Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for the 'discipulado' Category

Faça-me igual a seus seguidores?

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Encontrei a história abaixo no livro ReJesus de Michael Frost e Alan Hirsh (pg. 79-80). Ela me fez lembrar das palavras de Paulo aos crentes em Corinto: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.”

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Tony Campolo conta a história de um bêbado que foi convertido miraculosamente no abrigo Bowery em Nova Iorque.

O bêbado chamado Joe era um homem abandonado sem esperança, vivendo com os dias contados. Mas após sua conversão, tudo mudou. Joe se tornou a pessoa mais carinhosa que qualquer pessoa associada ao abrigo já conheceu. Ele gastava seus dias e noites no local, não hesitando nem mesmo para as tarefas mais difíceis. Ele limpava os vômitos, a urina e os bêbados em qualquer estado que se encontrassem. Não havia nada que ele considerasse tão exigente de si mesmo.

Uma noite quando o diretor do abrigo estava compartilhando sua mensagem evangelística para os frequentadores regulares do local, homens mau-humorados e calados com suas cabeças baixas em penitência e cansaço, um homem ergueu-se e caminhou em direção ao altar, ajoelhando-se para orar e clamar para Deus ajudá-lo a mudar de vida.

O bêbado arrependido começou a gritar: “Oh Deus, faça-me igual ao Joe! Faça-me igual ao Joe! Faça-me igual ao Joe!”

O diretor do abrigo inclinou-se e disse ao homem: “Filho, penso que seria melhor se você orasse: “Faça-me igual a Jesus!”

O homem olhou para o diretor com uma expressão embaraçada em sua face e perguntou-lhe: “Ele é igual ao Joe?”

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Quão diferente é isso daquela camiseta com as seguintes inscrições: “Jesus save me from your followers!” (Jesus, salve-me de seus seguidores!)?

Como seria se vivêssemos de tal maneira que as pessoas que buscam por Deus pudessem orar: “Senhor, faça-me igual aos seus seguidores”?

Como seria se pudesse ser dito a nosso respeito o que o fisósofo ateniense Aristides († 130), escrevendo possivelmente ao imperador Adriano César (117-138) disse acerca da vida dos primeiros cristãos?

“Os cristãos ó rei, vagando e buscando, acharam a verdade conforme pudemos achar em seus livros, estão mais próximos que os outros povos da verdade e do conhecimento certo, pois crêem no Deus criador do céu e da terra, naquele em quem tudo é e de quem tudo procede, que não tem outro Deus por companheiro e do qual eles mesmos receberam os preceitos que guardam no coração, com a esperança e expectativa do século futuro. Por isso, não cometem adultério, não praticam a fornicação, não levantam falso testemunho, não recusam devolver um depósito, não se apropriam do que não lhes pertence. Honram pai e mãe, fazem bem ao próximo e, quando em juízo, julgam com equidade. Não adoram os ídolos semelhantes aos homens. O que não desejam lhes façam os outros não o fazem também; não comem alimentos de sacrifícios idolátricos, pois são puros. Exortam os que os afligem, a fim de fazê-los amigos. Suas mulheres, ó rei, são puras como virgens, suas filhas são modestas. Seus homens se abstém de toda união ilegítima e da impureza, esperando a retribuição que terão no outro mundo. Aos escravos e escravas, bem como a seus filhos – se os têm – persuadem a tornar-se cristãos, em razão do amor que lhes dedicam, e quando se tornam, chamam-nos indistintamente irmãos. Não adoram a deuses estranhos e vivem com humildade e mansidão, sem qualquer mentira entre eles. Amam-se uns aos outros, não desprezam as viúvas. Protegem o órfão dos que os tratam com violência. Possuindo bens, dão sem inveja aos que nada possuem. Avistando o forasteiro, introduzem-no na própria casa e se alegram por ele, como se fora verdadeiro irmão: pois se dão o apelativo de irmãos, não segundo o corpo, mas segundo o espírito e em Deus. Se algum pobre passa deste mundo, alguém sabendo, encarrega-se – na medida de suas forças – de dar-lhe sepultura. Se conhecem um encarcerado ou oprimido por causa do nome do seu Cristo, ficam solícitos a seu respeito e se possível libertam-no. Quando um pobre ou necessitado surge entre eles e não possuem abundância de recursos para ajudá-lo, jejuam dois ou três dias para obter o necessário para o seu sustento. Guardam com diligência os preceitos do seu Cristo, vivem reta e modestamente – conforme lhes ordenou o Senhor Deus. Todas as manhãs e horas louvam e glorificam a Deus pelos benefícios recebidos, dando graças por seu alimento e bebida. Mesmo se acontece que um justo – entre eles – passa deste mundo, alegram-se e dão graças a Deus, ao acompanharem o cadáver, como se emigrasse de um lugar para outro. E assim como quando nasce um filho louvam a Deus, também se ele morre na infância glorificam a Deus, por quem atravessou o mundo sem pecados. Mas vendo alguém morrer na malícia e nos pecados, choram amargamente e gemem por ele, supondo-o ir ao castigo. Tal é, ó rei, a constituição da lei dos cristãos e tal a sua conduta”. (Apologia)

Foi pelo poder de testemunhos assim que o Evangelho se espalhou e conquistou cada vez mais adeptos, mesmo sob ferrenha perseguição, nos primeiros séculos da Era Cristã.

Eu sei que estou longe disso. Mas como disse George Verwer: “O primeiro passo nesta revolução [de amor e equilíbrio] é querê-la.”

E eu quero. Pela graça de Deus e no poder do Espírito Santo, eu quero. Ainda que leve toda a minha vida, de tropeços e confissões, de grandes sonhos e pequenas realizações, eu quero. Por isso, como peregrino no mundo, correndo a carreira da fé, oro: Senhor, faça-me como Jesus para que Jesus seja visto através de mim. Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

“Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado… mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”

Passando por cima das feridas

posted by Sandroin discipulado, livrosComments (2)

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As vezes temos que “passar por cima” de nossa raiva, nosso ciúme ou nossos sentimentos de rejeição e seguir adiante. Somos tentados a ficar presos a nossas emoções negativas como se lá fosse nosso lugar. Então nos tornamos “o ofendido”, “o esquecido” ou “o rejeitado”. Sim, podemos nos vincular a essas identidades negativas e até mesmo ter um prazer mórbido com isso. Talvez seja uma boa idéia dar uma olhada nesses sentimentos obscuros e tentar descobrir de onde vêm. Mas então chega o momento de passar por eles, deixá-los para trás e seguir adiante em nossa viagem.

- Henri Nouwen, Pão para o Caminho, leitura do dia 9 de Janeiro.

Bíblia: Ler e pregar

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O coração da Bíblia (o que a sintetiza e a torna viva) ou a cabeça da Bíblia (…o que a explica e a justifica)… é Jesus Cristo. Ler a Bíblia sem encontrar Jesus é fazer uma má leitura, e pregar a Bíblia sem proclamá-lo é prega-la falsamente.

- J.J. von Allmen em The Contemporary Christian por John Stott, 1995.

Caminho, Verdade & Vida

posted by Sandroin Missional, discipuladoComment (1)

Siga-me.
Eu sou o caminho a verdade e a vida.
Sem o caminho não há como ir;
sem a verdade não há saber;
sem a vida não há viver.
Eu sou o caminho que você deve seguir;
a verdade que você deve crer;
a vida pela qual você deve esperar.
Eu sou o caminho inviolável;
a verdade infalível;
a vida sem fim.
Eu sou o caminho mais reto;
a verdade soberana;
a vida verdadeira, vida abençoada, vida incriada.

- Thomas à Kempis, De Imatatione Christi, 1418

Crepúsculo

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crepusculo

A história da adolescente Bella apaixonada por um vampiro bonzinho e cujo melhor amigo é um lobisomem, virou febre mundial. De Seattle a São Paulo, de Tokyo a Sidney, em todo o mundo, pré-adolescentes e adolescentes (principalmente do sexo feminino) estão caindo de cabeça na série de livros e filmes Crepúsculo. Em meio a febre, muitos pais cristãos ficam preocupados com o que seus filhos estão lendo e assistindo. Melissa Metler, missionária do Steiger na Alemanha, escreveu um artigo com algumas perguntas interessantes sobre este assunto que desejo compartilhar e comentar abaixo.

Estamos preocupados por causa da “febre” em si?
Essa febre mundial entre crianças e adolescentes sobre um livro/filme não é nova. Há poucos anos era Harry Potter. Depois High School Musical. Agora é a vez de Crepúsculo. Beatles, Bee Gees, New Kids on the Block, Backstreet Boys, Jonas Brothers, de tempos em tempos aparece uma banda ou grupo que cativa o coração de jovens e adolescentes. “Na comunidade global, os modismos chegam mais rapidamente e com maior impacto do que era comum no mundo baseado puramente na escrita,” aponta Melissa.

Estamos perturbados por causa da obsessão que os livros parecem produzir em seus leitores?
Livros como os da série Crepúsculo são escritos de forma a cativar o leitor, por meio de uma trama, de um suspense, que faz com alguém não desgrude até chegar ao fim da história. E, como um passeio por um parque de diversões da Universal Studios ou da Disney, muitas vezes, ao se chegar ao fim, sente-se o desejo de começar tudo de novo. Mas sempre que houver um interesse obssessivo pela história, levando o leitor a misturar a ficção com a realidade, então pode ser necessário haver algum tipo de intervenção por parte dos pais.

Estamos incomodados por causa dos personagens da história?
Histórias com vampiros e lobisomens podem incomodar certos pais (principalmente cristãos). Posso até imaginar alguns dizendo: “Isso é coisa do diabo!”, “Tá amarrado!” ou qualquer outro jargão do gênero. Devemos nos lembrar que o livro é uma ficção escrito por alguém com o que me parece alguns valores judaico-cristão. Por isso, apesar de ser uma história de vampiros e lobisomens, Crepúsculo retrata uma família de vampiros bons que resistem a tentação de matar seres humanos e têm uma “dieta vegetariana” se alimentando apenas de animais, enquanto há outros vampiros maus que se entregam ao desejo pelo sangue humano e matam todos os que cruzam seu caminho. Na verdade, Crepúsculo é muito mais do que uma história de vampiros e lobisomens, é uma história sobre relacionamentos, escolhas e consequências.

Estamos incomodados por causa da temática da história?
Na trama de Crepúsculo, a adolescente Bella se apaixona pelo vampiro bonzinho Edward e inicia um relacionamento perigoso com ele e sua família de vampiros. Bella deseja uma relação sexual com Edward, mas ele resiste por acreditar que sexo deve ser reservado para o casamento. Isso é bem diferente de quase tudo o que os jovens e adolescentes estão ouvindo hoje em dia. Na realidade, Crepúsculo abre portas para bons diálogos sobre diversas questões enfrentadas pelos adolescentes nos dias de hoje. A escritora Beth Felker Jones escreveu o livro Touched by a Vampire na tentativa de guiar os pais neste diálogo. Ou seja, a mesma temática que incomoda pode servir de ponte para discussões profundas sobre amor, romance, relacionamentos, sexo, família, imortalidade, etc., usando como pano de fundo a série Crepúsculo.

Como pais de uma pré-adolescente, minha esposa e eu assistimos o primeiro filme com nossa filha (e minha esposa assistiu o segundo com ela, enquanto eu apenas li o segundo livro). Nossa visão é que, melhor do que demonizar uma série, parece mais produtivo caminhar junto com nossos filhos e usar de séries de livros e filmes para discutirmos juntos assuntos relevantes sobre nossa fé em particular e a vida de um modo geral.

Adoração Pública

posted by Sandroin Igreja, discipuladoComments (7)

Deus nos dá várias formas de crescimento: oração e Escritura, silêncio e solitude, sofrimento e serviço. No entanto, o principal meio é o da adoração pública. O crescimento espiritual não pode ocorrer no isolamento. Não se trata de algo privado entre o cristão e Deus. Na adoração, vimos perante Deus que ele nos ama na presença de outros a quem ele também ama. Na adoração, mais que em qualquer outra coisa, nos colocamos deliberadamente em posição de abertura à ação de Deus e à necessidade do próximo que exigem que cresçamos plenamente à altura de Cristo, que é Deus e homem por nós. A adoração regular e fiel é tão essencial ao cristão em desenvolvimento como o alimento e o abrigo o são para o crescimento da criança. A adoração é a luz e o ar nos quais o crescimento espiritual ocorre.

“Eles seguiam uma disciplina diária de adoração no Templo, seguida de refeições nos lares, cada refeição uma celebração exuberante e alegre, enquanto louvavam a Deus.” Atos 2.46-47a

(extraído de Um Ano com Eugene Peterson, Editora Palavra, 2008)

Igreja Imaculada e Maculada

posted by Sandroin Igreja, discipuladoComments (4)

Continuamente leio textos em blogs que revelam desequilíbrio na visão da Igreja em particular e da jornada cristã em geral. Por exemplo, ou encontro um chamado à santidade (sede perfeitos como vosso Pai celestial) cercado de legalismos, ou então percebo quase que um desprezo total por qualquer conceito de santidade e busca de perfeição cristã (vale lembrar que outra palavra para perfeição é maturidade). Parece que a velha modinha de Dorival Caymmi virou hit no cristianismo pós-moderno: “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”).

Creio que isso seja reflexo de pelo menos duas coisas: 1) imaturidade – a net está cheia de palpiteiros espirituais/teológicos  que conhecem pouco das Escrituras e quase nada da história da Igreja e da Teologia Cristã, e 2) uma tremenda dificuldade de entender e abraçar os paradoxos da vida cristã.

Na questão dos paradoxos, Henri Nouwen foi alguém que enxergou e abraçou-os de uma forma impressionante e enriquecedora.  O texto abaixo apresenta muito bem um desses paradoxos em relação a Igreja.

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A Igreja é santa e pecadora, imaculada e maculada. Ela é a noiva de Cristo que se lavou em água pura e foi até Ele “esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum; quis a sua Igreja irrepreensível” (Ef 5.26-27). A Igreja também é um grupo de pessoas pecadoras, confusas, angustiadas, constantemente tentadas pelos poderes da luxúria e cobiça e sempre envolvidas em rivalidade e competição.
Quando dizemos que a Igreja é um corpo, não só nos referimos ao corpo santo e irrepreensível feito à semelhança de Cristo pelo batismo e pela eucaristia, mas também aos corpos rompidos de todos os seus membros. Apenas quando mativermos essas duas maneiras de pensar e falar juntas, poderemos viver na Igreja como verdadeiros seguidores de Jesus.

- Henri Nouwen, Pão para o Caminho.

Crente boca suja

posted by Sandroin Emergente, discipuladoComments (29)

No domingo passado, ao falar sobre o desequilíbrio entre a verdade sem graça (legalismo) e a graça sem verdade (libertinagem), eu mencionei a tendência crescente entre muitos cristãos pós-modernos de soltar o verbo e liberar os palavrões como se fosse a coisa mais natural do mundo. Algumas pessoas me perguntaram se eu não estava caindo novamente no legalismo simplesmente por questionar isso. Vejamos.

Em primeiro lugar é preciso reconhecer que esta é uma questão mais complexa do muitos gostariam que fosse. Já conversei com várias pessoas sobre isso nos últimos anos e tenho a impressão de que muitos pensam que basta citar alguns versículos das Escrituras e assunto encerrado. Mas não é bem assim. O difícil é determinar quando uma palavra é torpe ou obscena uma vez que a linguagem é algo vivo e as palavras e seus significados mudam com o tempo. Algo que era considerado um palavrão nos dias de Jesus ou Paulo pode nem sequer ser utilizado hoje.

Sendo assim temos que lidar com questões sobre contexto, cultura, significado e eu entendo isso, não sou leigo no assunto e não estou tentando desprezar tais considerações.

Por outro lado, será que o valor de nossas palavras deveria ser determinado pelo meio em que vivemos? Se todos à nossa volta estão usando certas palavras, será que isso significa que nós devemos usá-las também?

Algumas pessoas dizem que o uso de palavrão se tornou natural em nossa cultura e que os únicos que ficam ofendidos são os “legalistas religiosos”. Realmente parece que cada vez mais pessoas estão usando palavrão como parte de seu vocabulário. Mas isso não torna o palavrão menos palavrão. De fato, as pessoas usam certas palavras justamente porque elas querem dizer algo para chocar, dar ênfase, ofender, etc. Ou seja, mesmo com o uso cada vez mais corriqueiro, certas palavras continuam sendo torpes e obscenas em nossa cultura.

O comediante americano George Carlin em seu show “Sete palavras que você nunca deve dizer na TV” demonstrou (mesmo que a contragosto) que há certas palavras que são inapropriadas. Bono que o diga. Por usar uma destas palavras na entrega do Globo de Ouro em 2003, ele criou problemas para a rede de TV norte-americana Fox.

Eu gosto da idéia de que se você não usaria uma determinada palavra numa conversa com sua mãe, numa reunião como igreja, numa entrevista de emprego ou para alguém que você acabou de conhecer, então essa palavra parece não ser apropriada para seu uso corriqueiro. Novamente, parece uma idéia simplista (e talvez seja), mas creio que é um começo.

Seria válido falar palavrão para se identificar com as pessoas que estamos tentando alcançar?

Eu me lembro de quando fazia visitas na antiga Casa de Detenção Carandirú em São Paulo. Os presos tinham um código de respeito para com os “crentes” que os visitavam. Não se falava palavrão perto deles. Percebi o mesmo com relação as prostitutas em alguns prostíbulos onde estive com os missionários do Projeto Toque. Quando alguma delas que não nos conhecia começava a baixar o nível das palavras, era logo censurada pelas companheiras. Fico imaginando o que essas pessoas pensariam ao ouvir um discípulo de Cristo falando as mesmas palavras que elas, apesar de usarem, reprovam. Será que elas veriam evidências de uma nova vida no falar deste discípulo?

Como eu disse em minha reflexão, precisamos rever nosso conceito de liberdade cristã. Para muitos, a nova versão de liberdade que eles estão aderindo é apenas uma revisão da velha escravidão que eles pensam ter deixado para trás.

Liberdade cristã não é liberdade para fazer o que quer que eu desejo. Liberdade cristã é liberdade para servir a Cristo e fazer o que Ele deseja. É liberdade para agradar a Deus. É liberdade no Espírito Santo. E o fruto do Espírito é amor, paz, bondade… domínio próprio.

Lutero colocou da seguinte forma em seu clássico texto Da Liberdade Cristã (1520): “Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém – pela fé. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos – pelo amor.”

Quando leio passagens como Efésios 2.1-5 e 4.22, 1 Pedro 4.3, Tito 3.3, dentre outras, há uma indicação clara de que nossa vida antes de Cristo era marcada por certas coisas que já não devem mais persistir uma vez que estamos ligados à Cristo. Os verbos usados – éramos, andávamos, vivíamos – indicam uma condição passada. Mas agora, diz a Bíblia, somos novas criaturas e devemos despir (despojar) a velha condição. Me parece estranho que seguidores de Cristo queiram continuar na condição passada, exibindo os mesmos maus hábitos e caindo nos mesmos erros.

É neste contexto do novo homem que Paulo fala aos Efésios (4.29): “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe.” (ARA)

O dicionário Houaiss define TORPE como:

  1. que contraria ou fere os bons costumes, a decência, a moral; que revela caráter vil; ignóbil, indecoroso, infame
  2. que contém ou revela obscenidade; indecente
  3. que causa repulsa; asqueroso, nojento
  4. que apresenta mácula; sujo

Ou seja, mesmo considerando as mudanças do vocabulário com o decorrer dos tempos, uma palavra torpe hoje continua sendo torpe.

Algumas pessoas argumentam que xingar é ser transparente e honesto. Todavia, o próprio bom senso nos diz que não devemos ser transparentes em tudo exatamente. Ainda que não exista nada em nossa vida que esteja oculto aos olhos de Deus – não há áreas privadas diante de Deus – há todavia, áreas e coisas que fazemos que não deveriam se tornar públicas. Por exemplo, o exercício de nossas necessidades físicas. Ninguém que tenha um bom senso ira advogar que, em nome da transparência, deve-se abaixar as calças em público e se aliviar na frente de todos. Isso seria indecoroso na maioria das culturas e sociedades do nosso mundo hoje. Ou seja, a tal de transparência neste caso me parece mais uma desculpa para obscenidade do que algo sincero.

Todd Hunter, presidente do Curso Alpha certa vez disse: “Como um discípulo de Jesus usa sua linguagem? O amor deve ser o árbitro de todo o falar.”

Quando você manda alguém ir se f**** ou chama uma pessoa de filho da p***, você está demonstrando amor? Você consegue ver a atitude de Cristo nisso? Imagino que não. Não importa o quão transparente você diga que está sendo, a única coisa que sua atitude transparente está demonstrando é a ira e falta de domínio próprio.

Então ouço pessoas apontando outros pecados, dizendo que alguém não xinga, mas odeia de qualquer maneira. Ora, um pecado não justifica o outro. Deus nos chamou para uma nova vida, com novas atitudes e novos hábitos.

Creio que xingar é um mal hábito e como todo mal hábito deve ser desencorajado, procurando livrar-se dele em busca de novos hábitos. Gosto do Bono como artista. Lendo uma de suas entrevistas certa vez, achei curioso que ele mesmo considera o falar palavrão como um mal hábito que ele possui. Mesmo gostando de sua arte, não significa que eu deva gostar ou adquirir seus maus hábitos.

Jesus elevou os padrões para os seus seguidores, em vez de diminuí-los como muitos aderentes da graça barata parecem pensar que Ele tenha feito. Tiago nos chama para um viver comprometido com os pobres e oprimidos ao mesmo tempo em que nos mantemos incontaminados com o mundo – inclusive no falar (1.26-27). Uma simples leitura a carta de Tiago revela que ele tinha muito a dizer sobre o Cristianismo prático e o uso da língua.

Por tudo isso e mais um pouco, creio que os seguidores de Cristo devem evitar ao máximo o uso de linguagem torpe/obscena, especialmente em público.

Que Deus nos ajude a viver não no legalismo nem na libertinagem, mas na verdadeira liberdade no Espírito.

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Arte: Svetlana Nikulina

Quando Deus parece não fazer sentido

posted by Sandroin Igreja, discipuladoComments (6)

A postagem abaixo é a tradução de algo que li ontem e gostaria de compartilhar com os leitores de meu blog. Foi escrita por Mark, aquele pai que perdeu o filho de 18 anos no mês passado (veja Perda Irreparável). Para quem já viveu o luto ou ao menos leu A Anatomia de Uma Dor de C.S. Lewis, sabe que é um processo extremamente doloroso. Algumas pessoas parecem sucumbir diante das perdas da vida, enquanto outras parecem encarnar o texto bíblico que diz: “da fraqueza tiraram forças.” Eu fico sempre pasmado diante da atitude de Jó que, ao ouvir de suas perdas, caiu de joelhos e adorou a Deus. Lutero disse: “Deixe Deus ser Deus!” Talvez seja somente assim que sejamos capazes de adorá-Lo mesmo quando Ele parece não fazer sentido.

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O Mike morreu num sábado e no domingo quando entramos na igreja as pessoas ficaram muito surpresas ao nos verem. E nós ficamos muito surpresos com a surpresa delas. “Vocês são incríveis” é outro comentário que ouvimos frequentemente, mas não nos diz respeito. Me perguntam se eu estou irado com Deus? Nos meses e anos recentes aconteceram muitas situações confusas envolvendo pessoas que fizeram com que amigos ficassem desiludidos com a igreja e a abandonassem.

Eu não entendo isso! Por que a Kathy e eu não iríamos querer estar na igreja no dia seguinte e adorar a Deus que levou nosso filho para estar com Ele? Há uma dinâmica da presença de Deus quando o povo de Deus se reune que não existe quando eu adoro a Deus sozinho. Muitos de vocês conhecem minhas tendências não conformistas, então eu também tenho minhas lutas com a “igreja”, e acho outros cristãos um bando esquisito. Como fui capaz de ficar 30 anos com os navios da OM me faz sorrir, MAS apesar de que tanto eles como eu sejamos esquisitos, eu amo o povo de Deus e Ele usa Seu Corpo para me abençoar. Ira para com Deus não é uma emoção que eu tenha experimentado. Escolho louvar a Deus diariamente. Eu orei durante anos por meus filhos para que eles estivem bem. Que alegria é saber que o Mike está no céu. Mas também não tenho idéia do que Deus está fazendo ou do que Ele protegeu o Mike.

Não somos incríveis. Somos abençoados. Deus derrama sobre nós tantas bênçãos e fico tão triste que amigos sintam desiludidos pela humanidade revelada por cristãos. Vivemos num mundo caído e tanto cristãos quanto não cristãos irão se comportar de maneiras que não estão em sintonia com o ensino bíblico. Isso não é uma razão para que eu não adore a Deus na igreja com outros que fracassaram e continuam fracassando. Quem somos em nossa vida privada? Se todos confessássemos isso então penso que a igreja estaria vazia!

Onde temos falhado

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“Temos escolhido pessoas [para liderar] mais por seu carisma do que por seu caráter. Temos as escolhido mais por sua imagem do que por sua integridade. Temos escolhido mais por seu estilo do que por sua substância.”

- Bill George, The Forum 2009