, de apenas 5 anos e oito discos gravados, sendo três destes lançados após sua morte. Mas, como disse Tony Campolo, raramente um músico tem sido um profeta tão grande como ele foi. Nunca um cantor desafiou tantas pessoas a se tornarem missionários e viverem uma vida santa diante de Deus e do mundo. Esta é uma pequena biografia deste profeta e músico para desafiar aqueles que desejam fazer música para Deus nesta geração.

Vindo de uma família de artistas, Keith começou a tocar piano com 5 anos de idade e a compor aos 8 anos. Com 11 anos ele teve seu primeiro disco “Cheese And Crackers” lançado em janeiro de 1965 pela Decca Records. Com este disco, Keith tornou-se o mais jovem membro da Sociedade Americana de Autores, Compositores e Publicadores (ASCAP). Infelizmente, com o passar dos anos, a fama prematura do garoto Keith Green se dissolveu, apesar dele continuar compondo e aparecendo em algumas apresentações de TV.

A família de Keith seguia um alto padrão moral e ele era um bom garoto. Sendo assim, ninguém sabe o que o levou a fugir de casa em duas ocasiões diferentes – aos 16 e aos 17 anos. É provável que o espírito rebelde que pairava no Sul da Califórnia naquela época o tenha influenciado. Em sua segunda fuga ele mergulhou no LSD e numa busca profunda por um sentido na vida. Após ter tentado em várias seitas orientais e comunidades hippies, Keith chegou à conclusão de que Jesus deveria ser a verdade. A partir de então ele começou a usar uma cruz de prata que havia comprado por 10 dólares em uma loja de antigüidades.

Em meados de 1973 Keith Green encontrou Melody. Ela também era artista, estava envolvida com drogas e já havia buscado a verdade no budismo e em outros grupos. Eles se casaram no dia 25 de dezembro de 1974 – em homenagem a Jesus – e começaram a compartilhar o sonho de Keith: ser descoberto por um caçador de talentos e tornar-se um artista famoso. Embora estivessem lendo a Bíblia e certos de que Jesus era a verdade, eles ainda não aceitavam o fato de Jesus ser Deus. Além disso continuavam a usar drogas ocasionalmente. Mas através de contatos com artistas cristãos como Randy Stonehill e Larry Norman, Keith e Melody começaram a conhecer alguns cristãos verdadeiros que passaram a ajudá-los na busca por Deus. Foi durante este tempo que ele escreveu canções como “Jericho” e “The Prodigal Son Suite” que se tornariam clássicos da Música Cristã Contemporânea.

Em 1975, após ouvir um sermão na igreja Vineyard Christian Fellowship, Keith e Melody decidiram entregar suas vidas totalmente a Jesus, aceitando-O como Senhor e Salvador, reconhecendo-O como único e verdadeiro Deus. Esta decisão mudou os rumos da vida do jovem casal. Eles passaram a viver em função de anunciar a verdade do Evangelho para seus amigos e a qualquer outra pessoa que encontrassem. Perceberam também que precisavam fazer algo prático para aquelas pessoas que se convertiam, mas que precisavam de um “abrigo cristão” antes de poderem enfrentar o “mundo lá fora”. Logo a casa deles havia se transformado em um abrigo, cheia de novos convertidos, ex-hippies e ex-drogados, mães solteiras e qualquer pessoa que precisasse de um refúgio temporário.

Após sua conversão Keith decidiu não fazer nenhuma performance pública até ter certeza de que essa era a vontade de Deus para sua vida. Ele continuou compondo e tocando, mas para si somente. Sua fonte de renda nesta época vinha de um contrato de compositor que ele tinha com a CBS. Foi somente em meados de 1977 que o primeiro disco de Keith Green, “For Him Who Have Ears to Hear” (Para quem tem ouvidos para ouvir) chegou às livrarias cristãs. Este disco tornou-se o maior álbum de estréia na história da música cristã, com mais de 300 mil cópias vendidas. O resultado foi que, de um artista totalmente desconhecido, Keith Green logo tornou-se um dos mais populares e procurados cantores do cenário da música cristã.

Junto com seu primeiro disco, Keith e Melody decidiram fundar o Last Days Ministries, como um meio de manter contato com seus fãs e difundir suas idéias e conceitos cristãos. Graças a este ministério, a mensagem de Keith Green continuou sendo distribuída através de folhetos e livros mesmo depois de sua morte.

Nos anos seguintes, Keith Green gravou “No Compromise” (1978) e “So You Wanna Go Back to Egypt” (1980). Em 1981 uma coletânea com alguns de seus maiores sucessos e outras canções inéditas foi lançada. Keith Green era então o maior nome da Música Cristã Contemporânea americana. Mas apesar de amar a música e compor com uma tamanha flexibilidade e facilidade, Keith estava tremendamente preocupado com o conteúdo espiritual de suas canções. E estava igualmente preocupado com a condição espiritual de seus ouvintes. Por este motivo, seus concertos começaram a tomar um rumo cada vez mais de ministração através da música e da pregação da Palavra do que um mero entretenimento. De fato, Keith Green odiava a idéia de “entretenimento cristão”.

O escritor Leornardo Ravenhill diz o seguinte acerca de Keith:

“Keith tinha fome por conhecer aqueles heróis que moveram suas gerações para Deus e ele seguia seus passos. Ele tinha um zelo santo e uma pureza que eu tenho visto em poucas pessoas. Eu não acho que Keih estava preocupado com o evangelho de Cristo o tanto quanto ele estava preocupado com a pessoa de Cristo. Eu acho que era esta sua maior paixão. (…) E ele derramava esta paixão do interior de sua alma através das letras vibrantes de suas canções.”

“Songs For the Shepherd”, o quarto disco da carreira de Keith Green foi lançado em abril de 1982. Após o lançamento do disco, Keith e Melody decidiram fazer uma viagem de férias pela Europa visitando várias bases missionárias da JOCUM. Na ocasião eles visitaram o navio Anastasis na Grécia, que havia sido adquirido pela missão e estava sendo reformado para o ministério. Keith ficou empolgado com o que viu. Ao retornar para os Estados Unidos ele começou a pensar seriamente em dedicar sua música e ministério para o despertamento de jovens para missões. Seu sonho era ver 100 mil jovens indo para o campo missionário. Algumas de suas novas canções como “Open Your Eyes” (Abra seus olhos) e “Jesus Commands Us to Go” (Jesus nos manda ir) começavam a refletir este desejo.

No dia 28 de julho, Keith estava em seu rancho e sede do LDM no Texas quando decidiu levar uma família de missionários que estavam visitando-o, para uma vista aérea do local. Doze pessoas decolaram no pequeno avião Cessna 414 naquela tarde quente de verão para aterrizarem na eternidade. Além do piloto, da família de missionários e de Keith, seus dois filhos mais velhos, Josiah de três anos e Bethany de dois, também morreram. A notícia do desastre foi um choque para a comunidade cristã. Dez dias após o trágico acidente que tirou a vida de Keith Green, o navio Anastasis ancorou em um porto na Califórnia em sua primeira viagem. Keith estava tão entusiasmado com a visão que havia enviado 28 mil dólares para cobrir as despesas da viagem de seis dias e a taxa da travessia pelo Canal do Panamá. Ele havia planejado estar lá para saudar a chegada do navio. Não pode ir. Mas quando o Anastasis atracou nas docas, o sistema de som local tocava “Santo, Santo, Santo…”. Sua voz podia ser ouvida adorando aquele a quem ele tanto amava e na presença de quem agora estava.

Após a morte de Keith, Melody Green organizou um Concerto Memorial que foi levado a diversas cidades americanas. Como resultado deste, milhares de jovens se envolveram com programas missionários através de organizações como Jovens Com Uma Missão (JOCUM) e Operação Mobilização (OM). Em 1989, Melody lançou “No Compromise”, um livro vibrante com a história da vida de Keith Green. Três anos depois, por ocasião dos dez anos de sua morte, um grupo de artistas cristãos famosos como Petra, Margaret Becker, Russ Taff e outros, reuniu-se em uma coletânea com algumas de suas músicas mais conhecidas. Desta forma a música de Keith Green continuou a ser ouvida pela geração mais jovem da Música Cristã Contemporânea.

Que o exemplo de compromisso com Deus e com a santidade deixado por Keith Green possa ser um desafio a todos nós chamados para brilhar como astros no meio de uma geração corrompida e perversa.

A Cura

posted by Sandroin Missional, discipuladoComments (4)

Se por estarmos em Cristo
nós temos alguma motivação,
alguma exortação de amor,
alguma comunhão no Espírito,
alguma profunda afeição e compaixão,
completem a minha alegria,
tendo o mesmo modo de pensar,
o mesmo amor,
um só espírito
e
uma

atitude.
Nada façam por ambição egoísta
ou por vaidade,
mas
humildemente
considerem os outros
superiores a si mesmos.
Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus,
que, embora sendo Deus não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;
mas esvaziou-se a si mesmo,
vindo a ser servo
tornando-se semelhante aos homens.
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo
e foi obediente
até a morte,
e morte de cruz!
Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome,
para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho,
nos céus,
na terra
e debaixo da terra,
e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor,
para a glória de Deus Pai.
Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram,
não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência,
ponham em ação a salvação de vocês com
temor
e
tremor,
pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar,
de acordo com a boa vontade dele.
Façam tudo sem queixas nem discussões,
para que venham a tornar-se
puros
e
irrepreensíveis,
filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada,
na qual vocês brilham como estrelas no universo,
retendo firmemente a palavra da vida.

(Carta de São Paulo aos Filipenses, 62 A.D.)

A Ferida

posted by Sandroin Missional, discipuladoComments (2)

Tendemos a não viver a realidade
porém em sonho, em ideologias e ilusões,
em teorias, projetos,
coisas que trazem sucesso e fama.
As barreiras que cercam nossos corações
são profundas e fortes,
protegendo-nos da dor.
Vivemos no passado
ou no futuro
ou num sonho.
Nossos corações e mentes podem se afastar gradualmente de nossa própria carne e emoções,
do “agora” da realidade.
Nós nos colocamos no centro de tudo,
não nutridos por outras pessoas,
nem pela canção dos pássaros,
nem pelo grito de amor que brota
do coração das crianças,
mas por nós mesmos,
insaciavelmente em busca de singularidade e valor
ou caindo nos poços de depressão e revolta,
escorregando para o “amanhã” ou o “ontem”,
agarrando-nos nas garras do passado.
Isto não significa que não haja ética
e ações moralmente boas ou más.
Podemos escolher fazer o bem e facilitar a vida.
Contudo, toda a fragmentação dentro de nós
solidifica nossas motivações.
Conforme buscamos glória e fama,
querendo provar nossa bondade e valor,
somos todos necessitados de profunda cura interior.

(Jean Vanier em Jesus, o dom do amor – Paulinas, 1998)

Faça-me igual a seus seguidores?

posted by Sandroin discipuladoComments (5)

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Encontrei a história abaixo no livro ReJesus de Michael Frost e Alan Hirsh (pg. 79-80). Ela me fez lembrar das palavras de Paulo aos crentes em Corinto: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”

***

Tony Campolo conta a história de um bêbado que foi convertido miraculosamente no abrigo Bowery em Nova Iorque.

O bêbado chamado Joe era um homem abandonado sem esperança, vivendo com os dias contados. Mas após sua conversão, tudo mudou. Joe se tornou a pessoa mais carinhosa que qualquer pessoa associada ao abrigo já conheceu. Ele gastava seus dias e noites no local, não hesitando nem mesmo para as tarefas mais difíceis. Ele limpava os vômitos, a urina e os bêbados em qualquer estado que se encontrassem. Não havia nada que ele considerasse tão exigente de si mesmo.

Uma noite quando o diretor do abrigo estava compartilhando sua mensagem evangelística para os frequentadores regulares do local, homens mau-humorados e calados com suas cabeças baixas em penitência e cansaço, um homem ergueu-se e caminhou em direção ao altar, ajoelhando-se para orar e clamar para Deus ajudá-lo a mudar de vida.

O bêbado arrependido começou a gritar: “Oh Deus, faça-me igual ao Joe! Faça-me igual ao Joe! Faça-me igual ao Joe!”

O diretor do abrigo inclinou-se e disse ao homem: “Filho, penso que seria melhor se você orasse: “Faça-me igual a Jesus!”

O homem olhou para o diretor com uma expressão embaraçada em sua face e perguntou-lhe: “Ele é igual ao Joe?”

***

Quão diferente é isso daquela camiseta com as seguintes inscrições: “Jesus save me from your followers!” (Jesus, salve-me de seus seguidores!)?

Como seria se vivêssemos de tal maneira que as pessoas que buscam por Deus pudessem orar: “Senhor, faça-me igual aos seus seguidores”?

Como seria se pudesse ser dito a nosso respeito o que o fisósofo ateniense Aristides († 130), escrevendo possivelmente ao imperador Adriano César (117-138) disse acerca da vida dos primeiros cristãos?

“Os cristãos ó rei, vagando e buscando, acharam a verdade conforme pudemos achar em seus livros, estão mais próximos que os outros povos da verdade e do conhecimento certo, pois crêem no Deus criador do céu e da terra, naquele em quem tudo é e de quem tudo procede, que não tem outro Deus por companheiro e do qual eles mesmos receberam os preceitos que guardam no coração, com a esperança e expectativa do século futuro. Por isso, não cometem adultério, não praticam a fornicação, não levantam falso testemunho, não recusam devolver um depósito, não se apropriam do que não lhes pertence. Honram pai e mãe, fazem bem ao próximo e, quando em juízo, julgam com equidade. Não adoram os ídolos semelhantes aos homens. O que não desejam lhes façam os outros não o fazem também; não comem alimentos de sacrifícios idolátricos, pois são puros. Exortam os que os afligem, a fim de fazê-los amigos. Suas mulheres, ó rei, são puras como virgens, suas filhas são modestas. Seus homens se abstém de toda união ilegítima e da impureza, esperando a retribuição que terão no outro mundo. Aos escravos e escravas, bem como a seus filhos – se os têm – persuadem a tornar-se cristãos, em razão do amor que lhes dedicam, e quando se tornam, chamam-nos indistintamente irmãos. Não adoram a deuses estranhos e vivem com humildade e mansidão, sem qualquer mentira entre eles. Amam-se uns aos outros, não desprezam as viúvas. Protegem o órfão dos que os tratam com violência. Possuindo bens, dão sem inveja aos que nada possuem. Avistando o forasteiro, introduzem-no na própria casa e se alegram por ele, como se fora verdadeiro irmão: pois se dão o apelativo de irmãos, não segundo o corpo, mas segundo o espírito e em Deus. Se algum pobre passa deste mundo, alguém sabendo, encarrega-se – na medida de suas forças – de dar-lhe sepultura. Se conhecem um encarcerado ou oprimido por causa do nome do seu Cristo, ficam solícitos a seu respeito e se possível libertam-no. Quando um pobre ou necessitado surge entre eles e não possuem abundância de recursos para ajudá-lo, jejuam dois ou três dias para obter o necessário para o seu sustento. Guardam com diligência os preceitos do seu Cristo, vivem reta e modestamente – conforme lhes ordenou o Senhor Deus. Todas as manhãs e horas louvam e glorificam a Deus pelos benefícios recebidos, dando graças por seu alimento e bebida. Mesmo se acontece que um justo – entre eles – passa deste mundo, alegram-se e dão graças a Deus, ao acompanharem o cadáver, como se emigrasse de um lugar para outro. E assim como quando nasce um filho louvam a Deus, também se ele morre na infância glorificam a Deus, por quem atravessou o mundo sem pecados. Mas vendo alguém morrer na malícia e nos pecados, choram amargamente e gemem por ele, supondo-o ir ao castigo. Tal é, ó rei, a constituição da lei dos cristãos e tal a sua conduta”. (Apologia)

Foi pelo poder de testemunhos assim que o Evangelho se espalhou e conquistou cada vez mais adeptos, mesmo sob ferrenha perseguição, nos primeiros séculos da Era Cristã.

Eu sei que estou longe disso. Mas como disse George Verwer: “O primeiro passo nesta revolução [de amor e equilíbrio] é querê-la.”

E eu quero. Pela graça de Deus e no poder do Espírito Santo, eu quero. Ainda que leve toda a minha vida, de tropeços e confissões, de grandes sonhos e pequenas realizações, eu quero. Por isso, como peregrino no mundo, correndo a carreira da fé, oro: Senhor, faça-me como Jesus para que Jesus seja visto através de mim. Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

“Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado… mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”

Passando por cima das feridas

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As vezes temos que “passar por cima” de nossa raiva, nosso ciúme ou nossos sentimentos de rejeição e seguir adiante. Somos tentados a ficar presos a nossas emoções negativas como se lá fosse nosso lugar. Então nos tornamos “o ofendido”, “o esquecido” ou “o rejeitado”. Sim, podemos nos vincular a essas identidades negativas e até mesmo ter um prazer mórbido com isso. Talvez seja uma boa idéia dar uma olhada nesses sentimentos obscuros e tentar descobrir de onde vêm. Mas então chega o momento de passar por eles, deixá-los para trás e seguir adiante em nossa viagem.

- Henri Nouwen, Pão para o Caminho, leitura do dia 9 de Janeiro.

Bíblia: Ler e pregar

posted by Sandroin discipulado, livrosComments (3)

O coração da Bíblia (o que a sintetiza e a torna viva) ou a cabeça da Bíblia (…o que a explica e a justifica)… é Jesus Cristo. Ler a Bíblia sem encontrar Jesus é fazer uma má leitura, e pregar a Bíblia sem proclamá-lo é prega-la falsamente.

- J.J. von Allmen em The Contemporary Christian por John Stott, 1995.

Caminho, Verdade & Vida

posted by Sandroin Missional, discipuladoComment (1)

Siga-me.
Eu sou o caminho a verdade e a vida.
Sem o caminho não há como ir;
sem a verdade não há saber;
sem a vida não há viver.
Eu sou o caminho que você deve seguir;
a verdade que você deve crer;
a vida pela qual você deve esperar.
Eu sou o caminho inviolável;
a verdade infalível;
a vida sem fim.
Eu sou o caminho mais reto;
a verdade soberana;
a vida verdadeira, vida abençoada, vida incriada.

- Thomas à Kempis, De Imatatione Christi, 1418

Crepúsculo

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crepusculo

A história da adolescente Bella apaixonada por um vampiro bonzinho e cujo melhor amigo é um lobisomem, virou febre mundial. De Seattle a São Paulo, de Tokyo a Sidney, em todo o mundo, pré-adolescentes e adolescentes (principalmente do sexo feminino) estão caindo de cabeça na série de livros e filmes Crepúsculo. Em meio a febre, muitos pais cristãos ficam preocupados com o que seus filhos estão lendo e assistindo. Melissa Metler, missionária do Steiger na Alemanha, escreveu um artigo com algumas perguntas interessantes sobre este assunto que desejo compartilhar e comentar abaixo.

Estamos preocupados por causa da “febre” em si?
Essa febre mundial entre crianças e adolescentes sobre um livro/filme não é nova. Há poucos anos era Harry Potter. Depois High School Musical. Agora é a vez de Crepúsculo. Beatles, Bee Gees, New Kids on the Block, Backstreet Boys, Jonas Brothers, de tempos em tempos aparece uma banda ou grupo que cativa o coração de jovens e adolescentes. “Na comunidade global, os modismos chegam mais rapidamente e com maior impacto do que era comum no mundo baseado puramente na escrita,” aponta Melissa.

Estamos perturbados por causa da obsessão que os livros parecem produzir em seus leitores?
Livros como os da série Crepúsculo são escritos de forma a cativar o leitor, por meio de uma trama, de um suspense, que faz com alguém não desgrude até chegar ao fim da história. E, como um passeio por um parque de diversões da Universal Studios ou da Disney, muitas vezes, ao se chegar ao fim, sente-se o desejo de começar tudo de novo. Mas sempre que houver um interesse obssessivo pela história, levando o leitor a misturar a ficção com a realidade, então pode ser necessário haver algum tipo de intervenção por parte dos pais.

Estamos incomodados por causa dos personagens da história?
Histórias com vampiros e lobisomens podem incomodar certos pais (principalmente cristãos). Posso até imaginar alguns dizendo: “Isso é coisa do diabo!”, “Tá amarrado!” ou qualquer outro jargão do gênero. Devemos nos lembrar que o livro é uma ficção escrito por alguém com o que me parece alguns valores judaico-cristão. Por isso, apesar de ser uma história de vampiros e lobisomens, Crepúsculo retrata uma família de vampiros bons que resistem a tentação de matar seres humanos e têm uma “dieta vegetariana” se alimentando apenas de animais, enquanto há outros vampiros maus que se entregam ao desejo pelo sangue humano e matam todos os que cruzam seu caminho. Na verdade, Crepúsculo é muito mais do que uma história de vampiros e lobisomens, é uma história sobre relacionamentos, escolhas e consequências.

Estamos incomodados por causa da temática da história?
Na trama de Crepúsculo, a adolescente Bella se apaixona pelo vampiro bonzinho Edward e inicia um relacionamento perigoso com ele e sua família de vampiros. Bella deseja uma relação sexual com Edward, mas ele resiste por acreditar que sexo deve ser reservado para o casamento. Isso é bem diferente de quase tudo o que os jovens e adolescentes estão ouvindo hoje em dia. Na realidade, Crepúsculo abre portas para bons diálogos sobre diversas questões enfrentadas pelos adolescentes nos dias de hoje. A escritora Beth Felker Jones escreveu o livro Touched by a Vampire na tentativa de guiar os pais neste diálogo. Ou seja, a mesma temática que incomoda pode servir de ponte para discussões profundas sobre amor, romance, relacionamentos, sexo, família, imortalidade, etc., usando como pano de fundo a série Crepúsculo.

Como pais de uma pré-adolescente, minha esposa e eu assistimos o primeiro filme com nossa filha (e minha esposa assistiu o segundo com ela, enquanto eu apenas li o segundo livro). Nossa visão é que, melhor do que demonizar uma série, parece mais produtivo caminhar junto com nossos filhos e usar de séries de livros e filmes para discutirmos juntos assuntos relevantes sobre nossa fé em particular e a vida de um modo geral.

Adoração Pública

posted by Sandroin Igreja, discipuladoComments (7)

Deus nos dá várias formas de crescimento: oração e Escritura, silêncio e solitude, sofrimento e serviço. No entanto, o principal meio é o da adoração pública. O crescimento espiritual não pode ocorrer no isolamento. Não se trata de algo privado entre o cristão e Deus. Na adoração, vimos perante Deus que ele nos ama na presença de outros a quem ele também ama. Na adoração, mais que em qualquer outra coisa, nos colocamos deliberadamente em posição de abertura à ação de Deus e à necessidade do próximo que exigem que cresçamos plenamente à altura de Cristo, que é Deus e homem por nós. A adoração regular e fiel é tão essencial ao cristão em desenvolvimento como o alimento e o abrigo o são para o crescimento da criança. A adoração é a luz e o ar nos quais o crescimento espiritual ocorre.

“Eles seguiam uma disciplina diária de adoração no Templo, seguida de refeições nos lares, cada refeição uma celebração exuberante e alegre, enquanto louvavam a Deus.” Atos 2.46-47a

(extraído de Um Ano com Eugene Peterson, Editora Palavra, 2008)